XP Expert

Zeina Latif: Vasos comunicantes

A receita para o crescimento de longo prazo de um país não está na macroeconomia. As políticas macroeconômicas estão mais associadas ao desempenho da economia no curto/médio prazo, sendo sua função suavizar o ciclo econômico. A receita do crescimento está na microeconomia, ou seja, na capacidade de um país de promover ganhos de produtividade. Mas […]

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

A receita para o crescimento de longo prazo de um país não está na macroeconomia. As políticas macroeconômicas estão mais associadas ao desempenho da economia no curto/médio prazo, sendo sua função suavizar o ciclo econômico. A receita do crescimento está na microeconomia, ou seja, na capacidade de um país de promover ganhos de produtividade. Mas macro e micro não são coisas independentes. Há importantes conexões entre elas.

No Brasil há várias distorções microeconômicas causadas por regras, inclusive tributárias, que dificultam o bom funcionamento dos mercados, o que, aliado à baixa qualidade da política, fiscal, geram tremenda má alocação de recursos na economia e, portanto, menor potencial de crescimento.

Ocorre que a confusão microeconômica do país reduz a eficácia da política macroeconômica. Alguns exemplos: o mercado de credito é segmentado, sendo que atualmente mais da metade das concessões de crédito têm taxas subsidiadas, o que significa que é necessário ter taxa de juros mais elevada para garantir o efeito desejado da política monetária. Outros exemplos são as leis trabalhistas e o difícil ambiente de negócios, com regulações excessivas, que desincentivam a produção. Com custo-país elevado, a estrutura produtiva tende a ficar mais concentrada, pois só com ganhos de escala é possível diluir tamanho custo fixo. Fatores como estes acima tornam a oferta de bens e serviços mais rígida, e assim, o país fica mais sensível a choques inflacionários. Um grande peso nos ombros do Banco Central.

O emaranho das políticas públicas é tal que muitas vezes atrapalha o diagnóstico dos problemas. Por exemplo, culpa-se injustamente o Banco Central pelas taxas de juros elevadas. Mas como ter taxas de juros equivalente à dos pares na América Latina (em média de 5% na Colômbia, Chile, México e Peru) com tantas distorções aqui, isso sem contar os excessos fiscais?

Quando as políticas macro funcionam mal, acabam fragilizando também o crescimento de longo prazo. Ora, um ambiente macroeconômico instável prejudica o investimento na produção e na qualificação da mão-de-obra, e atrapalha a gestão dos negócios. São fatores que prejudicam a produtividade das empresas e comprometem o crescimento de longo prazo.
É inegável que a taxa Selic mais elevada produz consequências adversas, por exemplo ao desestimular o investimento produtivo. O que não se pode é deixar de reconhecer o que veio primeiro, para assim atacar o problema de forma adequada. Muitas vezes o governo alimenta um círculo vicioso ao tentar equivocadamente compensar o efeito da taxa de juros elevada por meio de novas distorções, como as políticas de subsídios e proteções a setores e empresas.

Uma forma de apontar o quanto a macroeconomia importa é analisar a posição do Brasil nos levantamentos globais de competitividade. Na comparação com a América Latina, o ponto que realmente prejudica o panorama do país é o quesito ambiente macroeconômico. Conforme ranking do Fórum Econômico Mundial (no Brasil elaborado em parceria com a Fundação Dom Cabral), a nota do Brasil é 3,5 e a da América Latina, que não é nenhuma maravilha, é 4,5. O que realmente segura uma posição razoável do Brasil no ranking total (se bem que não evitou sua queda nos anos recentes) é o tamanho de mercado. Ou seja, a dádiva, não a conquista.

Enfim, agenda macro e agenda micro estão mais conectadas do que se imagina. Seria importante avançar em ambas para garantir um ambiente macroeconômico estável e benigno.

28 de Outubro de 2016

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.