XP Expert

Zeina Latif: O silêncio das ruas

Em meio à crise política que ameaça o mandato de Temer, um presidente com taxa de aprovação de um dígito, o silêncio das ruas gera o estranhamento de muitos analistas e críticas à suposta postura passiva da sociedade. Identificar as causas da possível apatia não é trabalho para economistas, mas é possível afirmar que a […]

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Em meio à crise política que ameaça o mandato de Temer, um presidente com taxa de aprovação de um dígito, o silêncio das ruas gera o estranhamento de muitos analistas e críticas à suposta postura passiva da sociedade.

Identificar as causas da possível apatia não é trabalho para economistas, mas é possível afirmar que a economia pode ajudar a explicar esse quadro.

O quadro econômico é bem menos desconfortável hoje do que há um ano, como refletido na melhora dos indicadores de confiança. E há razões para isso.

O avanço no front inflacionário é mais óbvio. No primeiro trimestre do ano passado, na véspera do impeachment de Dilma, a inflação estava em 7,3% ao ano, muito acima da meta de 4,5% e de seu teto de 6,5%. Agora, a inflação está muito abaixo da meta, em 3,6%.

A atividade econômica, apesar dos patamares deprimidos, dá sinais inequívocos de estabilização. Isso por si só representa grande alívio. A sensação de crise sem fim, do início de 2016, era perturbadora. Como agravante, não havia instrumento de política econômica disponível para interromper rapidamente a sangria na economia. Agora, o ambiente é mais promissor, e com espaço para relaxamento das condições monetárias.

A taxa de desemprego, por outro lado, só fez subir. No primeiro trimestre de 2016 estava em 10,2% e em abril deste ano, em 12,9% (ambos os dados descontam o padrão sazonal). Apesar disso, o mercado de trabalho também dá sinais de estabilização, com o fim das demissões. Assim, o índice que mede o medo do desemprego (calculado pela CNI), ainda que oscilando em torno de níveis recordes na série iniciada em 1996, está estável.

Tudo somado, inflação baixa e medo do desemprego estável, o saldo líquido é positivo. O desconforto da sociedade (“misery index”), aqui medido pela soma das variáveis citadas, está em queda desde o pico do primeiro trimestre de 2016. O patamar é elevado, mas a tendência de queda é promissora.

A ausência de protestos talvez não seja sinal de apatia das pessoas. Uma possível interpretação é que, com a melhora do ambiente econômico em curso, o sentimento de “preciso cuidar da vida” ganha maior foco em contraposição ao de mobilização para protestar. A decisão individual é racional.

O tempo corre a favor da economia. Com o espaço para mais cortes da taxa de juros pelo Banco Central, os sinais de recuperação começarão a surgir aos poucos.

O índice de desconforto deverá continuar recuando ao longo do ano, com a batalha da inflação vencida (a projeção para o ano está em 3,5% na pesquisa Focus do BC) e com a provável tendência de recuo do medo do desemprego. É verdade que a taxa de desemprego poderá ainda subir, caso a geração de vagas seja insuficiente para dar conta do crescimento da procura de trabalho. No entanto, o medo de perder o emprego responde mais à variação da geração de vagas, que estabilizou, do que à taxa de desemprego.

Esses serão impulsos para a melhora da confiança do consumidor, que poderá não ser muito abalada pela crise política.

A julgar, portanto, apenas pela economia, vão se reduzir as chances de mobilizações da sociedade daqui para a frente.

A política terá, portanto, de resolver o destino do País este ano sem o ingrediente de mobilizações sociais. Decisão mais difícil do que na época de Dilma, quando o sentimento de colapso econômico “expulsava” a presidente.

A classe política terá de decidir o que é o melhor para o País hoje, enquanto a sociedade parece não ter grande convicção quanto à melhor saída para a crise.

Não é uma equação fácil de ser resolvida, o que significa que a solução da crise política poderá demorar. Esta talvez seja a maior ameaça: a crise política se arrastar e prejudicar os investimentos e a agenda de reformas, com consequências negativas para o futuro.

Qualquer que seja a decisão política, convém senso de urgência.

29 de Junho de 2017

Fonte: Artigo replicado do Estadão

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório foi preparado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos”) e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º na Resolução CVM 20/2021. Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroeconômicas e análises políticas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra/venda ou como uma solicitação de uma oferta de compra/venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A XP Investimentos não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do responsável pelo conteúdo deste relatório na data de sua divulgação e estão, portanto, sujeitas a alterações sem aviso prévio. A XP Investimentos não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor. O responsável pela elaboração deste relatório certifica que as opiniões expressas nele refletem, de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, e foram produzidas de forma independente e autônoma, inclusive em relação a XP Investimentos. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida a sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. A XP Investimentos não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o nosso site: www.xpi.com.br.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.