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O papel da Origem na transformação da indústria energética brasileira, com Luiz Felipe Coutinho | Expert Talks CEOs

Luiz Felipe Coutinho, CEO da Origem Energia, fala sobre o mercado de gás natural, seus desafios e oportunidades futuras; assista

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Em um cenário em que a demanda por soluções que prezam pela segurança energética ganha cada vez mais força, a Origem Energia está preparada para capturar as grandes oportunidades do mercado.

No novo episódio do Expert Talks – Na Mesa Com CEOs, Luiz Felipe Coutinho, CEO e um dos fundadores da companhia, conta a Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, e Regis Cardoso, head de óleo & gás da XP, como a Origem cresceu e se tornou uma das grandes empresas brasileiras da indústria de energia e gás natural.

Com um modelo de negócios integrado, a Origem surgiu com o objetivo de remodelar o modelo de gás no Brasil e agora mira potenciais novas áreas.

Confira a conversa na íntegra:

A origem da Origem

Há cerca de 10 anos no mercado, a Origem foi criada porque os fundadores enxergaram na indústria de gás natural uma concentração excessiva em torno de poucas empresas.

Segundo o CEO, o principal objetivo com a criação da empresa era propor uma nova tese em torno da molécula.

“A Origem sempre foi pensada como uma empresa de soluções energéticas integradas para mudar um modelo que a gente julgava errado no Brasil, de importação de combustível. A gente achava que o Brasil precisava se voltar mais para as suas fontes domésticas de geração primária de energia, em especial”, complementa.

Havia muita oportunidade para explorar o mercado, pois, no início, as atenções estavam concentradas no petróleo. Para se ter uma ideia, o polo Tucano Sul, localizado na Bahia e o primeiro ativo de gás natural que a Petrobras vendeu, teve como única ofertante a Origem.

Outro polo abocanhado pela companhia foi o Alagoas. Sobre esse ativo, Coutinho enfatiza que ele foi menos desenvolvido pela Petrobras, tornando possível uma abertura para amadurecer as operações.

“A bacia de Alagoas não é uma bacia madura, e sim uma bacia em desenvolvimento com muito potencial de incremento de reservas. E a explicação para isso é que a Petrobras não queria gás natural no passado”, afirma.

Coutinho explica que, para a Origem, a economicidade do petróleo pode até ser maior em janelas de curto prazo com o preço do Brent elevado, mas, a longo prazo, a previsibilidade de receita com o gás natural compensa mais.

“Quando olho para um fluxo de caixa mais previsível, mais protegido ao longo de 10, 15 anos […], se fizer a conta, muito provavelmente o gás vai ter uma economicidade mais interessante que o nível do Brent”, afirma.

Hoje, a Origem conta com ativos espalhados em quatro diferentes Estados do país e mira mais de R$ 2 bilhões em receitas para 2026.

Segurança energética: a discussão do momento

Outro tema central do episódio é energia. Coutinho diz que o mundo migrou para projetos de segurança energética – e, mais do que a oferta, devido a questões inerentes de mundo em diferentes camadas.

A primeira camada é de competitividade demográfica, com novas regiões (Ásia) demandando cada vez mais recursos energéticos, o que gera volatilidade e retornos futuros.

A segunda camada é de mudança de demanda pelo perfil de consumo de eletricidade. O aumento no uso de energia pela população gera problemas de potência no mundo inteiro. Dentro desse cenário, a discussão sobre novas fontes energéticas ganha ainda mais relevância.

Por fim, a terceira e última camada é o acesso a fontes soberanas. Segundo Coutinho, não basta ter acesso exclusivamente à fonte de energia; é preciso que o acesso à fonte seja efetivamente soberano.

“A aceleração que teve para o tipo de solução que a gente oferece, foi o melhor dos cenários. A tese acabou se comprovando de uma maneira bem mais acelerada pelo que aconteceu no mundo”, diz Coutinho, referindo-se à crescente demanda por infraestrutura de ponta em um mundo cada vez mais marcado por soluções de inteligência artificial.

Por outro lado, os desafios são grandes. Coutinho destaca que o Brasil possui grande vantagem na corrida dos data centers, por ter uma ampla gama de fontes energéticas firmes, mas gargalos na legislação impedem que essa indústria seja 100% aproveitada no país atualmente.

Outro ponto é a desigualdade no acesso à energia, que está cada vez mais caro. Segundo ele, grandes consumidores estão absorvendo toda a energia, causando uma inflação energética “completamente descontrolada”. Para agravar a situação, a conta é democratizada entre a população em geral.

Na visão de Coutinho, um país que consegue ofertar diferentes fontes de energia com a regulação correta passa a ser um caminho interessante para o desenvolvimento de soluções energéticas, desde que com planejamento adequado.

“O Nordeste do Brasil tem uma vocação especial para o desenvolvimento desse tipo de solução: tem profusão de renováveis, o gás mais barato de se produzir (onshore, que é o produto da Origem)… O que se precisa é que a regulação brasileira crie as condições para isso se desenvolver – mas vai acontecer”, afirma o CEO.

As ondas de crescimento

Após a aquisição dos primeiros ativos, a Origem se concentrou em crescer. Coutinho separa a trajetória em três ondas.

A primeira onda, segundo ele, ocorreu quando a Origem abriu os poços que a Petrobras não queria abrir, por serem de gás natural.

A segunda onda foi marcada pela perfuração de workover (manutenção) em poços existentes. E a terceira onda veio com a perfuração de novos poços concomitantes ao workover dos poços existentes.

A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com o maior nível de produção trimestral de sua história. Foram, em média, 16,9 mil barris de óleo equivalente produzidos por dia, alta de quase 40% em relação ao primeiro trimestre. Comparando com o mesmo período de 2025, o aumento foi de 28,2%.

De acordo com a administração, o patamar recorde é fruto das intervenções e da campanha de perfuração realizada no Polo Alagoas, após a parada programada no início do ano.

“A gente tem toda uma bacia [Alagoas] a ser desenvolvida e outros campos que ainda sequer começamos a tatear”, enfatiza o CEO.

Para chegar aos resultados apresentados hoje em dia, a Origem teve que vencer alguns desafios:

  • Entender o potencial de seus reservatórios (para isso, a companhia desenvolveu estudos para mapeamento);
  • Trabalhar no nível de excelência dos prestadores de serviço;
  • Tornar a mão-de-obra primária.

Olhando mais para frente, a empresa, que venceu o Leilão de Reserva de Capacidade de Potência de 2026 (LRCAP 2026), deve focar a entrega de sete usinas termelétricas de gás natural em Alagoas. A previsão para esses ativos é de início de operação a partir de 2028, com investimentos estimados de R$ 2 bilhões pela Origem.

Coutinho diz que, com a LRCAP, a Origem concluiu seus primeiros cinco anos de expansão. Agora, a companhia possui estrutura de capital econômica estável o suficiente para que ela continue crescendo mais a longo prazo.

Uma oportunidade citada pelo executivo é o acesso estratégico do Brasil ao Atlântico-Sul em meio a um cenário global caracterizado por barreiras de importação e exportação de matérias-primas. Essa limitação cria oportunidades para ofertar outras soluções de energia por meio desse acesso privilegiado.

“Os próximos cinco anos da Origem, a gente está começando a escrever agora. E eu diria que é muito promissor com aquilo que é valor inerente nosso: muita disciplina de capital, sem tomada de decisão irresponsável, buscando alocar naquilo que vai nos ajudar a ter double digits returns em dólar no longo prazo”, conclui Coutinho.

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