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Santander Brasil (SANB11): Trimestre mais fraco, com NII e impostos pressionando o resultado

Revisão do 1T26

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O Santander reportou resultados do 1T26 abaixo das nossas estimativas, com lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões (-7,3% T/T; -1,9% A/A; vs. XPe de R$ 4,0 bilhões), entregando um ROAE de 16,0%, recuo de 150 bps T/T. O trimestre foi amplamente influenciado pela sazonalidade típica do primeiro trimestre, com contração da carteira, menores receitas de tarifas e deterioração da qualidade de ativos, todos os fatores já antecipados em nossa prévia. Os resultados vieram, de forma geral, em linha na maior parte das linhas de receita, com o NII de Clientes ligeiramente abaixo do esperado e a alíquota efetiva de imposto um pouco acima da nossa estimativa como os principais vetores do resultado abaixo do esperado na última linha. No front de qualidade de ativos, o salto expressivo nas baixas chama atenção, embora pareça refletir uma mudança deliberada de política, e não uma deterioração cíclica incremental. De forma geral, o trimestre é consistente com a tese de normalização gradual, mas reforça que uma reprecificação mais relevante de ROE segue dependente de um ambiente macroeconômico menos adverso e da resolução do ciclo de inadimplência em segmentos específicos.

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Confira as análises dos resultados das empresas da Bolsa referentes ao 4º trimestre de 2025

A carteira de crédito expandida atingiu R$ 705,6 bilhões (‑0,4% T/T; +3,4% A/A), com desempenho lateral refletindo uma postura mais seletiva na concessão de crédito em um ambiente macroeconômico desafiador. Na comparação trimestral, o crescimento em Consumer Finance (+1,7%) e em crédito imobiliário (+2,1%) foi compensado por um desempenho sazonalmente mais fraco em cartões (‑3,1%), menor volume de crédito consignado (‑5,2%) e efeitos cambiais adversos no segmento Corporate (‑0,1%). Ex‑FX, a carteira teria crescido 1,0% T/T e 4,6% A/A.

Na comparação anual, a carteira de crédito avançou 3,4%, com destaque para Pessoa Física, puxado por cartões (+9,1% A/A) e crédito imobiliário (+10,6% A/A), além de Consumer Finance (+14,2% A/A) e PMEs (+9,9% A/A). No detalhamento por segmento, a carteira de Pessoa Física recuou 1,3% T/T, pressionada pela sazonalidade em cartões e pela queda no crédito consignado, enquanto Consumer Finance seguiu se destacando, liderado por financiamento de veículos, que cresceu 2,1% T/T e 8,8% A/A. Já a carteira expandida de Corporate e PMEs permaneceu praticamente estável na comparação trimestral, mas avançou 4,3% A/A, sustentada por uma maior participação de exposições com garantia.

O NII atingiu R$ 15,8 bilhões (+3,1% T/T; ‑0,7% A/A; e ‑1% vs. XPe), refletindo um desempenho divergente entre um NII de Clientes pressionado e uma melhora no NII de Mercado. O NII de Clientes totalizou R$ 16,6 bilhões (‑1,4% T/T; +4,8% A/A), com a queda trimestral explicada principalmente pelo menor número de dias corridos e dias úteis no período e pelo efeito de taxas diferidas reclassificadas em NII, que compensaram parcialmente o crescimento contínuo de volumes e a disciplina de preços. O NII de Mercado registrou prejuízo de R$ 771 milhões, com melhora relevante na comparação trimestral, apoiada pela sensibilidade positiva do banco à queda das taxas de juros, melhores resultados de tesouraria e maior apropriação de títulos indexados à inflação. Na comparação anual, o NII permaneceu levemente menor, refletindo a sensibilidade ainda negativa às taxas de juros, que segue pressionando o NII de Mercado.

A qualidade de crédito apresentou tendências mistas, porém controladas, no 1T26. A inadimplência curta avançou para 3,4% (+10 bps T/T), refletindo principalmente pressão sazonal e um ambiente macroeconômico ainda restritivo, com o aumento concentrado em clientes Pessoa Física de menor renda. Por outro lado, a inadimplência acima de 90 dias subiu de forma mais relevante para 3,3% (+20 bps T/T; +60 bps A/A), novamente liderada por PF de menor renda e PMEs, refletindo fluxos de caixa mais fracos e maior alavancagem, além do programa de aprimoramento da política de baixas para prejuízo, que deve seguir pressionando os indicadores de inadimplência ao longo de 2026.

A formação de NPL atingiu R$ 7,2 bilhões (+7,6% T/T), com o índice de formação em 1,01% (+5 bps T/T), sinalizando alguma pressão no front‑end, mas ainda amplamente estável na comparação anual. As provisões permaneceram disciplinadas, com LLPs gerenciais totalizando R$ 6,3 bilhões (+3,9% T/T; ‑0,7% A/A), mantendo o custo de crédito estável em 3,7%, à medida que uma gestão de risco mais rigorosa e um mix de carteira mais saudável compensaram os desafios macroeconômicos. As baixas para prejuízo cresceram sequencialmente para R$ 5,5 bilhões (+31,9% T/T), em função do aperfeiçoamento das políticas e do reconhecimento mais antecipado de perdas em Cartões, enquanto a cobertura do Stage 3 encerrou o trimestre em 67,6% (+110 bps T/T). Em geral, a pressão sobre a qualidade dos ativos é visível na margem, especialmente em PF de menor renda e PMEs, mas segue administrável, com custo de crédito estável e ações proativas de gestão de risco sustentando a perspectiva.

As receitas com tarifas totalizaram R$ 5,4 bilhões no 1T26 (‑5,5% T/T; +5,8% A/A), ficando amplamente em linha com nossas estimativas. Por se tratar de uma linha sazonal, o desempenho trimestral refletiu principalmente a dinâmica mais fraca típica do primeiro trimestre, especialmente em Cartões, cujas receitas recuaram 7,2% T/T, em função de menor volume de gastos após um fim de ano forte. Por outro lado, na comparação anual, as tarifas foram sustentadas por volumes de negócios saudáveis e pela continuidade da diversificação de receitas, com destaques para Cartões (+9,8% A/A), Seguros (+12,2% A/A) e Asset Management e Consórcios. As receitas de Seguros foram beneficiadas por uma originação sólida de crédito automotivo e por produtos não atrelados a crédito, enquanto Corretagem e Distribuição de Valores Mobiliários apresentaram crescimento robusto, refletindo maior atividade nos mercados de renda fixa. Consórcios, após desempenho bastante forte nos trimestres anteriores, mostraram alguma moderação sequencial, em parte devido a uma base de comparação mais exigente. No geral, a dinâmica de tarifas permanece alinhada à estratégia do banco de diversificação de receitas, ajudando a mitigar a sazonalidade e a sustentar a geração de receitas recorrentes.

As despesas permaneceram bem controladas no 1T26, com despesas administrativas totalizando R$ 6,6 bilhões, estáveis T/T e com alta de apenas 0,9% A/A, bem abaixo da inflação, evidenciando forte disciplina de custos. Economias decorrentes da otimização da estrutura física e do quadro de pessoal, incluindo a migração de 1,6 mil funcionários para o SSD em 2025, foram parcialmente reinvestidas em tecnologia e na amortização associada, reforçando uma base de custos estruturalmente mais eficiente. Como resultado, o índice de eficiência melhorou para 37,7% (‑1,1 p.p. T/T), apesar de uma alta de 0,5 p.p. A/A. Outras receitas e despesas operacionais registraram despesa líquida de R$ 2,3 bilhões, queda de 11,8% T/T em função da sazonalidade após um 4T25 mais carregado, enquanto a alta de 8,2% A/A refletiu principalmente maiores provisões para contingências.

O Santander reportou lucro líquido mais fraco de R$ 3,8 bilhões no 1T, com queda de 2% A/A, 7% T/T e 5% vs. XPe. A última linha foi impactada por uma alíquota efetiva de imposto mais elevada, em torno de 15%, alta de 12 p.p. T/T e queda de 3 p.p. A/A, refletindo principalmente menor volume de JCP. Como resultado, o banco entregou ROAE de 16,0%, queda de 130 bps A/A e 150 bps T/T. Em capital, o banco encerrou o trimestre com Índice de Basileia confortável de 15,2% (‑20 bps T/T) e CET1 de 11,2% (‑30 bps T/T), refletindo o lucro do período e a dinâmica de RWA operacional.

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