XP Expert

Preço dos elementos de terras raras dispara com risco de novos controles chineses de exportação | Café com ESG, 14/08 

Disputa por terras raras em destaque

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no X
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O mercado encerrou o pregão de quinta-feira em território negativo, com IBOV e ISE recuando 0,23% e 0,2% respectivamente.

• No Brasil, o Grupo Heineken vai investir até R$ 460 milhões na implantação de um novo sistema de geração térmica renovável para a cervejaria de Jacareí (SP), em parceria com a multinacional francesa Veolia – o projeto combina biomassa e biometano certificados para abastecer as caldeiras da unidade, substituindo o gás natural e reduzindo em mais de 97,5% as emissões até 2030.

• No internacional, (i) o preço do érbio (um dos elementos de terras raras) disparou diante do risco de a China restabelecer controles de exportação de terras raras em novembro, quando expira a suspensão temporária das restrições acordada com os EUA – como consequência, os preços do metal avançaram mais de 40% na China e 50% na Europa em agosto, na comparação com junho, elevando os riscos de escassez para setores que dependem do érbio, como telecomunicações, data centers, tecnologia, automotivo e defesa; e (ii) o CEO da X-energy, empresa que desenvolve pequenas usinas nucleares de nova geração (SMRs, na sigla em inglês), afirmou ontem que a companhia receberá US$ 1 bilhão em financiamento do Departamento de Energia dos EUA – os recursos serão destinados à construção de um pequeno reator nuclear no Texas, e reforçam a aposta do governo americano nessa tecnologia.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Leapmotor B10 é SUV elétrico mais barato que Compass

“A chuva apertou quando fui retirar o Leapmotor B10 na área externa do estacionamento. “Será que a porta vai abrir?”, pensei. Vou até o carro com o cartão NFC na mão direita, passo no sensor atrás do espelho retrovisor esquerdo coberto de água e a porta abre. Apesar de nada prático, é eficiente. Esse sistema é igual ao do C10, carro de estreia da marca chinesa da Stellantis no Brasil. Mas o que eu espero mesmo que é o novo SUV elétrico de R$ 182.990 não me decepcione como o irmão maior. Com montagem nacional já confirmada em Goiana (PE), por enquanto o B10 vem da China em versão única. O preço é seu grande diferencial contra os rivais. O Geely EX5 Pro parte de R$ 205 mil; o Omoda E5, de R$ 209.990; e o Chevrolet Captiva EV, de R$ 199.990, por exemplo. Outro trunfo é o porte: 4,51 metros de comprimento, 1,88 m de largura, 1,67 m de altura e 2,73 m de entre-eixos. Só o porta-malas fica aquém dos rivais, com 365 litros de volume. Em carros elétricos modernos, a bateria é colocada embaixo do assoalho. No B10, em razão do conjunto de 56,2 kWh, o piso fica mais alto; para manter um espaço decente para a cabeça, o banco traseiro acabou sendo instalado mais perto do chão e tem o assento curto. Isso faz com que as pernas de pessoas mais altas, como eu (1,87 m), fiquem muito elevadas e com pouco apoio para as coxas. Apesar disso, o espaço em si é ótimo. Como itens de conforto na fileira traseira, o B10 tem duas entradas USB (tipos A e C) e saída de ar-condicionado. Outro mecanismo peculiar do cartão NFC é que, para ligar o carro, você precisa colocá-lo num espaço a ele destinado no console central, como um carregador de celular por indução, para que o veículo leia o sensor e ligue automaticamente. E se a primeira impressão é a que fica, com o C10 a minha experiência não foi das melhores. Além de não ter projeção de smartphones – um recurso bastante importante atualmente -, a dinâmica e o freio sensível demais também não agradaram. No B10, pelo menos o primeiro problema foi resolvido: há Apple CarPlay e Android Auto na enorme central multimídia de 14,6″, e sem necessidade de fio. Fica aqui o elogio para a rapidez do emparelhamento, pelo menos com o meu iPhone. Por outro lado, o espelhamento automático, toda vez que o carro é ligado, é instável. Como em todo bom carro chinês, a central multimídia concentra basicamente todos os comandos, como trava das portas e dos vidros, iluminação interna, ajustes dos retrovisores, acendimento dos faróis, recursos do pacote Adas de segurança ativa e diversas outras funções, até com certo exagero. Um dos recursos mais legais é o controle do teto solar panorâmico com cortina elétrica. Pela tela, ajusta-se a porcentagem do nível de abertura: 20%, 30%, 50% etc. Mas não deixa de ser meio estranho ter um teto panorâmico tão moderno e o banco do motorista não ter ajuste elétrico de posição. Visualmente, o B10 não atrai tantos olhares nas ruas. Não por ser feio, mas sim por seguir à risca o padrão de design chinês atual, com visual externo marcado por faróis e lanternas de LED afilados e interligados – figurinha cada vez mais carimbada nas ruas brasileiras. A pegada do volante é boa e a dinâmica é bem mais agradável que a do C10, sendo um carro mais à mão e menos “desengonçado”, com melhor acerto da suspensão multilink na traseira. Se a solução da chave NFC não é prática, outro mecanismo é interessante: o painel de instrumentos com tela de 8,8 polegadas é fixado na coluna de direção. Ou seja, a tela nunca fica coberta ou escondida quando a posição do volante é ajustada. O motor elétrico traseiro é alimentado pelas baterias de 56,2 kWh. A tração, assim, também é traseira. São 218 cavalos e 24,5 kgfm, com boa aceleração: a marca de zero a 100 km/h foi realizada em 7 segundos em nossa pista de testes, no Rota 127 Campo de Provas, em Tatuí (SP). Segundo o Inmetro, o alcance é de 288 km, mas em nossos testes, com o ar ligado, os números foram melhores. Na cidade, a média ficou em 9,7 km/kWh, o que dá uma autonomia de 545 km. Já na estrada, foi de 6,5 km/kWh – 393 km.”

Fonte: Valor Econômico; 14/08/2026

Orizon acerta aquisição de 51% da empresa titular do aterro de Rondonópolis

“A Orizon Meio Ambiente, uma subsidiária integral da Orizon Valorização de Resíduos, acertou a aquisição de 51% da sociedade titular do Aterro Sanitário de Rondonópolis (MT) por R$ 45,4 milhões. A informação foi divulgada pela companhia na manhã desta quinta-feira (13), em comunicado ao mercado. A Orizon não identifica a empresa titular do empreendimento, mas, segundo informações disponibilizadas na web, trata-se da Serviço de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (Seger), sociedade constituída em 2015 e que venceu a licitação do aterro. Com a aquisição, a Orizon diz reforçar o posicionamento no Estado do Mato Grosso, onde já opera o Ecoparque Cuiabá, “em mais um passo da estratégia de consolidação do setor e de expansão do banco de resíduos, com a consequente valorização do resíduo sob gestão”. O ativo localizado em Rondonópolis recebe entre 13 mil e 14 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por mês, em média, e gera de R$ 16 milhões a R$ 18 milhões de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) anualmente, segundo a Orizon. O valor da transação será desembolsado pela Orizon no fechamento da operação, que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outras condições precedentes. “

Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026

Heineken investe até R$ 460 milhões para concluir transição térmica renovável

“O Grupo Heineken vai investir até R$ 460 milhões na implantação de um novo sistema de geração térmica renovável para a cervejaria de Jacareí (SP), em parceria com a Veolia. O projeto combina biomassa e biometano certificados para abastecer as caldeiras da unidade, substituindo o gás natural e reduzindo em mais de 97,5% as emissões da geração de vapor até 2030. A expectativa é evitar cerca de 67 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) no período. O contrato de dez anos contempla a construção da nova infraestrutura, a implantação das caldeiras, além do fornecimento de biomassa, biometano e vapor pela Veolia. Segundo o Grupo Heineken, o projeto representa a etapa final de uma estratégia iniciada em 2022 para substituir combustíveis fósseis na geração térmica de suas fábricas. Com a entrada em operação da unidade de Jacareí, as 13 cervejarias da companhia no Brasil passam a utilizar fontes renováveis para produção de vapor, enquanto toda a energia elétrica consumida nas unidades já é proveniente de fontes renováveis desde 2023. Além da Veolia, a companhia mantém parcerias com empresas como Longwood, Vapor Energia, Gerová, Frísia, Salmeron e Biomassa Bahia para o fornecimento de biomassa renovável ou de energia térmica renovável em outras cervejarias. Segundo a empresa, os modelos variam conforme as características e as necessidades de cada unidade. “Jacareí fecha o ciclo de descarbonização da energia térmica. A partir desse projeto, todas as cervejarias do Grupo no Brasil passam a contar com soluções estruturantes de energia térmica renovável”, afirma Ligia Camargo, diretora de sustentabilidade do Grupo Heineken. Segundo ela, mais de 90% das emissões da operação brasileira estão concentradas na matriz térmica. “Por isso, descarbonizar essa etapa é a principal alavanca para atingirmos nossas metas climáticas”, afirma. O projeto integra a estratégia global Brew a Better World, por meio da qual o Grupo Heineken pretende alcançar emissões líquidas zero em toda a sua cadeia de valor até 2040. A solução desenvolvida pela Veolia combina duas fontes renováveis complementares. A maior parte da demanda de vapor será atendida por biomassa certificada, proveniente de eucalipto e de resíduos de madeira de poda, enquanto o biometano funcionará como combustível complementar. O biometano será produzido no Ecoparque Pedreira, da Veolia, em São Paulo, a partir da captura e purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. A planta tem capacidade de produzir cerca de 18 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, dos quais aproximadamente 5% serão destinados à cervejaria de Jacareí.”

Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026

Análise: PNL deve dar novo fôlego a debêntures de infraestrutura

“Com mais investimentos privados do que públicos, na proporção de 60% para 40%, o Plano Nacional de Logística (PNL) consolida o Brasil como detentor da maior carteira de concessões em rodovias e de ferrovias no mundo. Isso dá argumentos ao Ministério dos Transportes no debate travado dentro do governo quanto ao fim da isenção do Imposto de Renda para as debêntures de infraestrutura. O Ministério da Fazenda quer acabar com o benefício tributário porque considera que os títulos isentos estão disputando mercado com os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar a dívida pública. Isso estaria encarecendo os papéis. No entanto, a emissão de debêntures de infraestrutura no exterior tem atraído para as concessões de rodovias e ferrovias um tipo de player que estava ausente: os investidores estrangeiros. Trata-se de um capital mais barato e abundante, argumenta o chefe da Pasta. “Eu tenho agora pelo menos seis grupos estrangeiros entrando nas licitações”, disse ao Valor o ministro dos Transportes, George Santoro. “Os chineses realmente estão contratando consultorias e estudando.” Não é possível saber se darão lances nos leilões, mas o fato de estarem analisando a fundo os projetos é inédito pelo menos nos três anos em que está no ministério, disse. Santoro contou que teve uma conversa no início deste mês com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a respeito das debêntures. “Concordo que essa questão de competir com título nacional no momento de restrição é muito ruim”, teria dito. No entanto, acrescentou, os valores captados pelas debêntures de infraestrutura vão “100% para a economia real”, afirmou. Não é o que se vê nos demais títulos isentos, cuja captação não é integralmente destinada ao setor que financia. No caso da logística, argumentou, os investimentos ainda geram efeitos multiplicadores na economia, por baratear o transporte de mercadorias. Ele espera que nesta atual fase as emissões de debêntures de infraestrutura no exterior avancem. Além de trazer um capital mais barato, esse mecanismo mitiga parcialmente o risco cambial dos recursos aplicados aqui. Para aumentar as chances de acessar o capital externo, foi necessário alinhar os projetos de concessão à cartilha de sustentabilidade da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Hoje os meus projetos são carbono zero”, afirmou. Alguns fundos estrangeiros não podem investir em empreendimentos que não estejam adequados ao padrão internacional. Nessa nova edição do PNL, os projetos passaram a informar o risco ambiental.”

Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026

Biogás mira fertilizantes como nova fronteira econômica

“Os fertilizantes são um dos pilares do plano de criação de novas demandas para o biogás e biometano que a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) pretende apresentar aos candidatos à Presidência da República e governadores nos próximos dias. Os demais eixos do plano são a substituição de diesel no transporte pesado, a produção de combustíveis avançados e a geração da energia. Nesse ponto, a ABiogás vê espaço para a contratação anual de 400 MW de térmicas a biogás nos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs). Os produtores do gás renovável pautaram no 13º Fórum do Biogás, este ano, o potencial da produção de fertilizantes a partir do uso do biometano como insumo e também do digestato (subproduto do setor). “O biometano pode ser utilizado tanto como insumo para produção do fertilizante nitrogenado, substituindo o gás fóssil, como também através do digestato, que é um subproduto da produção do biometano”, disse a presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, em entrevista ao estúdio eixos. É uma agenda que já entrou no radar de startups e centros de inovação. O CIBiogás é um desses exemplos. O centro de tecnologia sediado em Foz do Iguaçu (PR) está trabalhando com a valorização do digestato na aplicação como fertilizante, em busca de aumentar a competitividade do setor de biogás. “A próxima fronteira que a gente vê como mais profícua é a do fertilizante. Todas as plantas de biogás que estão rodando no Brasil, hoje, produzem biogás e digestato. Nenhuma delas tem uma rota de valorização desse digestato a partir de recuperação de nutrientes”, comentou o diretor-presidente do CIBiogás, Felipe Marques, em entrevista ao estúdio eixos. A visão é que o aproveitamento desse subproduto levará à redução dos custos com importação de fertilizantes, ao mesmo tempo em que reduz o uso de fertilizantes químicos. “É um círculo virtuoso para aumentar a competitividade”, diz Marques.”

Fonte: Eixos; 13/08/2026

Comgás prevê injeção de 800 mil m³/dia de biometano na rede com novas conexões

“A Comgás já conectou duas plantas de biometano à rede de distribuição estadual e prevê novas conexões nos próximos 12 meses que elevarão o volume do biocombustível injetado para cerca de 800 mil m³/dia. E entrevista ao estúdio eixos durante o 13º Fórum do Biogás, em São Paulo, na quarta (12/8), o diretor de Suprimentos de Gás da Comgás, Henrique Sonja, destacou que o mandato da lei do Combustível do Futuro cria um ambiente favorável a novas conexões. “Eu acho que é do ponto de vista da distribuidora, tendo mais plantas começando a produzir biometano, tendo mais demanda lá na outra ponta interessada em consumir esse biometano… E se isso acontecer porque a lei está criando este ambiente, para nós é um ambiente muito produtivo. Porque aí a gente vai ligar mais uma vez demanda numa ponta com produção na outra, construindo rede e destravando investimento”, comenta. Sonja cita que um dos principais avanços regulatórios para viabilizar as conexões foi a criação, pela Arsesp, em São Paulo, da tarifa de distribuição específica para produtores de biometano — a Tusd-Verde. Principais assuntos tratados: Comgás conectou 2 plantas de biometano e prevê 800 mil m³/dia, enquanto Mercado Livre atingiu 7 milhões de m³ (10% do volume nacional); Regulador criou TUSD Verde para produtor financiar conexão quando modelo da distribuidora for inviável; Demanda por biometano varia entre segmentos: para algumas indústrias custo não inibe a contratação; para outras, competitividade ainda é desafio; Distribuidora está pronta para o mandato e vê mudanças regulatórias (revisões tarifárias, transporte, Combustível do Futuro) como evolução natural. “

Fonte: Eixos; 13/08/2026

Grupo Potencial vai rodar com B25 na frota em 202

“O Grupo Potencial vai rodar 25% de biodiesel no diesel (B25) em 2027, disse o vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e Novos Investimentos do grupo, Carlos Eduardo Hammerschmidt. O anúncio foi feito na quarta-feira (12/8), durante a VII Biodiesel Week, organizada pela Organização Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em Brasília. O grupo, que produz biodiesel e atua na distribuição de combustíveis, tem, atualmente, cerca de 200 caminhões, mas ainda não definiu se todos utilizarão o percentual acima dos 15% obrigatórios. O uso do B25 ocorrerá na forma de teste. Hoje, o teor exigido em todo o diesel rodoviário comercializado no Brasil é de 15% de biodiesel (B15). A lei do Combustível do Futuro prevê o aumento progressivo da mistura em 1% ao ano até alcançar o B20 em 2030, com teto regulatório podendo chegar ao B25, mas sob a condição de análises técnicas que validem esses usos. O governo iniciou esses testes em julho e espera concluir a primeira fase, até B20, em fevereiro de 2027. “Nós já temos um caminhão que transformamos em 100% biodiesel, em parceria com a Scania, que já rodou 250 mil km onde a gente não teve nenhum problema”, afirmou Hammerschmidt a jornalistas. A companhia acabou de adquirir 31 caminhões flex da Volvo que podem ser abastecidos 100% com biodiesel (B100). “Eu vejo que aqueles paradigmas do passado estão próximos a serem quebrados. Então, acho que a gente tem que só ter um pouco mais de celeridade nos testes para esses investimentos que estão sendo feitos não virarem um elefante branco”, comentou o vice-presidente. O setor pressiona o governo para avançar para o B16, seguindo o cronograma do Combustível do Futuro, mas enfrenta resistências do governo, de distribuidoras, transportadoras e da Petrobras, que defendem a conclusão dos testes de validação técnica antes de autorizar percentuais superiores.”

Fonte: Eixos; 13/08/2026

Decreto dá sinal verde ao hidrogênio, mas falta quem compre

“A publicação do decreto que regulamenta o mercado de hidrogênio verde pelo governo federal, nesta quinta-feira (13), contribui para que planos de investimentos avancem no país, mas o setor ainda aguarda sinais de que haverá demanda interna e externa pelo produto para realmente tirar projetos do papel. “O decreto destrava muita coisa, mas não é um grande abridor de caminhos”, diz Fernanda Delgado, CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV). O texto era aguardado desde 2024, ano em que foram aprovadas as leis 14.948 e 14.990, que instituíram o marco legal do setor e regimes de incentivos fiscais. O hidrogênio de baixo carbono é uma potencial fonte de energia para atividades pesadas que hoje dependem da queima de combustíveis fósseis, como a siderurgia e o transporte marítimo. Ele é classificado como verde quando é produzido a partir de energia renovável como solar e eólica. Um dos pontos mais esperados no decreto era detalhes sobre as exigências para acessar os incentivos fiscais previstos para o setor. O texto trouxe regras para o programa Rehidro, que suspende a tributação de PIS/Pasep e Cofins para compra, importação e locação de equipamentos e serviços para a construção de plantas de hidrogênio de baixo carbono. Para acessar o incentivo, o decreto exige percentuais mínimos de conteúdo local entre 15%, para sistemas de produção de eletrolisadores (dispositivo usado para separar moléculas da água), e 60%, caso de equipamentos para sistemas de distribuição e transporte. Os valores exigidos, que buscam incentivar a contratação de bens e serviços produzidos no Brasil, geraram críticas no mercado. “Não são os índices que queríamos. Para uma indústria nascente, é difícil cumprir índices altos”, diz Delgado, da ABIHV. Ela destaca, no entanto, que há mecanismos de dispensa que podem rever esses valores e impedir que as exigências sejam uma trava para decisões de investimentos. Pedro Dittrich, diretor de regulação e assuntos legislativos da Casa dos Ventos, esperava que as exigências de conteúdo local não fossem fixas, mas aumentassem gradualmente na medida em que o setor amadurecesse. Hoje a China é o país mais avançado na produção de equipamentos para a tecnologia. Focada em energia eólica, a Casa dos Ventos anunciou no ano passado um projeto de hidrogênio verde no complexo de Pecém, no Ceará, com previsão para entrar em operação em 2030. O plano é produzir hidrogênio a partir da energia eólica, com uso de água de reuso para o processo de eletrólise. O produto será então transformado em amônia verde para exportação. Um dos grandes desafios para o hidrogênio é que sua molécula é muito instável, enquanto a amônia pode ser transportada em navios com facilidade, e convertida em hidrogênio no destino. O projeto está na fase de estudos econômicos, e a equipe agora avalia o impacto das novas regras detalhadas pelo decreto. A Casa dos Ventos tem uma área de 60 hectares reservada na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Pecém, o que já lhe confere benefícios fiscais. Outra empresa que aguardava o decreto para avançar com seus planos de construir uma planta em Pecém é a australiana Fortescue. Luis Viga, country manager da empresa no Brasil, comemorou a regulamentação. “O país reúne condições excepcionais para se posicionar de forma competitiva nesta nova economia, aproveitando seu enorme potencial de geração de energia renovável”, diz.”

Fonte: Capital Reset; 14/08/2026

Governo publica resolução do CNPE que veta importação de biodiesel para mistura obrigatória

“O governo federal publicou no Diário Oficial da União (DOU) de sexta-feira (14/8) a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que prevê que o biodiesel para atender à mistura obrigatória ao diesel deve ser produzido exclusivamente por unidades nacionais. A resolução aprovada em julho visa blindar o mercado cativo de biodiesel do produto importado, atendendo a uma demanda dos produtores brasileiros e contrariando distribuidoras e importadores. Veja na íntegra. A vedação é exclusiva para o biodiesel comercializado para atender a mistura obrigatória. Também foi publicada a resolução aprovada na mesma reunião do CNPE para reduzir a burocracia para a comercialização e uso voluntário de biodiesel acima da mistura obrigatória. Na prática, o texto revoga a resolução CNPE 3/2015, que tratava da comercialização e do uso voluntário de biodiesel. Com a Lei do Combustível do Futuro, o uso voluntário do biocombustível em percentuais superiores ao obrigatório passou a ser disciplinado diretamente em lei.”

Fonte: Eixos; 14/08/2026

PL dos Combustíveis vai à sanção presidencial, com medidas para etanol, fertilizantes e minerais 

“O Congresso Nacional aprovou na quarta-feira (12/8) o projeto de lei 114/2026, que autoriza a compensação das desonerações de combustíveis pela arrecadação extraordinária do setor de petróleo e gás. As subvenções foram criadas para lidar com a alta nos preços globais decorrentes da guerra no Oriente Médio, que também ampliou as receitas federais. Com o esforço concentrado esta semana, o texto foi votado à tarde na Câmara dos Deputados, com 318 votos a favor e 113 contrários. Em seguida, foi enviado ao Senado Federal, onde recebeu 61 votos a favor e 2 contrários. O texto final incluiu diversas medidas para renúncia e criação de gastos públicos, incluindo gastos nas áreas de defesa, saúde e a Copa do Mundo feminina de 2027. O texto aprovado na Câmara passou sem modificações pelo Senado. Foi a quinta versão do parecer da relatora, Marussa Boldrin (Republicanos/GO). A versão final ficou sem o dispositivo que obrigava a explicitar, no preço de venda dos combustíveis, o montante da subvenção. O repasse obrigatório chegou a entrar em uma versão anterior, mas virou “monitoramento”. Fruto de um amplo acordo entre o governo e o Congresso, o texto inclui ainda uma subvenção aos produtores de etanol, no valor de R$ 1,2 bilhão. Na prática, obriga a União a preservar o regime fiscal favorecido aos biocombustíveis, mantendo o diferencial competitivo do etanol. Também concede R$ 750 milhões em saldos de PIS/Cofins compensáveis pelos produtores de etanol. Viabiliza também o financiamento do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), aprovado na véspera. Prevê, ainda, as isenções fiscais criadas no marco legal dos minerais críticos. O projeto aprovado também inclui gatilhos para conter o crescimento das despesas vinculadas quando as contas públicas estiverem no vermelho. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os mecanismos vão reduzir em R$ 10 bilhões o avanço dos gastos obrigatórios em 2027. Ao longo da tramitação, o governo chegou a trabalhar para que o projeto fosse engavetado, quando havia a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra e o preço do petróleo arrefeceu, em junho. Naquele momento, a expectativa era de que os subsídios poderiam ser encerrados. No entanto, com a retomada do conflito em julho, foi necessário estender as subvenções. “

Fonte: Eixos; 13/08/2026

Projeto de Alcolumbre permite reaproveitar plataformas de petróleo para mineração

“O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apresentou na quarta (12/8) o PL 5.028/2026 que cria um regime de reaproveitamento econômico de plataformas e demais instalações de produção de petróleo e gás natural em fase final de produção. Na justificativa do projeto, Alcolumbre cita como exemplo a possibilidade de extrair potássio por meio das plataformas reaproveitadas. Pelo texto, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) ficará responsável por estabelecer diretrizes para a alienação desses bens. O texto também prevê o reaproveitamento das instalações para geração de energia elétrica em ambiente marinho, sequestro de carbono em estrutura geológica, pesca e aquicultura, turismo, pesquisa e tecnologia aplicadas à economia do mar, implantação de recifes artificiais, segurança da navegação e defesa nacional. O projeto impõe um novo conjunto de recomendações ao contratado responsável pela operação das áreas de exploração e produção e ao agente regulador do setor, a serem seguidas na fase de descomissionamento. Hoje, os planos de descomissionamento de plataformas, equipamentos marítimos e instalações em terra devem ser submetidos à ANP. A regulação da agência exige que as petroleiras devem “explorar todas as opções de desenvolvimento econômica e ambientalmente viáveis, com o fim de maximizar a recuperação dos reservatórios e evitar o descomissionamento prematuro das instalações de produção”. Áreas desativadas podem, eventualmente, ser novamente oferecidas em leilões para novos interessados, mas o regramento trata sempre da produção de óleo e gás. O texto de Alcolumbre cria um regime para transferir para outras atividades, não reguladas pela ANP e sem relação com óleo e gás. Busca evitar também a devolução prematura dos ativos: “o descomissionamento de instalações que leve à interrupção prematura da produção de uma jazida ou que prejudique a sua recuperação só será permitido com a devolução da área ou com a apresentação de outras soluções de desenvolvimento que substituam as instalações de produção a serem descomissionadas”. O texto determina ainda que o Programa de Descomissionamento de Instalações (PDI) seja precedido por uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI), procedimento pelo qual agentes interessados no reaproveitamento dos bens manifestam interesse, indicando modelo de negócio, integridade necessária da estrutura e custos envolvidos.”

Fonte: Eixos; 13/08/2026

SAF no Brasil: a conta que vai definir o mercado

“O decreto do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), assinado nesta quarta-feira (12) no Planalto, fecha um ciclo que vinha desde 2021, quando a sigla surgiu como subcomitê do Combustível do Futuro, antes de virar obrigação legal em outubro de 2024, com percentuais compulsórios de redução até 2037 — da lei ao regulamento, menos de dois anos. O texto passou por consulta pública do MME, com mais de cem entidades reunidas na Conexão SAF, e recebeu alerta do Ministério da Fazenda sobre o risco de dupla contagem entre ProBioQAV, RenovaBio e o futuro mercado de carbono. A Casa Civil deu a palavra final antes da assinatura. Daqui para frente, a ANP cuida da qualidade do combustível e da metodologia de cálculo das emissões; a Anac verifica a redução e fiscaliza as metas das aéreas, podendo dispensar operadoras sem acesso a SAF nos aeroportos onde voam; e o CNPE pode alterar os percentuais a qualquer tempo, por interesse público. A cadeia começa na lavoura, com soja, milho, cana, sebo bovino e, mais adiante, a macaúba. Vale explicar os termos. SAF é o combustível sustentável de aviação, um querosene renovável que se mistura ao fóssil sem adaptar motor ou infraestrutura. O ProBioQAV fixa metas de redução nos voos domésticos, de 1% em 2027 a 10% em 2037. E o Corsia é o mecanismo global da ICAO que obriga aéreas a compensar o crescimento das emissões internacionais acima de um patamar de referência, hoje 85% das emissões de 2019. O decreto também traz o CS-SAF, certificado que documenta a redução de emissão associada a um volume de combustível — parente brasileiro do book and claim europeu, que separa o combustível físico do atributo ambiental que carrega. Faz sentido: sem isso, uma aérea só cumpriria a meta com SAF fisicamente disponível em cada aeroporto onde abastece, inviável num país continental com produção concentrada em poucas refinarias. Trata-se de um grande avanço, mas há desafios pela frente. E para entender quais são, é preciso entender a conta que o mercado inteiro está fazendo em silêncio. Comecemos por uma distinção que é a essência do problema. Reduzir e compensar não são a mesma coisa. Quando uma aérea usa SAF, ela emite menos: a redução acontece na fonte, resultado de uma cadeia produtiva que existe fisicamente. Quando compra crédito de carbono, emite igual e paga para que alguém, em outro lugar, reduza ou remova uma quantidade equivalente. O saldo declarado na planilha é o mesmo. O efeito sobre a indústria brasileira, não. Feita a distinção, vem a pergunta que manda no orçamento: qual é a forma mais barata de abater uma tonelada de carbono, reduzindo ou compensando? Todo CFO de companhia aérea vai fazer essa conta. E as regras deixam margem para escolher.”

Fonte: Eixos; 13/08/2026

Internacional

X-Energy obtém até US$ 1 bilhão adicional em financiamento público dos EUA para projeto nuclear no Texas

“O CEO da X-energy — empresa que busca construir pequenas usinas nucleares de nova geração — afirmou na quinta-feira que a companhia foi informada pelo Departamento de Energia dos EUA (DOE) de que receberá até US$ 1 bilhão adicional em financiamento público para um projeto no Texas em parceria com a Dow Inc. O financiamento público total desde 2021 para o projeto com a Dow em Seadrift, Texas, chegará a até US$ 2,15 bilhões, disse o CEO Clay Sell durante uma teleconferência sobre resultados financeiros. O projeto conta com o apoio do Programa de Demonstração de Reatores Avançados (ARDP) do DOE, que visa acelerar a implementação de pequenos reatores por meio de parcerias de compartilhamento de custos com a indústria americana. Sell afirmou que o novo financiamento estará sujeito aos mesmos requisitos de compartilhamento de custos na proporção de 50/50 aplicados à concessão original. “Espera-se que seja o primeiro reator nuclear avançado em escala de rede elétrica implantado para atender a um complexo industrial na América do Norte”, disse Sell na teleconferência. Ele acrescentou que o recurso concedido pelo DOE “é a nossa maior fonte de receita nesta fase atual de desenvolvimento”. Um porta-voz do Escritório de Energia Nuclear do DOE confirmou que a X-energy receberá até US$ 1 bilhão adicional por meio do acordo do ARDP e que o montante estará sujeito aos mesmos requisitos de compartilhamento de custos (50/50) da concessão original. No ano passado, a Dow e a X-energy protocolaram junto à Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC) um pedido de licença de construção para o projeto, que as empresas esperam colocar em operação no início da década de 2030. O projeto visa fornecer energia elétrica e vapor industrial para a unidade de Seadrift — uma fábrica de produtos petroquímicos e plásticos —, substituindo as instalações de energia e vapor existentes no local.”

Fonte: Reuters; 13/08/2026

A recuperação da energia eólica está ganhando tração

“Nos últimos cinco anos, a indústria eólica europeia viu-se pressionada, de um lado, pelo rápido aumento de custos e, de outro, por clientes que buscam reduzir gastos ao máximo. Esse cenário adverso, somado à chegada do “Furacão Trump”, derrubou o valor de mercado de fornecedores de equipamentos como a Vestas e de desenvolvedoras de projetos como a Ørsted; ambas as empresas ainda operam com cotações bem abaixo dos picos registrados em 2021. No entanto, os resultados divulgados por elas nesta semana indicam uma melhora nas condições. Um fator importante é que o enorme aumento nos custos de matérias-primas e componentes, ocorrido no pós-pandemia, já foi, em grande parte, absorvido. Na Vestas, fabricante de turbinas eólicas para projetos terrestres (onshore) e marítimos (offshore), a margem operacional no segundo trimestre atingiu 9,4%, ante 1,5% no mesmo período do ano passado. Já a Ørsted, que captou US$ 9,4 bilhões há menos de um ano, não apresentou novas notícias negativas sobre seus projetos legados, que se mostraram caros e sofreram atrasos. Além disso, parece que os governos estão se convencendo de que vale a pena apoiar a eletricidade gerada por parques eólicos, mesmo que ela seja mais cara do que o previsto inicialmente. O Reino Unido saiu na frente com o leilão de nova capacidade offshore realizado em janeiro, no qual as desenvolvedoras garantiram o direito de construir projetos, apesar de exigirem preços fixos de energia relativamente altos. A Dinamarca — que, em seu leilão de 2024, estabeleceu condições tão rígidas que não atraiu nenhum interessado — realizou uma rodada bem-sucedida no início deste mês, enquanto a Holanda está retomando os subsídios para o leilão planejado para novembro. Os governos europeus têm incentivos claros para voltar a apoiar projetos eólicos: as tensões no Estreito de Ormuz, no Irã, elevaram o custo de geração de eletricidade a partir de gás natural e também intensificaram as preocupações com a segurança energética. Mesmo nos EUA, apesar da oposição do presidente Trump às turbinas eólicas, prevê-se que as instalações terrestres em 2026 atinjam o maior volume em cinco anos, segundo a Wood Mackenzie, impulsionadas pela crescente demanda de energia por parte dos centros de dados. À medida que as perspectivas para a energia eólica melhoram, fornecedores e desenvolvedoras europeus encontram-se, possivelmente, em uma posição competitiva melhor do que no passado. Embora os fornecedores chineses de turbinas tenham avançado significativamente, as tensões geopolíticas podem desencorajar clientes governamentais e corporativos na Europa e nos EUA de adquirir seus produtos.”

Fonte: Financial Times; 13/08/2026

Incêndio florestal força evacuação no oeste da Alemanha

“Autoridades na Alemanha ordenaram que cerca de 1.800 pessoas evacuassem suas casas nas primeiras horas desta sexta-feira, após um incêndio florestal na região oeste se espalhar em direção a um vilarejo próximo à fronteira com a Bélgica. Os moradores devem deixar o vilarejo de Gey imediatamente e se dirigir a um centro de assistência montado em uma escola primária no vilarejo vizinho de Strass, disseram autoridades municipais em comunicado às 4h (23h de Brasília. Eles foram orientados a levar apenas pertences essenciais, documentos de identificação e medicamentos necessários. Na quinta-feira, as autoridades disseram que uma grande resposta de emergência foi acionada por um incêndio florestal que atinge cerca de 25 hectares de mata próxima. Bombeiros e serviços de emergência lutavam para conter as chamas, enquanto a rodovia B399 que cruza a área foi fechada. Grandes extensões da Alemanha estão enfrentando condições secas e altos riscos de incêndios florestais, dizem autoridades meteorológicas. O continente europeu como um todo, o que mais rapidamente se aquece no mundo, vem enfrentando uma temporada de incêndios florestais incomumente ativa, uma vez que um inverno mais úmido estimulou o crescimento da vegetação que posteriormente secou durante sucessivas ondas de calor.”

Fonte: Valor Econômico; 14/08/2026

Corrida dos EUA para competir com a China no setor de lítio esbarra em disputas por água

“A escassez de água tornou-se um obstáculo político, jurídico e financeiro crescente à medida que os EUA correm para construir uma indústria nacional de lítio, afirmam pesquisadores americanos, elevando a importância dos esforços para reduzir a dependência da China. A tentativa dos EUA de diminuir a dependência da China em relação ao lítio — mineral essencial para baterias de veículos elétricos e smartphones — levou o governo Trump a investir no projeto da mina Thacker Pass, da Lithium Americas, em Nevada, avaliado em US$ 3 bilhões. O interesse renovado no desenvolvimento nacional do metal resultou na proposta de cerca de 115 minas em todo o país. No entanto, a crescente escassez de água no oeste dos EUA, decorrente dos efeitos das mudanças climáticas, pode comprometer a produção de lítio, segundo um relatório de pesquisadores da Universidade Northwestern. A produção desse mineral estratégico exige grande quantidade de água, e as empresas desenvolvedoras podem enfrentar cada vez mais atrasos na obtenção de licenças e desafios jurídicos relacionados ao uso da água, ou ser forçadas a investir mais em tecnologias de reciclagem. “A questão da água é fundamental na mineração, e as comunidades próximas às minas costumam ser as mais preocupadas com o impacto das operações de mineração na disponibilidade e na qualidade da água”, afirmou Jennifer Dunn, professora de engenharia química e biológica da Northwestern e uma das autoras do estudo. O projeto Thacker Pass já enfrentou oposição da comunidade, incluindo uma ação judicial movida por um fazendeiro de Nevada devido ao uso da água — questão que já foi resolvida em acordo. O projeto de lítio Green River, da Blackstone Minerals, em Utah, também foi alvo de litígios. Kyle Roerink, diretor executivo do grupo ambientalista Great Basin Water Network — que move uma ação judicial contra o projeto Green River —, mostrou-se cético em relação às alegações dos produtores de lítio sobre a disponibilidade de água. “As empresas precisam ser honestas e transparentes, e os órgãos reguladores devem agir da mesma forma”, disse ele. É provável que as mudanças climáticas intensifiquem as disputas sobre o uso e os direitos de acesso à água, à medida que secas mais frequentes reduzem os recursos hídricos no oeste dos EUA. “A questão da água terá um impacto crescente na viabilidade de novos projetos de mineração e poderá se tornar uma fonte de conflito sobre a destinação dos recursos hídricos limitados nessas regiões: se devem servir à empresa de mineração, à agricultura ou às áreas urbanas”, disse Luke Balleny, gerente de minerais energéticos e circularidade do World Resources Institute. O Federal Reserve de Dallas prevê que muitos projetos de lítio nos EUA exigirão grandes investimentos iniciais, com custos que, em alguns casos, devem ultrapassar US$ 1 bilhão.”

Fonte: Financial Times; 13/08/2026

Preço de terras raras específicas dispara com receio de novos controles de exportação da China

“O preço de um elemento de terras raras específico, amplamente utilizado em infraestrutura, saltou um terço nos últimos dois meses, à medida que comerciantes e usuários finais buscam garantir estoques antes de um possível endurecimento das restrições de exportação da China em novembro. Em 6 de agosto, o preço do érbio na Europa havia subido 50% desde o início de junho, enquanto o preço na China havia aumentado mais de 40%, em resposta a preocupações de que Pequim possa restringir ainda mais o acesso a terras raras no final do ano, quando expira uma trégua comercial de um ano entre os EUA e a China. No ano passado, a China concordou em suspender a imposição de suas restrições mais severas até então à exportação de minerais críticos, como parte de um acordo com os EUA — mas apenas por um ano. Analistas e comerciantes afirmaram que o prazo iminente está impulsionando a alta dos preços, pois os usuários buscam adquirir materiais — incluindo o érbio — temendo que a suspensão não seja prorrogada e que, em vez disso, controles sejam impostos. “Participantes do mercado, tanto dentro quanto fora da China, acreditam que controles de exportação podem ser reimpostos sobre o érbio, cortando o fornecimento do metal para o restante do mundo”, disse Maeve Flaherty, líder de precificação de terras raras na agência de informações de preços Argus Media. A atividade de compra aumentou drasticamente à medida que os usuários buscavam formar estoques antes de um possível ponto crítico em novembro, acrescentou ela. O érbio está entre a ampla gama de metais cuja produção é dominada pela China — uma vantagem que Pequim tem utilizado como arma ao restringir o acesso a esses materiais, afetando especialmente os EUA e o Japão. Ele é utilizado em cabos de fibra óptica, amplamente empregados na indústria de telecomunicações e na construção de centros de dados que sustentarão a inteligência artificial. Também é utilizado pelas indústrias nuclear, médica e de cerâmica. Esse elemento de terras raras foi incluído em um conjunto abrangente de controles de exportação anunciados pela China no final do ano passado — medidas que foram posteriormente suspensas como parte da trégua entre as duas superpotências globais. No entanto, os controles de exportação mais rigorosos previstos para novembro “entrarão em vigor automaticamente novamente em 10 de novembro de 2026, a menos que o governo chinês prorrogue a suspensão; portanto, há um ponto crítico claro ao qual o mercado está se aproximando”, disse Flaherty. Uma série de controles de exportação de terras raras e minerais críticos, impostos por Pequim no início de 2025, não foi suspensa e permanece em vigor; isso provocou uma disparada nos preços e reduziu a disponibilidade de metais essenciais para setores que vão da tecnologia à defesa. Há também rumores persistentes no setor de terras raras de que engenheiros chineses — especialistas na operação e manutenção de equipamentos chineses presentes em algumas instalações ocidentais de fabricação de ímãs — não estão sendo autorizados a viajar para o exterior para realizar a manutenção dessas máquinas. A restrição na oferta impulsionou um movimento entre as nações ocidentais, liderado pelos EUA, para desenvolver fontes alternativas de suprimento, inclusive para terras raras e para os ímãs de alta potência que utilizam esses materiais.”

Fonte: Financial Times; 13/08/2026

Venezuela aguarda cortes ainda mais severos de energia e água com El Niño

“Menos de dois meses após dois terremotos devastadores que deixaram mais de 6.000 mortos, os venezuelanos estão sendo convocados pelo governo a economizar energia elétrica e água. Com uma seca se aproximando, muitos interpretam isso como um presságio de cortes de energia mais generalizados e menor abastecimento de água potável, após meses de restrições já severas. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou na semana passada que o El Niño já estava afetando o país e poderia trazer uma seca antes do fim do ano. O fenômeno periódico, que aquece a superfície do Oceano Pacífico e altera os padrões climáticos globais, tornou necessária a conservação de energia e água, disse ela. O apelo para ampliar a economia de recursos em uma rede elétrica já sobrecarregada desencadeou novos protestos em regiões onde a população e as empresas enfrentam cortes de energia de até 10 horas por dia, falhas frequentes nos equipamentos que levam a quedas de energia que duram dias e abastecimento intermitente de água. “Não consigo entender como podemos adotar mais medidas de economia de energia se nem sequer temos energia”, disse Mariela Núñez, uma professora aposentada de 75 anos da cidade de Valência, na região central do país, onde os cortes diários de energia estão se prolongando. “Eles cortam a energia sem aviso prévio”, acrescentou. “O calor não nos deixa dormir e não temos elevador para subir e descer até um apartamento no 12º andar.” A Venezuela tem menos de 13.000 megawatts (MW) de capacidade de geração disponível, de um total de 36.000 MW instalados, o que deixa um déficit de mais de 1.500 MW entre a oferta e a demanda atuais — déficit que as autoridades estão tentando evitar que aumente. Quase 90% da capacidade térmica está fora de serviço após anos de subinvestimento e atrasos na manutenção, afirmou o especialista em energia Nelson Hernández em um relatório neste ano. Isso aumentou a dependência da energia hidrelétrica, principalmente do sistema da barragem de Guri, no sul, para mais de 80%. Delcy Rodríguez prometeu que até 4.800 MW de capacidade instalada serão restaurados antes do final do ano, afirmando que contratos assinados recentemente com a GE Vernova e a IMPSA para modernizações e novas turbinas também aumentariam a oferta. No entanto, promessas anteriores que não foram cumpridas deixaram muitos céticos. “Temos que ser honestos. “

Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026

Ondas de calor marinhas ocorrem enquanto as mudanças climáticas se desenrolam “diante dos nossos olhos”

“As temperaturas globais dos oceanos atingiram um recorde para o mês de julho, enquanto o calor extremo provocava secas e incêndios florestais na Europa Ocidental — um cenário em que as mudanças climáticas estão “se desenrolando diante de nossos olhos”, afirmaram cientistas. Ondas de calor marinhas “severas” afetaram partes do Atlântico, do Pacífico e do oeste do Mediterrâneo, segundo o Copernicus, braço do serviço de observação da Terra da União Europeia. A temperatura média da superfície do mar nas regiões oceânicas fora das zonas polares chegou a 20,96°C, superando o recorde anterior para julho, de 20,89°C, registrado durante o fenômeno de aquecimento El Niño no Oceano Pacífico em 2023. O dado sucede também um recorde registrado no mês de junho. Michael Meredith, cientista oceânico e climático do British Antarctic Survey, afirmou que as temperaturas do mar são “extremamente preocupantes”, uma vez que recordes vêm sendo quebrados regularmente e as ondas de calor marinhas estão se tornando mais generalizadas e persistentes. “Tudo isso é o que a ciência prevê que acontecerá à medida que o aquecimento global avança, mas é impressionante ver isso acontecendo diante de nossos olhos com tanta rapidez.” Embora o início do fenômeno El Niño na região do Pacífico equatorial tenha contribuído para o cenário, ele está “potencializando uma linha de base que já é crescente devido ao aquecimento global causado pela atividade humana”, disse ele. O mês de julho também empatou como o segundo mais quente já registrado em termos de temperatura global do ar, com uma média de 16,9°C — ou 1,47°C acima dos níveis da era pré-industrial. Esse resultado igualou o de julho de 2024 e ficou logo atrás do recorde de julho de 2023. A Europa Ocidental registrou seu mês de julho mais quente da história, com uma média de 21,62°C. O terceiro mês consecutivo de calor excepcional na região elevou a temperatura combinada de junho e julho a um novo recorde local, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica de clima do Centro Europeu de Previsão do Tempo de Médio Prazo (ECMWF). O calor intensificou a seca generalizada; os níveis de umidade do solo superficial na Europa Ocidental ficaram significativamente mais baixos do que em julho de 2022, o verão anterior marcado por seca severa na região. “[Solos secos] perdem a capacidade de proporcionar resfriamento natural, permitindo que o calor se acumule mais facilmente. Este é um exemplo claro de como as mudanças climáticas estão intensificando extremos de calor, com o calor e a seca reforçando um ao outro cada vez mais”, disse Burgess.”

Fonte: Financial Times; 13/08/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
.


Ainda não tem conta na XP? Clique aqui e abra a sua!

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.