Revisamos nossas projeções de IPCA para 2021

Choques nos preços das commodities e bens de consumo duráveis motivam revisão de projeção de inflação para 2021 de 2,6% para 3,6%.


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Resumo

  • O IPCA de outubro ficou em 0,86%, levemente abaixo da nossa expectativa (0,88%) e acima do consenso de mercado (0,84%).
  • A leitura de hoje, somada à alta adicional recente dos preços das commodities e ao descasamento entre oferta e demanda em alguns setores (especialmente bens de consumo duráveis), aponta para uma inflação mais elevada nesse e no próximo ano.
  • Revisamos a nossa projeção de IPCA para 2020 de 3,3% para 3,6% e, para 2021, de 2,6% para 3,6%.
  • A maior parte do choque corrente tende a ser temporário, uma vez que a ociosidade da economia – principalmente no mercado de trabalho – continuará elevada em 2021. De fato, o IPCA anualizado e dessazonalizado deve ficar em torno de 3,3% no segundo semestre do ano que vem, abaixo da meta do Banco Central de 3,75%.

Destaques

O IPCA divulgado hoje apresentou algumas alterações em sua composição. Dentre elas, destacamos a leitura dos semi-duráveis, que já começaram a refletir certo descasamento entre oferta e demanda e os efeitos da depreciação cambial. Para 2020, com apenas 2 divulgações restantes (novembro e dezembro), a volatilidade deve perdurar. Diante disso, nós elevamos nossa projeção para o final do ano de 3,3% para 3,6%, principalmente devido à continuidade das pressões na inflação de alimentos e bens industriais.

Como nós já havíamos mencionado na análise do IPCA-15 de outubro: “o problema é que o ruído de curto prazo pode ser ainda maior e ele vem sendo acompanhado por um choque intenso nos preços dos alimentos em todo o mundo. Por isso, estejamos preparados para mais aumentos nas projeções de inflação curto prazo”.

Em resumo, o principal destaque da divulgação do IPCA foram os preços de vestuário. Nós esperamos que os descontos da tradicional “Black Friday” não sejam tão elevados dessa vez, uma vez que as margens dos comerciantes estão muito comprimidas depois de uma brusca queda nas vendas e um aumento acelerado dos custos. Além disso, existem inúmeras notícias falando sobre estoques baixos para as vendas de Natal.

Como nós também dissemos em nossa última análise, os preços dos alimentos devem continuar elevados, pelo menos, até abril de 2021. A China tem comprado todos os grãos e carnes possíveis e ainda teremos o forte efeito do La Niña, mudando as perspectivas para um clima mais seco. Abaixo, temos dois gráficos que mostram a alta recente nos preços de alguns alimentos (atacado):

Com relação aos núcleos de inflação, reforçamos nossa última mensagem: “há um efeito base forte que contamina a análise de inflação de curto prazo. Essa aceleração recente dos núcleos atingirá o pico na leitura de novembro e, em seguida, deverá voltar para algo em torno de 2,2% -2,5%”. Abaixo, ilustramos a projeção da nossa medida preferida de núcleo de inflação até o final de 2021.

Vamos, agora, comparar o nosso novo cenário com o que tínhamos anteriormente:

  • Preços administrados:  Nós elevamos a nossa projeção de eletricidade devido ao clima seco e agora nós projetamos bandeira amarela e janeiro e dezembro de 2021. Além disso, nós elevamos nossa projeção de “planos de saúde” Além disso, nós aumentamos nossa expectativa de reajuste do sistema de saúde.
  • Bens industriais:  Os dois grupos que mais contribuíram para essa revisão não estão relacionados a uma recuperação mais acelerada da atividade econômica no ano que vem, mas sim ao repasse cambial defasado que deve impactar alguns itens no ao longo do primeiro semestre de 2021. Depois de conversar com algumas empresas de ambos os setores (bens duráveis e bens semiduráveis), decidimos incluir alguns riscos de alta em eletrodomésticos e vestuários. Além disso, os preços do algodão aumentaram mais de 40% neste ano e devem continuar impactando a coleção de 2021.
  • Serviços: As projeções para este grupo permaneceram praticamente as mesmas, uma vez que ainda o mercado de trabalho ainda muito fraco e o hiato do produto negativo devem continuar pesando sobre os salários e os preços dos serviços pessoais. Em comparação com 2020, o grupo de Serviços acelerará devido aos preços mais altos das passagens aéreas e alimentação fora de casa (que já têm refletido os preços muito mais altos dos alimentos). Além disso, esperamos que os preços dos aluguéis acelerem principalmente devido ao IGPM que deve fechar esse ano acima de 20%.
  • Alimentos no domicílio:  Nós elevamos nossa projeção de 1,6% para 4,0% neste grupo, principalmente devido ao La Niña e à enorme demanda chinesa por grãos e carne bovina. O rebanho suíno chinês está demorando mais do que o esperado para ser reconstruído após a PSA (peste suína africana) e por isso o país tem demandado mais grãos do que o previsto.

Em suma, entendemos que os riscos de inflação para 2021 estão bem equilibrados e a inflação de alimentos de curto prazo não deve preocupar o Banco Central, como eles já afirmaram na ata da última reunião do Copom. O momento para um choque nos preços dos alimentos não poderia ser melhor (da perspectiva de um analista) para o BC, já que o núcleo da inflação deve se acomodar abaixo da meta do próximo ano após o pico de curto prazo.

Vale ressaltar que a maior parte da revisão do IPCA de 2021 está concentrada no primeiro trimestre. A maioria do choque inflacionário corrente tende a ser temporária, já que a desaceleração da economia – principalmente no mercado de trabalho – continuará relevante ao longo de 2021. De fato, o IPCA anualizado com ajuste sazonal deve ficar em torno de 3,3% no ano que vem, abaixo da meta do Banco Central, de 3,75%.

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