Trump sobe tarifas: Implicações para os mercados e para o Brasil

O presidente dos EUA, Donald Trump, acaba de anunciar a imposição de tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões de produtos importados da China. A medida foi inesperada, uma vez que as sinalizações emitidas recentemente por ambos os países indicavam uma evolução, ainda que gradual.

access_time 01/08/2019 - 15:57
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O presidente dos EUA, Donald Trump, acaba de anunciar a imposição de tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões de produtos importados da China. A medida foi inesperada, uma vez que as sinalizações emitidas recentemente por ambos os países indicavam uma evolução, ainda que gradual.

Os mercados reagem negativamente e, no curto prazo, a leitura é de aumento na volatilidade e nas tensões globais, com risco de desaceleração do crescimento. Entretanto, nosso estrategista global, Alberto Bernal, destaca que a desaceleração pode levar a um corte mais forte de juros nos EUA, que por sua vez sustentaria os mercados emergentes.

No Brasil, há dois potenciais impactos: (1) Crescimento menor, mas difícil de estimar e provavelmente muito marginal; (2) Potencial de vermos mais espaço para corte de juros no Brasil se, de fato, o Banco Central americano acelerar seu passo de cortes. Lembramos que ontem houve corte de 0,5% na taxa de juros, levando a Selic para 6%, e que esperamos mais dois cortes de 0,5%, levando a 5% até o fim de 2019.

Entendendo no detalhe

De acordo com nosso estrategista global, Alberto Bernal, a guerra comercial era um dos maiores riscos a serem monitorados.

A alta das tarifas acentua as tensões comerciais entre os dois países e definitivamente impõe uma carga negativa no cenário econômico mundial.

A queda expressiva nos preços de petróleo hoje é um claro indício da relevância desse assunto.

Medidas que barram o livre comércio e o livre trânsito de fatores produtivos impactam negativamente o crescimento de curto e longo prazo do mundo.

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse achar que a guerra comercial poderia reduzir o crescimento do PIB mundial em 0,2 pontos percentuais entre 2019 e 2020.

Se o cenário de tensão comercial perdurar, acreditamos que analistas de mercado tenderão a revisar suas estimativas de crescimento mundial para baixo.

As medidas anunciadas devem trazer volatilidade aos mercados globais no curto prazo. Entretanto, Bernal destaca que vivemos uma “guerra fria”, na qual as tensões vão e voltam. Em resumo, nada impede uma reversão do ambiente de tensões.

Além disso, acreditamos que se as tensões seguirem elevadas, o banco central americano (FED) pode ser levado a cortar juros na próxima reunião.

Enquanto ontem o nosso cenário era de somente um corte adicional de juros até o final de 2019 nos EUA (contra consenso), hoje a probabilidade de termos dois ou até três cortes de 0,25% aumentou, o que pode, no seu devido momento, dar sustentação aos mercados emergentes novamente.

Em relação ao Brasil, nosso entendimento inicial é que essa medida possui dois impactos diretos: um impacto negativo sobre o crescimento (difícil de ser quantificado e provavelmente pouco representativo) e outro possível impacto na decisão do Banco Central, tema que pode ganhar força.

Avaliamos que o Banco Central pode ver mais espaço para cortes de juros, a depender da evolução da percepção de risco global.

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