Saiba nossa visão sobre a temporada de resultados do 3º trimestre

Ao nos aproximarmos da temporada de resultados das empresas do terceiro trimestre de 2019 (3T19), publicamos nossa prévia com as estimativas e comentários sobre empresas e setores selecionados. Para mais detalhes, basta acessar o conteúdo completo abaixo.


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Podcast Investorcast: Analistas Bruna Pezzin e Gabriel Francisco debatem com o editor Gabriel Fortes todos os pontos sobre a temporada de resultados das empresas listadas

Vemos uma temporada de resultados relativamente fraca, reflexo do cenário ainda desafiador para a atividade econômica, que impacta as empresas domésticas.

Após um 2T19 apontando para uma leve recuperação, esperamos que a atividade econômica brasileira perca um pouco de dinamismo no 3T19. Com base nos dados disponíveis até o momento, acreditamos que o PIB permanecerá estável (+0,05%) na comparação trimestral (3T19/2T19) e crescerá apenas 0,5% com relação ao mesmo trimestre do ano anterior (3T19/3T18). Essa leve desaceleração decorre principalmente da menor pujança dos setores de consumo de bens duráveis, de setores de serviços centrais, tais como transportes, e da persistente fragilidade da indústria brasileira.

Apesar da recuperação econômica lenta, vale destacar a evolução positiva de determinados indicadores que impactam diretamente o ambiente microeconômico das empresas. Dentre eles, o quadro confortável para a inflação com IPCA médio de 3,2% no 3T19 (versus 4,4% no 3T18) e o cenário de juros baixos com Selic em 5,5% no final do trimestre (contra 6,5% no 3T18). Para mais detalhes, consolidados os principais deles no quadro abaixo.

Nesse cenário, esperamos que o setor de varejo mostre tendências semelhantes àquelas observadas no trimestre anterior, ainda impactado negativamente pelo cenário desafiador para a economia e poucos sinais de retomada no consumo. No entanto, as empresas de comércio eletrônico devem ser o destaque positivo no trimestre, com aceleração do crescimento de vendas e consequente ganho de participação de mercado para B2W e Magazine Luiza. Por outro lado, esperamos que a Via Varejo seja o destaque negativo (embora esperado), ainda impactada negativamente pelo processo de reestruturação da empresa, após a recente mudança na gestão.

Da mesma forma, nos shoppings não esperamos grandes surpresas positivas. O crescimento de receitas ainda deverá ser tímido, resultado da atividade econômica ainda fraca e portanto de pouco espaço para redução de descontos para lojistas e expansão significativa de vendas. Dentro desse contexto, empresas com um portfólio mais premium deverão apresentar tendências de vendas mais saudáveis.  

Na Ambev, vemos um 3T19 suave, com o volume de cerveja no Brasil crescendo 1,5% no ano contra ano. Além disso, a contínua demanda enfraquecida e ambiente de preços desafiador devem pesar nos resultados das siderúrgicas mais uma vez.

Dentro do setor de transportes, esperamos uma safra positiva de resultados por parte das locadoras de veículos, que deverão apresentar mais um trimestre com crescimento sequencial de volumes e um grau moderado de alavancagem operacional em média. No caso das companhias aéreas, esperamos mais um trimestre saudável. No entanto, apesar da tendência positiva de crescimento de receitas, fruto de um ambiente racional de oferta e demanda, os custos deverão vir marginalmente pressionados por conta da desvalorização do Real em relação ao Dólar.

Sobre as exportadoras, esperamos novamente um trimestre forte para os frigoríficos com preços e exportações mais altos, enquanto o setor de carne bovina nos EUA deve ser o destaque positivo para as empresas que possuem exposição à região. As mineradoras devem registrar números sólidos com volumes e preços fortes de minério de ferro, embora os preços mais altos do frete afetem os custos. Do lado negativo, o setor de papel e celulose deve continuar sendo impactado por preços de celulose deteriorados e custos ainda elevados.  

Para as elétricas, esperamos que os resultados das geradoras sejam impactados negativamente por uma combinação de cenário hidrológico mais adverso e preços menores do que esperado de energia de curto prazo. Nas distribuidoras de combustíveis, esperamos resultados melhores em termos de margens com base em nosso acompanhamento de dados de revenda para postos. Por fim, esperamos que a Petrobras reporte resultados ligeiramente mais fracos no 3T19, dado que o aumento de produção de petróleo com a entrada de novas plataformas foi compensado por um menor preço do petróleo de US$ 62/barril contra US$ 68,5/barril no 2T19.

Por fim, para o setor financeiro, esperamos um trimestre misto, com Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) mostrando bons resultados, enquanto acreditamos que Banrisul (BRSR6) deve reportar um trimestre desafiador. Em relação aos temas de crédito, economia e reformas:

  • Os dados que temos até agosto demonstram tímido crescimento do crédito no ano, de apenas 5,1% nos últimos 12 meses para R$ 3,3 trilhões, sendo a maior parte do crescimento devido à carteira de pessoas físicas, que cresceu 11% para R$ 1,9 trilhão, enquanto o crédito corporativo teve queda de 2% no mesmo período para R$ 1,4 trilhão.
  • Mesmo considerando que bancos privados estão crescendo mais que os públicos, os números em si não são animadores, provavelmente efeito da recuperação econômica mais lenta do que o esperado e das reformas, como a da previdência, que não avançaram com a velocidade prevista.
  • Já para o quarto trimestre, que conta com a reforma da previdência aprovada já em outubro, esperamos que isso leve a uma retomada do crescimento de crédito, o que deve ajudar os resultados adiante.

Já em relação aos fundamentos:

  • Entre as linhas principais, acreditamos que a margem financeira dos bancos deve continuar crescendo devido a uma combinação de fatores: i) melhor mix com pessoas físicas e PMEs; ii) ativos demorando mais para reajustar do que passivo, o que é benéfico em um cenário de queda de juros; e iii) players privados assumindo a dianteira frente aos bancos públicos. Porém, não acreditamos que esse cenário seja sustentável no longo prazo.
  • Do lado das receitas de serviço, esperamos um cenário ainda desafiador com os bancos incumbentes sendo pressionados por reguladores, fintechs, insurtechs e plataformas independentes cada vez mais agressivas.
  • Os dois fatores anteriormente mencionados, combinados com o aumento programado da CSLL de 15 para 20% em 2020, nos fazem acreditar que os bancos terão um grande desafio pela frente de tentar manter os atuais níveis de rentabilidade.
  • Por fim, destacamos que os pedidos de recuperação judicial da Odebrecht/Atmos devem afetar as provisões de alguns bancos neste trimestre, uma vez que não acreditamos que todos estavam provisionados ou possuíam garantias suficientes. Lembrando que este é um fator não recorrente.

Vale lembrar que, por determinação do departamento de compliance, estamos restritos em Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3).

Abaixo consolidamos nossas estimativas do 3T19 para as empresas da cobertura, organizadas por setor. Para facilitar a leitura, recomendamos o uso da ferramenta “Navegue pelo conteúdo” localizada à esquerda.

Entenda aqui por que é importante analisar os resultados trimestrais das empresas

ALIMENTOS E BEBIDAS

Ambev (ABEV3) – Neutro

Esperamos resultados suaves, com volumes de cerveja no Brasil aumentando apenas 1,5% A/A, devido ao atraso dos concorrentes em acompanhar o aumento de preços da Ambev em julho. Além disso, esperamos custos elevados que devem manter as margens pressionadas. Nos outros segmentos, ainda vemos a América Latina e o Canadá como fracos, mas o Caribe e América Centram devem continuar reportando fortes resultados.

BRF (BRFS3) – Compra

Esperamos forte 3T com resultados sequencialmente melhores no Brasil, seguindo volumes mais fortes e preços estáveis ​​(mas altos). No Internacional, esperamos volumes estáveis, uma vez que as novas plantas certificadas começaram a exportar no 4T, mas preços mais altos em real. No negócio da Halal, os resultados devem ser sólidos, mas inferiores ao 2T, que foi impulsionado pela temporada do Ramadã.

JBS (JBSS3) – Compra

Esperamos fortes resultados, com números sólidos nos EUA e a fraqueza da demanda doméstica no Brasil compensada por fortes exportações. A carne bovina deve ser o destaque positivo nos EUA e no Brasil. Nos EUA, esperamos margens de dois dígitos com a forte demanda e o fechamento da planta da Tyson Foods, que levou a menores custos com gado, e no Brasil, volumes e preços fortes, combinados a custos mais baixos, devem levar a uma margem EBITDA de alto dígito.

Marfrig (MRFG3) – Compra

Esperamos resultados fortes, principalmente nos negócios da América do Norte, com melhores margens após a paralisação da fábrica da Tyson Food, o que levou a preços de gado mais baixos, enquanto os preços das proteínas melhoraram. No segmento da América do Sul, esperamos volumes estáveis, preços mais altos e margens fortes, em linha com o 2T19. Ajustamos nosso preço-alvo de R$ 10/ação para R$ 14/ação, considerando resultados mais fortes e a rolagem para 2020. Mantemos recomendação de compra.

BANCOS

Bradesco (BBDC4) – Compra

Acreditamos que a dinâmica de crescimento de lucros do Bradesco seja mantida e que o banco alcance um lucro líquido de R$ 6,6 bilhões. O crescimento deve ser impulsionado por: i) maior participação de indivíduos e PMEs na carteira de crédito; ii) fortes resultados que a seguradora vem apresentando; e iii) melhora na qualidade do ativo.

Santander (SANB11) – Neutro

Acreditamos que o Santander vai reportar um bom crescimento anual, continuando sua trajetória de rentabilidade. A margem financeira, combinada com as receitas de serviço, devem continuar sendo os propulsores deste crescimento, principalmente pelo fato de o Santander ter iniciado antes o ciclo de crédito.

Banrisul (BRSR6) – Compra

Esperamos um trimestre desafiador para o Banrisul. Com o spread* sofrendo pressão na maioria das linhas e provisões maiores do que no ano anterior, acreditamos que o lucro do banco deve cair 14% em relação ao trimestre anterior e próximo do mesmo trimestre do ano anterior, ficando em R$ 287 milhões. Este lucro implicaria em um retorno sobre o patrimônio líquido de 15%. Porém acreditamos que o Banrisul vai conseguir entregar crescimento nas receitas de serviços, ao contrário do mercado como um todo.

*diferença entre as taxas cobradas pelo tomador e aplicadas pelo investidor.

ENERGIA E SANEAMENTO

AES Tietê (TIET11) – Compra

Atualizamos nossas estimativas incorporando os resultados do 2T19 e o novo portfólio de contratos de energia, além de migrarmos nosso preço-alvo para o final de 2020. Nosso novo preço-alvo é de R$ 16,5/unit (R$16/unit anteriormente). Esperamos uma melhora sequencial dos resultados da AES Tietê no 3T19 devido à alocação de compras de energia, início de operação de usinas solares e melhores resultados sazonais de usinas eólicas.

Engie (EGIE3) – Neutro

Atualizamos nossas estimativas incorporando os resultados do 2T19 e o novo portfólio de contratos de energia, além de migrarmos nosso preço-alvo para o final de 2020. Nosso preço-alvo continua de R$ 45/ação. Não esperamos nenhuma grande surpresa nos resultados da Engie, devido a estratégia eficiente de proteção da empresa e a alocação sazonal de sua capacidade de geração que mitigam quase que completamente os impactos de menor incidência de chuvas. Finalmente, esperamos impactos positivos com a incorporação dos resultados da TAG, empresa de operação de gasodutos adquirida da Petrobras.

Taesa (TAEE11) – Neutro

Incorporamos os resultados do 2T19, o ciclo de reajuste anual 2019/20 e migramos nosso preço-alvo para o final de 2020. Atualizamos o preço-alvo para R$ 33/unit, de R$ 30/unit anteriormente. Esperamos uma queda dos resultados da TAESA no 3T19 em vista da desaceleração de dados de inflação no trimestre.

Equatorial (EQTL3) – Compra

Incorporamos as estimativas do 2T19, uma menor taxa de remuneração do capital para as distribuidoras de 7,17% (proposta pela ANEEL em consulta pública) e o adiamento das revisões tarifárias da Cepisa e da Ceal, além de migrarmos nosso preço-alvo para o final de 2020. Nosso novo preço-alvo é de R$ 110/ação, de R$ 100/ação anteriormente. Os resultados do 3T19 devem refletir as melhoras operacionais das novas distribuidoras Cepisa e Ceal, como reduções de custos e menores provisões, embora ligeiramente compensados por uma lenta recuperação da demanda de energia.

ISA CTEEP (TRPL4) – Neutro

Incorporamos os resultados do 2T19, o ciclo de reajuste anual 2019/20 e migramos nosso preço-alvo para o final de 2020. Atualizamos o preço-alvo para R$ 24/ação, de R$ 22/ação anteriormente. Não esperamos grandes surpresas para os resultados na CTEEP no 3T19.

CEMIG (CMIG4) – Neutro

Incorporamos as estimativas do 2T19, uma menor taxa de remuneração do capital para as distribuidoras de 7,17% (proposta pela ANEEL em consulta pública) e migramos nosso preço-alvo para o final de 2020. Atualizamos nosso preço-alvo para R$ 16/ação, de R$ 15/ação anteriormente. Não esperamos grandes surpresas nos resultados da Cemig no 3T19, que devem ser impactados negativamente pelo cenário hidrológico mais adverso no trimestre somado a preços menores do que esperado de energia de curto prazo. Tais efeitos devem afetar os resultados de geração e comercialização de energia.

Energias do Brasil (ENBR3) – Compra

Incorporamos as estimativas do 2T19, uma menor taxa de remuneração do capital para as distribuidoras de 7,17% (proposta pela ANEEL em consulta pública) e migramos nosso preço-alvo para o final de 2020. Nosso preço-alvo é de R$ 26/ação, de R$ 27/ação anteriormente. Não esperamos grandes destaques para a EdP no 3T19, que deve apresentar resultados pressionados nas subsidiária de geração hidrelétrica e comercialização. Isso se deve pela alocação de compras de energia como mecanismo de proteção aos efeitos de menor incidência de chuvas, somada a menores preços do que o esperado de energia no curto prazo.

COPEL (CPLE6) – Compra

Incorporamos as estimativas do 2T19, uma menor taxa de remuneração do capital para as distribuidoras de 7,17% (proposta pela ANEEL em consulta pública) e migramos nosso preço-alvo para o final de 2020. Nosso preço-alvo é de R$ 68/ação, de R$ 65/ação anteriormente. Não esperamos grandes surpresas nos resultados da Copel no 3T19, que devem ser impactados negativamente pelo cenário hidrológico mais adverso no trimestre somado a preços menores do que esperado de energia de curto prazo. Tais efeitos devem afetar os resultados da Copel GeT, subsidiária de geração e transmissão da companhia.

Sanepar (SAPR11) – Compra

Não esperamos grandes surpresas operacionais nos resultados do 3T19 da Sanepar, que devem refletir o reajuste tarifário de 8,37% em 2019 autorizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e tendências recentes de crescimento de volumes de água e esgoto (normalmente pouco correlacionados à atividade econômica).

Sabesp (SBSP3) – Neutro

Os resultados da Sabesp no 3T19 devem refletir a recente incorporação de novos municípios (Guarulhos e Santo André), com as respectivas contribuições para as receitas parcialmente compensadas por maiores custos gerenciáveis (como folha de pagamentos e serviços).

Copasa (CSMG3) – Neutro

Não esperamos grandes surpresas operacionais nos resultados da Copasa no 3T2019, que devem refletir parcialmente o reajuste tarifário de 8,38% autorizado pela agência reguladora Arsae e tendências recentes de crescimento de volumes de água e esgoto (normalmente pouco correlacionados à atividade econômica).

MINERAÇÃO

CSN (CSNA3) – Neutro

Esperamos resultados fracos, já que as margens de mineração devem ser pressionadas por custos mais altos, principalmente devido ao frete mais caro e sílica mais alto, levando a um maior desconto nos preços do minério de ferro. No setor de aço, a demanda permanece lenta, enquanto a combinação de custos mais altos devido à paralisação do alto-forno de Volta Redonda e preços baixos (embora estáveis) devem pressionar o segmento. Ajustamos nosso preço-alvo de R$ 19/ação para R$ 17/ação, considerando resultados mais fracos frente ao cenário desafiador para o setor siderúrgico e a rolagem para 2020. Mantemos recomendação Neutra.

Gerdau (GGBR4) – Compra

Esperamos resultados fracos, com preços baixos e crescimento de um dígito baixo no Brasil. Nos EUA, as margens devem ser impactadas por preços menores, embora os volumes permaneçam estáveis. Em aços especiais, o setor de petróleo e gás que permanece fraco nos EUA deve impactar os resultados, já que os EUA representam 55% das vendas do segmento, enquanto o Brasil deve ser impactado pela fraca demanda da Argentina. Ajustamos nosso preço-alvo de R$ 20/ação para R$ 19/ação, considerando resultados mais fracos frente ao cenário desafiador para o setor siderúrgico e a rolagem para 2020. Mantemos recomendação de Compra.

Usiminas (USIM5) – Neutro

Esperamos resultados fracos, com preços e volumes de aço sequencialmente estáveis  com demanda fraca, enquanto os custos devem permanecer pressionados. Na mineração, os custos também devem pressionar as margens, mas os volumes devem melhorar com a retomada da planta de Samambaia. Por fim, uma qualidade mais baixa de minério de ferro deve levar a um maior desconto nos preços. Ajustamos nosso preço-alvo de R$ 9/ação para R$ 8,5/ação, considerando resultados mais fracos frente ao cenário desafiador para o setor siderúrgico e a rolagem para 2020. Mantemos recomendação Neutra.

Vale (VALE3) – Compra

Esperamos resultados sólidos, com fortes volumes e preços de minério de ferro. Embora os preços mais altos do frete devam impactar os custos, as despesas de Brumadinho devem ser sequencialmente mais baixas. Em Metais Básicos, esperamos fortes resultados, com preços mais altos do níquel compensando volumes mais baixos, enquanto os resultados do cobre devem permanecer estáveis ​​no trimestre.

PAPEL E CELULOSE

Klabin (KLBN11) – Neutro

Esperamos resultados fracos, com os números de papel ainda pressionados, embora a volumes melhores, e resultados fracos de celulose com preços e volumes sequencialmente mais baixos. Do lado dos custos, esperamos melhora no papel após a retomada da planta de Monte Alegre, mas os custos de celulose devem permanecer pressionados, principalmente devido à parada da planta de PUMA durante o trimestre.

Suzano (SUZB3) – Compra

Esperamos resultados fracos, principalmente em relação à deterioração dos preços da celulose e custos ainda elevados, apesar de estáveis na comparação anual. Do lado positivo, esperamos que o volume de celulose aumente 13% no trimestre, em linha com a estratégia da Suzano, com potencial de crescimento maior. No papel, a contínua demanda fraca e deve manter os resultados pressionados, embora esperamos volumes e preços sequencialmente estáveis.

PETRÓLEO E GÁS

Petrobras (PETR4 e PETR3) – Compra

Atualizamos nossas estimativas com base nos resultados do trimestre anterior, dados recentes produção de petróleo, além da migração de nossas estimativas para novas normas de contabilidade (IFRS 16). Nossos preços-alvo para PETR4 / PETR3 / PBR_A / PBR permanecem inalterados em R$ 36 / R$ 35 / US$ 18,5 / US$ 18. Nossas estimativas do 3T19 refletem o aumento recente da produção de petróleo, margens internacionais de combustíveis de US$ 6,10/barril, câmbio de 3,97 e um preço médio do petróleo de US$ 62,0 / barril.

Ultrapar (UGPA3) – Neutro

Ajustamos nossas estimativas e atualizamos nosso preço-alvo para R$ 22/ação, ante R$ 24/ação anteriormente. Nossas estimativas para o 3T19 refletem maiores margens na Ipiranga (distribuição de combustíveis), assim como crescimento de volumes em linha com os dados de agosto e setembro da Plural (associação das distribuidoras de combustíveis). Apesar das melhorias na Ipiranga, esperamos que os resultados da Oxiteno (setor petroquímico) permaneçam sob pressão devido a menores margens globais de produtos petroquímicos, em vista das menores expectativas de crescimento global e aumento da capacidade de produção.

BR Distribuidora (BRDT3) – Neutro

Atualizamos nosso preço-alvo para R$ 29/ação de R$ 30/ação anteriormente, refletindo a incorporação de resultados do trimestre anterior e a migração do nosso preço-alvo para o final de 2020. Nossas estimativas refletem margens mais baixas e lenta recuperação nos volumes, em linha com as tendências recentes da BR Distribuidora observadas em nossas bases de dados.

Cosan (CSAN3) – Compra

Atualizamos nosso preço-alvo para R$ 68/ação de R$ 64/ação anteriormente, refletindo a incorporação de resultados do trimestre anterior e a migração do nosso preço-alvo para o final de 2020. Para o 3T19, esperamos uma melhoria de margens e volumes da Raízen Combustíveis Brasil. No entanto, também incorporamos impactos negativos do congelamento de preços de combustíveis na Argentina em agosto de 2019. Finalmente, reduzimos nossas estimativas para os resultados futuros da Raízen Argentina em vista de menores expectativas para a economia do país vizinho.

SHOPPINGS

brMalls (BRML3) – Compra

Apesar de Vendas Mesmas Lojas ainda suaves (crescimento de um dígito baixo), a maior parte dos dados operacionais deve apresentar melhora em base sequencial. Aluguel por m² do portfólio ainda deve crescer abaixo da inflação no 3T19.

Iguatemi (IGTA3) – Compra

Apesar de Vendas Mesmas Lojas ainda suaves (crescimento de um dígito baixo), a maior parte dos dados operacionais deve apresentar melhora em base sequencial. Aluguel por m² do portfólio ainda deve crescer abaixo da inflação no 3T19.

Multiplan (MULT3) – Neutro

Apesar de Vendas Mesmas Lojas ainda suaves (crescimento de um dígito baixo), a maior parte dos dados operacionais deve apresentar melhora em base sequencial. Aluguel por m² do portfólio ainda deve crescer abaixo da inflação no 3T19.

TRANSPORTE E BENS DE CAPITAL

Azul (AZUL4) – Compra

Nossos números não ajustam para as despesas não recorrentes de R$79mi, relacionadas à parada do jato MAX. Os efeitos não recorrentes representaram ~2p.p. da margem. Os números no 3T19 continuaram a ser beneficiados por um cenário competitivo benigno, mas foram impactados por um Real mais desvalorizado.

Gol (GOLL4) – Neutro

O 3T19 não deverá apresentar grandes surpresas. As margens devem melhorar na comparação anual, impulsionadas pelo forte crescimento de capacidade aliado a um ambiente benigno de demanda. Os custos, porém, deverão ser impactados por um Real menos valorizado.

Localiza (RENT3) – Compra

Esperamos crescimento sólido no volume de diárias em ambos os segmentos, com o volume no segmento de aluguel de carros crescendo 29% e 22% no segmento de gestão de frotas. Tendência similar àquela observada nos últimos trimestres. Por outro lado, esperamos que a depreciação anualizada por carro suba em relação ao trimestre anterior. 

Movida (MOVI3) – Compra

Esperamos mais um trimestre de crescimento sequencial de volumes, impulsionado pelo segmento de gestão e terceirização de frotas. Tarifas deverão se sustentar na comparação trimestral. A depreciação anualizada deverá subir na comparação trimestral, especialmente no segmento de aluguel de carros. Estimamos uma depreciação anualizada por veículo de ~R$1,4mil.

Weg (WEGE3) – Neutro

A receita líquida consolidada deve crescer na comparação anual, mas a uma taxa menor se comparada aos trimestres anteriores. Apesar da desaceleração no crescimento das receitas, o segmento de Energia (geração, transmissão e distribuição).

VAREJO

B2W (BTOW3) – Compra

Esperamos um resultado sólido, com melhora na tendência de vendas. Para a operação própria (1P), projetamos crescimento na comparação anual próximo da estabilidade, o que representa uma aceleração versus o 2T. Já para o marketplace (3P), estimamos manutenção do forte crescimento no patamar de +50%. Como resultado, as vendas líquidas crescem +5% (contra -6,5% no primeiro semetre) e a margem EBITDA expande +85bps atingindo 9,3%.

Carrefour Brasil (CRFB3) – Neutro

Esperamos resultados mistos para o Carrefour Brasil. Do lado positivo, o destaque fica para a operação de Multivarejo com aceleração do crescimento mesmas lojas (+9,1%) e expansão de 0,3 p.p. na margem. Já o Atacadão, estimamos que o crescimento continuará sólido, mas com leve pressão de margem pela base de comparação mais desafiadora e desaceleração na inflação de alimentos.

Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) – Compra

Esperamos resultados fracos no 3T19 para o GPA, principalmente pela desaceleração da inflação de alimentos. As vendas já foram divulgadas, com crescimento mesmas lojas de +3,2% no Assaí e +0,3% no Multivarejo (versus +9,4% e +2,6% no primeiro semestre, respectivamente). Como resultado, estimamos pressão de margem EBITDA de 0,5 p.p.

Lojas Americanas (LAME4) – Neutro

Esperamos tendência de crescimento de vendas no conceito mesmas lojas similar ao primeiro semestre (+6,0%). Além disso, estimamos estabilidade na margem EBITDA em função da pressão de despesas com a abertura de novas lojas (projetamos +70 novas lojas nesse trimestre).

Magazine Luiza (MGLU3) – Neutro

Esperamos um sólido resultado em termos de vendas, com crescimento no conceito mesmas lojas de +8,9% e de +51% para o online (ou +90% incluindo a Netshoes). Entretanto, estimamos uma contração de margem EBITDA de -1,7 p.p. em função de investimentos na aquisição de clientes, o fim da Lei do Bem e o prejuízo operacional da Netshoes.

Renner (LREN3) – Compra

Apesar de ainda saudável, o resultado deve refletir uma base de comparação difícil. Estimamos crescimento de vendas mesmas lojas de +6.5% (vs. +9.3% no 2T). Em termos de rentabilidade, continuamos a ver pressão na margem EBITDA (-1.1 p.p.) em função de créditos fiscais que contribuíram para o resultado no ano passado e maiores despesas com participação nos lucros. Aproveitamos também para alterar nosso preço-alvo para final de 2020 (passando de R$53/ação para R$60/ação).

Via Varejo (VVAR3) – Compra

Vemos um trimestre fraco para a Via Varejo, embora amplamente esperado, devido ao período de ajustes da operação após a recente mudança da diretoria. Projetamos crescimento de vendas mesmas lojas de -0,9% e de -11% para o ecommerce. Com isso, a margem EBITDA deve continuar sob pressão significativa e nossa estimativa é contração de -2 p.p..

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A XP Investimentos se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo. A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas. O investimento em ações é indicado para investidores de perfil moderado e agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto. O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. O investimento em termos é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. São contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem. O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos, e por isso é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.

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