Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de quarta-feira fechou em território negativo, com o IBOV e o ISE caindo 1,52% e 2,22%, respectivamente.
• No Brasil, as providências a serem tomadas em relação ao El Niño, fenômeno climático que aumenta a temperatura no Oceano Pacífico e provoca alterações no clima de todo o país, foram anunciadas pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, nesta quarta-feira – segundo ela, o total de investimentos previstos para o segundo semestre vai chegar a R$ 1,3 bilhão.
• No internacional, (i) a China, maior consumidora de carvão do mundo, gerou menos de 50% de sua eletricidade a partir desse combustível fóssil no primeiro semestre do ano – segundo o vice-diretor-geral do escritório de desenvolvimento e planejamento da administração de energia, a participação do carvão na matriz elétrica foi de 49,7%, enquanto a participação das energias renováveis subiu para 41,2%; e (ii) os fabricantes europeus de turbinas eólicas estão avaliando se unir para ganhar escala de mercado e enfrentar a concorrência chinesa na corrida para abastecer a indústria global de energia eólica – segundo os europeus, os fabricantes chineses estão ganhando vantagem na Europa, e em regiões de rápido crescimento, como América Latina e Oriente Médio.
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Brasil
Empresas
As hidrelétricas estão preparadas para os eventos climáticos extremos?
“Muito antes de as mudanças climáticas ocuparem o centro do debate público, grandes hidrelétricas já eram projetadas para resistir a cenários meteorológicos extremos. Concebidas em um período em que eventos fora da média eram tratados como exceções estatísticas, e não como parte de uma tendência de alteração do clima, essas obras seguiram uma lógica de engenharia baseada no pior caso fisicamente possível — e não apenas no evento considerado mais provável. Esse modelo fez com que parte relevante da infraestrutura hidrelétrica mundial chegasse ao século XXI com capacidade para enfrentar chuvas e cheias severas, mesmo sem ter sido planejada explicitamente para um cenário de aquecimento global e maior instabilidade climática. Um dos conceitos centrais dessa estratégia é a PMP, sigla para Precipitação Máxima Provável. No jargão da engenharia hidrológica, o indicador representa a maior quantidade de chuva que pode ocorrer em determinada região sob a combinação mais extrema de condições meteorológicas fisicamente plausíveis. A PMP se diferencia das chamadas chuvas centenárias ou milenares, calculadas a partir da probabilidade de repetição de eventos registrados no passado. Ela não procura responder com que frequência determinada tempestade pode acontecer. A pergunta é outra: qual é o maior volume de chuva que a atmosfera ainda seria capaz de produzir naquela região? O cálculo parte de séries históricas de grandes tempestades, mas incorpora condições mais severas do que aquelas efetivamente observadas. São considerados fatores como níveis máximos de umidade atmosférica, permanência de sistemas meteorológicos sobre uma mesma área, efeitos do relevo sobre as precipitações e combinações desfavoráveis entre frentes frias, convecção intensa e transporte de vapor d’água. A finalidade é levar o sistema climático até seus limites teóricos sem depender de especulações sobre eventos impossíveis.”
Fonte: Exame; 30/07/2026
Sustentabilidade permanece como desafio para setor de tecnologia
“O uso cada vez mais disseminado e intensivo da inteligência artificial e de tecnologias inovadoras traz, ao lado das transformações do modelo de negócios, impactos negativos sobre o meio ambiente, acelerando as mudanças climáticas. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, data centers de todo o mundo poderão consumir tanta eletricidade quanto o Japão até o fim deste ano, aumentando os riscos decorrentes da elevação das emissões de gases de efeito estufa, conforme estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA). Empresas pesquisadas pelo Carbon Disclosure Project (CDP), em 2025, previram perdas de US$ 898 bilhões decorrentes de eventos climáticos extremos – e metade desses riscos estão no radar para ocorrerem nos próximos dois anos. No relatório do CDP, organização global sem fins lucrativos que afirma ter o banco de dados ambientais mais abrangente do mundo, as organizações também estimaram que a redução da capacidade produtiva em função das mudanças climáticas gerará impactos de US$ 326 bilhões, enquanto a desvalorização de ativos somaria US$ 218 bilhões. Para mitigar tais efeitos são necessários investimentos das empresas em processos e produtos da chamada TI verde, o que vem ocorrendo de forma sistemática em grandes empresas em países da Europa e no Japão. Já no Brasil a realidade é outra. Há investimentos em tecnologia voltada para ESG, mas em valores inferiores aos necessários, conforme recente pesquisa “Green IT Brasil 2025”, da NTT DATA e do MIT Tech Review. Apesar do potencial de redução de até 50% nos custos de energia, só um terço das empresas brasileiras ouvidas investe em TI verde. O levantamento mostra a necessidade de avanços expressivos por parte das organizações a fim de mitigar impactos do uso de IA e da tecnologia sobre o clima; apenas 27% das mais de 120 organizações pesquisadas de oito setores diferentes aplicam rotinas efetivas de otimização de software e infraestrutura, prática com potencial de reduzir custos e emissões. O estudo, divulgado no fim do ano passado, revela que apesar do claro avanço cultural – 52% das empresas já possuem equipes dedicadas e metas ambientais, e 46% adotam práticas como o prolongamento da vida útil de equipamentos e parcerias de reciclagem -, as ações ainda carecem de profundidade estratégica e financeira: apenas 33% possuem orçamento dedicado, e somente 25% utilizam créditos de carbono como compensação. “Para muitas empresas brasileiras, investimentos em TI verde ainda são acanhados, ao contrário do que ocorre em outros países. A dificuldade maior é mostrar o retorno desses projetos aos acionistas. Sustentabilidade fica para um segundo momento. Vi um movimento importante das grandes empresas na COP30, mas passado o momento o tema saiu de pauta”, diz Roberto Celestino Pereira, executivo sênior de inovação digital e sustentabilidade, responsável pelo levantamento realizado no Brasil.”
Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026
Indústria contesta suspensão de mercado livre de gás no Rio
“Entidades representantes da indústria de óleo e gás e consumidores de energia se manifestaram nesta quarta (28/7) contra a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que suspendeu novas migrações de clientes ao mercado livre de gás no estado. O documento é assinado pela Abpip, Abrace Energia e IBP. No texto, as entidades afirmam que a Naturgy resiste à abertura do mercado sem apresentar qualquer risco ou prejuízo comprovado e, ainda assim, consegue na Justiça mais tempo de espera para o consumidor. O manifesto cita que a própria Agenersa já homologou a minuta padrão do Contrato de Uso do Sistema de Distribuição (CUSD), que garante à concessionária remuneração pelo uso da rede independentemente de quem forneça o gás ao consumidor final. Segundo o documento, a Naturgy continua recebendo pela distribuição. “Não há, portanto, perda de receita líquida com a migração — apenas a perda de uma posição de monopólio comercial que a empresa insiste em preservar”, diz o manifesto. O texto também destaca que a principal fornecedora de gás natural da Naturgy flexibilizou cláusulas contratuais, o que mitiga o risco de prejuízo à distribuidora ou ao mercado cativo com a migração de usuários ao mercado livre. Trata-se da Petrobras. A decisão judicial foi fundamentada nos impactos que a ampliação do limite de migração teria no equilíbrio do contrato entre a distribuidora de gás natural e a petroleira estatal. Contudo, esta questão foi superada em maio, com a revisão do contrato. A própria Petrobras é associada do IBP, que assina o manifesto. Para as entidades, o mercado livre tende a aumentar, e não reduzir, o consumo de gás natural no Rio. Consumidores que hoje reprimem demanda por preços pouco competitivos, ou migram para fontes de energia menos eficientes, voltariam a expandir o uso de gás assim que pudessem negociar livremente — o que geraria mais volume na rede da própria Naturgy, mais receita de uso do sistema e mais investimento em infraestrutura. “A abertura do mercado beneficiaria até mesmo a concessionária que hoje a combate”, diz o manifesto. As entidades afirmam que, enquanto a resistência da Naturgy persiste, quem paga a conta é o Rio de Janeiro: indústria menos competitiva, consumidor cativo sobrecarregado e um estado que vê outras regiões do país avançarem para um mercado de gás mais moderno e concorrencial.”
Fonte: Eixos 29/07/2026
Hidrelétrica Foz do Chapecó inicia comercialização internacional de créditos de carbono
“A hidrelétrica Foz do Chapecó, em Santa Catarina, iniciou a venda de créditos de carbono no mercado internacional, por meio do canal de comercialização de ativos ambientais da empresa suíça Ameron Energies AG. A usina tem 855 MW de capacidade instalada e é operada pela Foz do Chapecó Energia (FCE) em sociedade com a Axia Energia, que tem 40% de participação no ativo. A operação internacional foi viabilizada pela Axia. Segundo a companhia, a comercialização dos créditos reforça a estratégia da companhia de apoiar empresas do portfólio no acesso a novos mercados de ativos ambientais. “É uma iniciativa que conecta ativos renováveis brasileiros a novas oportunidades globais e reforça nosso compromisso com soluções que apoiam a transição energética. Estamos muito otimistas em poder ajudar empresas e, futuramente, consumidores a atingirem suas metas de sustentabilidade”, disse a gerente executiva de Estruturação de Produtos e Ativos Ambientais da Axia, Cecilia Essinger, em nota. A UHE já vendeu 10.000 créditos, que representam uma quantidade equivalente de emissões que foram evitadas na atmosfera pela geração de energia renovável no Projeto 896 – Foz do Chapecó Project, registrado no padrão Verified Carbon Standard (VCS). “Esta primeira comercialização representa um marco importante para ampliar a presença dos créditos de carbono brasileiros nos mercados internacionais. O Brasil reúne condições únicas para se consolidar como um dos principais exportadores de atributos ambientais, apoiado por uma matriz elétrica com cerca de 88% de geração renovável, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”, disse o diretor de Mercado de Carbono da Ameron Energies, Eduardo Posch. De acordo com a Axia, a comercialização de créditos de carbono também contribui para diversificar receitas e aumentar a visibilidade internacional dos atributos ambientais da usina. “Estamos empenhados em dedicar esforços necessários para consolidar essa iniciativa, fortalecendo nossa atuação no mercado de carbono e contribuindo para que a geração de energia renovável da usina continue promovendo benefícios ambientais reconhecidos nacional e internacionalmente”, disse o diretor da Foz do Chapecó Energia, Otávio Rennó Grilo.”
Fonte: Eixos; 29/07/2026
Casas Bahia evita perdas de R$ 255 milhões com economia circular
“A economia circular se tornou uma ferramenta de eficiência operacional para o Grupo Casas Bahia. Em 2025, as iniciativas de logística reversa, remanufatura de produtos e reciclagem evitaram R$ 255,6 milhões em perdas para a companhia, ao mesmo tempo em que recuperaram 13.273 toneladas de produtos por meio do reaproveitamento, da extensão da vida útil dos itens e da destinação ambientalmente adequada dos equipamentos que não puderam ser recuperados. A estratégia reúne diferentes frentes da operação da varejista, incluindo o Departamento de Assistência Técnica (DAT), responsável pela avaliação e recuperação de produtos, o Programa Reviva e as iniciativas de logística reversa presentes em lojas, centros de distribuição e hubs da companhia. Um dos principais pilares desse modelo é a remanufatura de produtos devolvidos pelos consumidores. Antes de serem substituídos ou destinados à reciclagem, os equipamentos passam por avaliação técnica e manutenção para que possam voltar ao mercado. Em 2025, 45% dos produtos devolvidos foram remanufaturados, índice que contribuiu para reduzir perdas financeiras e ampliar o reaproveitamento dos recursos já empregados na fabricação desses itens. “A circularidade se tornou uma alavanca de eficiência financeira e operacional. Atuamos por meio da logística reversa, do remanufaturamento de produtos e da reutilização de materiais, ampliando o aproveitamento de recursos e reduzindo desperdícios”, afirma Andréia Nunes, diretora executiva de Gente, Gestão e Assuntos Corporativos do Grupo Casas Bahia. “Quanto maior nossa capacidade de recuperar, remanufaturar e reinserir produtos no mercado, menor é o desperdício de recursos naturais e maior é a geração de valor para o negócio e para a sociedade”, disse. Além da recuperação de produtos, a empresa ampliou a reciclagem de materiais por meio do Programa Reviva, iniciativa criada em 2015. Apenas em 2025, mais de 2,7 mil toneladas de embalagens e outros materiais foram encaminhadas para reciclagem. Desde o lançamento do programa, o volume acumulado supera 35 mil toneladas, em uma operação que também gera renda para cooperativas parceiras.”
Fonte: Exame; 29/07/2026
Iniciativa quer destravar R$ 77 bi em powershoring no Nordeste
“Consórcio do Nordeste, Banco do Brasil e Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançaram nesta quarta (29/7) uma Carta Compromisso do Fórum Powershoring, em busca de R$ 77 bilhões em investimentos industriais de baixo carbono na região até 2030. A cifra parte de um diagnóstico de que a infraestrutura de geração renovável nordestina pode ser o gatilho para desenvolver novas cadeias produtivas de baixo carbono. Uma delas é a dos combustíveis sustentáveis. As metas do fórum, criado em 2025 pelas três organizações, incluem ainda redução de emissões da ordem de 20 milhões de toneladas de CO2 equivalente na cadeia produtiva que será criada, após quatro anos de investimentos. Além de fortalecer a economia regional, aumentando em ao menos 5% o percentual de compras e contratações de fornecedores sediados na região. “O Brasil e a região Nordeste, em particular, têm esse potencial de ser um hub de soluções de baixo carbono para o mundo”, comenta Victoria Santos, gerente de Energia e Indústria do iCS. Durante o evento de lançamento da carta na Universidade de Brasília (UnB), a gerente do iCS explicou que um dos objetivos do fórum é identificar as principais oportunidades e prioridades dos nove estados que compõem a região. “Como é que podemos desenvolver cadeias de valor, quais são os corredores verdes que podem ser estruturados ou acelerados? O mandato do fórum também é apoiar a estruturação de projetos prioritários investíveis”, explica Santos. Estudo encomendado pelo Fórum Powershoring aponta que, no cenário mais conservador, a internalização inicial de cadeias energointensivas pode ter um impacto direto no PIB regional de cerca de 0,9% até 2035, já estimulando um incremento da “sofisticação produtiva e tecnológica na região”. No cenário intermediário, é estimada uma atração de US$ 30 bilhões em investimentos, com incremento de cerca de US$ 5,25 bilhões (+1,8%) no PIB. Já no melhor dos mundos — com maior engajamento de governos e financiadores —, o Nordeste pode atrair cerca de US$ 60 bilhões em investimentos, incrementando o PIB em 3,6%, com US$ 10,5 bilhões. “O Nordeste já dispõe de ativos competitivos no cenário internacional. O diferencial decisivo será a capacidade de organizá-los em uma estratégia integrada”, afirma o economista, professor da UnB e autor do estudo, Jorge Arbache.”
Fonte: Eixos; 29/07/2026
Política
Entre a proteção ambiental e a segurança jurídica
“A proteção do meio ambiente ocupa posição central no ordenamento jurídico brasileiro, sendo reconhecida como direito fundamental pela Constituição de 1988. Ainda assim, é preciso cautela ao afirmar, de forma absoluta, que toda pretensão reparatória ambiental deva ser imprescritível. De um lado, há uma corrente doutrinária robusta que sustenta a imprescritibilidade da reparação do dano ambiental. Para esses autores, o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito difuso, pertencente não apenas à coletividade presente, mas também às presentes e futuras gerações. Argumenta-se, ainda, que o dano ambiental frequentemente possui caráter permanente ou efeitos prolongados, o que dificulta a fixação de um marco temporal para o início da contagem do prazo prescricional. Soma-se a isso a função pedagógica da imprescritibilidade, voltada a desestimular condutas lesivas e reforçar a responsabilidade objetiva dos poluidores. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema 999 em repercussão geral, firmou o entendimento de que a pretensão de reparação civil por danos ambientais é imprescritível. Isso significa que não há limite de tempo para que o responsável seja obrigado a reparar o dano causado ao meio ambiente. A Corte fundamentou sua decisão em princípios como o da reparação integral e o da proteção intergeracional, destacando que a limitação temporal poderia inviabilizar a recomposição do meio ambiente e comprometer sua proteção constitucional. Antes dessa definição, contudo, prevalecia um cenário de insegurança jurídica, marcado por decisões divergentes. A decisão no AREsp 2.347.288/RJ, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ilustra esse contexto. Na ocasião, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) reconheceu a prescrição da pretensão indenizatória com base na teoria da actio nata e na aplicação do prazo trienal do Código Civil, sob o fundamento de que os autores já tinham ciência do dano desde 2001, tendo ajuizado a ação apenas em 2021. Esse tipo de entendimento era comum, justamente pela ausência de uniformidade quanto à natureza da reparação ambiental. Enquanto alguns tribunais tratavam a matéria como responsabilidade civil comum, aplicando prazos prescricionais tradicionais, outros reconheciam a especificidade do dano ambiental, afastando a prescrição com base em sua natureza continuada e difusa. O próprio Superior Tribunal de Justiça, embora já apontasse em precedentes para a ideia de dano ambiental continuado e obrigação permanente de reparação, não possuía orientação vinculante capaz de uniformizar a matéria em todo o país. Isso permitia que tribunais estaduais adotassem soluções distintas para casos semelhantes, ora reconhecendo a prescrição com base no Código Civil, ora afastando-a com fundamento na natureza ambiental do dano. Foi justamente para superar esse quadro de fragmentação que o STF, ao julgar o Tema 999, firmou tese no sentido da imprescritibilidade da pretensão de reparação de dano ambiental, estabelecendo um critério uniforme e vinculante. A partir dessa definição, deixou de ser juridicamente admissível a aplicação de prazos prescricionais típicos da responsabilidade civil comum às pretensões fundadas em dano ambiental, como ocorreu no acórdão do TJRJ – entendimento que, embora possível à época, encontra-se hoje superado.”
Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026
El Niño: investimentos para conter impactos climáticos somam R$ 1,3 bi
“Estocagem de alimentos, monitoramento climático, fiscalização ambiental e combate a incêndios, são algumas das medidas a serem tomadas pelo governo federal para reduzir os impactos do El Niño no país. As providências a serem tomadas em relação ao fenômeno climático que aumenta a temperatura no Oceano Pacífico e provoca alterações no clima de todo o país foram anunciadas pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, nesta quarta-feira (29), com previsões de investimentos recentes e os previstos para o segundo semestre. O total de investimentos vai chegar a R$ 1,3 bilhão, segundo a ministra. Além da compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para compor os estoques públicos, serão adquiridas 350 mil cestas de alimentos para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares. O El Niño provoca seca no Norte e Nordeste do país, atraso das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, e enchentes na região Sul do Brasil. Diante dessa situação, diferentes medidas devem ser tomadas para cada região. Para a Região Sul, o governo federal anunciou investimentos em Defesa Civil, para pronto atendimento às emergências, e ações corretivas em barragens e diques, com ajuda de estados e municípios. Para as regiões de seca, houve ampliação no número de brigadistas federais, além da aquisição de equipamentos para prevenção e combate a incêndios florestais. Também há ações em andamento visando a segurança hídrica, sobretudo no Nordeste do país. O governo já vem, segundo a ministra Miriam Belchior, trabalhando para diminuir os impactos climáticos. Entre as ações já adotadas está a redução no desmatamento. Houve queda de 50% na Amazônia, de 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal. Outra providência lembrada pelo governo foi o processo de restauração florestal em 3,4 milhões de hectares. Há também investimento na integração do Rio São Francisco, para minimizar os impactos da seca no Nordeste do país. São 12 milhões de pessoas beneficiadas com investimentos nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Outros investimentos em segurança hídrica, que não passam pelo Rio São Francisco, são em adutoras, canais, cisternas, novos reservatórios e barragens em recuperação. Esses investimentos ocorrem no Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com a redução dos níveis dos rios, em virtude da seca, existe menos vazão para uso de hidrelétricas e isso aumenta o custo de energia. Geralmente, nesse cenário, as termelétricas, uma fonte de energia mais cara, são ligadas. Segundo o governo, estão sendo investidos R$ 118 bilhões em geração de energia, com diversificação da matriz energética. Esse investimento tem sido feito em geração de energia eólica e solar, além da expansão das linhas de transmissão de onde não há problema hídrico para onde existe queda na geração.”
Fonte: Eixos; 29/07/2026
Presidente Lula faz reunião ministerial para debater impacto do El Niño
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, para a manhã desta quarta-feira (29), reunião ministerial para debater os impactos do El Niño no país. Projeções climáticas mais recentes indicam para a intensificação do El Niño nos próximos meses, com alta probabilidade de atingir intensidade forte ou muito forte entre agosto e dezembro. A perspectiva de um “super El Niño” elevou a preocupação do governo com a redução das chuvas em parte das regiões Norte e Centro-Oeste e com o aumento do risco de incêndios florestais na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga. Especialistas avaliam que o fenômeno representa um choque macroeconômico com potencial para pressionar a inflação, elevar a necessidade de gastos públicos e dificultar o ciclo de redução da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano.”
Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026
Durigan diz que o governo pode retirar o subsídio da gasolina se o petróleo cair
“O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, na terça-feira (28/7), que o governo pretende retirar a subvenção da gasolina caso o preço do petróleo caia, em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV!. “Se o preço do petróleo cair, vamos tirar o subsídio. Se tivermos uma redução maior [dos preços do petróleo], vamos tirar porque temos que voltar para a situação anterior”, disse Durigan, ao ressaltar o caráter excepcional da medida, que foi adotada como forma de aliviar a alta das cotações do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio. Em relação à economia brasileira, o ministro defendeu a importância da diminuição dos gastos obrigatórios e da redução dos juros, com o objetivo de “unir setor privado e setor público”. Durigan disse ainda que a inflação atual é menos da metade da que foi observada em 2022 e que a prioridade no debate eleitoral deve ser mantê-la controlada. “O tema da eleição é manter inflação, garantir inflação baixa”, afirmou. O ministro citou também o mercado de trabalho como indicador de melhora da economia, com o desemprego na mínima histórica, e afirmou que é preciso “dar estabilidade” ao cidadão brasileiro.”
Fonte: Eixos; 29/07/2026
Ambiente regulatório será decisivo para industrialização verde, diz secretário do Consórcio Nordeste
“Em meio à demora do governo federal para concluir a regulamentação do hidrogênio e dos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês), o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, cobrou nesta quarta (29/7) um ambiente regulatório estável para atrair indústrias intensivas em energia renovável para a região e reduzir gargalos como os cortes de geração. “Essa regulação é fundamental para o desenvolvimento da indústria que vai utilizar essa energia renovável, que vai utilizar essa grande inovação que é o hidrogênio verde, e para a própria produção do hidrogênio verde”, afirmou à agência eixos. A declaração ocorreu durante o lançamento de uma carta do Fórum Powershoring, iniciativa do Consórcio que, ao lado do Banco do Brasil e ICS, pretende mobilizar R$ 77 bilhões em investimentos industriais de baixo carbono até 2030. Os decretos que regulamentam o hidrogênio de baixo carbono, o uso de SAF e a captura e armazenamento de carbono (CCS), eram aguardados nesta semana, mas tiveram a publicação adiada pelo governo. Gabas avaliou que a construção de novas indústrias envolve mudanças estruturais na matriz energética brasileira e, por isso, enfrenta resistências naturais que justificam a demora na publicação dos decretos. “Pela complexidade que isso envolve na matriz energética, no potencial das empresas de utilizar essa energia e onde nós vamos mexer, onde você já tem outras fontes de energia sendo utilizadas para essa mesma função, é uma disputa natural. Para nós isso é natural. É uma mudança muito forte, pesada e que encontra dificuldades naturais de todo o processo de mudança”.”
Fonte: Eixos; 29/07/2026
Como pagar por serviços ambientais no Brasil
“Valorar serviços ambientais é uma condição para que conservação, restauração, segurança hídrica, biodiversidade, regulação climática e desenvolvimento territorial sejam tratados como ativos estratégicos, e não como externalidades invisíveis. O Brasil reúne uma das maiores bases naturais do planeta e, justamente por isso, tem potencial para se tornar uma potência na provisão de serviços ecossistêmicos. Mas esse potencial só se transforma em realidade quando valorado. Ou seja, quem conserva, recupera e maneja adequadamente os ecossistemas deve receber, de forma justa e verificável, pelos benefícios que entrega à sociedade. O pagamento por serviços ambientais (PSA) nasce dessa lógica: reconhecer economicamente atividades individuais ou coletivas que mantêm, recuperam ou melhoram serviços ecossistêmicos. A história da humanidade traz exemplos de PSA de muitos anos atrás. Entre os casos mais emblemáticos está a experiência de Nova York, que investiu na conservação de mananciais para reduzir os custos de tratamento de água para o abastecimento da cidade. O exemplo mostra que o pagamento por serviços ambientais pode ser mais eficiente, justo e estratégico do que simplesmente arcar, depois, com os custos da degradação. A Lei nº 14.119/2021 instituiu a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e definiu as bases para que pagadores transfiram recursos financeiros ou outras formas de remuneração a provedores de serviços ambientais. Em 2026, a publicação do Decreto Federal nº 13.018 buscou dar densidade operacional a esse marco. A regulamentação é relevante porque o PSA não se consolida apenas com boa intenção, nem apenas com reconhecimento jurídico. Ele depende de instrumentos capazes de aproximar provedores e pagadores, reduzir assimetrias de informação, organizar dados, estabelecer parâmetros de monitoramento, dar segurança contratual e garantir salvaguardas socioambientais. Sem isso, a remuneração corre o risco de permanecer restrita a experiências pontuais, com pouca escala, baixa previsibilidade e dificuldade para atrair recursos públicos e privados. Essa é a principal dificuldade da agenda: transformar valor ambiental em remuneração efetiva. O país já reconhece a importância da vegetação nativa, da água, do carbono, da biodiversidade e dos territórios produtivos sustentáveis. Ainda assim, a maior parte desses benefícios segue sem métodos adequados de valoração, sem um sistema de mensuração, reporte e verificação (MRV) robusto e sem plataforma de conexão.”
Fonte: Capital Reset; 29/07/2026
Internacional
Empresas
Fabricantes europeus de turbinas eólicas avaliam fusões para criar campeãs do setor
“Os fabricantes europeus de turbinas eólicas estão avaliando se unir empresas para criar campeãs industriais ajudaria a enfrentar a concorrência chinesa na corrida para abastecer a indústria global de energia eólica. Os fabricantes de turbinas eólicas da China e da Europa há muito dominam seus mercados domésticos, mas os fabricantes chineses estão ganhando vantagem em regiões de rápido crescimento, como América Latina e Oriente Médio, além de buscar terreno na Europa. Esse avanço para territórios mais amplos alimentou a angústia europeia sobre sua força em indústrias estratégicas e provocou sugestões de alguns executivos sobre a necessidade de consolidação para criar maior escala. “Tenho grande fé na capacidade industrial europeia”, disse José Manuel Entrecanales, presidente-executivo da Acciona, maior acionista da Nordex, líder de vendas de turbinas por capacidade na Europa no ano passado. “Temos várias oportunidades —uma das quais é a energia eólica. [Mas] escala é a essência. […] Acreditamos que, para ganhar a diferença de escala, a consolidação é o único meio.” As declarações refletem uma discussão mais ampla entre formuladores de políticas e executivos da indústria sobre como criar campeãs europeias e sobre as novas regras de fusão do bloco. Em abril, a Comissão Europeia publicou novas diretrizes há muito esperadas para fusões e aquisições. O documento foca mais nos benefícios da escala corporativa e insta os funcionários de concorrência a dar maior peso à inovação, ao investimento e à resiliência do mercado interno. Após várias fusões anteriores, a indústria europeia de turbinas eólicas já está relativamente concentrada —entre Nordex, Vestas, Siemens Gamesa e Enercon— levando a questionamentos sobre quais outras fusões seriam permitidas. Negociadores em setores que vão de telecomunicações à indústria espacial buscam uma mudança de abordagem nas regras de controle de fusões que permitiria à Europa construir mais campeãs corporativas globais. Funcionários de concorrência, porém, têm minimizado publicamente a ideia de uma revolução. As novas diretrizes de fusão decorreram do histórico relatório de Mario Draghi de 2024, que visa impulsionar a competitividade europeia e evitar que os países do bloco fiquem para trás tanto na transição digital quanto na energética. No entanto, nem todos os especialistas acreditam que escala seja a resposta. “A Europa deveria ter cuidado para não confundir tamanho com competitividade”, afirmou Simone Tagliapietra, pesquisador sênior do think-tank Bruegel. “A história da indústria europeia sugere que a consolidação sozinha raramente substitui inovação, produtividade e um mercado único genuíno.””
Fonte: Estadão; 29/07/2026
“A Energias de Portugal (EDP) registrou lucro de 354 milhões de euros no segundo trimestre, alta de 26% na comparação anual. A empresa portuguesa teve receitas de 3,71 bilhões de euros entre abril e junho, alta de 4% sobre o mesmo período de 2025. A companhia destaca que seus resultados foram impulsionados pelos ativos de energia renovável e no novo ciclo regulatório de transmissão de energia, o que ajudou a reduzir impactos de preços mais baixos de energia em Portugal e na Espanha. No Brasil, a EDP afirma que teve alta de 27% nos seus resultados, chegando a um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 271 milhões de euros, apoiado por crescimento do seu mercado e a entrada em operação de novos lotes de transmissão. Ao fim de junho, a companhia tinha uma capacidade instalada total de 32,8 gigawatts (GW), gerou 34,5 terawatt-hora (TWh) ao longo de janeiro a junho e distribuiu 46,8 TWh de energia. A dívida líquida da EDP era de 17 bilhões de euros ao fim de junho, refletindo a execução do seu plano de investimentos, geração de caixa operacional e maior valorização do real sobre o euro.”
Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026
Empresa americana escolhe Brasil para liderar sua expansão global no mercado de carbono
“O Brasil se tornou o foco da expansão internacional da Earthshot Labs, empresa americana de inteligência ecológica que atua no mercado de carbono e biodiversidade em mais de 30 países, revelou à EXAME em primeira mão. O primeiro projeto no país começou em 2023, ainda conduzido pela matriz nos EUA. De lá para cá, a fatia brasileira cresceu até responder por 40% dos novos projetos da empresa em 2025. A alta demanda foi o suficiente para motivar a abertura da primeira subsidiária fora do território de origem e com equipe totalmente local. Fundada em 2021 na Califórnia, a Earthshot Labs levantou uma rodada Série A de US$ 5,5 milhões em 2024, liderada pela Acorn Pacific Ventures. Mas não há, até o momento, uma linha de investimento específica destinada à operação brasileira e os valores aportados ainda não são públicos. Para Rita Croce, diretora de Desenvolvimento de Negócios da Earthshot Labs Brasil, a combinação de dois fatores explica boa parte da estratégia: a abundância de biodiversidade, com biomas únicos sob forte pressão de degradação, e o peso do agronegócio na economia nacional. A aposta, no entanto, acontece num cenário em que o mercado regulado de carbono no Brasil ainda não saiu do papel. A Lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões foi sancionada em novembro de 2024, mas a expectativa é que o sistema só comece a operar de fato a partir de 2030, quando entram em vigor as obrigações de redução para os setores regulados. Até lá, o mercado nacional de créditos de carbono segue baseado quase inteiramente no regime voluntário. Essa lacuna regulatória, segundo Rita, é hoje o principal fator que afasta capital estrangeiro. “Do ponto de vista macroeconômico, o maior desafio é que os investidores fogem enquanto isso não é resolvido”, destacou à EXAME. A estratégia da empresa é justamente não esperar a regulação amadurecer para começar a atuar em projetos de alta qualidade. “Queremos garantir que exista oferta quando o regulado estiver operando e os acordos internacionais estiverem mais avançados”, diz Rita. A aposta é que, quando os mecanismos de transferência internacional de créditos (ITMOs) finalmente destravarem, o Brasil vai concentrar demanda represada por ativos de carbono de alta integridade.”
Fonte: Exame; 29/07/2026
Política
Pela primeira vez, a China gera menos da metade de sua eletricidade a partir de carvão
“A China, maior consumidora de carvão do mundo, gerou menos de 50% de sua eletricidade a partir desse combustível fóssil no primeiro semestre do ano (até junho), um marco inédito para o país, que vem promovendo o uso de energia renovável, segundo autoridades. A participação do carvão na matriz elétrica foi de 49,7%, informou Xing Yiteng, vice-diretor-geral do escritório de desenvolvimento e planejamento da administração de energia, em entrevista coletiva na quinta-feira. A participação das energias renováveis subiu para 41,2% — superando a marca de 40% pela primeira vez —, sendo que a energia eólica e a solar representaram 24,6% desse total, acrescentou Xing. O restante provém de gás natural e energia nuclear. Apesar da redução na participação do carvão, analistas afirmam que a China ainda pode consumir mais desse combustível este ano do que no anterior, dado o rápido aumento da demanda por energia. Mais chineses estão migrando para carros elétricos, centros de dados para IA estão sendo construídos e as exportações continuam a crescer. Planejadores estabeleceram um prazo para que o consumo de carvão atinja seu pico, o mais tardar, em 2030. As metas da China preveem elevar a participação da energia eólica e solar para 30% da matriz elétrica até 2030; no entanto, Gao Yuhe, gerente de projetos do Greenpeace no Leste Asiático, afirma que esse objetivo pode ser alcançado já em 2028, impulsionado pela maior implementação de sistemas solares em telhados combinados com baterias. “O armazenamento, juntamente com a resposta da demanda e mercados de eletricidade mais flexíveis, permitirá uma penetração muito maior da energia solar distribuída e ajudará a suprir a crescente demanda por eletricidade com fontes renováveis, em vez de combustíveis fósseis”, disse ela. A participação do carvão na geração de energia da China é muito superior à de outras grandes economias, em parte devido às suas abundantes reservas de carvão e à escassez relativa de gás natural. Por exemplo, o carvão representou apenas 17% da geração de energia em escala industrial nos EUA em 2025, enquanto 41% provieram do gás natural. No entanto, a dependência da China em relação ao carvão é menor do que a da Índia — país também rico nesse recurso —, onde o carvão e o linhito responderam por 69% da geração de energia no ano passado.”
Fonte: Reuters; 30/07/2026
“O governo Trump está avaliando se prorroga o prazo de 1º de setembro que exige que as refinarias de petróleo demonstrem conformidade com as leis do país sobre a mistura de biocombustíveis — uma medida que poderia oferecer mais flexibilidade ao setor enquanto este enfrenta custos elevados de conformidade, segundo três pessoas a par do assunto. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) ainda não tomou uma decisão final sobre o cronograma e mantém publicamente o prazo de 1º de setembro para que as refinarias cumpram as cotas de 2025 estabelecidas pelo Padrão de Combustível Renovável (RFS). Essa norma exige que as refinarias misturem quantidades crescentes de biocombustíveis ao suprimento nacional de combustíveis ou adquiram créditos conhecidos como Números de Identificação de Renováveis (RINs) de empresas que realizam essa mistura. Uma prorrogação daria às refinarias mais tempo para cumprir suas obrigações e poderia oferecer uma margem de manobra adicional para lidar com os preços elevados dos RINs, que elevaram os custos de conformidade para algumas empresas. O mercado de RINs, que movimenta bilhões de dólares, é um componente fundamental do programa de biocombustíveis e uma importante fonte de incerteza para as refinarias. Um adiamento também poderia dar à EPA mais tempo para analisar dezenas de solicitações pendentes de refinarias menores que buscam isenções de suas obrigações — uma questão que colocou a Casa Branca no meio de um conflito entre refinarias e produtores de biocombustíveis. “O prazo de conformidade para as obrigações do RFS de 2025 é 1º de setembro de 2026. A EPA está trabalhando para emitir decisões sobre os pedidos pendentes de isenção para pequenas refinarias o mais rapidamente possível”, disse um porta-voz da EPA à Reuters ao ser questionado sobre a possível prorrogação.”
Fonte: Reuters; 29/07/2026
Incêndios matam três bombeiros na Grécia em meio a avanço das chamas pelo sul da Europa
“Três bombeiros gregos morreram nesta quarta-feira enquanto combatiam incêndios florestais sob ventos fortes na ilha de Creta e no continente, à medida que as chamas avançavam pelo sul da Europa após dias de incêndios devastadores na Espanha e na França. Dois bombeiros ficaram cercados pelo fogo em Creta, perto da vila de Krya Vrysi, quando trafegavam entre duas frentes de incêndio. Um terceiro morreu em outro incêndio na região do Peloponeso, informou um porta-voz do Corpo de Bombeiros à Reuters. Moradores e turistas foram retirados de Krya Vrysi e de outras vilas próximas, disseram moradores à Reuters por telefone, enquanto ventos fortes espalhavam as chamas de forma descontrolada nas proximidades de destinos turísticos. “O vento é inacreditável. Em alguns momentos, nem conseguimos ficar em pé. As chamas eram enormes, foi realmente assustador”, disse a moradora Chrissa Gioukaki. O fogo avançou para o sudeste, em direção à cidade litorânea de Agia Galini, onde hotéis ocupam uma colina acima de um pequeno porto. Turistas foram retirados em ônibus e carros na tarde desta quarta-feira, afirmou Charalampos Sevvas, proprietário do hotel Galini Mare. Mais cedo, o chefe do centro europeu de resposta a emergências alertou que Grécia e Itália deverão enfrentar risco ainda maior de incêndios florestais nas próximas semanas. A Europa, o continente que mais aquece no planeta, enfrenta neste ano ondas de calor recordes. As mudanças climáticas provocadas pela atividade humana intensificam o calor e a seca, criando condições para que os incêndios se espalhem com mais rapidez. Nos últimos dias, os incêndios provocaram evacuações em larga escala na Espanha e na França, devastando florestas e matando animais silvestres. O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, alertou para “três dias difíceis” pela frente, com ventos fortes e temperaturas elevadas, embora o grande incêndio entre as regiões de Ávila e Madri tenha sido estabilizado, permitindo às autoridades suspender parte das ordens de evacuação e de permanência em casa. Enquanto isso, autoridades alertaram para outro incêndio na província espanhola de Zamora, no noroeste do país. Seis cidades receberam ordem de evacuação, enquanto cerca de 1.000 pessoas foram orientadas a permanecer em casa.”
Fonte: Valor Econômico; 29/07/2026
Metade da Inglaterra declarada em situação de seca após ondas de calor
“Metade da Inglaterra, incluindo toda a cidade de Londres, foi atingida por uma “seca repentina” (flash drought) após ondas de calor sucessivas e a escassez de chuvas reduzirem os níveis de água, deixando milhões de pessoas sujeitas a proibições do uso de mangueiras. A Agência do Meio Ambiente (Environment Agency) informou na quarta-feira que grandes áreas do centro, leste e sul da Inglaterra estão agora em situação de seca, incluindo Hertfordshire, toda Londres, Devon, Cornwall e West Midlands. Esta é a terceira seca a atingir a Inglaterra em apenas cinco anos — após as de 2022 e 2025 — e ocorre menos de uma semana depois de a seca ter sido declarada em partes do País de Gales. “Uma segunda seca consecutiva no verão é uma situação extremamente grave, com impactos duradouros para o meio ambiente, a vida selvagem e a economia”, afirmou Helen Wakeham, diretora de recursos hídricos da Agência do Meio Ambiente e presidente do Grupo Nacional de Secas. A seca repentina — ou o início rápido de um período de seca — surgiu após intensas ondas de calor e pouca chuva, segundo a agência. Algumas áreas de Devon ficaram 50 dias sem registrar um “dia de chuva” (definido como um dia com precipitação de pelo menos 0,1 mm). O país registrou o mês de junho mais quente de sua história no mês passado, com temperaturas chegando a 38°C, além de uma das ondas de calor mais prolongadas já documentadas, ocorrida em julho. Uma quarta onda de calor está em curso em algumas partes do país. Sete empresas de abastecimento de água, incluindo a Thames Water, implementaram proibições temporárias ao uso de mangueiras. Essas medidas abrangem 23 milhões de clientes, o que representa cerca de 40% da população da Inglaterra. A agência informou que cerca de 78% dos rios ingleses apresentam níveis abaixo do normal ou inferiores. O órgão alertou para os impactos devastadores da seca na natureza, citando a impossibilidade de peixes migratórios, como o salmão-do-atlântico, subirem os rios devido à redução do fluxo de água. Foram realizadas 38 operações de resgate de peixes — incluindo nos rios Teme, Onny e Redlake —, nas quais centenas de espécimes foram transferidos de local. Wakeham ressaltou que “cada gota que conseguimos economizar é uma gota a mais para a natureza e a agricultura”. A seca tem forçado agricultores a antecipar a colheita de cereais, reduzido a produtividade de algumas culturas e aumentado a incidência de incêndios em áreas rurais.”
Fonte: Financial Times; 29/07/2026
“A Índia não consegue operar cerca de 7% de sua capacidade de energia solar em potência máxima durante os horários de pico de geração devido a limitações na infraestrutura de transmissão, informou o país na quarta-feira. Cerca de 12 gigawatts da capacidade de energia limpa atualmente instalada na Índia não conseguem fornecer potência total à rede, afirmou o ministro de Estado de Energia, Shripad Yesso Naik, em resposta por escrito ao parlamento do país. A capacidade de energia solar na Índia atingiu cerca de 162 GW, representando quase um terço da capacidade de geração de energia a partir de fontes não fósseis do país. As restrições na transmissão ocorrem principalmente durante os horários de pico de geração solar, quando o fluxo de energia pode exceder a capacidade das linhas de transmissão disponíveis. Cerca de 21 GW da capacidade de energia limpa da Índia estão injetando eletricidade na rede por meio de conexões temporárias enquanto a infraestrutura de transmissão dedicada é construída, disse Naik. As restrições decorrem de um descompasso entre a entrada em operação de projetos de energia limpa e os sistemas de transmissão destinados a escoar essa produção, acrescentou ele. A informação destaca um desafio importante para a Índia, que expande rapidamente sua capacidade de energia não fóssil, visando chegar a 500 GW — um aumento em relação aos atuais cerca de 296 GW. A Índia não conseguiu entregar 8.133 gigawatts-hora de energia solar à rede no período de abril a junho devido a gargalos na transmissão, em comparação com 6.900 GWh em todo o ano de 2025-2026, segundo o governo.”
Fonte: Reuters; 29/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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