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A maior assimetria

Nas últimas semanas, tenho feito muitas reuniões e lives com investidores e a rede de assessores filiados à XP. A pergunta que recebo com maior frequência nessas reuniões é alguma variação de: “Qual é a maior assimetria no mercado nesse momento?”, “Qual é o investimento que trará os melhores resultados em 2021?” ou alguma variação […]

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Nas últimas semanas, tenho feito muitas reuniões e lives com investidores e a rede de assessores filiados à XP. A pergunta que recebo com maior frequência nessas reuniões é alguma variação de: “Qual é a maior assimetria no mercado nesse momento?”, “Qual é o investimento que trará os melhores resultados em 2021?” ou alguma variação nessa linha.

Como alguém que acredita que a melhor estratégia é investir consistentemente via uma carteira diversificada com bons ativos e mirando o longo prazo, não posso negar que tenho um pouco de dificuldade de responder a esta pergunta. Isso porque ela denota a vontade de se investir no(s) ativo(s) “que irão se valorizar mais no ano”.

O grande investidor e autor Howard Marks escreve sobre isso em seu livro “O mais importante para o investidor” (The Most Important Thing), dizendo que muitas vezes os investidores miram apenas os retornos potenciais de um investimento, mas ignoram quase que completamente os riscos que estão tomando. Por exemplo, a maioria dos investidores preferem investir em um fundo que toma muitos riscos e tem um retorno melhor que o benchmark do que em um fundo que tem retornos iguais ao benchmark, mas que corre metade do risco.

Mas o próprio Marks nos disse na live que organizamos durante o período mais crítico da crise, em março-2020, que “O grande dinheiro está em fazer investimentos que a maioria das pessoas não querem fazer”. Ou seja, é importante procurar por assimetrias e calcular os riscos, mas na grande maioria dos casos, isso significa investir nos ativos que muitos temem fazer. Quando um investimento se torna extremamente popular a ponto de o consenso se tornar que é impossível perder dinheiro naquele investimento, é hora de tomar cuidado.

Onde existem assimetrias?

Mas diferente de um político, eu dificilmente fujo de uma pergunta. Vou comentar aqui onde estão grandes assimetrias de preço no momento. Porém, atenção: isso não quer dizer que esses são “os melhores investimentos”, “os ativos que subirão mais”, ou alguma “carteira recomendada”.  Muito pelo contrário, esses são ativos que o mercado enxerga grandes riscos no momento, fazendo com que os seus preços estejam deprimidos em relação ao seu valor justo, caso esses riscos sejam menores que o esperado.

1) Títulos pré-fixados

O Luis Stuhlberger do fundo Verde, um dos gestores mais famosos e de maior sucesso no Brasil, comentou em uma live recente com a Luciana Seabra que “preferia ir preso a ficar aplicado em títulos pré-fixados”. Em nossas carteiras recomendadas de alocação na XP, também não temos alocação em títulos pré-fixados já há vários meses. Essa vem sendo a decisão correta, dado o aumento da inflação, da expectativa de alta de juros pelo Banco Central (BC) e também do aumento do prêmio de risco Brasil, por conta dos riscos políticos e fiscais. O risco de quem investe em títulos pré-fixados é que as taxas continuem aumentando, o que traz uma perda de marcação à mercado para esses títulos.

Porém, como visto no gráfico abaixo da curva de juros futuros do CDI hoje em relação à apenas 6 meses atrás (setembro-2020), dá para notar que o mercado já precificou um forte aumento dos juros pelo Banco Central brasileiro. Por exemplo, enquanto a nossa equipe de Economia espera que a taxa de juros Selic chegue a 5% ao final de 2021, o mercado já precifica 6% para dezembro-2021, e 6,5% para janeiro de 2022.

Caso estejamos certos no cenário Macro, existe uma clara assimetria nos juros embutidos nos títulos pré-fixados no momento. Porém, lembrando que os riscos são caso: 1) a inflação continue a subir, 2) o BC tenha que subir a taxa de juros mais que o esperado, e 3) os riscos Brasil aumentem com a aproximação das eleições de 2022.

Fonte: Bloomberg

2) Real-Dólar

A moeda brasileira novamente figura entre as piores moedas de mercados Emergentes em relação ao Dólar. No ano de 2021, o Real perde 6,43% de valor frente ao Dólar, à frente apenas do Peso argentino, que perde -7,4%. Nos últimos 12 meses, o Real perde -13,7% de valor em relação ao Dólar, à frente apenas da Lira turca (-16,5%) e o Peso argentino (-30,97%).

O mais surpreendente por trás dessa fraca performance é o fato de estarmos vendo recorde nos preços de quase todas commodities, o que traz sólidos resultados para a balança comercial e conta corrente brasileira.

O fato do Brasil ter a menor taxa de juros entre os pares de Emergentes deve começar a mudar essa semana, com o provável início do ciclo de aperto monetário pelo COPOM. Isso deve tirar pressão da moeda brasileira, que acabou se tornando uma das favoritas dos hedge-funds apostarem contra (posições short), por conta dos baixos juros no Brasil (custo baixo da transação).

Segundo o nosso time econômico, apesar de o “valor justo” do câmbio potencialmente estar mais próximo de R$ 5,00 ou um pouco abaixo disso, eles nos lembram que: “A taxa de câmbio, além de uma variável econômica, é um ativo financeiro. Sua trajetória tende a refletir os fundamentos das contas externas (que seguem positivos), mas também o aumento da probabilidade de um cenário fiscal mais adverso. Assim, revisamos nossa taxa de câmbio de 2021 de R$ 4,90 para R$ 5,30”.

Portanto, apesar da moeda brasileira parecer estar barata no nível atual de R$ 5,55, a assimetria não parece tão grande assim dado os riscos fiscais e políticos e pouca assimetria em relação à projeção de final de ano em R$ 5,30.

3) Ações de setores impactados pela pandemia

Enquanto a Bolsa recuperou toda a queda causada pela pandemia em 2020, alguns setores ainda estão para trás, com fracas performances. Essas ações são de setores que foram mais impactados pela pandemia, pela alta das taxas de juros ou pelo aumento dos riscos políticos, como: Real Estate, Shoppings, Bancos, Varejo e Estatais.

Abaixo está uma lista com 20 ações, com valor de mercado superior à R$5,0 bilhões, recomendação média de Compra pelo consenso de analistas do mercado (que vai de 1,0 à 5,0), e que tiveram pior performance nos últimos 12 meses. Por exemplo, o Ibovespa subiu +53% nos últimos 12 meses, enquanto várias dessas ações ainda estão em queda no mesmo período.

Essa não é uma lista de recomendação, apenas uma lista indicativa de quais ações tiveram uma fraca performance nos últimos 12 meses, e possam assim apresentar algum tipo de assimetria de preço.

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

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