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IPCA de dezembro: Inflação encerra 2023 dentro do limite da meta, e preços devem seguir comportados em 2024

O IPCA registrou alta de 0,56% em dezembro, encerrando o ano de 2023 em 4,6%. O resultado anual consolida o período de desinflação observado no ano e os preços devem seguir comportados em 2024, sustentando a redução da taxa Selic. Dito isso, a inflação se mantém no radar de riscos, e investimentos que protegem contra ela seguem excelentes oportunidades.  

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A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,56% em dezembro de 2023. O resultado mensal levou o índice para 4,62% no acumulado em doze meses, desacelerando em relação aos 4,68% registrados em novembro.

Assim, a inflação fechou o ano de 2023 acima da meta do Banco Central (de 3,25%), mas dentro do limite superior – de 4,75%. Vale destacar que a inflação não encerrava o ano dentro da meta do Banco Central desde 2020.

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Meta de inflação: O que é?

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central.

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,25% ao ano para o ano de 2023 e de 3,0% para 2024. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços ao longo, de modo que ela se mantenha no ritmo de 3,25%.

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50pp para cima e para baixo. Essa banda serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços.

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Eventos climáticos impulsionam preços de alimentos em dezembro

O resultado de dezembro veio um pouco acima do esperado pela maior parte dos analistas de mercado. Entre as principais surpresas do período, vale destacar a inflação de alimentos, que registrou forte alta por conta de eventos climáticos no período – incluindo ondas de calor e chuvas acima do normal.

O grupo “tubérculos, raízes e legumes”, por exemplo, registrou alta de mais de 8% somente em dezembro – com pepino e abobrinha, por exemplo, subindo 35% e 16% no mês, respectivamente.

Outro destaque do mês foi a volta de preços após promoções de “Black Friday”, que impactaram os preços em novembro. Preços de bens industriais, como eletrodomésticos, registraram alta de 0,3% no mês, com destaque para produtos como ar-condicionado (que subiu mais de 8% no mês) e videogames (com alta de 3,2% no período).

Dito isso, o resultado de dezembro não muda o cenário de desinflação observado ao longo de 2023. Ou seja, o comportamento dos preços seguiu em linha com o esperado nos últimos meses, marcado pelo enfraquecimento da inflação – especialmente de bens, como produtos industriais e alimentos – e contribuindo para impulsionar o poder de compra das famílias.

A queda da inflação no ano foi resultado tanto de movimentos globais (como a normalização das cadeias de fornecimento e produção pós pandemia) quanto da política monetária restritiva implementada pelo Banco Central – ou seja, de juros altos para conter o ritmo de elevação dos preços.

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2024: Inflação comportada, porém não sem cautela

Olhando para frente, o cenário de inflação comportada deve se manter. A queda recente no preço de commodities no mercado global (com destaque para alimentos e petróleo), além de uma moeda relativamente valorizada devem ajudar nessa frente. Vale lembrar que o valor da nossa moeda impacta os preços por aqui, uma vez que boa parte do que consumimos é importado ou tem partes importadas (como o próprio “pãozinho”, que inclui como insumo a farinha importada em dólares).

Assim, projetamos que o IPCA encerre 2024 em 3,7%. Para 2025, esperamos uma inflação em patamar relativamente estável, mas ainda acima da meta do Banco Central (de 3,00%) – encerrando o ano em 4,0%.

Vale destacar que os efeitos do fenômeno climático El Niño são um risco a esse cenário de inflação relativamente benigna, uma vez que as altas temperaturas podem impactar especialmente preços de alimentos.

Além disso, os preços no setor de serviços também devem seguir no radar do Banco Central. Isso porque os preços no setor não são impactados por movimentos que chamamos de “oferta” (como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity); e sim, pelo comportamento dos salários na economia, além de, claro, o nível de demanda na economia. Por isso, a inflação de serviços tende a ser mais difícil de controlar uma vez disseminada.

Nesse cenário, a alta acima do esperado da inflação de serviços em dezembro (com o grupo excluindo preços mais voláteis subindo 0,50% no mês) acende certa “luz amarela” adiante, contribuindo para manter uma postura de cautela por parte do Banco Central.

Em bom português: o jogo contra a inflação ainda não está ganho, apesar de vencidas fases importantes.

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Inflação comportada permite queda da Selic

Para o dia a dia dos brasileiros, o processo de moderação da inflação observado em 2023 contribuiu para a melhora da sensação de perda do poder de compra. De fato, a queda da inflação no ano tem contribuído para a elevação do rendimento médio real efetivo dos trabalhadores – que deve ter crescido 4,5% nesse ano.

Diante do cenário de inflação comportada que descrevemos acima, entendemos que o Banco Central terá espaço para continuar reduzindo a Selic. Afinal, o objetivo principal da manutenção de juros elevados é o controle do ritmo de preços.

Riscos nos cenários internacional e doméstico, entretanto, limitam uma queda nos juros para além de 9,0%.

No âmbito internacional, a forte alta das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos (como falamos acima) impõe um desafio para a redução dos juros no Brasil.De maneira simplificada, com retornos mais altos no investimento considerado de menor risco do mundo, investidores tendem a “exigir” maiores retornos em países considerados de maior risco – ou seja, maiores juros.

Já aqui no Brasil, o principal risco segue a deterioração das contas públicas. Afinal, se o governo gastar muito além do que arrecada e sinalizar que seguirá impulsionando a economia, muitos entenderão que os preços seguirão pressionados adiante – influenciando efetivamente o nível da inflação no futuro.

A deterioração do risco fiscal também tende a impactar a nossa moeda, uma vez que essa é percebida como mais arriscada. Um real mais desvalorizado adiciona pressão sobre a inflação, uma vez que boa parte do que consumimos e produzimos inclui insumos negociados em dólares ou mesmo produtos importados.

Em resumo, vemos um cenário em que a inflação seguirá comportada, mas deve seguir no radar – tanto dos brasileiros, quanto do Banco Central.

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