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E-commerce: Leitura dos resultados do 1T20 do Mercado Livre

O Mercado Livre (MELI; Nasdaq) reportou resultados referentes ao primeiro trimestre de 2020 (1T20) na terça-feira (5 de maio) após o fechamento de mercado. Apesar de não cobrirmos as ações da companhia, o Mercado Livre é atualmente o líder no e-commerce brasileiro (~33% de participação de mercado). Por isso preparamos esse conteúdo, trazendo a leitura dos resultados para B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via Varejo (VVAR3).

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O Mercado Livre (MELI; Nasdaq) reportou resultados referentes ao primeiro trimestre de 2020 (1T20) na terça-feira (5 de maio) após o fechamento de mercado. Apesar de não cobrirmos as ações da companhia, o Mercado Livre é atualmente o líder no e-commerce brasileiro (~33% de participação de mercado). Por isso preparamos esse conteúdo, trazendo a leitura dos resultados para as ações da nossa cobertura.

No geral, esperamos uma reação Neutra para as ações da B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via Varejo (VVAR3). Entretanto, observamos um progresso importante da estrutura logística proprietária do Mercado Livre, com o Fulfillment atingindo ~20% dos pedidos realizados pela companhia em abril.

Mantemos nossa recomendação de Compra para Magazine Luiza e Via Varejo e Neutro para as ações de B2W. Acesse aqui a tese de investimento de B2W, Magazine Luiza. e Via Varejo.

Os principais destaques para as empresas da nossa cobertura foram:

#1. Desaceleração do crescimento de vendas: Impactos do COVID-19.

As vendas online sofreram impactos negativos nas duas últimas semanas de março por conta de efeitos da crise desencadeada pelo COVID-19. Porém, no mês de abril a companhia já observa uma retomada do ritmo de crescimento a níveis similares àqueles observados antes do início da pandemia.

Com isso, vimos uma desaceleração do crescimento de GMV (valor total de mercadorias vendidas no site) para 15% A/A (vs. 23% no 4T19 e 18% no 1T19), impactado pelos efeitos da crise desencadeada pelo Covid-19.

Nossa Visão: Apesar de também terem sido negativamente impactadas ao longo das últimas semanas de março, acreditamos que as operações online tanto do Magazine Luiza quanto da B2W tenham apresentado taxas de crescimento relativamente estáveis em relação ao 4T19 (+52% e +30% A/A, respectivamente).

Na nossa opinião, o MELI pode ter perdido participação de mercado em categorias de ticket mais alto (principalmente eletrônicos), com a maior agressividade dos principais competidores (Magalu, B2W e Via Varejo).

#2. Acelerando novas categorias: Bens de consumo (CPG)

Com o início do período de quarentena, consumidores diminuíram suas despesas com itens não essenciais, o que levou a uma mudança no mix de vendas. Categorias como saúde, bens de consumo, brinquedos e jogos apresentaram forte ritmo de vendas, com um crescimento superior a 100% A/A em alguns países. Por outro lado, categorias não essenciais de tickets mais altos, como eletroeletrônicos apresentaram declínio acentuado de vendas.

Apesar de ainda pouco representativa (menos de 5% das vendas totais), a categoria de bens de consumo (CPG) é estratégica para a companhia – não só durante a pandemia (venda de álcool-gel e produtos de limpeza), mas também durante a retomada. A empresa busca aumentar o sortimento de produtos, inclusive com venda de estoque próprio, tendo inclusive lançado a interface de varejo alimentar no Brasil neste trimestre.

Nossa visão: A pandemia forçou todos os maiores players de e-commerce do país a investirem na categoria de maneira mais acentuada. Dessa forma, ainda vemos um grande potencial de crescimento, dado que a penetração desses produtos é extremamente baixa no canal online (um dígito baixo). Na nossa opinião, a B2W está melhor posicionada na categoria, após a aquisição do Supermercado Now no início do ano (acesse o nosso relatório pelo LINK).

#3. Logística: Expandindo a rede proprietária

A participação da rede proprietária (cross-docking e fulfillment) como % dos pedidos enviados pelo Mercado Envios atingiu 42%, com o Fulfillment representando 14% no trimestre. O número permaneceu relativamente estável em relação ao último trimestre, em função da maior participação da categoria de bens de consumo no período, que estavam em sua maioria ainda no modelo logístico de drop-shipping (Correios).

Entretanto, já vemos uma evolução rápida, especialmente do Fulfillment – com participação de 15,1% no final do trimestre e ~20% em abril.

Nossa Visão: O Mercado Livre continua fazendo esforços na redução de sua exposição aos Correios e na melhoria do nível de entrega. Além disso, a companhia anunciou a abertura de dois novos centros híbridos de cross-docking no trimestre (um em Curitiba e outro em Belo Horizonte) e não apresentou problemas em sua logística com efeitos do COVID-19.

Ressaltamos, entretanto, que tanto a B2W quanto a Magalu têm estrutura logística mais desenvolvidas, com a Direct e a Malha Luiza já representando ~90% das entregas de estoque próprio de ambas as empresas, respectivamente. De qualquer maneira, acreditamos que a melhora da logística do Mercado Livre (em prazo e custo) em escala nacional endereça um gargalo importante para o crescimento da companhia.

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