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Estrangeiros aportam R$ 21,4 bilhões na Bolsa em março, e saldo revisado de 2022 acumula R$ 69 bilhões – Fluxo em foco

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.

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Março foi mais um mês volátil para os mercados globais, dessa vez com a alta dos preços das commodities, intensificada pela guerra entre Rússia e a Ucrânia, e os riscos de uma política monetária mais apertada tomando o centro das atenções.

Com a guerra no leste europeu completando mais de um mês sem resolução, a inflação mais alta, puxada pelo aumento vertiginoso no preço das commodities, continua preocupando. Em uma tentativa de conter a escalada no aumento de preços no varejo, os bancos centrais globais optaram, em sua maioria, por uma postura mais contracionista nas economias.

Em março, o Federal Reserve anunciou o primeiro aumento de juros desde 2018 e os comentários que se seguiram dos diretores reforçaram a postura agressiva do banco central americano. No Brasil, a inflação do mês de março foi a maior inflação para o mês desde o início do Plano Real, e o Banco Central segue seu ciclo de aumento na taxa básica de juros.

Depois de estar entre os piores mercados em 2021, o Brasil é o mercado com o melhor desempenho no ano de 2022. Como mencionamos em nosso último Raio XP, o mercado brasileiro está se beneficiando de uma combinação de: 1) rotação global de ações de crescimento para ações de valor; 2) uma forte exposição do Brasil a commodities e bancos; 3) valuation ainda muito atrativos apesar do rali recente; 4) fluxos de outros Mercados Emergentes para o Brasil; 5) por fim, o Brasil está chegando ao fim de seu ciclo de alta de juros, enquanto o Federal reserve e outros bancos centrais de mercados desenvolvidos estão apenas começando subir os juros.

Quer saber a nossa visão do que esperar da Bolsa brasileira em 2022? Clique pra ver no nosso Raio XP

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Um forte fluxo de investidores estrangeiros no primeiro trimestre do ano

Março foi mais um mês positivo para o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, com uma entrada líquida de +R$ 21,4 bilhões. O total acumulado de 2022 já é +R$ 69,1 bilhões, valor que foi recentemente revisado pela B3* mas que ainda indica um forte fluxo nesse ano.

*Dados de fluxos estão sendo revisados pela B3 por mudança na metodologia. Segundo a B3, as estatísticas divulgadas para os anos de 2020, 2021 e 2022 incluíram operações de empréstimos de ações, que não correspondem a fluxos financeiros de compra e venda de ativos. Na nova metodologia, esses dados foram subtraídos das estatísticas, alterando os valores anteriormente divulgados. O dado de 2022 foi disponibilizado pela B3 no dia 07/04/2022 como revisado, enquanto dos anos anteriores será publicado uma revisão.

Fonte: B3, XP Research
Fonte: B3, XP Research

Em um cenário de tensões geopolíticas elevadas que continuam sendo impulsionadas pela invasão russa na Ucrânia, os preços das commodities continuam a subir, o que tem favorecido os países exportadores de commodities, como é o caso do Brasil. Como resultado, temos visto um forte fluxo de entrada de capital estrangeiro para cá de investidores globais buscando ativos ligados à commodities e empresas de valor.

Fonte: B3, XP Research
Fonte: B3, XP Research

Fundos de investimento em ações voltam a apresentar fluxo negativo com intensificações do conflito entre Rússia e Ucrânia

Os fundos de investimentos em ações tiveram um fluxo negativo de -R$24,3 bilhões em fevereiro, último dado disponível, retornando aos valores negativos de boa parte de 2021, impulsionado pela intensificação das tensões entre a Rússia e a Ucrânia, que causaram em primeiro momento uma aversão a investimentos de mais alto risco. Diante desse cenário, houve um total de R$ 670 bilhões alocados em ações, uma queda de -0,5p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, representando apenas 12,1% do total.

Apesar do melhor momento da Bolsa brasileira, os fundos de renda fixa continuam a alocação em alta. A indústria está com R$ 4,9 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 87,5% do seu patrimônio total. Em fevereiro, houve um fluxo de R$ 70,5 bilhões (+1,5% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos.

Fonte: Anbima, XP Research
Fonte: Anbima, XP Research

Fundos de pensão: Alocação em ações diminuiu juntamente com fundos de renda variável

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de outubro de 2021 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações diretamente foi de R$10,5 bilhões em relação à dezembro de 2020 (+13,9%). Com isso, eles fecharam o mês de outubro com uma alocação de R$86 bilhões em ações.

Já o fluxo para fundos de renda variável foi negativo em outubro quando se compara com o final de 2020 em -R$54,0 bilhões (-41,3%), chegando a R$76,8 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 16,0% da carteira desses fundos de pensão, valor este que se compara aos 75,4% alocados em renda fixa, um saldo de R$767,1 bilhões em outubro deste ano.

(*)Dados até out/21
Fonte: Abrapp, XP Research
(*)Dados até out/21
Fonte: Abrapp, XP Research

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Investidores pessoas físicas investem mais de R$ 520 bilhões na Bolsa em março de 2022

Em março, o número de investidores pessoas físicas (PFs) na Bolsa brasileira (B3) atingiu 5.035.284. Em relação a fevereiro, houve um aumento de 8.885 investidores PFs, equivalente a um crescimento mensal de +0,2%.Quanto à posição total desses investidores PFs, houve um aumento do valor total mensal de +4,7%, atingindo R$520,8 bilhões investidos. Essa subida pode estar associada à alta da Bolsa brasileira, na qual o Ibovespa fechou março em +6,1% puxado por commodities e ações de valor.  

Fonte: B3, XP Research.

Investidores estrangeiros possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (54,6%), 2) instituições (25,4%) e 3) pessoas físicas (15,5%). Juntos, eles representam 95,5% dos participantes do mercado acionário.

(*) Até 07/04/2022
Fonte: B3, XP Research
(*) Até 07/04/2022
Fonte: B3, XP Research

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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