Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de terça-feira fechou em território negativo, com o IBOV e ISE recuando 0,06% e 0,42%, respectivamente.
• No Brasil, (i) a CFO da ISA Energia, Silvia Wada, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia cadastrou projetos para uma eventual participação no leilão de baterias previsto para dezembro – segundo ela, a companhia fez o cadastro para ter a opção de participar, sem nenhuma perspectiva ou obrigação de ganhar market share; e (ii) a BYD lançou seu primeiro carro híbrido plug-in flex produzido no país após investimento de R$ 100 milhões durante dois anos – fabricado na fábrica em Camaçari, na Bahia, o novo carro cumpre com a meta da empresa de utilizar mais de 50% de peças locais em todos os seus veículos produzidos no país até janeiro de 2027.
• Ainda no país, a expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e de terras raras no Brasil pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2050, segundo um estudo inédito que a Amcham Brasil lançou nesta terça-feira – o levantamento traz dois cenários, um com capital majoritariamente doméstico e produção voltada à exportação com baixa agregação de valor, e outro com maior participação estrangeira, processamento interno e uso pela indústria nacional.
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Brasil
Empresas
Passivos ambientais: alerta para o setor de infraestrutura
“Os passivos ambientais são um dos principais fatores de risco jurídico e financeiro em projetos de infraestrutura. Consideram-se passivos ambientais as dívidas e despesas que surgem quando não há o cumprimento das regras de proteção ao meio ambiente. Isso inclui tanto os custos que já são conhecidos, quanto aqueles que podem acontecer no futuro, a depender do cenário. Geram, portanto, uma obrigação imposta ao agente causador do dano de restaurar o meio ambiente ao seu estado anterior ou, quando isso não for possível, compensar os prejuízos, conforme princípios de direito ambiental, especialmente o princípio do poluidor-pagador, onde cabe ao poluidor a obrigação de indenizar ou reparar os danos ambientais, independentemente de culpa. Embora analisados sob ótica regulatória e operacional, sua relação com aspectos tributários permanece pouco explorada, a despeito de impactarem diretamente a base de cálculo de tributos, o valuation de ativos e a estruturação de investimentos. A ausência de diálogo entre gestão ambiental, contabilidade e planejamento tributário costuma gerar distorções relevantes, com efeitos por todo o ciclo de vida do empreendimento. Diante disso, é essencial examinar como o ordenamento tributário endereça tais custos. A questão central está na possibilidade de enquadrar esses gastos como despesas operacionais necessárias e dedutíveis. A dedutibilidade de despesas no lucro real representa um dos pilares fundamentais da tributação brasileira, determinando que apenas gastos efetivamente relacionados à atividade produtiva da empresa podem reduzir sua base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No contexto dos passivos ambientais, essa questão assume contornos complexos, posto que as normas tributárias não possuem tratamento específico para essas obrigações, exigindo análise casuística sob os critérios gerais de dedutibilidade previstos na legislação. No âmbito dos passivos ambientais, esses critérios encontram aplicação desafiadora, especialmente quando se trata de despesas de reparação de danos causados em períodos anteriores ou de custos relacionados a contingências ambientais ainda não materializadas. A natureza jurídica da obrigação, se derivada de atividade lícita regular ou de infração ambiental, influencia diretamente a possibilidade de dedução, sendo que multas e penalidades enfrentam expressa vedação legal. A Receita Federal, historicamente, tende a restringir a dedutibilidade de despesas ambientais ligadas a infrações ou danos decorrentes de condutas irregulares, argumentando que tais gastos não configuram normalidade e necessidade do negócio. Esse entendimento, contudo, é tensionado na doutrina e jurisprudência quando a obrigação decorre de condicionantes de licenciamento, termos de ajustamento de conduta ou práticas regulares de compliance, casos em que o dispêndio ambiental se aproxima de um custo estrutural do empreendimento, e não de penalidade por ilícito.”
Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026
ONS autoriza energização de projetos da Taesa que somam R$ 141,9 milhões em receita anual permitida
“A Taesa informou, nesta terça-feira (4), a energização de novos trechos de transmissão dos projetos Ananaí e Tangará, após as liberações emitidas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com as energizações, os dois projetos passam a adicionar cerca de R$ 141,9 milhões à receita anual permitida (RAP) da empresa, com efeitos retroativos a 27 de julho de 2026. Na concessão Ananaí, localizada entre São Paulo e Paraná, a energização das linhas de transmissão de 500 quilovolts (kV) Ponta Grossa-Assis elevou a RAP habilitada em aproximadamente R$ 123,6 milhões, levando o total já operacional do empreendimento para R$ 168,7 milhões, o equivalente a 97,3% da receita prevista para a concessão. O projeto possui RAP total de R$ 173,3 milhões no ciclo 2026-2027 e investimento regulatório estimado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em R$ 1,75 bilhão. Segundo a companhia, o projeto entrou em operação entre oito e dez meses antes do prazo regulatório previsto para março de 2027. A infraestrutura, composta por 363 quilômetros de linhas de transmissão e quatro subestações, é considerada estratégica por reforçar o intercâmbio de energia entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ampliar o atendimento ao parque industrial da Região Metropolitana de Curitiba. Já no projeto Tangará, entre Maranhão e Pará, a energização da Subestação Encruzo Novo e da linha de transmissão Encruzo Novo-Santa Luzia III adicionou cerca de R$ 18,3 milhões à RAP da concessão. Com isso, a receita habilitada do empreendimento alcança aproximadamente R$ 104,5 milhões, correspondendo a 92% da RAP total prevista de R$ 113,4 milhões. O projeto possui investimento regulatório de R$ 1,117 bilhão. A empresa destacou que Tangará foi parcialmente entregue entre 20 e 25 meses antes do prazo estabelecido pela Aneel, previsto para março de 2028. O sistema conta com mais de 265 quilômetros de linhas de transmissão, incluindo trechos em circuito duplo, e reforça a malha elétrica das regiões Norte e Nordeste.
Fonte: Valor Econômico; 05/08/2026
Eventos climáticos viraram desafio permanente para o setor de energia, dizem executivas
“Eventos climáticos se tornam, cada vez mais, um desafio operacional permanente para o setor elétrico, e é preciso responder tanto com o reforço do sistema quanto com a comunicação com o consumidor. Essa foi uma das principais mensagens do painel sobre transição energética no Energy Hub, nesta terça-feira (4), durante o Rio Innovation Week, que reuniu a diretora de Grid e Inovação da Axia Energia, Maiza Goulart, e a diretora financeira do Grupo EDP para a América do Sul, Maria Marta Geraldes. As executivas defenderam que o avanço da transição energética dependerá, principalmente, da capacidade de tornar redes elétricas resilientes, incorporar novas tecnologias, preparar consumidores para um mercado mais aberto e acelerar a tomada de decisões pelas empresas. Para Maria Marta Geraldes, os eventos registrados recentemente na Europa, como a onda histórica de calor seguida de incêndios florestais, e no Brasil, como a forte ventania que castigou Rio e São Paulo na última semana, evidenciam que nem mesmo empresas acostumadas a lidar com riscos climáticos conseguem mais antecipar a intensidade dos fenômenos. Segundo ela, a EDP acompanha com preocupação os impactos do verão europeu extremo, mesmo mantendo planos específicos de preparação para a estação. “Pegou a todos de surpresa. O mesmo que aconteceu aqui no Brasil [com a ventania]. Cada vez mais, estas alterações climáticas, estes desastres nos apanham de surpresa, portanto temos que estar cada vez mais preparados”, disse Geraldes ao Valor. Segundo a executiva, a resposta passa por investimentos contínuos na resiliência das redes e pela capacidade de reação rápida das distribuidoras diante de eventos extremos, reduzindo o tempo de recomposição do fornecimento de energia. A EDP vai investir R$ 10 bilhões na área de distribuição entre 2025 e 2030 (áreas de concessão de São Paulo e Espírito Santo), crescimento de 30% em relação ao ciclo de 2019 a 2024. Cerca de 70% desse investimento estão direcionados ao reforço da resiliência da rede, automação e digitalização da infraestrutura nas duas distribuidoras. Dentro desse esforço de reforçar as ações relacionadas a eventos climáticos, cada vez mais extremos, a EDP tem também seu Plano de Adaptação Climática, de R$ 600 milhões, com 25 iniciativas que incluem poda preventiva da rede em parceria com as prefeituras, equipes pré-posicionadas com base em previsão meteorológica, blindagem de estruturas e parceria com Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Do ponto de vista tecnológico, 80% dos clientes da EDP São Paulo e da EDP Espírito Santo já contam com self-healing, sistema que isola falhas e restabelece o fornecimento em segundos, mesmo durante eventos climáticos severos. “É na distribuição que conseguimos preparar melhor o sistema para responder a eventos cada vez mais imprevisíveis”, afirmou Geraldes.”
Fonte: Valor Econômico; 04/08/2026
É possível adiar, mas não escapar
“Para quem trabalha com governança corporativa sob uma perspectiva de longo prazo, fica difícil não pensar em sustentabilidade empresarial continuamente, com notícias sobre El Niño chegando e assustando no tamanho, inflação de alimentos e combustíveis sob pressão, falta de água na maior região metropolitana do Brasil. Há motivos mais do que suficientes para as empresas, até aquelas que se creem protegidas de eventos climáticos extremos, darem atenção à gestão de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade. Por isso peço perdão por parecer repetitivo para quem já aprendeu a lição. As companhias que saíram na frente na obediência às normas internacionais de divulgação financeira de sustentabilidade, emitidas pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), podem ter se frustrado com a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de desfazer, de forma inesperada, a obrigatoriedade de adoção dos padrões globais. Não cabe agora desanimar. Se a possibilidade de reversão da Resolução 244, de maio de 2026, ainda é uma incógnita, o mercado continua sinalizando que, no longo prazo, quem gerir de forma integrada e transparente suas questões ambientais, sociais e de governança corporativa — a célebre trinca ESG, que parece ter caído em desgraça — mitigará riscos e terá mais oportunidades para atrair e gerar riqueza. Globalmente, os fundos de investimento que seguem critérios ESG têm mantido uma trajetória de crescimento em total de ativos sob gestão, apesar dos solavancos. De acordo com a consultoria Morninstar, esse segmento aumentou quase seis vezes entre 2018 e março de 2026, passando de US$ 600 bilhões para US$ 3,5 trilhões. Mesmo no Brasil, onde esse nicho é pequeno demais em comparação aos investidores tradicionais, as previsões são otimistas, com patrimônio batendo em R$ 60 bilhões em 2026, como mostra reportagem do Valor baseada em dados da Anbima. Ou seja, a despeito da alegação frequente de que “investidores nunca perguntam nada” sobre a divulgação de temas de sustentabilidade, a evidência é de que a demanda por esse tipo de informação é crescente. O fato de “nunca” questionarem tampouco significa que já não tenham feito sua avaliação do caso e feito as contas para a decisão de investimento, com base em impressões e informações disponíveis. A propósito, é importante notar que muitos desse fundos ESG são de gestão passiva, isto é, apenas seguem índices de bolsas de valores que selecionam valores mobiliários emitidos por companhias que atendem a requisitos de sustentabilidade, sem se deter à análise do desempenho individual de cada uma. As empresas que querem fazer parte dessas listas para atrair esse tipo de investidor precisam continuar relatando práticas socioambientais. A CVM chegou a publicar em maio deste ano um estudo bem interessante sobre os efeitos da regulação que exige, desde janeiro de 2023, a divulgação de alguns temas ESG nos formulários de referência. Os resultados da pesquisa acabaram um pouco ofuscados pela repercussão da Resolução 244, que dispensou os padrões CBPS, mas vale a pena conferi-los sob o prisma atual. A área técnica da autarquia avaliou como as companhias vêm preenchendo os campos ESG dos formulários de referência, entrevistou participantes do mercado e aplicou um questionário com mais de 900 respondentes, em sua maioria investidores de varejo. O regulador pretendia entender se a nova obrigação realmente aumentou a transparência e a comparabilidade das informações ou se apenas adicionou mais uma camada de documentos corporativos que poucos investidores efetivamente consultam.”
Fonte: Valor Econômico; 04/08/2026
Fizemos cadastro de projetos em leilão de baterias para manter opção, diz diretora da ISA Energia
“A diretora executiva de finanças da ISA Energia Brasil, Silvia Wada, disse que a companhia cadastrou projetos para eventual participação no leilão de baterias previsto para dezembro deste ano. A executiva afirmou, porém, que o cadastro foi feito para que a transmissora tenha a opção de uma eventual participação. “Tudo indica que será um ambiente bastante competitivo, não temos nenhuma perspectiva ou obrigação de ganhar e meta de ‘ market share’[participação de mercado]”, completou durante teleconferência de resultados da empresa no segundo trimestre. A diretora disse que a empresa está estudando o tema, mas só participará do certame caso faça sentido para o momento da companhia e para a “rentabilidade necessária para o perfil do projeto”, concluiu. A ISA Energia Brasil já tem um sistema de baterias integrado a seu sistema. O dispositivo está em funcionamento desde o fim de 2022 em Registro, no litoral sul de São Paulo.”
Fonte: Valor Econômico; 04/08/2026
BYD lança híbrido flex fuel desenvolvido para o mercado brasileiro
“A montadora chinesa BYD lança nesta terça-feira (4) seu primeiro carro híbrido plug-in flex produzido no Brasil, após um investimento de R$ 100 milhões ao longo de dois anos, disse o principal executivo da empresa no país em entrevista à Reuters. O BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel, que chega às concessionárias de todo o Brasil na quarta-feira (5), apresenta um sistema de propulsão tri-combustível (tri-fuel) que pode funcionar com eletricidade, gasolina ou etanol, disse o vice-presidente sênior Alexandre Baldy. A autonomia puramente elétrica do carro é de 60 km para o modelo GL e de 120 km para a versão topo de linha GS, acrescentou ele. Fabricado na BYD em Camaçari, na Bahia, o novo carro também cumprirá a meta da empresa de utilizar mais de 50% de peças locais em todos os seus veículos produzidos no Brasil até janeiro de 2027, disse Baldy. “É um projeto muito simbólico para a BYD”, disse ele. “Foi desenvolvido pelas equipes de pesquisa e desenvolvimento do Brasil e da China. Foi a primeira relação em termos de experiência com as duas equipes de pesquisa e desenvolvimento de produto, que desencadeou um projeto que é específico e exclusivo do Brasil.” Inicialmente estabelecida no Brasil como montadora de unidades semi-desmontadas (SKD), a BYD está fazendo a transição para a produção local visando a cumprir as regulamentações brasileiras e transformar o Brasil em um polo de exportação regional. A empresa já está adquirindo componentes como pneus localmente e em breve iniciará a fabricação local de baterias, juntamente com outras peças produzidas em sua fábrica, que foi inaugurada em outubro de 2025. Embora projetado para os consumidores brasileiros, o Song Pro Flex poderá eventualmente ser exportado para outros mercados, como a Índia, à medida que a adoção do etanol se espalhe, disse Baldy. A BYD está investindo R$ 5,5 bilhões em sua fábrica de Camaçari, onde espera produzir cerca de 180 mil carros este ano. A fábrica provavelmente fornecerá cerca de 150 mil dos aproximadamente 200.000 veículos que a montadora espera vender no Brasil em 2026, disse Baldy. O mês de julho marcou o melhor desempenho mensal da fabricante de carros chinesa no Brasil, quando seu Dolphin GS liderou o mercado de varejo com 5.861 unidades, informou a empresa. As vendas totais no Brasil no sétimo mês do ano atingiram 23.465 veículos, mais que o dobro das 9.680 unidades no mesmo período do ano passado, informou a empresa, acrescentando que já é a quarta maior montadora do Brasil, com 9,1% de participação de mercado.”
Fonte: Valor Econômico; 04/08/2026
Minerais críticos podem adicionar R$ 192,1 bi ao PIB brasileiro, diz estudo da Amcham
“A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e de terras raras no Brasil pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar 750 mil novos empregos até 2050, segundo um estudo inédito que a Amcham Brasil lança nesta terça-feira (4/8). O levantamento compara dois cenários para o desenvolvimento do setor no país. No primeiro, os investimentos seriam financiados majoritariamente por capital doméstico, e a produção permaneceria voltada principalmente à exportação, com baixa agregação de valor no Brasil. Nesse caso, o estudo estima impacto acumulado de R$ 128,7 bilhões no PIB e geração de 304 mil empregos. No segundo cenário, a projeção considera maior participação de investimento estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no Brasil e uso crescente desses insumos pela indústria nacional. Nessa hipótese, os investimentos cresceriam R$ 120,9 bilhões, com impacto acumulado de R$ 192,1 bilhões no PIB e geração estimada de 750 mil empregos. De acordo com a Amcham Brasil, a diferença entre os dois caminhos indica que a atração de capital internacional e o adensamento das cadeias produtivas podem adicionar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos, além dos efeitos atribuídos à expansão da mineração. O estudo aponta que os maiores impactos sobre o PIB ocorreriam nos estados mineradores, com destaque para Pará (16,0%), Bahia (10,3%), Goiás (10,0%), Piauí (4,0%) e Minas Gerais (3,8%). Ao mesmo tempo, o fortalecimento do processamento doméstico ampliaria os efeitos para Estados com maior presença industrial. Na comparação com o primeiro cenário, os maiores ganhos adicionais seriam observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, segundo o documento. Na análise setorial, a indústria de transformação teria crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, acima do registrado no primeiro. O estudo também aponta crescimento na construção civil (4,5%) e na indústria extrativa (4,2%). Entre os segmentos industriais, os maiores impactos seriam nos segmentos de máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).”
Fonte: Eixos; 04/08/2026
Nordeste domina cadastro de projetos em corrida por leilão de baterias
” Mais de 6 mil projetos foram cadastrados para os leilões de baterias de dezembro, informou nesta segunda (3/8) a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). E o Nordeste desponta como o destino favorito dos desenvolvedores de sistemas de armazenamento de energia em bateria (BESS). Dos 296,8 GW de potência cadastrados para os certames: 71,1% estão no Nordeste, que lidera a geração de renováveis no país; enquanto 18,8% estão no Sudeste; e 10,1% nas demais regiões. A contratação dos sistemas de baterias ocorrerá por meio de dois leilões: o primeiro (2/12) destinado a sistemas BESS com conteúdo local fixado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e para o qual foram cadastrados 5.296 projetos (261,4 GW de potência); e o segundo (4/12) aberto a todos os projetos, e para o qual foram cadastrados 5.734 projetos (281 GW de potência). Parte dos projetos (245 GW) participa de ambos os leilões. E a tendência é que nem todos esses projetos estarão, ao fim, aptos a participar dos certames, já que ainda passarão por habilitação técnica da EPE. O número de projetos representa um recorde de participação para leilões do setor elétrico brasileiro. Na avaliação da EPE, as características modulares dos sistemas, associadas à dispensa de licença ambiental e de certificações de projeto na etapa de cadastramento, contribuíram para o recorde; já a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) atribuiu o número à confiança de investidores no Brasil e à capacidade técnica, industrial e financeira para viabilizar investimentos em larga escala no país. Os próximos passos: Os editais estão, até 14 de setembro, em consulta pública pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na sequência, a nota técnica com a capacidade de escoamento disponível para os certames está prevista para 28/9; e a habilitação técnica deverá ser concluída em 17/11.”
Fonte: Eixos; 04/08/2026
Projeto de US$ 3 bi da Mubadala aposta na macaúba para ampliar produção de SAF
“No norte do Estado de Minas Gerais, mais de 200 pesquisadores correm para viabilizar comercialmente um fruto rico em óleo que, um dia, poderá abastecer aviões. Agrônomos, biotecnólogos e especialistas em automação estão por trás de um projeto de US$ 3 bilhões que pretende plantar a pouco conhecida palmeira macaúba em até 144 mil hectares – uma área ligeiramente maior que a cidade de Los Angeles – para depois colher seus frutos e transformá-los em combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF. Quando as primeiras árvores começarem a produzir, provavelmente em 2030, a empresa de energia e biocombustíveis Acelen Renováveis pretende iniciar o processamento do óleo da macaúba em uma biorrefinaria que está construindo em outra região do Brasil. A Acelen, controlada integralmente pela Mubadala Capital, de Abu Dhabi, espera consolidar o Brasil como um dos maiores produtores mundiais de biocombustíveis e um dos principais fornecedores de combustível limpo para aviação ao industrializar a produção da fruta. Segundo a empresa, a biorrefinaria em construção na Bahia terá capacidade para produzir, no futuro, 20 mil barris diários de SAF. Isso representaria um salto expressivo na produção mundial, que em 2025 foi de 41 mil barris por dia. Atualmente, a maior parte do SAF é produzida a partir de óleo de cozinha usado. A macaúba é uma espécie nativa da América do Sul e naturalmente adaptada às regiões semiáridas onde a Acelen Renováveis está implantando seus cultivos. O fruto, aproximadamente do tamanho de uma pequena ameixa, possui uma polpa carnuda que será utilizada no processo industrial. Segundo a empresa, a macaúba pode produzir entre sete e dez vezes mais óleo por hectare do que a soja. “A gente fala muito que ela é a fruta do futuro,” disse o diretor de agronegócios da Acelen Renováveis, Victor Barra. “E, literalmente, é uma power plant, uma energy plant”. As árvores em Minas Gerais serão cultivadas sobre pastagens degradadas, evitando competir com a produção de alimentos. O Brasil possui cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas. Diante desse potencial, a Mubadala Capital – braço de investimentos alternativos da Mubadala Investment – já considera, em um horizonte de longo prazo, construir até cinco biorrefinarias no país. O cultivo da macaúba, porém, apresenta desafios. As palmeiras produzem apenas uma safra por ano, e seus troncos e folhas repletos de espinhos dificultam a colheita. A mecanização da colheita tende a ser mais complexa do que a de culturas como soja ou cana-de-açúcar, as duas principais matérias-primas dos biocombustíveis brasileiros, tornando a atividade mais dependente de mão de obra. A Acelen Renováveis desenvolveu equipamentos para separação dos frutos e extração do óleo em seu centro de pesquisas Agripark, em Minas Gerais. A empresa pretende replicar essas estruturas nas plantações de macaúba para transportar apenas o óleo, em vez dos frutos, reduzindo os custos logísticos. “Basicamente, é preciso superar a competitividade econômica da soja e da cana-de-açúcar”, afirmou o analista sênior de bioenergia da Rystad Energy, Thiago Sinzato. “Se eles conseguirem isso, será um projeto extraordinário”. No mundo, o SAF respondeu por apenas 0,6% de todo o combustível consumido pela aviação no ano passado. Sem exigências regulatórias e políticas de incentivo, o produto ainda é caro demais para competir.”
Fonte: NovaCana; 04/08/2026
Política
Ministro da Defesa vai dialogar com TCU a favor do E32
“O ministro da Defesa, José Múcio, disse, nesta terça (4/8), que vai dialogar com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas sobre os obstáculos ao aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, de 30% para 32% (E32). “Nós estamos discutindo porque um deputado questionou o aumento de 2% na mistura. Isso é um produto brasileiro, desenvolvido por brasileiro, e nós ficamos criando problemas”, disse a jornalistas durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o empresários do setor de etanol, nesta manhã (4) em Brasília. “Quando isso [aumento de mistura] vai para rua é porque já fizeram experiência, quando a coisa funcionou”, afirmou Múcio. O TCU apura indícios de irregularidades na aprovação do novo percentual de etanol, a pedido do Ministério Público. O aumento começou a valer no sábado (1º/8) e terá validade de 180 dias, a princípio, cumprindo uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A justificativa do governo é a mitigação dos impactos da guerra de Estados Unidos e Israel no Irã sobre o preço dos combustíveis. O Ministério de Minas e Energia (MME) calcula uma redução de 3 centavos no preço do combustível fóssil na bomba com o E32. O MP argumenta, no entanto, que não foram realizados estudos técnicos específicos para fundamentar o aumento da mistura, e foi utilizado o mesmo estudo que embasou o aumento para 30%, cujos ensaios adotam uma margem de tolerância de 2%. No pedido encaminhado ao tribunal, o subprocurador Lucas Furtado disse que há indícios de que a decisão tenha sido impulsionada por critérios econômicos e conjunturais, sem a divulgação de estudos técnicos suficientemente detalhados. Múcio afirmou, ainda, que vai pedir para Dantas ver os obstáculos no TCU para que o governo “possa passar por eles”. Na Câmara dos Deputados, Nikolas Ferreira (PL/MG) e Bia Kicis (PL/DF) apresentaram, respectivamente, o PDL 923/2026 e o PDL 922/2026, que suspendem o E32 sob o argumento de ausência de estudos técnicos específicos para subsidiar o aumento da mistura.”
Fonte: Eixos; 04/08/2026
Brasil corre risco de ficar fora do boom de exportação de créditos de carbono
“A exportação de créditos de carbono é vista como uma oportunidade para o Brasil atrair capital e dar escala a projetos de conservação e reflorestamento. A construção das regras para essas transações, no entanto, gerou divisão entre governo e o mercado. O Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA) colocou em consulta pública uma proposta de regulamentação. As contribuições vão ser recebidas até quinta-feira (6) na plataforma Brasil Colaborativo, que soma 430 comentários até esta segunda-feira. O Reset avaliou as contribuições e ouviu desenvolvedores, compradores e especialistas de créditos de carbono. Há críticas sobre a burocracia governamental da proposta, que atrela a venda de créditos internacionais à criação de um mercado de carbono regulado nacional que ainda não existe. A avaliação é de que a lógica que estruturou a minuta reduz a competitividade do país justamente no momento em que a demanda global por esses créditos tende a crescer. O desenho proposto é que, para ser exportado, o crédito precisa obrigatoriamente ser um ativo do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), cuja previsão de início de funcionamento é 2031. Isso, portanto, atrasa para a próxima década a entrada do país em um mercado de alto valor. Os ITMOs (Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente, na sigla em inglês) são um mecanismo criado pelo Artigo 6 do Acordo de Paris para permitir que países cooperem entre si no cumprimento de suas metas climáticas (conhecidas como NDCs) por meio da transferência de créditos de reduções ou remoções de emissões. Cada ITMO representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO2e). Eles podem ser comercializados por meio de acordos bilaterais entre os países ou de um mecanismo global para transações de créditos no âmbito da Convenção do Clima, que ainda está em desenvolvimento. Para que um ITMO seja exportado, é necessária autorização do país de origem e a aplicação do chamado “ajuste correspondente”, mecanismo contábil que evita a dupla contagem das reduções de emissões entre o país vendedor e o comprador. Esse tipo de crédito também pode ser utilizado em acordos setoriais, como o Corsia, programa da aviação civil internacional para redução e compensação de emissões, cuja fase obrigatória começa em 2027. “Esse processo de regulamentação será decisivo para transformar o mercado de carbono em uma ferramenta efetiva de implementação da política climática brasileira”, afirma Janaina Dallan, fundadora da Carbonext, que tem quase 20 anos de experiência no setor.”
Fonte: Capital Reset; 04/08/2026
Internacional
Empresas
“As empresas de abastecimento de água enfrentam dificuldades para cumprir limites rigorosos sobre a quantidade de água que podem captar do subsolo, de rios e de lagos, após o mês de julho mais seco já registrado levar à declaração de seca em extensas áreas da Inglaterra. As restrições impostas pela Agência do Meio Ambiente (Environment Agency) limitam o volume de captação autorizado para essas empresas em cerca de 2,7% até 2030 e 18% até 2050, sendo que algumas companhias estão sujeitas a metas mais rigorosas do que outras. Essas medidas, concebidas para proteger o meio ambiente e as futuras fontes de água, aumentaram a pressão sobre as empresas do setor, que precisam lidar com a sobrecarga no abastecimento após uma série de ondas de calor. Stephen Slessor, presidente da British Water — uma associação que reúne fabricantes de equipamentos, fornecedores e prestadores de serviços do setor —, afirmou que, embora as metas de longo prazo para a captação de água não devam ser reduzidas, elas deveriam ser flexibilizadas durante verões marcados pela seca, “quando as evidências mostram que as vazões dos rios não são prejudicadas”. Cerca de um terço da água potável na Inglaterra — e até 100% em muitas áreas do Sudeste — provém de poços profundos. Esses poços captam água de aquíferos, ou formações rochosas como o giz e o arenito, que constituem grandes reservatórios naturais subterrâneos reabastecidos ao longo do tempo pelas chuvas. A água proveniente de poços artesianos é, muitas vezes, de boa qualidade e requer pouco tratamento. No norte, região mais úmida, a maior parte do abastecimento de água provém de rios, lagos e reservatórios. Em situações de emergência, as empresas de abastecimento podem solicitar autorizações especiais relacionadas à seca, que permitem aumentar temporariamente os níveis de captação; no entanto, isso exerce pressão sobre o meio ambiente ao esgotar aquíferos, rios e lagos. Se aprovadas, essas autorizações são emitidas pelo Secretário de Estado do Meio Ambiente; contudo, em 2022, quando várias regiões corriam risco de escassez de água, apenas uma dessas solicitações foi autorizada. A Southern Water, que já proibiu o uso de mangueiras em Hampshire e na Ilha de Wight, apresentou este mês um pedido de autorização para proibir usos não essenciais — como a lavagem comercial de veículos — a fim de aliviar a pressão sobre o abastecimento. A empresa, que recebeu a determinação de reduzir a captação total de água em 1% até 2030 e em 44% até 2050, também solicita permissão para captar mais água do Rio Test, em Hampshire — um raro curso d’água de leito calcário —, apesar dos baixos níveis do rio. No entanto, o ativista ambiental Feargal Sharkey afirmou que uma maior captação de água do Rio Test “dizimaria espécies ameaçadas, como o salmão selvagem”. “A Southern Water argumenta, mais uma vez, que a ganância e a incompetência corporativas devem prevalecer sobre as necessidades do meio ambiente”, acrescentou ele. A concessionária declarou que o pedido era uma medida de “precaução” e que a aprovação não significava necessariamente que a captação seria efetivamente realizada.”
Fonte: Financial Times; 04/08/2026
Lançamentos de fundos sustentáveis perdem fôlego em meio à cautela do setor
“O setor global de fundos sustentáveis registrou pouquíssimos lançamentos este ano, uma vez que o desempenho fraco, os resgates por parte dos investidores e o maior escrutínio regulatório levaram as gestoras de ativos a encerrar produtos e repensar a forma como promovem a sustentabilidade. A Europa, maior mercado do mundo, registrou um número recorde de apenas 13 lançamentos de fundos no segundo trimestre — segundo dados da Morningstar —, uma queda de quase dois terços em relação aos 35 lançamentos do ano anterior. Com o fechamento de 64 fundos, a proporção foi de quase cinco fundos encerrados para cada lançamento, a maior diferença registrada desde, pelo menos, o primeiro trimestre de 2023. Três fundos sediados nos EUA foram lançados no trimestre, contra 22 fechamentos, enquanto na Ásia (excluindo o Japão) houve 16 lançamentos, todos provenientes da China. Canadá, Austrália e Nova Zelândia registraram seu segundo trimestre consecutivo sem nenhum lançamento. O desenvolvimento de produtos de fundos sustentáveis está em retração desde 2022, em meio a uma reação política negativa nos EUA contra investimentos focados em questões ambientais e sociais, à demanda decrescente após retornos mais fracos e a novas regras na Europa que tornam mais difícil classificar um fundo como sustentável. Gestoras de ativos que fazem alegações de sustentabilidade também enfrentaram maior escrutínio; no ano passado, a DWS foi multada em 25 milhões de euros por promotores alemães devido ao que as autoridades classificaram como declarações enganosas, prática conhecida como greenwashing. “A incerteza regulatória, as preocupações com o greenwashing e o cenário político continuam a influenciar tanto os fluxos de capital dos fundos quanto o desenvolvimento de produtos”, afirmou Monika Calay, diretora de pesquisa de gestoras do Reino Unido na Morningstar. Desde a implementação de regras mais rigorosas pela União Europeia em janeiro de 2023, 956 fundos éticos e de sustentabilidade foram retirados do mercado, em comparação com 691 lançamentos no mesmo período, segundo a Morningstar. “Definitivamente, vemos menos fundos chegando ao mercado com o selo de sustentabilidade atualmente”, disse Nicola Day, chefe do escritório de Bristol da James Hambro & Partners. “As pessoas estão sendo muito cautelosas no que diz respeito às vendas.” A Investment Association, entidade representativa do setor de fundos britânico, informou que monitora atualmente 103 fundos abertos com selo de sustentabilidade aprovado pelo órgão regulador britânico, que finalizou suas próprias regras em 2023. Em contrapartida, o mercado de fundos de varejo do Reino Unido conta com mais de 4.000 fundos. Edward Heaven, chefe de gabinete e responsável por investimentos sustentáveis na Montanaro Asset Management, afirmou que muitos investidores que perderam os ganhos iniciais sofreram prejuízos à medida que a alta das taxas de juros afetou setores favorecidos, como o de energia renovável. Dados da LSEG mostraram que, no período de cinco anos encerrado em julho de 2026, o índice abrangente MSCI ACWI registrou um retorno de cerca de 65%, em comparação com quase 56% do índice MSCI ACWI SRI, voltado para investimentos socialmente responsáveis. “Grande parte dessa tendência de demanda mais fraca por produtos sustentáveis foi impulsionada por preocupações com o desempenho”, disse Stuart Clark, gestor de portfólio da Quilter, citando a falta de exposição aos setores de energia fóssil e defesa.”
Fonte: Reuters; 04/08/2026
Política
EUA avaliam preço mínimo e tarifas para conter China em chips e energia solar
“O governo Trump está preparando medidas para estabelecer preço mínimo e impor tarifas sobre o polisilicone e produtos associados ao material, de acordo com quatro fontes próximas à questão. O insumo é considerado essencial a painéis solares e semicondutores, e está no centro dos esforços dos EUA para competir com a China nos setores de energia e inteligência artificial (IA). A decisão, que deve ser tomada ainda neste mês, tem por objetivo proteger as fábricas americanas que produzem polisilicone do crescimento das ambições chinesas na cadeia logística de chips. A investigação do Departamento de Comércio dos EUA, que já dura um ano, também tem implicações para a crescente produção de painéis solares no país, no momento em que houve reversão de apoio federal à energia renovável. O polisilicone é uma forma considerada ultrapura de silicone, utilizada no início do ciclo da cadeia de produção de semicondutores e de painéis solares. E a produção doméstica de semicondutores, uma prioridade do governo Trump, depende da energia solar, que ajuda a sustentar a demanda pelo material para além da produção de chips. A indústria de chips responde por 2,4% da demanda global por polisilicone, diz a Associação da Indústria de Semicondutores. A expectativa é de que o governo Trump adote um sistema híbrido, combinando preço de importação mínimo com tarifas sobre o polisilicone e produtos derivados, de acordo com fontes próximas às discussões. A China responde por cerca de 80% da capacidade de produção global da indústria de energia solar. A Casa Branca e o Departamento de Comércio preferiram não comentar a questão. A embaixada da China em Washington critica a investigação realizada pelo Departamento de Comércio. “A China pede que os EUA interrompam a adoção de medidas tarifárias no âmbito da Seção 232 o mais rápido possível, e resolva as preocupações da maneira apropriada entre todas as partes envolvidas, por meio de diálogo equilibrado”, disse um porta-voz da embaixada.”
Fonte: Valor Econômico; 04/08/2026
Indústria de fusão nuclear do Japão busca apoio estatal em meio à tensão energética no Oriente Médio
“Uma startup de fusão nuclear japonesa revelou planos para uma usina protótipo com custo de até US$ 5 bilhões, apostando que o entusiasmo da primeira-ministra Sanae Takaichi pela fusão ajudará a liberar financiamento público e a reduzir a vantagem competitiva de rivais dos EUA com maior aporte financeiro. Yuto Yoshioka, diretor de operações da Starlight Engine, afirmou que os governos mudaram fundamentalmente sua visão sobre a futura tecnologia de fusão, à medida que sucessivas crises energéticas reforçaram a importância da segurança energética para os formuladores de políticas. Ele disse que a crise energética e o fato de os EUA e outros países estarem “cada vez mais priorizando seus próprios interesses” criaram “uma verdadeira sensação de urgência” no Japão, país que depende do Oriente Médio para mais de 90% de seu suprimento de petróleo. A construção de usinas de fusão está se tornando rapidamente um empreendimento multibilionário, forçando as empresas a buscar apoio político e financeiro enquanto os governos decidem quais projetos merecem o financiamento necessário para alcançar a comercialização. A fusão visa recriar a reação que alimenta o Sol combinando núcleos atômicos, ao contrário das usinas nucleares convencionais, que geram eletricidade pela divisão de átomos. Mais de 50 empresas privadas disputam a construção de uma usina comercialmente viável, embora nenhuma delas tenha conseguido construir uma até o momento. O projeto revisado da Starlight amplia o reator para acomodar ímãs supercondutores maiores, capazes de confinar plasma superaquecido. A empresa agora estima que o protótipo custará até ¥ 800 bilhões (ou US$ 5 bilhões) — cerca de US$ 2 bilhões a mais do que o plano inicial — e planeja colocá-lo em operação em 2035. O aumento dos custos reflete a concorrência crescente, à medida que as empresas passam de experimentos laboratoriais para a construção de usinas protótipo multibilionárias. No entanto, persistem incertezas científicas fundamentais e desafios de engenharia, tornando cada vez mais difícil para os governos determinar quais empresas têm maior probabilidade de gerar energia a partir da fusão em primeiro lugar. Yoshioka expressou otimismo, afirmando que a Starlight espera que o governo de Tóquio acabe financiando cerca de dois terços do custo do projeto. Takaichi demonstra interesse pessoal na fusão há muito tempo e incluiu o apoio à tecnologia em sua campanha de 2021 para a liderança do partido governista. Tóquio classificou recentemente a energia de fusão como uma das 17 áreas estratégicas para incentivo a investimentos, ao lado de reatores nucleares avançados de próxima geração. Se concretizada, a fusão poderia fornecer eletricidade abundante e livre de carbono, utilizando combustível amplamente disponível e produzindo grande parte do trítio necessário por meio de um ciclo de combustível específico. O apoio político é vital para as ambições do Japão no campo da fusão nuclear, visto que o país é um dos menores investidores entre as principais potências mundiais nessa área. Entre 2022 e 2025, a indústria japonesa de fusão recebeu € 1,2 bilhão — provenientes tanto do setor privado quanto do público —, em comparação com € 7,3 bilhões nos EUA e € 6,9 bilhões na China, segundo a Fusion for Energy, a agência da UE responsável pelo projeto de fusão ITER. O Japão também ficou atrás do Reino Unido, onde a indústria de fusão recebeu € 1,4 bilhão.”
Fonte: Financial Times; 04/08/2026
“Um tribunal federal de apelações decidiu, na terça-feira, que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA não pode recuperar cerca de US$ 20 bilhões em subsídios para energia limpa concedidos a várias organizações sem fins lucrativos, impondo uma derrota à administração Trump. A decisão de um painel dividido do Tribunal de Apelações dos EUA em Washington, D.C., restabeleceu uma liminar contra a decisão do administrador da EPA, Lee Zeldin, de cancelar os subsídios — concedidos durante a administração Biden com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os recursos não serão distribuídos imediatamente a organizações como o Climate United Fund, a Coalition for Green Capital e várias entidades estaduais dos EUA, a fim de dar à EPA tempo para recorrer à Suprema Corte dos EUA. A EPA informou que está analisando seus próximos passos. A Climate United, que alegava ter direito a US$ 7 bilhões, afirmou que, apesar de “alegações falsas e desinformação, não há base legal para cancelar a concessão do nosso subsídio e recuperar fundos que já haviam sido depositados em nossas contas bancárias”. A Coalition for Green Capital declarou que espera apoiar a expansão de investimentos em energia a custos acessíveis. A decisão de terça-feira, proferida por um painel de 10 juízes, reverteu uma decisão de setembro passado tomada por um painel dividido de três juízes do mesmo tribunal de apelações; aquele painel anterior havia citado o interesse público em permitir que a administração Trump gerisse “de forma adequada e prudente” bilhões de dólares dos contribuintes. Os US$ 20 bilhões foram destinados a oito entidades — vinculadas ao National Clean Investment Fund e ao Clean Communities Investment Accelerator — para financiar empréstimos destinados a produtos de energia renovável, inclusive em comunidades que careciam de acesso a financiamento verde. Os recursos provêm do Greenhouse Gas Reduction Fund (Fundo de Redução de Gases de Efeito Estufa), um programa de US$ 27 bilhões criado pelo Congresso em 2022, por meio da Lei de Redução da Inflação do ex-presidente democrata Joe Biden. Nenhum republicano votou a favor dessa lei.”
Fonte: Reuters; 04/08/2026
Mineração de lítio para energia verde provoca protestos de agricultores sul-africanos
“A mineração de lítio para baterias é uma parte crescente do plano da África do Sul de aproveitar a transição global para a energia verde para revitalizar sua economia; no entanto, o país agora enfrenta a oposição de milhares de agricultores revoltados que temem perder terras produtivas para minas a céu aberto. Na costa sudeste, onde opera uma mina de lítio e mais de uma dúzia de licenças de prospecção foram concedidas desde 2023, inúmeras comunidades agrícolas estabelecidas há gerações estão sendo deslocadas. Uma coalizão de ativistas está contestando a prospecção que, segundo um dos grupos — a South Coast Guardians Association (SCGA) —, ameaça 30.000 empregos nos setores de agricultura, mão de obra e serviços nesta região voltada para a exportação de açúcar e o turismo. Dados do departamento de mineração da África do Sul, analisados pela Reuters, mostram que as licenças de prospecção de lítio abrangem cerca de 73.000 hectares (282 milhas quadradas), uma área ligeiramente maior que a cidade de Pretória. A maior parte dessa área consiste em terras agrícolas — compreendendo 117 fazendas —, mas também inclui praias. A mina de lítio já existente, que também planeja expandir suas operações, ocupa 150 hectares com cavas de extração e 180 hectares com depósitos de rejeitos. “Se todas essas licenças de prospecção forem convertidas em licenças de mineração, o impacto será catastrófico”, afirmou Heather McLoed, gerente-geral da SCGA. “Isso afeta diretamente os pequenos agricultores, suas comunidades, seus comércios e… a usina de açúcar” que processa as safras, disse ela na usina, que mói 2 milhões de toneladas métricas de cana por ano, provenientes de 2.000 pequenos produtores e 600 produtores comerciais. À medida que a crise climática e as interrupções no transporte de petróleo — decorrentes do conflito entre EUA e Irã — impulsionam investimentos em energia limpa, a África do Sul colocou os minerais críticos no centro de seus planos de recuperação econômica. Em fevereiro, o presidente Cyril Ramaphosa declarou ao parlamento que a África do Sul possui reservas de minerais críticos avaliadas em 40 trilhões de rands (US$ 2,39 trilhões), descrevendo o setor como uma “indústria emergente” com potencial para gerar empregos e fortalecer a base industrial do país.”
Fonte: Reuters; 04/08/2026
Marrocos construirá usina de transformação de resíduos em energia de US$ 1,5 bilhão em Casablanca
“Um consórcio liderado pela empresa suíço-japonesa Kanadevia Inova anunciou planos para iniciar, até o final deste ano, a construção de uma usina de transformação de resíduos em energia em Casablanca, com previsão de operação plena para meados de 2030. A instalação, localizada na maior cidade do Marrocos, será a segunda do gênero na África e visa gerar eletricidade ao mesmo tempo em que reduz as emissões de metano e outros impactos ambientais do aterro sanitário de Mediouna, o maior do país. A empresa de gestão de resíduos Kanadevia Inova e seus parceiros assinaram, na segunda-feira, um contrato de concessão concedido pela prefeitura de Casablanca. O consórcio inclui a empresa de energia marroquina Nareva e a japonesa Itochu. A Kanadevia Inova informou que, uma vez em operação, a usina processará cerca de 1,5 milhão de toneladas métricas de resíduos por ano e gerará cerca de 115 megawatts de eletricidade a partir de uma combinação de resíduos, energia solar e gás de aterro — quantidade suficiente para abastecer quase 1 milhão de pessoas. Críticos desse tipo de usina — incluindo cientistas ambientais, ativistas climáticos e grupos comunitários locais — argumentam que elas prejudicam as iniciativas de reciclagem e emitem material particulado e gases de efeito estufa, visto que a maioria delas depende da incineração. A construção em Casablanca começará assim que o financiamento — composto por dívida e capital próprio — estiver totalmente garantido, o que deve ocorrer até o quarto trimestre deste ano, afirmou o CEO da Kanadevia Inova, Bruno-Frédéric Baudouin, em entrevista à Reuters. Ele disse que a usina, a ser construída pela empresa de construção marroquina Somagec, deve levar cerca de três anos e meio para ser concluída, embora o tratamento de resíduos e a geração de eletricidade possam começar entre seis e dez meses antes da conclusão final. O consórcio também garantiu um contrato de compra de energia com a concessionária estatal de eletricidade ONEE e buscará financiamento junto a instituições financeiras marroquinas, disse Baudouin. “O financiamento da dívida será totalmente local”, afirmou ele.
O aterro sanitário de Mediouna, situado nos arredores da cidade, gera há décadas odores desagradáveis e poluição que se infiltra em terras agrícolas vizinhas, enquanto a decomposição dos resíduos libera metano e outros gases de efeito estufa. Baudouin afirmou que a nova usina poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa em um volume equivalente a cerca de 20% das emissões anuais da Suíça. “É como tirar 300 mil carros de circulação”, disse ele.”
Fonte: Reuters; 04/08/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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