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Revisamos nossa projeção de política monetária dos EUA frente ao discurso otimista do Fed

O Fed - banco central dos EUA - manteve o intervalo-alvo para a taxa básica de juros em 5,25%-5,50%. O comunicado que acompanhou a decisão foi considerado otimista. Dito isso, antecipamos nossa projeção de início de cortes de juros nos EUA do terceiro para o segundo trimestre do ano que vem.

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Reunião do Fed

Conforme amplamente antecipado pelo mercado, o Fed – banco central dos EUA – manteve o intervalo-alvo para a taxa básica de juros em 5,25%-5,50%. O comunicado que acompanhou a decisão foi otimista (considerado suave – dovish em “financês” – pelo mercado financeiro), pois destacou pela primeira vez que “a inflação diminuiu ao longo do ano passado” e que “o crescimento econômico desacelerou frente ao ritmo forte no terceiro trimestre”. Estes elementos são importantes para que o Fed consiga encontrar espaço para flexibilizar a política monetária.

Em relação às projeções macroeconômicas dos membros do comitê de política monetária (FOMC), publicadas no Summary of Economic Projections (SEP, sigla em inglês), um documento de natureza trimestral, as revisões das estimativas também transmitiram uma mensagem dovish. Para 2024, a mediana das projeções para a taxa de juro dos EUA diminuiu de 5,1% para 4,6%, implicando cortes de 0,75 p.p. no ano (antes o corte era de 0,50 p.p.). Já para 2025, a mediana diminuiu de 3,9% para 3,6%. Quanto a projeção de 2026, considerada a visão do FOMC sobre o nível neutro de juros no curto prazo, permaneceu inalterada em 2,9%.

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a projeção para 2023 aumentou  consideravelmente, de 2,1% para 2,6%, enquanto para 2024, houve uma pequena diminuição de 1,5% para 1,4%, e para 2025, um aumento de 1,8% para 1,9%. EM relação ao mercado de trabalho, a expectativa para a taxa de desemprego permaneceu estável em 3,8% para 2023, e em 4,1% para 2024 e 2025. A projeção para a inflação medida pelo do deflator das despesas de consumo pessoal (PCE, sigla em inglês) foi reduzida de 3,7% para 3,2% em 2023, de 2,6% para 2,4% em 2024, e de 2,3% para 2,2% em 2025. As revisões baixistas para as projeções de juros de referência e inflação, reforçaram a visão mais benigna do banco central norte americano.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, intensificou ainda mais o tom positivo. Powell disse que (1) o momento apropriado para iniciar cortes de juros foi discutido nesta reunião pela primeira vez, (2) um progresso considerável foi feito na frente da inflação, (3) o Fed quer começar a cortar os juros muito antes da inflação chegar a 2% já que a política monetária tem um efeito defasado, e (4) a resiliência da atividade não é por si só um problema. Powell moderou esses comentários de certa forma, mantendo abertas as possibilidades para futuras reuniões e não descartou a possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros caso seja necessário, embora o tom geral tenha sido claramente bastante dovish.

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Nossa visão

O tom do FOMC mudou consideravelmente na margem, removendo seu viés altista e abrindo a porta para cortes de taxa no futuro próximo. Em nossa visão, as projeções e comunicações atualizadas mostraram-se muito mais otimistas do que o previsto, alterando a trajetória esperada para a política monetária em 2024. Não surpreendentemente, após a decisão, os mercados reagiram positivamente. Os juros dos títulos do Tesouro com prazo de 2 anos caíram mais de 0,35 p.p., enquanto dos títulos de 10 anos recuaram cerca de 0,25 p.p., refletindo a valorização destes ativos. Os mercados passaram a projetar cortes de pelo menos 1,50 p.p. na taxa de juros em 2024 a partir de março (o dobro do corte sugerido pelo SEP).

Portanto, parece muito provável que o ciclo de flexibilização monetária se inicie mais cedo do que o previsto, embora, em nossa opinião, a visão do mercado se tornou excessivamente otimista em apostar em cortes das taxas já no primeiro trimestre do ano que vem. Acreditamos que ainda é cedo para o Federal Reserve relaxar sua postura, considerando que: (1) o núcleo da inflação permanece elevado, inclusive com sinais recentes de reaceleração; (2) o mercado de trabalho permanece aquecido; (3) o crescimento salarial permanece acima do nível consistente com a convergência da inflação para à meta; (4) a atividade econômica ainda não mostrou sinais convincentes de enfraquecimento; e (5) a política fiscal deve permanecer expansionista ao longo de 2024 e limitar o impacto contracionista da política monetária apertada.

Revisão de projeção

Em vista do tom do comunicado do Federal Reserve, estamos ajustando nossas projeções para os cortes nas taxas de juros, embora mantemos nossa visão estrutural de médio prazo. Agora, prevemos que o Federal Reserve reduzirá as taxas em um total de 1,50 p.p. em 2024, iniciando em maio (antes esperávamos 1,00p.p. começando em julho). Isso implica que limite superior dos juros de referência terminará o próximo ano em 4,0% ainda em território contracionista em meio à níveis de inflação ainda acima da meta de 2%. Esperamos que a taxa básica de juros se estabilize no intervalo-alvo de 3,0%-3,5% em 2025 (inalterada em relação à projeção anterior), que consideramos o novo nível neutro de médio prazo. Nosso cenário base contempla cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do ciclo de flexibilização monetária, embora exista a possibilidade de o Federal Reserve optar por acelerar o ritmo, caso a atividade econômica enfraqueça mais do que o esperado.

Neste contexto, antecipamos que os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos permanecerão altamente voláteis e sensíveis tanto aos dados quanto às comunicações dos dirigentes do Federal Reserve. É provável que os preços dos ativos globais sejam influenciados por esses movimentos, particularmente as moedas dos mercados emergentes, que tendem a apresentar uma maior volatilidade. Espera-se que os rendimentos dos títulos se estabilizem assim que houver mais clareza sobre a provável trajetória do ciclo de flexibilização.

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