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Desejo para o Ano Novo: Mais Emprego e Renda. É Factível?

O nível de emprego na economia brasileira está em trajetória de recuperação. Porém, a renda do trabalho encolheu nos últimos meses e segue bastante deprimida. O que podemos esperar para 2022?

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Nos últimos dias de dezembro, as reflexões sobre o ano que passou e as chamadas “resoluções de Ano Novo” são bastante comuns. Evidentemente, não abordaremos neste texto as metas de viagens, exercícios físicos e hábitos alimentares (embora todos esses temas sejam relevantes), e sim desejos para o cenário macroeconômico. Neste sentido, destacamos as perspectivas de emprego e renda, que impactam diretamente o nível de bem-estar da sociedade.

Teremos ganhos de renda e emprego em 2022, um ano de tantas incertezas? Os dados da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicilio (PNAD) de outubro, publicados hoje pelo IBGE, podem nos dar algumas pistas.

O mercado de trabalho em 2021

Os principais indicadores do mercado de trabalho brasileiro sofreram grande deterioração após o choque da pandemia. Por exemplo, o contingente de pessoas desocupadas saltou de aproximadamente 12,0 milhões no início de 2020 para 15,2 milhões no final do 1º trimestre de 2021, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE. Neste período, a taxa de desemprego escalou de 11,5% para 15% (e teria atingido patamares ainda mais elevados não fosse a redução também expressiva no número de pessoas em busca de emprego, isto é, a contração da força de trabalho). Praticamente todas as categorias de trabalhadores encolheram no ano passado e início deste ano, mas vale ressaltar os impactos mais severos da crise da Covid-19 sobre as ocupações informais. O emprego total sem carteira assinada, mais sensível às restrições de mobilidade necessárias para a contenção do contágio da doença, contraiu quase 15% no período (de 41,5 para 36,0 milhões).

Desde meados do 2º trimestre deste ano, entretanto, temos observado sinais mais encorajadores vindos do mercado de trabalho local. A população ocupada vem aumentando de forma consistente, em linha com a reabertura econômica e maior interação social. O nível de emprego total subiu de 88,0 milhões em abril para 93,5 milhões em outubro, puxado tanto por ocupações formais quanto informais.

A retomada vai continuar?

Segundo nossas estimativas, a retomada do emprego seguirá em curso até o 2º trimestre de 2022, quando a população ocupada terá superado os patamares registrados logo antes da pandemia. Aqui, algumas qualificações são importantes. Em primeiro lugar, não esperamos restrições adicionais de mobilidade (ao menos não significativas) relacionadas à Covid-19 nos próximos meses e, desta forma, as categorias de emprego sem carteira assinada devem permanecer em rota de recuperação. Dito isso, a variante Ômicron é um vetor de risco importante a ser monitorado.

Ademais, a geração de vagas formais continuará em terreno positivo ao longo do ano que vem, embora em menor velocidade. Os dados do CAGED, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia, exibem a resiliência do mercado de trabalho com vínculo contratual. Desde o ano passado, os desligamentos têm sido limitados pelo programa governamental BEm (Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda), que permite suspensão temporária ou redução de jornada nos contratos empregatícios, enquanto as admissões reagiram à melhoria da atividade doméstica, sobretudo entre o 3º trimestre de 2020 e o 2º trimestre de 2021. Projetamos criação líquida de 950 mil postos de trabalho com carteira assinada em 2022, após 2,8 milhões em 2021. A série do Novo CAGED – introduzida no início de 2020 – não é diretamente comparável à série anterior devido a diferenças metodológicas e de fontes de informação, e tem apresentado revisões importantes quando da inclusão de declarações fora do prazo original. Porém, isso não invalida a avaliação de recuperação gradual do emprego na economia brasileira.

A expectativa de perda de ímpeto da expansão do emprego ao longo de 2022 reflete o enfraquecimento da demanda doméstica. A persistência da pressão inflacionária e o aperto das condições monetárias (elevação acentuada das taxas de juros) explica, em grande medida, nosso cenário de desempenho modesto da atividade econômica no ano que vem. Prevemos estabilidade do PIB em 2022, após queda de 3,9% em 2020 e crescimento de 4,5% em 2021. Logo, mesmo com a defasagem de alguns meses, a perda de fôlego do PIB tende a evitar queda adicional do desemprego. De fato, antevemos que a taxa de desocupação atingirá cerca de 11,5% no final deste ano (patamar observado antes da eclosão da crise do coronavírus no Brasil) e 11,0% no 2º trimestre do ano que vem, já descontados os efeitos da sazonalidade. Para o final de 2022, por sua vez, projetamos alguma piora e números mais próximos a 12,0%. Em resumo, o desejo de mais emprego tem boas chances de materialização nos próximos meses, mas a continuidade dessa dinâmica favorável encontrará maiores obstáculos a partir de meados do ano novo.

A renda média está menor, mas novo programa do governo deve compensar a queda

As estatísticas recentes do mercado de trabalho também trazem alguns elementos menos auspiciosos: empregos estão sendo gerados, mas o que dizer sobre os rendimentos/salários? De acordo com a PNAD, o rendimento médio do trabalho contraiu de forma consecutiva entre julho e outubro, em termos reais (ou seja, já considerando o efeito da alta de preços). Com isso, o indicador situa-se cerca de 5,5% abaixo dos patamares vistos antes da pandemia. Dentre os fatores que provocaram a queda, destacamos (I) a inflação persistentemente alta, (II) a ociosidade existente no mercado de trabalho (o número ainda relativamente elevado de desempregados reduz o poder de barganha dos indivíduos que ofertam mão-de-obra) e (III) as mudanças na composição da população ocupada, com participação crescente das categorias de emprego informal que, em média, ganham menos, são as principais razões por trás dos níveis deprimidos de rendimentos na economia doméstica.

Olhando para 2022, julgamos difícil um crescimento significativo dos salários reais para a média da economia, contudo, a tendência de queda deve ser interrompida. O principal fator a sustentar tal prognóstico consiste no recuo paulatino da inflação – prevemos que o IPCA subirá 5,2% no ano que vem, após salto de 10% no ano corrente.

A renda total disponível às famílias abrange outras fontes além do trabalho, e algumas dessas assumiram papel protagonista no período pandêmico. As transferências de recursos do governo, por exemplo, expandiram consideravelmente a renda agregada no 2º semestre de 2020 (os pagamentos de auxílio emergencial totalizaram quase R$ 300 bilhões no último ano). Não haverá transferências desta natureza em 2022, devido, felizmente, ao quadro menos preocupante da crise sanitária. Por outro lado, o Auxílio Brasil, novo programa governamental de proteção social, elevará a renda das famílias mais pobres. Enfim, vetores que atuam em direções contrárias. Ao considerarmos todos esses elementos (entre outros), chegamos à estimativa de que a massa de renda ampliada disponível às famílias crescerá cerca de 1% em 2022, em termos reais. Isso não parece suficiente para gerar forte expansão do consumo, mas, ao olharmos o “copo meio cheio”, o pior parece estar ficando para trás. 

Ou seja, a realização dos desejos de mais emprego e renda em 2022 não nos parece simples. Existem, no entanto, luzes no caminho.

O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.

Ariano Suassuna.

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