Mercado de trabalho em rota de recuperação

As últimas divulgações do CAGED e da PNAD Contínua trouxeram sinais positivos em relação aos indicadores de emprego. Acreditamos que a taxa de desocupação permanecerá em trajetória de queda, dada a reabertura da economia e a retomada dos serviços prestados às famílias (atividades intensivas em trabalho), ainda que de forma gradual.


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PNAD Contínua / IBGE

Conforme publicado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, a taxa de desemprego brasileira atingiu 14,1% no segundo trimestre de 2021, resultado melhor do que as estimativas do mercado apontavam. Descontados os efeitos da sazonalidade, calculamos que a taxa de desocupação recuou de 14,3% no trimestre móvel encerrado em maio para 13,9% no segundo trimestre.

Tanto a população ocupada quanto a força de trabalho (PEA – População Economicamente Ativa) cresceram em junho. O nível de emprego registrou expansão de 1,3% em relação a maio (totalizando 88,2 milhões de trabalhadores), a terceira alta consecutiva na base mensal. Por sua vez, a PEA aumentou 0,8% no mesmo período, chegando a cerca de 102,5 milhões. Com isso, o contingente de empregados e a PEA ficaram 5,8% e 2,7% abaixo dos níveis pré-pandemia, respectivamente.

Estimamos que as categorias de emprego informal tiveram significativo aumento de 1,5% em junho (após terem expandido 1,8% em maio), impulsionadas pelo aumento da mobilidade e recuperação do setor de serviços. Isto posto, a população ocupada sem carteira assinada totalizou cerca de 36,0 milhões no período, ainda muito inferior ao contingente próximo a 39,5 milhões registrado antes da deflagração da crise da Covid-19. Enquanto isso, o nível de emprego formal subiu 0,9% em junho, de acordo com nossas estimativas, somando aproximadamente 52,2 milhões de trabalhadores. Acreditamos que a discrepância – em termos de dinâmica de recuperação – entre as categorias de emprego formal e informal continuará a encolher nos próximos trimestres.

O rendimento (salário) real efetivo médio apresentou ligeira queda de 0,2% entre maio e junho e interrompeu uma sequência de três elevações mensais consecutivas, como reflexo da inflação ainda mais pressionada na economia brasileira. Com isso, o indicador atingiu R$ 2.540/mês no final do último trimestre, também com base em nossas estimativas com ajuste pela sazonalidade, ficando 0,8% abaixo do patamar observado antes da crise sanitária. Já a massa de rendimento real efetiva (combina salário médio com população ocupada) registrou acréscimo de 1,2% no período, marcando o quarto avanço consecutivo na base mensal. A despeito disso, o indicador ainda está cerca de 6,5% aquém dos níveis vistos no início de 2020.

Prevemos que a população ocupada total retornará aos níveis pré-pandemia no quarto trimestre de 2022 (ao redor de 93,5 milhões de trabalhadores). Por fim, projetamos que a taxa de desemprego encerrará 2021 a 13,0% (de 14,7% em 2020), após ajuste sazonal. Para o final de 2022, vemos a taxa de desocupação a 11,5%. Para as médias anuais, por sua vez, prevemos 13,9% e 12,5%.

CAGED / Ministério da Economia

Na mesma linha, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referente a julho, publicado pelo Ministério da Economia na semana passada, já havia trazido dados robustos para o mercado de trabalho formal. De acordo com esta pesquisa, houve geração líquida de 316,6 mil vagas com carteira assinada no último mês. Em termos dessazonalizados, calculamos que o saldo de ocupações com carteira assinada desacelerou de 350 mil em junho para 318 mil em julho. Apesar disso, a média móvel de 3 meses avançou de 245 mil para 330 mil ocupações  no período (os dados de abril foram relativamente fracos).

As contratações exibiram elevação mensal de 2,9% em julho (de 1,65 para 1,69 milhão), após terem crescido 1,0% na leitura de junho. Por outro lado, o total de desligamentos aumentou 6,2% no mês passado (de 1,29 milhão para 1,37 milhão, atingindo o nível mais alto desde janeiro). Este movimento explica a desaceleração da geração líquida de postos de trabalho comparado a junho, mas ainda permanecendo em patamares encorajadores.

Mais uma vez, todos os principais setores econômicos apresentaram criação líquida de vagas formais. O setor de serviços vem exercendo papel protagonista desde maio, ao acumular saldo próximo a 415 mil empregos nos últimos três meses. Destaque para a maior adição líquida de postos de trabalho na atividade de “Serviços de Alojamento e Alimentação” (de 25 mil em junho para 33 mil em julho), na esteira da reabertura econômica possibilitada pelos avanços na campanha de imunização contra a COVID-19. Os segmentos do comércio varejista também mostraram resultados sólidos, com a adição líquida de 88 mil vagas em julho (após 92 mil em junho).

Esperamos que o mercado de trabalho com carteira assinada continue a mostrar dados robustos nos próximos meses, puxado pela recuperação das atividades de serviços e pelos efeitos do programa BEm (Benefício Emergencial para Manutenção do Emprego e da Renda), que tem sido bastante efetivo em limitar desligamentos de trabalhadores desde meados de 2020.

O CAGED apresentou saldo mensal médio de 248 mil ocupações formais entre janeiro e julho deste ano, considerando dados com ajuste sazonal. Projetamos arrefecimento gradual na criação líquida de postos daqui para frente, devido especialmente ao menor número de acordos empregatícios regidos pelo BEm e taxas mais moderadas de contratação nos setores de serviços e comércio (o que deve ficar mais evidente a partir do último trimestre de 2021). Com isso, esperamos geração líquida de 2,35 milhões de empregos formais em 2021.

Os saldos de vagas com carteira assinada registrados pelo CAGED e PNAD Contínua começaram a divergir substancialmente desde a eclosão da pandemia no Brasil. Problemas relacionados à coleta de dados – entre outras questões metodológicas – explicam grande parte desta discrepância. Neste sentido, destacamos que a coleta da PNAD passou a ser realizada por meio telefônico, e isso aparentemente gerou certo “viés de disponibilidade” nas estatísticas reportadas nos últimos trimestres. Recentemente, o IBGE anunciou que o sistema de coleta presencial será restabelecido gradativamente, e a publicação de junho já parece ter refletido maior qualidade dos dados obtidos pela pesquisa. Assim, antevemos que os resultados de emprego formal do CAGED e da PNAD irão apresentar movimentos e níveis cada vez mais próximos daqui para frente.

Por fim, reiteramos nossa visão de que as condições do mercado de trabalho permanecerão em trajetória de recuperação gradual. A reabertura econômica, a elevação da confiança dos empresários e a retomada dos serviços prestados às famílias (atividades bastante intensivas em mão-de-obra) são os principais fatores que sustentam este cenário.

Todavia, riscos relevantes à atividade econômica doméstica seguem no radar, os quais podem tornar a retomada do mercado de trabalho mais errática. Entre eles, a persistência da pressão inflacionária (destaque ao aumento dos custos industriais) e a crise hídrica, que tem elevado a probabilidade de algum tipo de racionamento de energia elétrica nos próximos trimestres.

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