Copom: antecipando o início do ajuste

Na decisão de manter mais uma vez os juros em 2% ao ano, o comitê do Banco Central retirou o “forward guidance” e manteve o balanço de riscos para inflação; saiba a nossa visão completa


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– O Copom manteve os juros em 2,00%. No comunicado, o Comitê retirou o “forward guidance” e manteve o balanço de riscos para inflação.
– O Copom avaliou que o estímulo monetário “extraordinariamente elevado” segue adequado. Mas adicionou “neste momento” no texto, sinalizando que pode iniciar um ajuste adiante.
– Acreditamos que a elevada incerteza sugere cautela ao reduzir o grau de estímulo.
– Os dados recentes – atividade melhor no final do ano passado, choque inflacionário se prolongando – e a sinalização do comunicado nos fazem acreditar que o Copom optará por antecipar o ciclo de alta de juros para maio (antes, agosto). Projetamos agora a taxa Selic em 3,50% no final de 2021 (antes 3,00%) e 4,50 em 2022 (antes 4,00%).

  • O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil – Copom – manteve, por unanimidade, a taxa Selic em 2,00% ao ano. A decisão veio em linha com o esperado pela XP Investimentos e pelo mercado, como apontou nossa pesquisa Pré-Copom.
  • O comunicado que acompanhou a decisão manteve a avaliação de que o estímulo monetário “extraordinariamente elevado” segue adequado, mas adicionou “neste momento” (sinalizando que pode iniciar um ajuste adiante).
  •  O Copom abandonou o “forward guidance (FG)”, segundo o qual o Copom sinalizava que não iria reduzir o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas.
  • As condições para o FG eram a manutenção do regime fiscal (que não se alterou) e projeções de inflação abaixo da meta. Como o horizonte relevante de política monetária já dá mais peso para 2022, cujas projeções do Focus e do Copom estão bem próximas ou na meta de 3,50%, a retirada do FG não é uma surpresa.
  • Na ausência do FG, a condução da política monetária volta a seguir o receituário do regime de metas para a inflação, baseado na análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos.
  • A descrição do balanço de riscos se manteve a mesma do comunicado anterior. Por um lado, “o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado”. Por outro, o risco fiscal elevado segue criando “uma assimetria altista” para a inflação.
  • O Copom manteve o diagnóstico de que a inflação corrente mais elevada resulta de choques “temporários”. Mas manifestou incômodo – que compartilhamos – com o prolongamento do choque.
  • Em nossa visão, o agravamento recente da pandemia intensifica tanto o risco de ociosidade quanto de deterioração fiscal. Desta forma, concordamos com o Copom que há uma “variância maior do que a usual para a inflação prospectiva”.
  • A incerteza elevada sugere cautela ao Copom antes de iniciar o processo de normalização da taxa Selic. De fato, o comunicado reiterou que “o fim do forward guidance (…) não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros”. Acreditamos que o Copom aguardará informações acerca do comportamento da economia brasileira no primeiro trimestre, período particularmente incerto, como indicado no comunicado.
  • Os dados recentes – atividade melhor no final  do ano passado, choque inflacionário se prolongando – e a sinalização do comunicado nos fazem acreditar que o Copom optará por antecipar o ciclo de alta de juros de agosto (nosso cenário anterior) para maio, quando o conjunto de informações sobre o primeiro trimestre do ano estará mais claro. Entendemos que o ciclo se estenderá até junho de 2022, ao ritmo de 0,25 pp.
  • Desta forma, projetamos agora a taxa Selic em 3,50% no final de 2021 e 4,50 em 2022. Nestes níveis, o juro real permanecerá abaixo do neutro, oferecendo o estímulo necessário para uma economia que seguirá com relativo grau de ociosidade, especialmente no mercado de trabalho. 
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