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Sinais de recuperação no mercado de trabalho brasileiro seguem ambíguos

Nesta quinta-feira, foram divulgados os dados de mercado de trabalho do CAGED e PNAD Contínua (IBGE). Os resultados foram ambíguos. A criação de postos formais de trabalho (CAGED) manteve o ritmo forte dos meses anteriores em dezembro, enquanto a avaliação mais ampla do mercado, feita pela PNAD, mostra sinais de enfraquecimento na margem. Entendemos que este já seja um primeiro indício de desaceleração da economia brasileira na passagem de 2020 para 2021, especialmente pela ótica da PNAD.

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PNAD: força de trabalho cresce em ritmo superior ao da população ocupada

O IBGE divulgou na manhã desta quinta-feira os resultados de emprego e renda da PNAD Contínua. Em novembro do ano passado, a taxa de desemprego ficou em 14,1%, em linha com a nossa expectativa e levemente acima do consenso de mercado (14,0%). Na ótica dessazonalizada, a taxa de desemprego teve alta de 0,3 ponto percentual, passando de 14,4% em outubro para 14,7% em novembro. O principal motivo para tal performance no mês foi a aceleração mais forte da Força de Trabalho (1,1%) ante o da População Ocupada (0,8%). Com isso, a População Desocupada atingiu 14,5 milhões de pessoas em outubro (2,3 milhões a mais que em fevereiro). Se adicionarmos os subocupados e os desalentados, o IBGE aponta que há no país um contingente subutilizado na ordem de 26,9 milhões de pessoas.

Com a PNAD, completamos o cálculo do nosso indicador de Massa Ampliada de Renda dos brasileiros (MAR-XP) – onde agregamos as transferências emergenciais do governo, benefícios previdenciários e sociais e a renda do trabalho. Em novembro, o indicador teve queda de 2,9%, atingindo os R$ 276,8 bilhões. Para frente, essa queda tende a continuar, dado que o fim dos auxílios emergenciais neste mês não deve ser totalmente compensado pela  evolução da renda do trabalho.

Na composição do tipo de emprego, com a reabertura gradual da economia, os informais vêm apresentando um desempenho melhor nos últimos três meses. Na comparação interanual e se valendo da PNAD mensalizada (abordagem distinta da oficialmente divulgada pelo IBGE, que é realizada em médias móveis trimestrais), a PO do emprego informal teve uma aceleração de -12,0% em outubro para -11,1% em novembro, enquanto a PO do emprego formal desacelerou de -6,8% para -7,3%.

Caged: mesmo em ano de pandemia, saldo de empregos formais no Brasil é positivo em 2020

De acordo com o cadastro geral de admissões e desligamentos no mercado de trabalho formal brasileiro (Caged), 67,9 mil empregos formais foram destruídos em dezembro de 2020. Na série com ajuste sazonal, isso significa que cerca de 372 mil novos empregos foram criados no período.

Em 2020, o Caged totalizou um saldo positivo de mais de 280 mil empregos formais, um número 43,6% inferior ao observado em 2019 (quando 644 mil postos foram criados), mas muito melhor do que poderia ter sido na ausência do BEm (Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda implementado durante a pandemia).

O resultado de hoje veio acima tanto da nossa expectativa (-198 mil) quanto do consenso de mercado (-140 mil). E o que explicou o saldo positivo pelo sétimo mês consecutivo foram, principalmente, as admissões temporárias ainda altas e a recuperação do setor de serviços, que tem se beneficiado da reabertura das atividades econômicas. O salário médio real de admissão aumentou 1,55% no mês, passando para R$ 1735,39 em dezembro.

Não existem evidências de que os números do Caged estejam surpreendendo por consequência do efeito das subnotificações por parte das empresas. O nosso entendimento é de que foram os programas de incentivo governamentais os grandes responsáveis por esses números mais fortes do que o esperado.

Olhando para os próximos meses, a grande incerteza está justamente no ritmo de recuperação que deve ser apresentado pelo mercado de trabalho formal quando esses programas forem retirados da economia. Como a economia segue bastante fragilizada e os números de Covid-19 continuam pressionados, não se sabe ao certo se, na ausência dos incentivos, as empresas terão condições de readmitir os funcionários com os quais fizeram acordos no ano passado.

Ainda assim, em um cenário de recuperação gradual da pandemia, esperamos que mais de um milhão de empregos formais sejam criados no Brasil em 2021.

O descasamento entre a Pnad e o Caged

Os dados referentes ao mercado de trabalho divulgados hoje pela manhã trouxeram, novamente, interpretações ambíguas, como ilustra o gráfico abaixo. (poe uma bolinha vermelha no gráfico mostrando a diferença em novembro).

Mas afinal, o mercado de trabalho está ou não se recuperando?

Na leitura geral, entendemos que o mercado de trabalho vem apresentando trajetória benigna. Tanto o CAGED (mercado de trabalho formal) de dezembro quanto a PNAD Contínua (mercado de trabalho formal e informal) de novembro reforçam uma boa recuperação dos postos de trabalho destruídos no início da pandemia. A grande fonte de incerteza sobre o desemprego ainda paira sobre a transição do fim dos auxílios para famílias e empresas em 2021, sobre os desafios da economia brasileira e sobre a agenda de reformas, que pode trazer confiança, principalmente, ao setor de serviços.

Ao longo do ano, projetamos que o desemprego, com ajuste sazonal, atinja a sua maior taxa entre os meses de março e abril de 2021 (projetamos algo em torno de 16,0%). A evolução do retorno da força de trabalho a partir de janeiro (com o fim dos auxílios emergenciais) e do plano nacional de vacinação serão fundamentais para essa trajetória do mercado de trabalho continue ao longo de 2021.

Quanto ao Caged, ainda não parecem existir provas o suficiente de que as subnotificações durante a pandemia estejam “maquiando” o número de desligamentos, mas existe a possibilidade de que o fim do BEm pressione as estatísticas. De toda forma, o ritmo de admissões (que não tem esse eventual efeito de subnotificações) segue avançando favoravelmente.

Os próximos meses serão essenciais para entendermos melhor como se dará esse ritmo de recuperação do mercado de trabalho. Por enquanto, tanto a PNAD quanto o Caged apontam para uma tendência positiva, apesar da volatilidade recente (especialmente na PNAD). Os riscos seguem concentrados na reação da economia após o fim auxílio, do programa Bem e das eventuais consequências da segunda onda da COVID-19.

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