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TIM (TIMS3): Tirando a poeira do para-brisa: não tenha medo da Itália; Principais destaques de NDR com CEOs da Telecom Italia e TIM Brasil

Esta semana recebemos em nosso escritório os CEOs da Telecom Italia (Pietro Labriola) e TIM Brasil (Alberto Griselli), além de Vicente Ferreira (Head de RI TIM Brasil) para um NDR com clientes institucionais.

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Esta semana recebemos em nosso escritório os CEOs da Telecom Italia (Pietro Labriola) e TIM Brasil (Alberto Griselli), além de Vicente Ferreira (Head de RI TIM Brasil) para um NDR com clientes institucionais. Nas reuniões, aprofundamos algumas discussões sobre a estratégia de Pietro no comando da TI e os possíveis desdobramentos estratégicos para a TIM Brasil. Com a mudança de governo na Itália, algumas notícias apontam para a possibilidade de um desinvestimento da TIM Brasil. Ficamos com a impressão de que o plano de reestruturação na Itália está sendo executado de forma adequada e até certo ponto de forma independente, o que não exigiria a venda do ativo no Brasil, mitigando o risco de overhang devido à ausência de um comprador óbvio para TIM Brasil. Em nossa visão, a TIM Brasil segue negociando a um valuation muito atrativo de 3,4x EV/EBITDA para 2023, um desconto relevante para pares globais (~6,0x). Além de um valuation atrativo, uma nova abordagem de dividendos e rápida desalavancagem após a aquisição da Oi Mobile nos fazem reiterar nossa recomendação de COMPRA, que também permanece como nossa Top Pick entre as grandes telcos brasileiras.

No comando da Telecom Italia desde o início deste ano, Pietro se concentrou em executar o plano de forma industrial. Nos primeiros meses de seu mandato na Itália, Pietro conduziu alguns impairments e profit warnings, suspendeu dividendos e mudou o guidance da empresa. Em seguida, Pietro apresentou um plano para reduzir a dívida (~19,3bn de euros de dívida líquida) onde o caminho mais óbvio seria a venda da empresa de infraestrutura que gera ~EUR 2 bilhões (~50% do EBITDA total após arrendamento) transferindo uma quantidade significativa de dívida a esta nova empresa. A companhia possui uma negociação em aberto com a CDP Equity e dada a magnitude da transação e o tempo necessário para analisar todas as informações, ambas as partes estão discutindo uma extensão do MoU. Outros fundos de private equity também sinalizaram interesse no ativo. O processo é complexo e precisaria da aprovação do governo italiano.

O que sobra Telecom Italia? Após a conclusão, sobraria a empresa consumer, enterprise doméstico e a TIM Brasil. A operação de consumer precisa ser reestruturada no curto prazo, pois deteriorou seu desempenho nos últimos anos. Após a execução do plano, a alavancagem da Telecom Italia deverá cair significativamente.

TIM Brasil (a joia da coroa): As operações no Brasil representam hoje ~25% do EBITDA AL do grupo e ~35% do EBITDA AL-Capex. Segundo Pietro, dada a importância da operação do Brasil nos resultados, não faria sentido vender a operação sem um prêmio significativo, caso contrário não haveria redução da dívida pela Controladora. Atualmente, não há comprador óbvio para o ativo e, além disso, o plano de reestruturação na Itália não considera esse desinvestimento. Sobre a possibilidade de vender o excedente controle (a Telecom Italia detém 67% da TIM Brasil), essa decisão não faria sentido, seria financeiramente irrelevante e não endereçaria as necessidades de caixa da Telecom Italia. Apesar de sua alta alavancagem, a Telecom Italia tem ampla liquidez para cobrir os vencimentos até 2024. Eles acabaram de fazer um empréstimo de 2 bilhões de euros com o governo italiano dando um bom alívio. A empresa não tem problemas com covenants e a taxa de juros é majoritariamente fixa. O desafio está no médio prazo, quando a empresa terá novos financiamentos a um custo maior. Confirmamos que não há dívida colaterizada tendo como garantia as ações e/ou ativos no Brasil. Apesar de todo o barulho sobre a possibilidade de venda da TIM Brasil, não há processo de venda em andamento e, em nossa percepção, a venda só ocorreria se um player se mostrasse disposto a comprar as operações pagando um bom prêmio.

Governança na Itália: A Telecom Italia é uma “True Corporation” tendo como principais acionistas Vivendi (23,75%) e Cassa Depositi e Prestiti (9,81%) com 2 e 1 membros no conselho de administração, respectivamente (de 15 membros do conselho). A Telecom Italia é a 5ª maior empresa da Itália com aproximadamente 70 mil funcionários (diretos e indiretos), por isso seu plano de recuperação desperta o interesse de várias partes interessadas, incluindo o governo.

Aproveitamos as reuniões para discutir outros temas diretamente relacionados às operações da TIM Brasil. Alguns destaques abaixo:

Novos M&As: a companhia ainda tem pouco apetite para adquirir ISPs nos próximos 12 meses. O mercado vive uma espécie de ressaca pós-covid com desaceleração da demanda e ambiente competitivo mais agressivo. Na visão da companhia, uma ISP não traz muito ganho de rede, diferente de um M&A na móvel não traz market repair, portanto na visão do management da TIM Brasil não existe um valor industrial tão relevante a ser destravado.

Infraestrutura: Nesse sentido, a empresa prefere um modelo asset light e considera alguma parceria com uma rede de Infraestrutura neutra. Na nossa visão, a empresa tende a ter um bom poder de barganha para negociar com esses players. A companhia segue com a mentalidade de trazer mais eficiência na implantação de seu Capex e está avaliando outras parcerias para reduzir suas necessidades de investimento.

5G: Companhia segue animada com a implantação de sua rede 5G e, nesse sentido, espera anunciar economias de Capex nos próximos anos. A base de clientes 5G continua crescendo em uma curva acima do esperado, trazendo mais eficiência no uso de espectro e rede. À medida que mais clientes migram para a rede 5G, diminui a necessidade de investir em redes legadas, liberando capacidade e melhorando a experiência dos clientes que ainda usam redes 4G.

A TIM continua animada com os uses cases corporativos de IoT e cybersegurança. Recentemente, fechou novos contratos com empresas do agronegócio, rodovias e outras de infraestrutura para automação com 5G. A demanda corporativa e de governo deve acelerar, mas ainda é difícil prever o tamanho potencial da oportunidade.

Ambiente competitivo na móvel: A empresa comentou que tem conseguido repassar a inflação para os preços dos planos controle e pós-pago. No entanto, a indústria ainda segue com um efeito washing machine elevado, pois os novos planos de entrada não seguiram os reajustes de base na mesma intensidade. A companhia espera uma melhora gradual principalmente a partir de 2023.

Update Oi Móvel: A TIM espera realizar uma limpeza de base relevante de clientes que não fazem mais recarga e não estavam sendo desconectados pela Oi pré aquisição. Do ponto de vista da receita, não deve haver nenhuma diferença material. Apesar do menor Arpu dos clientes da Oi, a TIM segue confiante em aumentar o ticket médio desses clientes de forma gradual.

Disputa sobre o valor final de fechamento da transação: as Telcos estão pedindo R$ 3,2 bilhões (R$ 1,6 bilhão retidos), o restante seria indenização aos compradores. A TIM segue confiante com a reclamação no âmbito do processo de arbitragem, mas o processo pode ser prorrogado caso o processo seja judicializado.

Política de Dividendos: A companhia não espera definir uma política formal de distribuição de dividendos em 2023, porém acredita ser possível aumentar marginalmente o valor que será distribuído neste ano (R$ 2 bilhões). Após 2024, a empresa deve ter uma geração de caixa maior após capturar sinergias relevantes da Oi Móvel e uma discussão relacionada à política de dividendos pode fazer sentido.

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