Resultado primário do setor público consolidado atinge 6,38% do PIB em junho


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Principais destaques

  • Conforme dados do Banco Central, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$188,7 bilhões em junho. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado (de R$170 bilhões), e engloba déficit de R$195,2 bilhões registrado pelo governo central e resultados superavitários de R$5,8 bilhões e R$719 milhões apresentado por governos regionais e empresas estatais, respectivamente. O resultado de junho eleva o déficit primário acumulado em doze meses para 6,38% do PIB.
  • Assim como o observado no mês anterior e no resultado do Tesouro Nacional, a queda recorde de mais de 1000% com relação ao mesmo mês de 2019 reflete tanto o aumento de despesas e diferimentos relacionados ao combate ao covid-19, quanto a queda na arrecadação fruto da deterioração da atividade.
  • Já os juros nominais do setor público consolidado somaram R$21,5 bilhões em junho, elevando levemente os gastos com juros para 5% do PIB nos últimos doze meses (de 5,07% em maio). Considerando o resultado, portanto, o déficit nominal do setor público consolidado alcançou 11,38% na mesma métrica, uma leve alta de 2,56p.p. do PIB em relação ao registrado até maio.
  • Do lado da dívida pública, o mês de junho registrou um aumento de 3,6p.p da dívida bruta do governo geral (DBGG), composta por governo federal, INSS e governos estaduais, em relação à maio. Assim, a DGBB atingiu R$6,15 trilhões, o que representa 85,5% do PIB. Enquanto isso, o indicador da dívida líquida do setor público (DLSP), que considera os passivos do setor público líquidos de créditos, dentre os quais as reservas internacionais e os créditos junto a bancos públicos, alcançou R$4,17 trilhões no período, elevando o indicador em 3,1p.p. em relação ao PIB, para 58,1%.
  • Com base nos resultados, nós mantemos nossa projeção de déficit primário para o setor público consolidado de R$853,2 bilhões (12% do PIB) para o ano de 2020, e de 92,5% da relação DBGG/PIB.

Comentários adicionais

O aumento observado tanto em ambos indicadores da dívida (DLSP e DBGG) refletem principalmente os impactos do déficit primário no mês, cuja queda vertiginosa é fruto das medidas de combate ao coronavírus – estimadas em R$527 bilhões para esse ano.

Contribuiu também para o aumento da dívida bruta a emissão de nova dívida pública para financiar o déficit (emissão líquida de dívida), que no ano responde por 5,3p.p. do aumento de 9,7p.p. do indicador em relação ao PIB. Vale notar, nesse contexto, o encurtamento observado nos vencimentos ofertados nos últimos meses, e do consequente prazo médio da dívida pública federal – já reflexo da deterioração fiscal observada ao longo deste ano e de preocupações acerca da trajetória fiscal no pós pandemia.

Finalmente, destaque para a dinâmica da elasticidade e o impacto observados da variação da taxa de câmbio e da taxa Selic nos indicadores de endividamento. No mês de junho, as variações na taxa Selic responderam pela redução de R$36,4 bilhões da DLSP, e R$34,2 bilhões da DBGG. Já as variações da taxa de câmbio reduziram a DLPS em R$12,1 bilhões, enquanto elevaram a DBGG em R$7,1 bilhões. Note que o câmbio tem efeitos opostos nos dois indicadores, com desvalorizações cambiais reduzindo a DLSP, diante da valorização relativa dos ativos, e aumentando a DBGG, diante do “custo de carrego das reservas internacionais” na forma de operações compromissadas (hoje responsáveis por 25% da DBGG).

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