XP Expert

Zeina Latif: As dificuldades da intervenção no dólar

São comuns manchetes apontando a maior valorização ou o maior enfraquecimento do real na comparação com demais moedas. Ocorre que o real é das moedas mais voláteis do mundo, devido à sua relevância nos mercados globais e à própria instabilidade da economia brasileira.

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

São comuns manchetes apontando a maior valorização ou o maior enfraquecimento do real na comparação com demais moedas. Ocorre que o real é das moedas mais voláteis do mundo, devido à sua relevância nos mercados globais e à própria instabilidade da economia brasileira.

Procurar conter a elevada volatilidade do real é decisão acertada do Banco Central, pois ela prejudica o funcionamento da economia. Dificulta as decisões de importação e exportação, investimento e planejamento das empresas.

Estabelecer limites para a oscilação do dólar – sonho de muitos – seria, porém, grande equívoco. Não é possível ter meta de inflação e de taxa de câmbio ao mesmo tempo. Já utilizamos no passado regimes de administração da taxa de câmbio e eles se mostraram insustentáveis, enquanto o regime de metas de inflação tem sido bem-sucedido.

O que os bancos centrais procuram fazer é suavizar a oscilação da moeda, sem estabelecer limites e sem buscar alterar seu ciclo. Este último é, em boa medida, determinado por fatores externos, ou seja, pelo próprio ciclo do dólar no mundo. Grosso modo, em momentos de tensão ou quando a economia norte-americana vai melhor que o resto do mundo, o dólar se fortalece, como agora.

O Banco Central conta com uma série de instrumentos de intervenção que podem ser usados: a compra ou venda de dólar aumentando ou reduzindo as reservas internacionais; a venda de dólar com compromisso de recompra posterior; e os inovadores swaps cambiais ou swaps reversos, que equivalem a compromisso de venda ou compra de dólar no futuro e, tendo como contrapartida, receber ou pagar juros básicos ao investidor.

O papel das intervenções é basicamente o de corrigir distorções de curto prazo que prejudicam a formação de preços no mercado cambial, gerando saltos nas cotações e dinâmicas nos preços descolados dos fundamentos domésticos e do que ocorre nos mercados mundiais. Importante lembrar que o mercado financeiro é vulnerável a situações de euforia e pânico e ao “efeito manada”, que é quando o operador do mercado toma uma decisão seguindo os demais, a despeito de suas convicções divergirem, por temer estar errado e perder dinheiro sozinho.

Falar é fácil, difícil é fazer. É complicado diagnosticar o quanto a dinâmica do mercado reflete ajustes naturais a eventos não esperados ou distorções que demandam ação dos bancos centrais. Há complexos fatores técnicos necessários para definir a estratégia de intervenção – momento, duração, dosagem e instrumento –, como a dinâmica dos preços, a liquidez dos mercados, o sentimento de investidores e o cenário externo.

Bancos centrais também não podem fechar os olhos a fraquezas domésticas, que tornam mais difícil a tarefa de evitar excessos de depreciação do que de valorização da moeda, como mostra a experiência de países emergentes. Em uma economia com fundamentos frágeis, como contas públicas e externas desequilibradas, não convém forçar a queda da cotação do dólar. Sua oscilação é peça importante para o ajuste da economia.

Um ativismo excessivo em um mercado tão fluido e impactado por amplo leque de fatores não é boa ideia. Pode trazer mais incertezas e, portanto, pressão cambial, por exemplo ao reduzir as reservas internacionais em momentos de estresse e ao sugerir o temor da autoridade monetária com o enfraquecimento da moeda ou mesmo uma maior preocupação com o quadro econômico. A política pode se mostrar inócua ou, pior, contraproducente, gerando resultados diferentes do desejado e custos fiscais desnecessários.

A nova gestão do Banco Central tem exibido um perfil mais intervencionista, inclusive retomando as vendas de dólar no mercado à vista. É possível que a intenção seja também de reduzir o volume de reservas internacionais, visando a redução de custos fiscais. Talvez não seja um bom momento.

É natural que as novas ações do Banco Central gerem ruídos no mercado cambial. Isso exige maior capacidade de comunicação da autoridade monetária. Convém evitar ruídos desnecessários em quadro já tão complexo.

29 de Agosto de 2019

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.