O que os índices de confiança apontam para a recuperação da economia brasileira?

Indicadores da FGV trazem viés de alta para nossa projeção de PIB em 2020


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A natureza particular da crise do Coronavirus, com isolamento social e medidas expressivas governamentais de suporte à renda e emprego, tornou desafiador o acompanhamento da conjuntura econômica.

Nesse ambiente, indicadores qualitativos como as pesquisas de confiança de empresários e consumidores ganham relevância. Na manhã de hoje, foi divulgado pela FGV o último indicador setorial (Serviços) do mês de setembro fechando o ciclo destes indicadores no terceiro trimestre de 2020 (Indústria, Comércio, Construção e Serviços).

Os resultados confirmam algumas tendências. Em primeiro, o setor mais afetado pela crise foi o de serviços. Por principais motivos: i) medidas de distanciamento social afetaram e ainda afetam a prestação de serviços e ii) o medo de contágio da doença o que reduz a demanda por serviços e iii) perda de renda e poupança precaucional por parte de grande parte das famílias.

Em segundo, nota-se um efeito-substituição na cesta de consumo das famílias de serviços por bens. Provavelmente porque o comércio varejista voltou antes, e a população estava abastecida do auxílio emergencial – especialmente as classes mais pobres, com propensão marginal a consumir maior. Por último, o setor da construção que foi considerado atividade essencial desde o início da pandemia, se vale de um cenário de juros baixos e de crédito menos restrito, também denota uma performance melhor.

Como os resultados dos indicadores de confiança de encaixam em nossa projeção de PIB de -4,8% para esse ano?

A título de simples exercício, utilizaremos o indicador de situação atual que se correlaciona sob a ótica cíclica melhor que o dado de confiança[1] total.


[1] Índice de confiança é a média entre a Situação Atual e Expectativas. 


A título de simples exercício, consideramos as sondagens de serviços e comércio com poder preditivo sobre o PIB de Serviços e que as sondagens da indústria e da construção detém poder preditivo sobre o PIB da Indústria. Ambos os casos salvos de algumas condições:

  • Sondagens buscam obter informação qualitativa sobre o ambiente de negócios e não mensuração de produção ou volume de vendas.
  • São do âmbito das pesquisas estruturais formais do IBGE e, portanto, não refletem a informalidade.
  • Não estão embutidas proxies para PNAD Contínua, relevante insumo na metodologia das Contas Nacionais.
  • São desconsiderados alguns segmentos como: Agropecuária, Indústria Extrativa, Intermediação Financeira e Administração Pública para maior assertividade sobre o PIB Total.

Uma regressão dos indicadores de situação atual da indústria e da construção sobre o PIB da Indústria apontam para um viés positivo sobre a projeção atual da XP para a indústria no terceiro trimestre de 2020. A estimativa oficial hoje aponta para uma aceleração da variação interanual da atividade industrial de -12,7% para -4,3%. Considerando os dados de sondagem essa aceleração seria para -2,9% no período.

O mesmo exercício é feito para a situação atual de serviços e do comércio para o PIB de Serviços e apontando para um viés positivo sobre a projeção atual da XP. A estimativa oficial está em uma aceleração de -11,2% para -6,3%. Considerando os dados de sondagem essa aceleração seria para -5,7% no período.

Considerando todo o resto constante, ao imputar essas estimativas o PIB do terceiro trimestre na ótica dessazonalizada sofreria um incremento de 0,8 ponto percentual, levando o resultado fechado de 2020 próximo de -4,5%, ante nossa projeção de -4,8%. A avaliação dos dados do mercado de trabalho, especialmente a PNAD contínua de julho (divulgada amanhã), serão importantes para confirmar esse viés.

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