Nasce um novo Brasil


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Não, não estou falando de um novo Brasil na política e das eleições nas duas casas legislativas no país, que não trouxeram muitas novidades. Mas sim, estou falando do novo Brasil que está nascendo na Bolsa.

Desde 1975, as ações da Petrobras e da VALE quase sempre constaram entre as Top 5 constituintes do índice Ibovespa. Nos últimos 20 anos, outras ações bastante conhecidas também figuraram entre as maiores do índice, como as dos bancos Itaú e Bradesco.

Essa grande concentração do índice Ibovespa nos setores de commodities e bancos vem se tornando um problema para o Brasil. Enquanto os índices de Mercados Emergentes se tornaram primordialmente índices com grande foco na Ásia e em ações do setor de tecnologia na última década, a grande concentração da Bolsa brasileira em setores da “velha economia” foi uma das razões por trás da grande perda de participação do Brasil no índice de Mercados Emergentes (EEM, ou MSCI Emerging Markets).

Em 2007, no auge no boom das commodities, o Brasil chegou a representar quase 20% do EEM. Hoje, o Brasil tem uma das suas menores participações históricas, de apenas 5% do índice, atrás de Hong Kong (30%), Coreia do Sul (14%), Taiwan (13%), Índia (9,4%) e China (7,6%).

Recentemente, temos visto um novo Brasil emergir, e empresas brasileiras de alto crescimento e altamente disruptivas abrindo seu capital via IPOs, tanto na B3 quanto na Nasdaq dos EUA. Na minha visão, isso é uma consequência de um outro grande boom que tem ocorrido já há mais tempo no mercado de Startups brasileiras.

Segundo dados da Abstartups, o número de Startups cresceu mais de 20x no Brasil desde 2011, enquanto número de Fusões e Aquisições de startups bateu recorde em 2020, mesmo com a pandemia. As plataformas de Crowdfunding (financiamento participativo onde pequenos investidores investem diretamente em startups) seguem crescendo e ganhando tração, além da indústria local de fundos de Venture Capital (VCs) e Angel Investing que segue em franca expansão, emulando o sucesso em mercados desenvolvidos.

Segundo o relatório da Startup Genome, São Paulo já tem a 30º posição entre as cidades do mundo com o melhor ecossistema para startups no mundo, com uma posição muito próxima à Hong Kong, e até à frente de cidades como Genebra, Dallas, Miami, Munique e várias outras cidades globais muito relevantes.

Além das várias empresas disruptivas que listaram suas ações em um período recente, o Brasil ainda conta com mais de 13 Unicórnios privados – empresas com valor de mercado superior à US$1,0 bilhão. Segundo a ACE Startups, a lista inclui 99 Taxi, Nubank, Movile (Ifood), Gympass, Loggi, QuintoAndar, Ebankx, Wildlife, Loft, Vtex, C6 Bank, Creditas e MadeiraMadeira.

Um levantamento que fizemos sobre os IPOs recentes no Brasil mostram que as empresas ligadas ao setor de tecnologia tiveram uma forte performance desde abrirem seu capital na B3, sinal de um grande interesse dos investidores por este setor.

Além disso, a composição setorial desses IPOs mostra que poderemos ter, em breve, uma nova composição dos nossos índices, caso essas empresas consigam continuar crescendo e obtendo sucesso e maior liquidez nas suas ações – o índice Ibovespa considera as ações mais líquidas na Bolsa.

Alguns leitores que estão no mercado há mais tempo vão me dizer: “Ah, mas Ferreira, isso não é novo, lembre-se dos dias da Telebras, da Telemar, Globocabo, Embratel, UOL e várias outras que fizeram IPO durante o final dos anos 90 e início dos anos 2000, e onde estão essas empresas hoje”.

Sim, esse movimento já aconteceu no passado, e saber quais serão as empresas vencedoras no longo prazo não é simples. Essas empresas são aquelas que conseguem crescer, se adaptar e mudar ao longo de várias décadas, e não apenas em um curto período de tempo. O debate está lançado de como serão os próximos 10 anos e quais empresas irão prosperar. O fato é que se esse novo Brasil não tivesse emergido, corríamos o risco de ficar de fora do radar dos investidores globais mais uma vez.

Aliás, em pouco tempo, não teremos mais a definição de “empresas de tecnologia”, pois empresas que não forem empresas digitais e tecnológicas não conseguirão mais competir e sobreviver.

O futuro será digital.

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