Investindo no exterior: Entenda os BDRs

Saiba como funcionam os BDRs e quais as empresas globais em que os brasileiros podem investir através deles


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*Este texto foi atualizado às 9h30 em 21/10/2020

Você sabia que existem veículos locais de investimento que funcionam como espelhos de ações de empresas americanas, incluindo as maiores empresas do mundo?

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), também conhecidos como CDVM (Certificado de Depósito de Valores Mobiliários), são valores mobiliários emitidos no Brasil que representam outro valor mobiliário emitido por companhias abertas com sede no exterior. Na prática, os BDRs refletem a variação de preço das ações estrangeiras às quais estão atreladas, só que aqui no Brasil e em reais.

E, a partir de uma nova norma da CVM publicada recentemente e uma nova deliberação da B3, a Bolsa oficial do Brasil, esse tipo de investimento está liberado para qualquer investidor na Bolsa a partir de 22 de outubro, o que torna as grandes empresas do mercado internacional mais acessíveis ao público em geral.

Anteriormente, os BDRs estavam restritos apenas a investidores qualificados, aqueles que possuem mais de 1 milhão de reais investidos. Explicamos em maiores detalhes, ao longo do texto, a nossa visão sobre a atualização da CVM.

Como funcionam os BDRs?

Os BDRs são negociados em bolsa, assim como outras ações comuns, como PETR4 ou ITUB4, por exemplo. No homebroker da XP Investimentos, o investidor pode procurar pelos BDRs utilizando seus respectivos códigos (chamados de tickers).

Atualmente, há 551 BDRs listados na bolsa brasileira; Facebook (FBOK34), Microsoft (MSFT34) e Tesla (TSLA34) são alguns exemplos.

No caso do Facebook, a ação original da empresa é negociada na Nasdaq, em dólares, sob o código FB. O BDR correspondente, que pode ser adquirido pelo investidor brasileiro no homebroker da XP, é negociado sob o código FBOK34, em reais. Veja em um exemplo apenas para efeitos de ilustração, no gráfico abaixo, o desempenho dos papéis.

Em amarelo, o desempenho do BDR em R$. Em preto, o desempenho da ação original no país de origem, em moeda local (US$). E a linha pontilhada representa a variação do câmbio durante o mesmo período.

Com os BDRs, o investidor tem exposição ao ativo (a ação lá fora) e ao câmbio (variação do dólar em relação ao real). Ou seja, suponha que no início do período você entrasse na plataforma da XP e investisse R$ 100 em BDRs do Facebook pelo código FBOK34. No final do período, seu investimento teria se valorizado 73% e valeria R$ 173.

Como é possivel o BDR FBOK34 se valorizar 73% e a ação original FB subir apenas 28%? Devido ao câmbio. Entenda melhor com o exemplo a seguir, no qual não consideramos variação de preço do ativo mas apenas uma variação na taxa de câmbio, onde nesse caso o dólar subiu:

Imagine que, quando você comprou 1 BDR FBOK34 por R$ 100, a taxa de câmbio fosse de R$4 (1 dólar valendo 4 reais), logo, seu investimento seria equivalente a comprar US$ 25 em ações originais do Facebook. Suponha que, um mês depois, as ações originais do Facebook não se alteraram de valor, continuando a valer os US$ 25, mas a taxa de câmbio passa a ser R$5 (1 dólar se valorizou, valendo agora 5 reais), então, seus US$ 25 investidos em Facebook não valem mais os R$ 100, mas sim R$ 125 devido à variação da taxa de câmbio.

É como se na data de entrada você transformasse R$ 100 em US$ 25 (câmbio a R$ 4) e comprasse US$ 25 em ações do Facebook. Um mês depois, você venderia as ações pelos mesmos US$ 25, dado que elas não se valorizaram, mas transformasse os US$ 25 em R$ 125, pelo efeito do câmbio agora a R$ 5.

Portanto, ao comprar BDRs, você está exposto à variação da moeda brasileira contra o dólar: se o real subir em relação ao dólar, você perde valor; se o real cair, você ganha. Mas os BDRs não devem ser utilizados para tentar lucrar com variações do câmbio (para isso existe a compra direta de moeda e outras formas), mas sim para que o brasileiro consiga investir em empresas globais, e ter uma carteira de investimentos mais diversificada.

CVM altera norma e torna os BDRs mais acessíveis

As regras da CVM permitiam negociação de BDRs apenas para investidores qualificados, ou seja, que possuem mais de R$ 1 milhão em ativos financeiros, tornando este produto inacessível para muitos investidores brasileiros. No entanto, a nova norma, a entrar em vigor em 22 de outubro, concede permissão para que quaisquer investidores de varejo tenham acesso aos papéis. Dependendo do mercado em que os valores mobiliários (lastro dos BDR Nível I) sejam listados, investidores não-qualificados (menos de R$1 milhão) poderão negociá-los.

Por isso, a liquidez antes limitada deve aumentar muito com o reforço de formadores de mercado para todos os papéis, o que deve comprimir spreads e melhorar a experiência de negociação. Para se ter uma ideia, o volume de transações de BDRs do Facebook (FBOK34) em julho de 2020 (antes da alteração) foi de R$ 95 milhões. O volume representa 0,01% da negociação de ações originais do Facebook (FB, na Nasdaq) no mesmo período, de US$ 186bi.

Além disso, a flexibilização já implementada do lote mínimo de negociação, que era de 100 unidades e passou a ser de apenas 10 torna o mercado ainda mais acessível para o pequeno investidor, trazendo ainda mais liquidez para as negociações.

Vantagens de se investir em BDRs

O mercado de ações brasileiras, embora seja bem desenvolvido, é muito pequeno se comparado ao mercado americano. O valor de mercado das 331 empresas listadas na B3 era de US$ 0,8tri no início de agosto, enquanto o S&P 500 valia US$ 29tri.

Portanto, ao flexibilizar as regras dos BDRs, a CVM permitirá ao investidor diversificar a sua carteira em empresas de alcance global e em setores que não existem no Brasil ou são extremamente limitados, como os de tecnologia (FAAMGs em destaque) e saúde.

Investir em BDRs significa diversificar a carteira, ter exposição ao mercado global de ações sem sair do Brasil, e obter posicionamento diferenciado ao que seria possível apenas com ações brasileiras, tudo isso estando comprado em dólar que é a moeda padrão de troca e de reserva de valor no mundo.

Conheça as 30 maiores empresas disponíveis em BDRs

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