Recuo significativo da produção e vendas de veículos em março

Os principais indicadores do setor automotivo pioraram no último mês, como reflexo do arrefecimento do consumo e de paralisações de produção relacionadas à piora da pandemia. As próximas divulgações mensais também devem apresentar números fracos. Por outro lado, acreditamos que a reabertura gradual da economia (apoiada por avanços na vacinação contra a Covid-19) e os níveis historicamente baixos de estoques nas montadoras e concessionárias irão reverter esta tendência na metade do ano.


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Dados importantes sobre o setor automotivo brasileiro foram divulgados nesta semana. Em primeiro lugar, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostrou que as vendas de veículos novos no Brasil somaram 252 mil unidades em março, o que representou queda de 11% em relação a fevereiro, já descontados os efeitos da sazonalidade. Com isso, as vendas recuaram 5,5% no 1º trimestre de 2021, em comparação ao 4º trimestre de 2020. Em 12 meses, por sua vez, os dados mostraram perdas acumuladas de 23,7%.

O fraco desempenho dos licenciamentos de veículos corrobora nosso diagnóstico de piora do comércio varejista desde o final do ano passado. Redução da massa de renda ampliada disponível – em linha com os níveis ainda deprimidos de rendimentos do trabalho e volume muito menor de transferências emergenciais do governo – e inflação pressionada explicam, em grande medida, a perda de fôlego da demanda interna. Somado a isso, o recrudescimento da crise sanitária nos últimos meses (e subsequentes restrições de mobilidade social) eleva o grau de incertezas no ambiente econômico e intensifica a deterioração da confiança dos consumidores. Por exemplo, esperamos que, após crescimento de 2% em fevereiro, as vendas do varejo ampliado (publicadas pelo IBGE em sua Pesquisa Mensal do Comércio) exibam retração próxima a 10% em março, o que implicaria perdas superiores a 6% no 1º trimestre deste ano ante os últimos três meses do ano passado.  

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) também trouxe dados importantes sobre o desempenho da indústria automotiva em março. A produção de veículos caiu 11,5% em relação a fevereiro, com destaque ao fraco desempenho das categorias de automóveis (-12%) e comerciais leves (-19,5%). De fato, dentre os principais agrupamentos de veículos, apenas o de caminhões apresentou algum crescimento tanto em março quanto no 1º trimestre, resultados possivelmente explicados (ainda que de forma parcial) pela dinâmica favorável do setor agrícola.

Além do impacto do arrefecimento do consumo privado no período recente, vale destacar que problemas na cadeia de suprimentos (escassez de insumos industriais) também estão por trás da decisão de paralisação de linhas produtivas anunciada por algumas montadoras ao longo do último mês.

A nosso ver, a menor produção de veículos contribuiu bastante para a queda da indústria geral em março: estimamos, por ora, recuo de 2,5% ante fevereiro, com base na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) reportada pelo IBGE, o que significaria virtual estabilidade do setor secundário no 1º trimestre de 2021. Olhando para frente, antevemos números novamente negativos para abril e maio, mas recuperação gradual a partir de então, sustentada pela evolução da vacinação contra a Covid-19 e reabertura da economia. Embora o consumo interno deva se recuperar a um ritmo moderado, a recomposição de estoques ajudará a impulsionar a produção da indústria. No caso do setor automotivo, por exemplo, os estoques totais nas montadoras e concessionárias permanecem muito abaixo da média histórica (16 versus 35 dias de vendas).

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