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ESG, sustentabilidade e análise de valor | 25º Congresso Apimec Brasil

Clima, transição energética e novas normas ESG: como esses temas afetam na análise do valuation das companhias? Especialistas trouxeram suas visões ao 25º Congresso Apimec Brasil

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Carlos Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade, durante painel nesta quinta-feira (17)

O tema ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança em português) nunca esteve tão em alta. E tendências do mercado só reforçam que a importância de discutir essa pauta tende a crescer ao longo dos próximos anos.

No segundo dia da 25ª edição do Congresso Apimec Brasil, o painel mediado por Roberto Gonzalez, coordenador da comissão de sustentabilidade Apimec Brasil, com participação de Eduardo Flores, coordenador técnico do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), Maria Paula Cantusio, membro da comissão de valuation setorial de ESG na Apimec Brasil, e Carlos Massaru Takahashi, diretor da Anbima e coordenador da Rede Anbima de Sustentabilidade, trouxe debates relevantes sobre ESG e criação de valor no universo das finanças.

Como materializar a sustentabilidade nas demonstrações financeiras?

Flores comentou que a criação dos relatórios IFRS 1 e 2, normas que estabelecem requisitos gerais para a divulgação de informações financeiras relacionadas a sustentabilidade (1) e fatores climáticos (2), surgiram para endereçar “problemas intangíveis” dentro dos balanços das empresas.

Para um país como o Brasil, com a economia voltada principalmente para atividades de extrativismo e commodities agrícolas, seria normal haver maior propensão para adotar esse tipo de relatório.

Por outro lado, um dos grandes desafios está em saber como a informação socioambiental se conecta com o canal financeiro de ESG. Isso afeta diretamente no trabalho do analista de entender o real valuation das companhias.

Flores destacou que um dos pilares na discussão da formação de um relatório de contabilidade específica é a materialidade.

“E o que é a materialidade? É uma via de mão dupla. É quanto a sociedade afeta o clima e suas transformações e como o clima afeta a sociedade e suas empresas”, explicou.

Na visão dele, os relatórios precisam conversar entre si, e por isso é necessário que eles tenham a mesma premissa de base. Conectar sustentabilidade com demonstrações financeiras – ou seja, tornar tangível, em dados contábeis, aspectos ESG de uma companhia, “é a mesma história contada […] em relatórios diferentes”.

Transição energética: assunto do momento ou mudança estrutural?

Cantusio trouxe alguns dados ao painel para reforçar que a pauta da transição energética, longe de ser apenas um tema passageiro, continuará relevante nos próximos anos:

“Se olharmos para 2024, foi a primeira vez em uma década que o consumo de energia elétrica no mundo cresceu acima do PIB global. E isso deve seguir por mais 10 anos.”

Em 2025, os investimentos em tecnologias limpas no mundo alcançaram US$ 2,3 trilhões, e a expectativa é de que cheguem a US$ 3 trilhões até 2030, com EUA e China impulsionando a transição.

Estreitando o olhar para o mercado de capitais no Brasil, a agenda de sustentabilidade já era considerada promissora desde 2021, destacou Takahashi. Para 80% do mercado, ela segue como pauta relevante.

Isso pode ser visto no crescimento dos fundos ESG brasileiros, que atingiram captação líquida de R$ 13,4 bilhões em 2025 e já acumulam até julho de 2026 um montante consolidado de R$ 6 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, os fundos sustentáveis atingiram no acumulado deste ano US$ 68,1 bilhões.

Takahashi endereçou três fatores relevantes para a pauta de sustentabilidade e que devem ser observados de perto:

  • Engajamento das companhias: apesar dos avanços, o nível de engajamento pode aumentar.
  • Moderação de risco: é talvez o tema para o qual os gestores mais olharam. O risco ainda é verificado, mas ainda não parece haver uma mensuração acurada do nível de risco que existe quando falamos de questões climáticas e sociais.
  • Interpretação dos dados: antes da interpretação, é preciso ter ferramentas de comparabilidade – e, para isso, níveis de conformidade comparáveis.

Clima e impacto no valuation

Como dimensionar os impactos climáticos no valuation das empresas? Na visão de Cantusio, o tema é complexo.

Para ele, o desafio maior está em entender como incorporar um dado que é efetivamente incorporado em dados macroeconômicos no universo micro das empresas.

“No mercado, é muito difícil isolar quanto os temas ambientais e de governança trazem de desconto para a empresa”, afirmou. A pergunta principal aqui deveria ser se o valuation está incorporando fatores materiais relacionados à companhia que, de repente, não estão no consenso do mercado ou podem impactar o fluxo de caixa/lucratividade dela.

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