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Balanços financeiros: da leitura técnica à interpretação estratégica | 25º Congresso Apimec Brasil

Parte da programação do 25º Congresso Apimec Brasil, painel foi mediado por Haroldo Reginaldo Levy Neto, diretor técnico da instituição

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25º Congresso Apimec Brasil - Painel 3 - Balanços que contam histórias: da leitura técnica à interpretação estratégica
O painel “Balanços que contam histórias: da leitura técnica à interpretação estratégica” fez parte da programação do 25º Congresso Apimec Brasil

A importância das demonstrações financeiras e o papel do analista na interpretação dos balanços foram foco de um dos painéis do 25º Congresso da Apimec, que teve início nesta quarta-feira (16), em São Paulo.

Antoninho Marmo Trevisan, presidente da Trevisan Escola de Negócios, levantou a questão sobre a necessidade de atenção ao olhar os resultados divulgados pelas empresas.

Segundo ele, é preciso ter um olhar para as externalidades, ou seja, observar o que a empresa faz, quem são seus concorrentes, quem são os acionistas, como o negócio foi criado, o que está fora do balanço e como aquela empresa se comporta.

“O ceticismo não tem uma base científica, mas, involuntariamente, começou a ganhar seu espaço”, compartilhou Trevisan.

Quem lê o relatório do auditor?

Shirley Silva, diretora de desenvolvimento profissional do Ibracon, explicou como o analista pode ler as informações financeiras disponibilizadas no mercado em conjunto com o relatório do auditor.

Recentemente, por meio de provocações internacionais e dos próprios auditores, os Principais Assuntos de Auditoria (PAA) foram incrementados. Os principais assuntos, aqueles nos quais o auditor concentrou mais esforços, passaram a estar presentes de forma obrigatória nos relatórios.

“O relatório do auditor não pode ser lido da seguinte forma: está ou não ressalvado. Um analista precisa se atentar aos PAA e fazer uma leitura mais apurada”, disse Shirley.

Ter um olhar comparativo também é um ponto relevante. É preciso fazer a pergunta: “O que aquele relatório me conta sobre a empresa?”, apontou.

Os especialistas destacaram que uma das dificuldades do auditor foi a introdução do trabalho remoto, pois, segundo eles, o auditor precisa de interação e da possibilidade de fazer perguntas.

Como o analista e o gestor olham essas informações e se previnem diante da subjetividade?

“O balanço precisa ser criticado”, disse Adriano Casarotto, gerente de portfólio da Franklin Templeton Brasil. A profissão do analista é um trabalho de investigação, que não pode se resumir apenas ao que foi publicado.

Além disso, o balanço e as Demonstrações Financeiras (DFs) são uma evidência, mas não contêm todas as informações.

“Eu preciso saber para quem estamos emprestando dinheiro, e para isso é preciso conhecer a pessoa física final desse crédito”, compartilhou Casarotto. Ele acrescentou que a vontade do dono do negócio de se manter diz muito sobre o caráter da empresa. “A capacidade de pagamento te diz muito, mas a vontade de pagar diz muito mais”, finalizou.

Quais os limites de responsabilidade do auditor?

O painel foi encerrado com a questão dos limites do auditor. Os especialistas destacaram que os auditores independentes não possuem acesso ou permissão para realizar perícia, ou seja, não é função da profissão investigar quando recebem materiais e contratos fraudulentos.

Segundo eles, há limitações na detecção de fraudes, pois o auditor trabalha com as informações que a empresa fornece. Uma das funções do auditor é elaborar o relatório e, em seguida, encaminhá-lo ao órgão supervisor, saindo de sua alçada.

A obrigatoriedade dos auditores é analisar os negócios da companhia e se aproximar da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Shirley Silva finalizou dizendo que tudo precisa estar registrado: “O que não está documentado não está feito”.

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