XP Expert

O caso para se comprar Brasil

Fizemos uma série de reuniões com investidores estrangeiros na última semana, e vimos que o sentimento com Brasil está primordialmente negativo. Ao invés de desespero, vemos esse grande consenso como potencialmente positivo para preços de ativos daqui para frente.

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Fizemos uma série de reuniões com investidores estrangeiros na última semana, e vimos que o sentimento com Brasil está negativo, o que fica evidenciado pela saída de R$77 bilhões de investidores estrangeiros na B3 em 2020.

Ao invés de desespero, vemos esse enorme consenso como potencialmente positivo para os preços de ativos daqui para frente.

Isso porque quaisquer melhoras nos fundamentos domésticos ou globais podem levar a uma forte recuperação nos preços de ativos brasileiros (Bolsa, câmbio e juros), como vimos nos últimos dias.

Mesmo com o rally das ultimas semanas, o Brasil ainda continua sendo a pior Bolsa e pior moeda do mundo em performance em 2020. Mind the gap...

Nessa última semana, fizemos uma série de reuniões virtuais com mais de uma dezena de investidores estrangeiros, para discutir as nossas visões e debater quais as suas impressões sobre o Brasil. Já estamos nos acostumando com o “novo normal” de reuniões virtuais, ao invés de ter que passar meses dentro de um avião e longe de casa, que era basicamente a vida de um analista de ações até hoje. Não que as reuniões virtuais são melhores, não são, mas ao menos a produtividade é maior, pelo tempo ganho de não ter que se locomover grandes distancias. Veremos como será o amanhã, quando o mundo voltar ao “normal”.

Deixando essa discussão de lado, vamos ao que mais interessa a você leitor: O quê os investidores estrangeiros estão esperando do Brasil no momento? Em uma frase curta: não muita coisa.

Vimos que na grande maioria de reuniões que fizemos, o sentimento dos estrangeiros com o Brasil estava bastante negativo. Mas antes que você se desespere, leia esse texto até o final. As maiores preocupações eram, nessa ordem: 1) Política, e quais os riscos da crise política aumentar, 2) A crise do coronavírus, dado que a mídia internacional já coloca o Brasil como o epicentro da doença no mundo no momento, enquanto Europa e EUA já dão sinais de terem passado o pico do vírus, e 3) O câmbio, dado que o Real brasileiro é a pior moeda do mundo em performance em 2020 (queda de 30% em relação ao dólar).

De onde fomos, para onde estamos

No começo de 2020, lembre-se que estávamos em uma situação diametralmente oposta. As expectativas com o Brasil eram muito altas, pois havíamos acabado de aprovar a reforma da previdência, que nos salvaria de uma situação calamitosa de dívida pública, dado que deixaremos de gastar R$800 bilhões em 10 anos. Além disso, o mercado já aguardava o avanço de outras importantes reformas, como a administrativa e a reforma tributária.

O país dava claro sinais de aceleração da atividade econômica, com uma expectativa média de crescimento acima dos 2% novamente, pela primeira vez desde 2013. Crescimento acelerando, combinado com os juros mais baixos da história do país e com uma agenda de reformas estruturais avançando eram o cenário ideal para a Bolsa brasileira.

Até que caiu um meteoro em cima do país e do mundo, parafraseando o Ministro Paulo Guedes. Não só a pandemia nos trouxe uma grave crise de saúde e perdas de dezenas de milhares de vidas, que são irreparáveis, como também trouxe uma gravíssima crise econômica, de grandes proporções. O Brasil será um dos países mais impactados economicamente, com uma queda de PIB de 6% (estimativa XP) ou mais, além de um déficit primário de 12-14% do PIB, e uma elevação da relação dívida PIB subindo de 84% para próximo de 100% ao ano.

Além dessas duas crises (saúde e economia), o país adicionou uma terceira crise – a crise política (A Terceira Crise). Tivemos nos últimos 2 meses a saída de três ministros (Henrique Mandetta e Nelson Teich na Saúde e Sergio Moro da Justiça), e rumores frequentes sobre uma possível saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, sempre negados. A saída de Moro e as graves acusações feitas por ele ao Presidente da República levaram a Bolsa a quase bater o seu recorde de 7 “circuit-brakers” em um mesmo ano (-10% de queda no dia). Além disso, vimos trocas de acusações entre os 3 poderes, um desalinhamento entre prefeitos, governadores e o governo federal em como lidar com o rápido avanço da pandemia, e até discussões sobre um possível impeachment retornando (seria o terceiro em nossa história recente).

Também observamos, do lado setorial, várias medidas sendo discutidas que remetem ao passado do pais, como sobretaxar setores específicos (como bancos) ou discussões em confiscar uma parcela dos lucros das companhias na Bolsa. Felizmente, discussões como essas não foram em frente até agora, mas trazem um grande receio por parte dos investidores estrangeiros quando pensam em investir seus recursos no país, por trazer incerteza em relação ao futuro no país.

Baixas expectativas geram oportunidade de compra

Todo esse cenário traçado até agora não é positivo, mas também não é mais uma novidade. As três crises são graves e preocupantes, e os seus impactos são sem precedentes em grande parte. Porém, as expectativas hoje em relação ao Brasil já estão muito baixas. O Brasil já tem a pior Bolsa e a pior moeda do mundo em termos de performance em 2020. Qualquer melhora marginal já pode trazer bons retornos aos ativos brasileiros (ações, juros e câmbio).

Os investidores estrangeiros já sacaram mais de R$77 bilhões da Bolsa brasileira em 2020, sem incluir emissões de novas ações, e cerca de R$65 bilhões de saída quando são incluídas as emissões (B3).  

Além disso, as expectativas de Lucros do Ibovespa para 2020-21 já reduziram em -47% e -15% desde Março, indicando que o mercado já passou a precificar uma boa parte dos impactos da crise. Como exemplo disso, 38% dos resultados do 1º trimestre vieram em linha com as expectativas do consenso.

Os preços das commodities caíram a níveis historicamente muito baixos, e começam a ensaiar uma recuperação, principalmente o preço do petróleo. Lembrando que 25% do índice Ibovespa é composto por ações do setor, e recuperação nas commodities terão um impacto relevante no índice. No médio prazo, o potencial retorno da inflação no mundo é uma discussão que passou a ganhar mais peso recentemente. Caso isso aconteça, as commodities tendem a se beneficiar, por serem um ativo real.

País de ações individuais, não de índice

Ouvimos uma frase interessante de um dos investidores, que nos disse que como o Brasil hoje representa pouco do índice de Mercados Emergentes (MSCI EM), os investidores não precisam mais olhar para o índice da Bolsa no Brasil, e sim se importar apenas com ações individuais de empresas de qualidade. Isso porque o Brasil é o 5º maior representante do índice, mas com uma participação pequena de apenas 4,7% do índice de mercados Emergentes, vs. China 40%, Taiwan 12%, Coreia do Sul 12% e Índia 8%.

Segundo esse investidor, existem no Brasil uma série de empresas excelentes, com ótimos fundamentos, bem geridas, líderes dos seus setores e/ou participando de processos de disrupção do setor, como Magazine Luiza, Localiza, PagSeguro e Stone (não cobertas), Raia Drogasil, Hapvida (não coberta), dentre várias outras citadas.

Esse fenômeno de investidores estrangeiros podendo prestar menos atenção ao país e mais em ações específicas pode ajudar a explicar o por que muitas ações negociam com múltiplos de avaliação bastante elevados enquanto outros setores negociam com um grande desconto em relação aos seus pares globais e ao histórico (como commodities e setor financeiro). 

Pico do vírus no Brasil pode chegar nas próximas semanas

A pandemia do COVID-19 já contabiliza mais de 22 mil mortes no Brasil, e apesar de sermos um dos países que menos testa seus habitantes, já somos o 2º país em número de casos, com mais de 360 mil casos, atrás apenas dos EUA, com 1,684 mil casos e quase 100 mil mortes. O contínuo aumento de casos no Brasil fez com que os EUA anunciasse um bloqueio temporário de passageiros vindos do Brasil.

No modelo proprietário de previsão da XP (veja Um modelo para o coronavírus) , a estimativa é que o Brasil pode estar próximo de alcançar o pico de casos, que pode ocorrer já no início de Junho. Porém, é importante frisar que a desaceleração também tende a ser lenta, e caso a movimentação de pessoas volte a aumentar antes do pico, isso pode fazer com os casos continuem acelerando, e o pico.

Risco político continua, mas pode ter se reduzido

Por último, do lado político, o tão aguardado vídeo da reunião ministerial que foi divulgado na última sexta feira não parece ter trazido um forte indício por parte do Presidente da República de querer intervir diretamente na Polícia Federal para benefício próprio, como havia sido divulgado após a saída do ex-Ministro Sergio Moro. Dessa forma, o mercado recuperou fortemente hoje , e a Bolsa fechou em alta (+4,2%) e o Real subiu +1,6% contra o Dólar, fechando em 5,44, após chegar próximo de 6 há duas semanas. Isso por conta do mercado passar a acreditar que diminuem as chances de um possível afastamento do Presidente à frente, segundo análise do nosso time político (Veja mais aqui).

Assim sendo, o nível de ruído político pode ser reduzido nas próximas semanas e o Brasil pode voltar a focar no controle do vírus e de recuperação da economia, que são os temas mais relevantes no momento para o país. Caso o risco político reduza, isso pode ajudar os ativos no Brasil a sair do posto de pior moeda e pior Bolsa em performance em 2020.

XPInc CTA

Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório de análise foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos ou XP”) de acordo com todas as exigências na Resolução CVM 20/2021, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A XP Investimentos não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório. Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor. O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à XP Investimentos e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela XP Investimentos.

O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Instrução CVM nº 598/18 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório. Os analistas da XP Investimentos estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários da XP Investimentos. O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da XP Investimentos ou por agentes autônomos de investimento que desempenham suas atividades por meio da XP, em conformidade com a ICVM nº 497/2011, os quais encontram-se registrados na Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários – ANCORD. O agente autônomo de investimento não pode realizar consultoria, administração ou gestão de patrimônio de clientes, devendo atuar como intermediário e solicitar autorização prévia do cliente para a realização de qualquer operação no mercado de capitais. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os tipos de cliente. Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor. Este material não sugere qualquer alteração de carteira, mas somente orientação sobre produtos adequados a determinado perfil de investidor. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. SAC. 0800 77 20202. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. O custo da operação e a política de cobrança estão definidos nas tabelas de custos operacionais disponibilizadas no site da XP Investimentos: www.xpi.com.br. A XP Investimentos se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo. A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas. O investimento em ações é indicado para investidores de perfil moderado e agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto. O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. O investimento em termos é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. São contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem. O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos, e por isso é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.