
O Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, maior ponto de encontro de cultura agro do mundo, encerrou nesta sexta-feira (2). No segundo dia do evento que reuniu mais de 200 palestrantes, os debates se concentraram nas pautas sobre sustentabilidade, inovação e investimentos.
Abaixo, você confere os destaques dos principais painéis do dia. Veja também como foi a programação do primeiro dia aqui.
Frutas, café e algodão: nichos de alta competitividade no mercado internacional
O painel discutiu a competitividade internacional de algodão, café e frutas e os desafios para ampliar a participação brasileira nesses mercados. No algodão, Márcio Portocarrero, diretor executivo da Embrapa, destacou os ganhos de produtividade obtidos com melhorias de gestão, práticas de plantio e controle de pragas, além da migração da produção para o Cerrado. O Brasil se tornou o maior exportador mundial e apresenta a maior produtividade de algodão de sequeiro. Rastreabilidade e iniciativas ESG também foram apontadas como diferenciais crescentes no mercado internacional.
No café, Jorge Florêncio, gerente de comunicação e marketing na Cooxupé, destacou a relevância global do Brasil, responsável por cerca de um terço do café consumido no mundo, além de ser o maior produtor e exportador (e o segundo maior consumidor). A adoção de tecnologia nas lavouras foi apontada como um dos principais fatores de competitividade frente a outros produtores. Florêncio também ressaltou o crescimento da produção em países menos relevantes no mercado global que poderão ganhar importância nos próximos ciclos.
Na fruticultura, Waldyr Promícia, presidente da Itacitrus, destacou a qualidade da produção brasileira e o potencial ainda pouco explorado no mercado internacional, especialmente para frutas in natura. Peru e Chile foram citados como exemplos de países que avançaram mais na abertura de mercados. Segundo Promícia, a expansão das exportações brasileiras depende principalmente de políticas de incentivo, logística e maior acesso a mercados.
Matriz de risco no campo: sinergia entre crédito, seguro rural e garantias
A matriz de risco do produtor rural está mais complexa e volátil, com quatro fatores de pressão. A inadimplência chegou a 8,8% e os juros, embora tenham recuado para 13,75%, seguem elevados no médio prazo, já que o desequilíbrio fiscal limita um arrefecimento mais consistente. As margens continuam apertadas, apesar da recente alta das commodities: a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização média, traduzido para o português) de cerca de 25% deve cair para 12% na safra atual, com os custos crescendo acima das receitas. Soma-se a isso a perspectiva de El Niño na primavera e no verão, além de um cenário geopolítico (petróleo, fertilizantes e logística) que tem sido internalizado como custo pelo produtor.
Esse quadro afeta diretamente o financiamento da próxima safra. O setor opera com ativo biológico, exposto a eventos climáticos, e com capital de giro pesado, já que o retorno só vem após a colheita, o que torna crédito e seguro essenciais. Com a alavancagem atual, o produtor já enfrenta dificuldade para tomar crédito novo, o que tende a reduzir investimentos e limitar a produção futura. O ponto é relevante porque o Brasil precisa converter a expansão da produção em renda para sustentar o ciclo de investimento.
Do lado construtivo, a disponibilidade de dados melhorou de forma significativa. Há seis anos, a visão de crédito era fragmentada, com cada instituição olhando um indicador isolado. O cadastro positivo e a obrigatoriedade de compartilhamento de dados ampliaram essa visão e permitem hoje um acompanhamento quase semanal do produtor. No seguro, o próximo passo é usar dados individuais para oferecer apólices customizadas à realidade de cada produtor, em vez de baseadas em médias, e o fundo de catástrofe tende a ser positivo para o setor. A expansão do seguro rural é condição para o desenvolvimento dos instrumentos de crédito.
Transição energética e o futuro da mobilidade
O palco do GAFFFF contou com a presença de Lucas Di Grassi, campeão mundial de Fórmula E, para discutir as últimas tendências de eletrificação e seus potenciais impactos para a mobilidade global.
Ganho de eficiência e redução representativa das emissões de carbono são apenas algumas das grandes vantagens da mobilidade elétrica, segundo o piloto. No entanto, a indústria ainda precisa lidar com alguns desafios, como disponibilidade de fontes renováveis e adaptação pelo consumidor. Nesse sentido, o Brasil, com uma matriz energética 85% renovável (hídrica, fotovoltaica e eólica), se sobressai como um país com alto potencial para direcionar essas questões.
“A gente tem um agro forte, tecnologias interessantes, capacidade de adaptação alta… O Brasil tem um potencial muito alto, mas estamos muito atrasados”, afirmou.
Na mobilidade, Grassi afirmou que o próximo passo é a automação – ou seja, carros autônomos. Usando sua vasta experiência no automobilismo, o piloto mostrou como o uso da inteligência artificial tem um papel fundamental para isso. Segundo Grassi, a IA permite acelerar etapas e mudar (para melhor) as funções realizadas pelo ser humano.
Megafundos no agro: alocação de capital, riscos e oportunidades
Como países internacionais estão se posicionando em relação ao Brasil? Essa foi uma das perguntas centrais do painel. José Rocha, sócio-fundador e CIO da Dahlia Capital, iniciou contando um pouco sobre a influência dos Estados Unidos. Segundo ele, o presidente Donald Trump está fazendo mudanças perceptíveis no comércio global, com a aplicação de tarifas para diversos países, resultando na instalação das manufaturas das indústrias dentro do país.
O co-fundador, sócio e gestor do núcleo de agronegócio e direct lending da Riza Asset Management, Paulo Mesquita, complementou que isso tem relação direta com os ativos reais. “A prévia de terras agrícolas puxou os ativos brasileiros para um patamar diferente”, disse. Com a valorização das terras nos últimos anos, especialmente após a pandemia, as commodities apresentam preços remuneradores para os produtores que estão investindo em terras como forma de segurança patrimonial.
Segundo Mesquita, no mercado local, o Centro-Oeste passa por uma industrialização. É possível ver uma mudança no fluxo de caixa, com uma expectativa boa para a produção agrícola nos próximos anos: “Temos ativos bons no Brasil hoje. Estamos com expectativa boa para valorização nos próximos anos.”
Um dos fatores fundamentalistas é que empresas e produtores estão mais alavancados, planejando a estrutura de capital. Muitas empresas e produtores tiveram seus balanços prejudicados com juros muito altos. Ao olhar o crédito, esses fatores são considerados. Mas é importante olhar como um todo, e não apenas no cenário atual. Felipe Greco, gestor de agro da Kinea Investimentos, finalizou: “Hoje, olhamos muito o fundamento. Os juros continuam altos. A burocracia continua complexa, e os desafios geopolíticos mostram mudanças difíceis. E, quando vemos isso, a conclusão é: se tem muita dívida, não temos muitos retornos.”
Fusões e aquisições: momento de desafios ou oportunidades?
Os M&As (fusões e aquisições) deixaram de ser vistos como derrota, como era há 30-40 anos, e viraram rotina nas empresas brasileiras desde os anos 2000. O agro, historicamente sub-representado frente ao seu peso econômico, vem fechando essa lacuna e se profissionalizando na passagem do negócio “CPF” para o “CNPJ”. Juros altos e margens apertadas aceleram operações como venda de ativos não-core e fusões para ganhar escala. Para destravar o gap de valuation, troca de ações e earn-out ganham espaço. A recomendação prática foi separar a operação (lavoura, gado) da terra, o que facilita tanto a venda quanto a sucessão.
Em bioinsumos, há excesso de empresas à venda e compradores aversos a risco, que preferem licenciamento e parcerias. Os biológicos ainda pesam só 3-5% do ticket do produtor, contra ~30% de fertilizantes e ~30% de defensivos, mas ~70% da área segue sem adoção, o que sustenta o crescimento. Multinacionais que compraram e impuseram padrões globais perderam agilidade, enquanto a Mosaic virou líder em bionutrição via parcerias. Em defensivos, a queda de patentes abre espaço para genéricos, mas quem oferece financiamento ao produtor leva vantagem.
No mercado de terras, a oferta está alta por fragilidade financeira dos vendedores, não por estratégia. A recuperação das commodities pode devolver liquidez. O crédito ficou cerca de 20% menor e as emissões de CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) caíram pela metade, num setor que precisa de capital por pelo menos um ano a cada ciclo. A possível taxação dos instrumentos de crédito agro preocupa. O consenso final foi que ninguém acerta o timing de compra e venda, e que a decisão deve se apoiar na rentabilidade operacional de longo prazo, não na aposta de valorização.
Trading e gestão de riscos em commodities: aderência a futuros tradicionais
O painel destacou que políticas de gestão de risco devem estar alinhadas à operação e às condições do mercado. O objetivo do hedge deve ser proteger margens em cenários adversos, e não buscar ganhos financeiros. A estratégia deve ser calibrada ao perfil de risco da empresa, com simplicidade e objetividade para garantir controle sobre a proteção. Os participantes ressaltaram ainda que proteger 100% da exposição nem sempre representa uma gestão adequada do risco.
A aderência entre os mercados futuro e físico foi apontada como fundamental para a efetividade do hedge. Em grãos, por exemplo, produtores podem utilizar contratos em Chicago diretamente para proteção. Em mercados sem contratos futuros líquidos (como o de ovos), outras ferramentas, como a gestão de estoques físicos, podem cumprir parte dessa função. Quanto maior a correspondência entre o contrato futuro e a exposição física em termos de timing e liquidação, maior tende a ser a convergência e a confiança na estratégia.
O risco cambial adiciona uma camada relevante à gestão no Brasil. Na Mantiqueira, as cotações de mercado são utilizadas como referência para decisões sobre custos e receitas, permitindo aproveitar gradualmente níveis favoráveis de preço em cada ponta da operação, mesmo diante da dificuldade de projetar a trajetória do câmbio.
Reforma tributária: expectativas e preocupações
O painel com Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Guaritá, advogado na PGBR Advogados, Fábio Calcini, advogado e coordenador de Direito na Fundação Getulio Vargas (FGV), e Renato Conchon, coordenador econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), discutiu os principais impactos da reforma tributária sobre o agronegócio. Entre os avanços destacados estão o tratamento diferenciado para alimentos e biocombustíveis e a redução da cumulatividade de impostos ao longo da cadeia, além de maior transparência com a cobrança dos novos tributos sobre o consumo.
Por outro lado, a reforma deve aumentar a complexidade tributária diretamente enfrentada pelo produtor rural, que precisará incorporar conceitos de débito e crédito tributário, adaptar a emissão de notas fiscais e avaliar sua adesão ao novo regime. Um dos principais pontos de atenção é o acúmulo de créditos e o prazo para sua restituição, especialmente diante do elevado custo de capital no Brasil, o que pode gerar impactos sobre capital de giro e até sobre a formação de preços ao produtor.
Nesse cenário, planejamento tributário e adaptação antecipada ganham importância, principalmente para produtores de maior porte. O painel também destacou questões ainda em discussão, como o tratamento tributário de arrendamentos e parcerias rurais, reforçando que os efeitos da reforma podem variar significativamente de acordo com a estrutura e a atividade de cada produtor.
Fertilizantes, bioinsumos e biológicos: segurança, inovação e sustentabilidade
Os painelistas discutiram desafios e oportunidades da cadeia de fertilizantes biológicos. Em um cenário em que questões geopolíticas devem se intensificar, Vinicius Rodrigues Monteiro, COO da Agrion Fertilizantes, afirmou que é preciso uma aceleração no processo de validação da parte de biológicos. Já em minerais, uma fiscalização maior. Segundo o executivo, o principal objetivo da empresa é aproximar o seu produto a uma base mais orgânica, com uma composição 60/40 – 60% orgânica e 40% mineral.
Para Tainá Sipos, líder tática biológica da Corteva Agriscience, o principal ganho com a fiscalização está na garantia da qualidade do produto: “A questão da regulamentação garante muitas vezes essa consistência do que de fato o agricultor vai encontrar ali.” Na visão de Sipos, mais do que um custo monetário, a ausência de um ambiente regulatório ágil e previsível torna o processo de adoção de bioinsumos mais lenta, com o produtor muitas vezes deixando de usar aquilo que irá de fato beneficiar a lavoura.
Apesar dos desafios, o potencial para ampliar a produção agrícola brasileira usando produtos menos nocivos à planta é grande. Ricardo Tortorella, diretor executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), enfatizou que, atualmente, menos de 30% da área plantada brasileira usa bioinsumos. Ou seja, existe uma oportunidade de expandir os outros 70%. O Brasil também é o mais sustentável do mundo ao produzir fertilizantes bem conectados ao solo. Ainda assim, isso não é amplamente visto por outros países. “O Brasil precisa de um ambiente de segurança jurídica para o investimento fluir melhor. Precisamos criar um ambiente mais amigável”, disse.
Lições de empreendedorismo com Guilherme Benchimol
Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP Inc., foi uma das atrações do segundo dia do GAFFFF 2026. Ele destacou a evolução do papel do empreendedor conforme a empresa cresce. No início, o fundador precisa estar diretamente à frente da operação, mas, com o ganho de escala, seu papel passa a ser atrair capital humano e construir uma organização capaz de funcionar sem sua presença no dia a dia. Para Benchimol, reconhecer que existem profissionais mais capacitados para determinadas funções e manter a ambição de continuar crescendo são elementos fundamentais para a longevidade do negócio.
Outro ponto central abordado no painel foi a importância da cultura empresarial. À medida que uma companhia cresce, a cultura deixa de ser transmitida diretamente pelo fundador e precisa estar incorporada aos valores e processos da organização. Benchimol ressaltou que cultura e performance precisam caminhar juntas: profissionais de alta performance que não compartilham os valores da empresa podem comprometer o desenvolvimento do time, assim como um alinhamento cultural sem entrega de resultados não é suficiente.
Por fim, Benchimol defendeu o empreendedorismo como uma importante ferramenta para solucionar problemas estruturais e gerar desenvolvimento. A trajetória da XP foi usada como exemplo de uma empresa que entrou em um sistema financeiro altamente concentrado e construiu um novo modelo de distribuição de investimentos. Para ele, empreender não significa necessariamente criar algo inédito, mas identificar modelos que funcionam, adaptá-los à realidade local e executá-los com foco, planejamento e persistência. Nesse processo, o empreendedor não deve ser simplesmente agressivo na tomada de risco, mas intenso e disciplinado em sua gestão.
Biocombustíveis e transição energética
Segundo o deputado federal Arnaldo Jardim, a segurança alimentar brasileira precisa trabalhar em conjunto com a segurança energética. Nesse sentido, os biocombustíveis são um eixo de industrialização do Brasil: por exemplo, o etanol é necessário para combustível de aviação e marítimo, e isso mostra a importância do cultivo de milho, por ser um insumo do qual o etanol é feito. Além disso, seu uso é necessário em equipamentos agrícolas e urbanos.
O que se define hoje é que teremos um aumento ainda maior no consumo de energia. De acordo com Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), presenciaremos uma evolução energética., com o setor de óleo e gás ainda cumprindo um papel importante. Mário Campos, presidente executivo da SIAMIG/Bienergia Brasil, disse que a transição energética está em um cenário de adição, com biocombustíveis passando a representar uma parcela maior.
O etanol atualmente vem ocupando o território brasileiro, tomando o Centro-Oeste e o Sul do país. “Ainda temos muito o que desenvolver”, disse Campos. O preço alto que estamos vivendo do petróleo pode dar uma oportunidade para etanol e correlacionados. O biodiesel é um produto que já está muito bem testado, com melhor qualidade técnica, acrescentou Carlos Eduardo Hammerschmidt, CEO do Grupo Potencial.
Do desafio à liderança: “O que é que só o Brasil tem?”
Como o Brasil se tornou protagonista na agricultura tropical e qual é a narrativa que o país pode adotar para ser reconhecido internacionalmente como um produtor tecnológico no campo? Andrea Claudia Parrilla, assessora da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária, Aryeverton Fortes de Oliveira, pesquisador da Embrapa, e Priscilla Nasrallah, sócia-proprietária da Lina Frutas e diretora de ESG na Abrafrutas, se reuniram para tentar responder essas perguntas centrais.
Segundo Nasrallah, o Brasil tem como grande diferencial entrar em países que não contam com determinados produtos dentro do território, como por exemplo frutas. Por outro lado, há pouca divulgação (especialmente no mercado doméstico) de quanta inteligência vai no cultivo, da pesquisa e regulamentação até a efetiva produção.
“Essa narrativa de que o que é ruim fica dentro do país… A gente tem que acabar com isso”, afirmou. Nesse sentido, a comunicação é um dos pontos-chave, somada ao apoio governamental e ao desenvolvimento de novas tecnologias.
Para buscar mais inovação, precisa-se de regulação. Parrilla afirmou que o principal desafio atualmente é desmistificar que a regulação é um obstáculo: “Hoje, estamos lidando com regulações modernas. E o que é isso? É trazer previsibilidade, segurança jurídica, que atrai investimento para a agricultura brasileira.”
Oliveira complementou destacando a necessidade de tirar processos de controle e gestão de dados do papel e entrar no ambiente regulatório: “O nosso agro foi um setor que teve muita sabedoria na formulação de políticas. […] Não tem mais espaço para discurso vago. Agora é provar. Esses mercados vão exigir que a gente seja bom também nisso.”
Mercado de crédito e suas inovações em um cenário adverso
A safra atual deve marcar o fechamento do ciclo adverso do agro, com expectativa de melhora a partir da próxima e do início de um novo ciclo. Ainda há passivos de anos anteriores a serem resolvidos, mas o problema é macro e chega ao setor via commodities e pressão de custos, não sendo particular do agro. Os momentos desafiadores exigem modelos inovadores para os próximos ciclos adversos. O legado do ciclo é um setor mais bem preparado, já que o mercado funciona como uma gangorra, com fases de alta e de baixa.
Diante da restrição de crédito, os elos da cadeia tiveram de se reinventar. A venda de insumos a prazo ganhou peso, já que o produto leva de 90 a 120 dias para percorrer a cadeia, e as cooperativas passaram a atuar como mini bancos, conectadas à Faria Lima para ampliar a oferta de crédito. Entre as inovações estão o primeiro FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) em dólar, voltado a produtores com necessidade de funding na moeda, as parcerias com tradings internacionais e a expansão do fundo em reais. As cooperativas resolvem a pulverização de CNPJs que os bancos evitam, mas a captação exige escala, balanço auditado e governança. O movimento aproxima o campo do mercado financeiro e abre espaço para um crédito mais customizado, menos dependente de histórico.
A governança passa a ser o principal critério de concessão. No ciclo anterior, a análise focava o ativo, e produtores sem governança expandiram sem planejamento, comprando máquinas e terras. Com os juros atuais, esse endividamento consome toda a geração de caixa. O agro seguirá crescendo e demandará mais recursos, que não serão supridos apenas por dinheiro público. Quanto maior a proteção dada a quem capta, mais caro tende a ficar o recurso. Em parte das concessões, a avaliação da geração de caixa para o pagamento era negligenciada, com a área comercial usando o crédito para bater metas. Nas empresas de insumos, o crédito passou a ocupar o lugar do comercial como locomotiva do negócio, o que é um movimento saudável.
Se você ainda não tem conta na XP Investimentos, abra a sua!