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Sinais mistos em maio, mas atividade segue em tendência de crescimento no curto prazo

Mercado de trabalho e setor de serviços permanecem fortes, mas varejo começa a dar sinais de desaceleração

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A atividade econômica apresentou sinais mistos em maio. O crescimento do setor de serviços (acima do esperado) manteve o papel protagonista, em linha com a tendência de expansão do consumo das famílias. Esta dinâmica reflete  o aumento da renda disponível (emprego em alta + estímulos fiscais) e  benefícios remanescentes da maior mobilidade. Pelo lado menos encorajador, observamos recentemente algumas evidências de perda de fôlego em segmentos do comercio e da indústria.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) – proxy mensal do PIB – recuou ligeiramente 0,1% entre abril e maio, após ajuste sazonal. Em comparação a maio de 2021, por sua vez, o IBC-Br registrou expansão de 3,7%. Nosso Tracker – estimativa de alta frequência – para o PIB do 2º trimestre de 2022 continua a indicar expansão de 0,8% em relação ao 1º trimestre (e alta de 2,6% ante o 2º trimestre de 2021). Projetamos que a economia brasileira crescerá 2,2% em 2022.

Mercado de Trabalho

O mercado de trabalho melhorou adicionalmente em maio: a taxa de desemprego recuou de 10,5% no trimestre móvel encerrado em abril para 10,0% no trimestre móvel até maio, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE. Considerando a estimativa mensalizada dessazonalizada (método próprio), a taxa de desocupação chegou a 9,2% em maio, menor patamar desde o 2º semestre de 2015.

A população ocupada total cresceu 0,9% entre abril e maio (de 97,2 para 98,0 milhões), marcando o 14º aumento consecutivo na margem. Enquanto isso, a População Economicamente Ativa (PEA), que representa a força de trabalho, avançou 0,3% no mesmo período (de 108,1 para 108,5 milhões). Com isso, a população ocupada e a força de trabalho situaram-se, em maio deste ano, cerca de 2,7% e 1,2% acima dos patamares registrados antes da eclosão da crise da Covid-19, respectivamente (fev/20 como referência).

As categorias de emprego informal expandiram 1,2% em maio após saltarem 1,9% em abril, puxadas pela reabertura econômica e sólida recuperação da atividade doméstica. Estimamos que a população empregada sem carteira assinada totalizou 42,5 milhões, ficando cerca de 4% acima do total registrado logo antes da pandemia. Por sua vez, o nível de emprego formal cresceu 1,8% em maio, em linha com a surpreendente geração de vagas apresentada pelo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia. Os empregos formais somaram 56,3 milhões no mês, incremento de 1,6 milhão em comparação ao início de 2020.

Enquanto isso, o rendimento real médio subiu 0,3% em maio após ter ficado praticamente estável nos três meses anteriores. Isto posto, o indicador ainda está rodando cerca de 7% abaixo dos níveis registrados antes da crise do coronavírus, como reflexo da inflação persistentemente alta e dos menores salários reais de admissão. Por sua vez, a massa de rendimento real – combina rendimento médio com população ocupada – cresceu 1,2% em maio. A variável situa-se cerca de 4% abaixo dos níveis observados antes da crise de saúde pública. Porém, reiteramos que o conceito de “massa de renda ampliada disponível” (mais abrangente do que o indicador de massa de renda do trabalho) subiram fortemente no período recente, dando fôlego de curto prazo para a atividade econômica, em linha com as maiores transferências do novo programa social do governo (Auxílio-Brasil) e medidas de estímulo fiscal recentemente adotadas, tais como a liberação de saques extraordinários do FGTS e a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.

Setor de Serviços

A receita real do setor de serviços cresceu 0,9% em maio na comparação com abril, surpreendendo positivamente as projeções do mercado. Em relação ao mesmo mês de 2021, houve avanço de 9,2%.

Os resultados desagregados da Pesquisa Mensal do Serviços mostraram crescimento generalizado nas atividades do setor terciário, uma vez que todos os cinco grupos pesquisados pelo IBGE avançaram na comparação mensal. Mais uma vez, os Serviços Prestados às Famílias foram destaque positivo entre as categorias.

O afrouxamento das políticas de restrição de mobilidade, em conjunto com o aumento da renda disponível das famílias, continua a impulsionar a demanda por esses serviços no curto prazo, incluindo as atividades de turismo.

O índice geral do setor de serviços situa-se 7,2% acima do nível pré-pandemia. Ainda vemos sinais mistos em relação à composição setorial. Por exemplo, o grupo de Serviços Prestados às Famílias mostra receita real cerca de 7% abaixo dos números vistos pouco antes do surto de coronavírus, enquanto os Serviços de Transporte e Armazenamento estão quase 17% acima daquela referência.

O aquecimento do setor sustenta preocupações acerca da dinâmica da inflação de serviços. As últimas divulgações do IPCA, por exemplo, mostraram o grupo de preços de serviços bastante pressionado (e com altas disseminadas entre os itens).

Comércio Varejista

As vendas no comércio varejista ampliado (incluem automóveis e materiais de construção) subiram 0,2% entre abril e maio, mas contraíram 0,7% na comparação interanual. Enquanto isso, as vendas no varejo restrito (excluem automóveis e materiais de construção) variaram 0,1% na margem, marcando o quinto aumento consecutivo, porém declinaram 0,2% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Explicando o desempenho mais fraco que o esperado no mês, notamos o aperto gradual nas condições de crédito. Isso afeta, de forma mais relevante, as vendas de segmentos como: móveis; eletrodomésticos; materiais de construção; produtos eletrônicos; e veículos. . Por sua vez, o varejo mais ligado à dinâmica da renda segue emitindo sinais positivos, devidos aos fatores elencados acima.

Vale ressaltar que, mesmo com dados fracos referentes a maio, não deve haver desaceleração substancial do varejo no curto prazo. Afinal, várias atividades do comércio continuam em terreno positivo. Por exemplo, sete entre os dez grupos pesquisados pelo IBGE registraram ganhos em maio comparado a abril.

Indústria

A produção industrial aumentou 0,3% entre abril e maio, resultado que representa o quarto avanço mensal consecutivo do setor, embora não compense totalmente a queda de 1,9% registrada em janeiro. Em comparação a maio de 2021, o volume produzido na indústria cresceu 0,5%, primeira variação positiva desde julho de 2021. O setor industrial está 1,1% abaixo dos níveis pré-pandemia.

Os resultados da indústria em maio mostraram sinais predominantemente positivos nas principais categorias. A produção de Bens de Capital desempenhou papel importante ao subir 7,4% na margem, após queda de 6,8% em abril (aumento de 1,6% em relação a dezembro de 2021), um sinal encorajador para a dinâmica de curto prazo da Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos, pela ótica do PIB).

A nosso ver, a indústria brasileira deve se recuperar gradativamente ao longo deste ano, ainda que algumas atividades fabris continuem a enfrentar gargalos nas cadeias de suprimentos. Dito isso, o pior em relação às restrições de oferta aparentemente ficou para trás.

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