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Caixa Econômica Federal capta US$ 230 milhões com a Agência Francesa de Desenvolvimento para projetos de água, saneamento e resíduos sólidos | Café com ESG, 23/07

Eleição na Vale e captação via green bonds da Caixa em destaque

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de quarta-feira fechou em alta, com o IBOV e o ISE avançando 2,44% e 1,95%, respectivamente.

• Do lado das empresas, (i) a assembleia geral extraordinária (AGE) da Vale elegeu nesta quarta-feira o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, como novo presidente do conselho de administração da companhia – além disso, Ieda Gomes foi eleita como membro do conselho; e (ii) a Caixa Econômica Federal captou US$ 230 milhões com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para financiar projetos de água potável, saneamento e gestão de resíduos sólidos no país – a operação mescla características de green bonds, em que os recursos são carimbados para projetos específicos, e de sustainability-linked bonds (SLB), que permitem o uso livre do dinheiro, mas vinculam o custo da dívida ao cumprimento de metas ambientais, sociais ou de governança.

• Na política, o acordo proposto pelo governo para encerrar disputas judiciais sobre os cortes de geração de energia renovável pode movimentar até R$ 3,3 bilhões em ressarcimentos às empresas, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira pela Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica) – o montante, porém, dependerá da adesão dos geradores elegíveis ao termo de compromisso regulamentado em portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na noite de terça-feira.

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Brasil

Energia limpa ganha impulso em regiões isoladas do Brasil

“Em Vila Restauração, comunidade às margens do rio Tejo, no Acre, a energia elétrica ficava disponível por apenas três horas por dia, tempo de funcionamento do gerador a diesel. Depois disso, a comunidade voltava a ficar no escuro. Alimentos deixavam de ser refrigerados, o posto de saúde enfrentava dificuldades para conservar vacinas e medicamentos e boa parte das atividades econômicas era interrompida. Hoje, uma usina que reúne painéis solares, baterias de íons de lítio e geradores movidos a biodiesel garante energia 24 horas por dia. A implantação do sistema exigiu investimento de R$ 20 milhões e uma operação logística complexa. Cerca de 200 toneladas de equipamentos seguiram por rodovias e rios amazônicos até chegar à comunidade, em uma viagem que incluiu mais de sete dias de navegação. “A principal lição é que levar energia de qualidade a áreas remotas exige soluções desenhadas para a realidade de cada território”, afirma Gabriel Mussi, diretor de grandes clientes da (re)Energisa, empresa do grupo Energisa para transição energética e responsável pelo projeto. Com energia durante todo o dia, o posto de saúde passou a armazenar vacinas e medicamentos com segurança, comerciantes instalaram geladeiras e freezers, a escola ganhou acesso permanente à internet e a cobertura de telefonia móvel viabilizou o uso de serviços bancários e meios eletrônicos de pagamento. “A gente sofreu muito aqui no escuro. A falta de energia estragou muito alimento que não tínhamos como conservar. Quando a gente viu a luz chegando, foi uma alegria para a comunidade inteira”, conta Maria Ivone Cunha, moradora de Vila Restauração. O projeto implantado na comunidade acreana integra uma estratégia que começa a avançar em regiões onde a expansão da rede elétrica continua difícil ou tem custo elevado. Em vez de depender exclusivamente da construção de novas linhas de transmissão, essas localidades passaram a receber sistemas que combinam diferentes tecnologias de geração e armazenamento para garantir o fornecimento de energia. A queda no preço dos painéis solares, a evolução das baterias e o desenvolvimento dos sistemas de controle ampliaram a adoção de sistemas híbridos em regiões onde a expansão da rede elétrica continua inviável. A combinação de geração solar, armazenamento e geradores convencionais vem reduzindo o consumo de combustíveis fósseis sem comprometer a segurança do abastecimento. Um exemplo é Caiambé, no Amazonas, onde entrou em operação uma usina híbrida que combina geração a diesel, energia solar e armazenamento em baterias. O sistema deverá reduzir em cerca de 130 mil litros por ano o consumo de diesel e evitar a emissão de aproximadamente 405 toneladas anuais de dióxido de carbono. A iniciativa faz parte do esforço para modernizar os chamados sistemas isolados, que ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis para garantir o abastecimento de comunidades sem ligação ao Sistema Interligado Nacional. A expectativa é que modelos semelhantes avancem nos próximos anos à medida que novas tecnologias se tornem mais acessíveis.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Ressarcimento a empresas por cortes de geração renovável pode chegar a R$ 3,3 bi, diz Abeeólica

“O acordo proposto pelo governo para encerrar disputas judiciais sobre os cortes de geração de energia renovável pode movimentar até R$ 3,3 bilhões em ressarcimentos às empresas, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (Abeeólica). O montante, porém, dependerá da adesão dos geradores elegíveis ao termo de compromisso regulamentado em portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na noite de terça-feira (21). Segundo a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, a ação judicial coletiva sobre o tema reúne cerca de 40 geradores de energia eólica e solar. O ressarcimento às empresas não terá impacto sobre a tarifa de energia, afirmou, uma vez que será feito por meio de um encontro de contas na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), utilizando um passivo estimado em cerca de R$ 6 bilhões referente a valores que as geradoras teriam de quitar no âmbito de seus contratos. O montante corresponde a débitos relacionados ao não cumprimento dos Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEAR) e dos Contratos de Energia de Reserva (CER), seja pela frustração de entrega de energia decorrente dos cortes de geração, seja por questões de desempenho das usinas. Os recursos, que pelas regras desses contratos seriam destinados aos consumidores de energia elétrica, tiveram sua contabilização suspensa nos últimos meses por decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), enquanto governo e agentes discutiam uma solução para o tratamento regulatório dos cortes de geração de energia. Com a regulamentação, os créditos decorrentes da compensação poderão ser utilizados no encontro de contas previsto na portaria, sem necessidade de aporte adicional de recursos nem impacto tarifário. A portaria regulamenta dispositivo da lei de novembro de 2025, que prevê compensações pelos cortes classificados como elétricos, como pela indisponibilidade externa, quando não há rede de transmissão para escoar, por exemplo. O texto também traz a minuta do termo de compromisso que deverá ser assinada pelas empresas interessadas. Em contrapartida, os agentes que aderirem terão de desistir de ações administrativas, arbitrais e judiciais relacionadas aos eventos abrangidos pelo acordo. Apesar de considerar a publicação da portaria um avanço por conferir maior segurança regulatória ao setor, Gannoum afirmou que o documento não contemplou todos os pleitos apresentados pelas associações, o que impede prever qual será a adesão das empresas. Segundo ela, cada gerador fará uma avaliação individual dos riscos antes de decidir se abre mão da ação judicial coletiva. “O termo de compromisso atende grande parte dos nossos pleitos, mas não todos. Eu não posso garantir que haverá adesão de 100%, nem de 50%. É muito cedo para dizer isso. Se o termo de compromisso tivesse saído nos moldes do que a gente propôs, eu diria que a adesão seria de 100%. Hoje, não sei dizer o grau de adesão. Vamos trabalhar em conjunto para que haja a maior adesão possível, para tirar esse problema do caminho”, disse, em entrevista a jornalistas.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Trafigura compra contrato de R$ 750 milhões e comercializará energia da chinesa CGN no Brasil

“A Trafigura comprou um contrato de R$ 750 milhões de energia elétrica gerada pela chinesa CGN no Brasil e vai comercializá-la para clientes do mercado livre de energia, anunciou a trading global de commodities nesta quarta-feira (22). A transação, que envolve a aquisição de contrato de longo prazo anteriormente detido pelo grupo Bolt, marca a primeira operação da Trafigura no mercado de comercialização de energia brasileiro, no qual a empresa anunciou sua entrada no mês passado. “Decidimos ingressar nesse mercado porque identificamos uma oportunidade concreta de gerar valor para nossas contrapartes, atuando como intermediários, gestores de risco e parceiros comerciais de longo prazo”, disse Marc Erb, líder de comercialização de energia e gás da Trafigura no Brasil, em comunicado. Já Ricardo Daelli, diretor comercial da CGN Brasil Energia, afirmou que a transação está alinhada à estratégia da companhia de “desenvolver relações comerciais sólidas com empresas que, assim como nós, possuem uma posição de destaque no cenário global”.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

BNDES aprova R$ 96,2 milhões para nova planta de biodiesel no Paraná

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 96,2 milhões para o Grupo Potencial construir uma nova planta de biodiesel em Lapa (PR). O custo total do projeto é de R$ 230 milhões. O financiamento do banco será dividido em duas frentes: R$ 76,9 milhões do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES. Já os R$ 19,2 milhões restantes serão disponibilizados pelo Finem, linha de crédito do banco que apoia produção de alimentos e biocombustíveis. A nova fábrica terá capacidade de produzir diariamente 1,2 mil toneladas de biodiesel, equivalente a cerca de 1,35 milhão de litros por dia; 120 toneladas de glicerina bruta, um subproduto utilizado na indústria farmacêutica e na de cosméticos, e 110 toneladas de óleo sintético, produto derivado do processo industrial que é recuperado e transformado em mais combustível. A planta será integrada ao complexo industrial que o Grupo Potencial tem na mesma cidade, onde opera duas outras unidades de produção de biodiesel, duas de refino de glicerina e uma de glicerólise. Segundo o BNDES, com essa expansão o grupo passará a ter capacidade total de 3,3 mil toneladas de biodiesel por dia (aproximadamente 3,75 milhões de litros), tornando-se um dos maiores complexos produtivos do mundo.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

O caminho para um setor elétrico mais competitivo e sustentável

“O Brasil possui uma matriz elétrica formada principalmente por fontes renováveis. Nos últimos anos, cerca de 90% da eletricidade gerada no país teve origem em fontes limpas, percentual significativamente superior à média mundial. Além de contribuir para uma matriz elétrica sustentável, as renováveis também se destacam pela competitividade de seus custos. Essa combinação deveria dar um duplo benefício ao país: energia limpa e tarifas mais acessíveis. Mas, na prática esse potencial ainda não se traduz integralmente em contas de luz mais baixas, sobretudo para famílias de menor renda, que destinam parcela proporcionalmente maior de seu orçamento ao pagamento da fatura de energia. Parte dessa realidade decorre de distorções existentes na estrutura tarifária, algumas delas associadas a subsídios que já perderam sua razão original. Apenas em 2025, os subsídios incluídos nas contas de luz alcançaram R$ 58,4 bilhões, o equivalente a 18,3% da tarifa paga pelos consumidores residenciais brasileiros, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica. Estudos recentes liderados pela PSR, como o relatório da Coalizão do Setor Elétrico, elaborado a partir da articulação do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), buscam discutir esse assunto, fazendo diagnósticos e propondo caminhos para solucioná-lo. Com o objetivo de contribuir para o debate da COP30, no ano passado, o trabalho evidencia como o setor elétrico pode fortalecer a competitividade da economia brasileira ao mesmo tempo em que acelera a transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. A concretização desse potencial passa por diferentes frentes de atuação. Entre elas, destaca-se a modernização das redes elétricas, que constituem a infraestrutura responsável por conectar toda a cadeia de valor do setor de energia brasileiro. Os sistemas de transmissão e distribuição, por exemplo, permitem aproveitar os benefícios da complementariedade entre fontes hidrelétricas, eólicas e solares, característica que torna a matriz brasileira mais eficiente, confiável e competitiva. Na área de distribuição, um dos principais desafios é ampliar a adoção de sistemas de medição inteligente. Essa tecnologia permitirá incorporar sinais de preço mais adequado, incentivando o consumo eficiente de energia e viabilizando a modernização tarifária. Outro aspecto relevante é preparar a infraestrutura para os impactos das mudanças climáticas. Secas mais intensas reduzem a disponibilidade hídrica para geração de eletricidade, enquanto eventos climáticos extremos aumentam os riscos para as redes de transmissão e distribuição. Por isso, incorporar previsões climáticas ao planejamento da operação e aperfeiçoar o marco regulatório são medidas fundamentais para aumentar a resiliência do sistema. O Brasil reúne uma combinação única de condições para fazer de sua matriz elétrica renovável uma vantagem competitiva. Consolidar esse diferencial será decisivo para o futuro do setor elétrico e o desenvolvimento sustentável do país.”

Fonte: Exame; 22/07/2026

Assembleia da Vale elege novo ‘chairman’

“A assembleia geral extraordinária (AGE) da Vale nesta quarta-feira (22) elegeu o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, como novo presidente do conselho de administração da companhia. “Ollie” recebeu 1,97 bilhão de votos favoráveis e 105 milhões de votos pela rejeição de seu nome, enquanto houve ainda 1,42 bilhão de abstenções. O adversário de “Ollie” pela vaga de “chairman” da Vale, o atual vice-presidente do conselho de administração, Marcelo Gasparino, recebeu 1,06 bilhão de votos a favor da eleição. Gasparino teve ainda 1,18 bilhão de votos contrários e 1,25 bilhão em abstenções. No caso da eleição de um novo integrante do colegiado, a candidata Ieda Gomes foi eleita, com 2,4 bilhões de votos. A executiva teve ainda 304,2 milhões de votos contrários e houve também 804,1 milhões de abstenções. O concorrente de Ieda, o ex-presidente da Previ José Maurício Coelho registrou 628,5 milhões de votos favoráveis, 152,3 milhões de votos contrários e as abstenções somaram 2,7 bilhões. Na ata da AGE, publicada no início da tarde, a Vale confirmou os dados antecipados pelo Valor. A companhia informou ainda que a assembleia teve participação de 82,4% do capital social da companhia.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Petrobras recebe parcela de R$ 1,7 bi do programa de subvenção do diesel

“A Petrobras recebeu o pagamento de nova parcela do programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel, no valor de R$ 1,7 bilhão, correspondente ao período de 16 a 31 de maio de 2026. O total acumulado recebido pela Petrobras até o momento soma cerca de R$ 6,4 bilhões. Em março, o conselho de administração da estatal aprovou adesão à subvenção econômica para comercialização de óleo diesel de uso rodoviário no território nacional, instituída por medida provisória (MP).”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Caixa capta R$ 1 bi para saneamento atrelado a meta sustentável

“A Caixa Econômica Federal captou US$ 230 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para financiar projetos de água potável, saneamento e gestão de resíduos sólidos no Brasil. A operação tem seu custo atrelado a metas de sustentabilidade e uma parte dos recursos tem destinação obrigatória: ao menos 40% deve ser destinado a projetos de saneamento nas regiões Norte e Nordeste, onde o déficit de acesso à água e esgoto é maior. “O acesso à água potável e ao saneamento não é só uma questão de saúde. Tem impactos indiretos na educação, nos serviços e na competitividade econômica”, diz Léo Gaborit, diretor adjunto da AFD. Cerca de 34 milhões de brasileiros não têm acesso a sistemas de abastecimento de água e mais de 90 milhões vivem sem coleta de esgoto. O déficit se concentra nas regiões priorizadas pelo financiamento: no Norte, apenas 16% da população tem coleta de esgoto e no Nordeste, a coleta alcança 31% dos habitantes, segundo dados do Ministério das Cidades compilados pelo Instituto Trata Brasil. O ministério estima uma lacuna de financiamento de R$ 431 bilhões para o país cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento: 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Procurada, a Caixa informou ao Reset que não concederia entrevista sobre o financiamento devido a restrições relacionadas ao período eleitoral. A operação da Caixa foi desenhada em um formato híbrido, para que fizesse sentido para o banco brasileiro, que dispõe de funding garantido para financiar infraestrutura, caso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em uma linha de crédito tradicional, modelo mais comum nos financiamentos da AFD a bancos públicos, os recursos são liberados em parcelas, conforme os projetos avançam em diferentes setores. Na operação com a Caixa, o valor total foi desembolsado de uma vez. A operação mescla características de green bonds, em que os recursos são carimbados para projetos específicos, e de sustainability-linked bonds (SLB), que permitem o uso livre do dinheiro, mas vinculam o custo da dívida ao cumprimento de metas ambientais, sociais ou de governança pré-definidas.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Ressarcimento a geradores renováveis é avanço, mas falta clareza em regras, diz Absolar

“A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) afirmou que a portaria publicada na noite de terça-feira (21), trazendo os ritos para ressarcimento a parte dos cortes de geração renovável ocorridos entre 2023 e 2025, é um “avanço importante”, mas pode não ser suficiente para encerrar completamente a judicialização em torno do tema. “Trata-se de um passo importante para avançarmos na discussão dos ressarcimentos, trazendo algum fôlego financeiro e maior previsibilidade para os geradores impactados. Agora, a Absolar e os agentes avaliarão cuidadosamente seus efeitos para tomar suas decisões sobre a assinatura do termo de compromisso, da forma como proposto pelo MME”, afirmou o presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia. A entidade pondera, no entanto, que como a manifestação de interesse não possui caráter vinculante para a renúncia imediata das ações judiciais, a adesão e eventual renúncia, de fato, só serão avaliadas após o conhecimento pleno das regras aplicáveis, da operacionalização do mecanismo de ressarcimento e da confirmação dos direitos dos geradores. A associação destaca ainda que a medida atende apenas parte dos cortes realizados de 1º de setembro de 2023 a 25 de novembro de 2025, conforme prevê a Lei nº 15.269, de 2025, de modernização do setor elétrico. “Apesar dos avanços, a Absolar avalia que a regulamentação ainda deixa questões relevantes em aberto. Embora haja previsão de ressarcimento para os cortes por confiabilidade elétrica ocorridos no passado, os eventos classificados como sobreoferta de energia não foram contemplados na portaria. […] Além disso, o ministério não apresentou critérios suficientemente claros para a classificação das diferentes modalidades de cortes operativos, ponto que precisará ser amadurecido nos próximos passos do trabalho infralegal”, continuou Sauaia. A associação afirmou ainda que seguirá dialogando tanto com o Ministério de Minas e Energia (MME), que editou a portaria, como junto aos demais órgãos relacionados ao assunto como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Brasil tem a chance de corrigir uma injustiça da UNFCCC com suas empresas

“À medida que o Brasil avança na implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), surge um desafio comum a praticamente todos os mercados regulados de carbono em sua fase inicial: como conciliar integridade ambiental e eficiência econômica durante os seus primeiros anos de operação? Uma alternativa que merece atenção é a utilização limitada de determinados créditos de carbono gerados no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Quioto, conhecidos como CERs (Certified Emission Reductions), emitidos por inúmeros projetos brasileiros. Mas a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) deixou uma lacuna regulatória na transição entre o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris. Os créditos de projetos registrados no MDL antes de 2013 e associados a reduções de emissões ocorridas antes de 2021, embora tenham sido gerados sob regras internacionalmente reconhecidas e submetidos a rigorosos processos de validação e verificação, foram surpreendentemente excluídos da possibilidade de transição para uso sob as regras do novo mercado internacional de crédito do Artigo 6 – veja o documento da decisão aqui. Na prática, esses créditos perderam acesso à comercialização via Artigo 6 e, pior ainda, decisões recentes adotadas no âmbito da UNFCCC preveem o encerramento definitivo da emissão de novos CERs em 2026 e o fechamento do atual sistema de registros de créditos do MDL até o fim de 2027. Ou seja, os desenvolvedores brasileiros que incorreram no custo de emissão desses CERs, com aval do governo brasileiro, verão esses ativos ficarem “órfãos” por uma decisão do regulador e caírem na vala comum dos créditos de carbono sem integridade e, portanto, sem valor. Nesse contexto, vale discutir a possibilidade de admitir, de forma temporária e controlada, parte desses créditos como instrumentos de compensação dentro do SBCE. Os defensores dessa proposta apresentam três argumentos principais. O primeiro é a integridade ambiental. Diferentemente de parte dos créditos negociados nos mercados voluntários, frequentemente alvo de questionamentos, os CERs foram gerados sob um arcabouço multilateral robusto, baseado em metodologias padronizadas, auditorias independentes e exigências de adicionalidade. Embora a qualidade dos projetos não seja uniforme, o sistema que lhes deu origem permanece entre os mais rigorosos já desenvolvidos para contabilização de reduções de emissões, desenhado e avalizado pela própria UNFCCC. O segundo argumento diz respeito à segurança regulatória. Diversos empreendedores brasileiros investiram em projetos de energia renovável, eficiência energética, captura de metano e alguns outros apoiados por regras internacionais que contavam com o respaldo do governo brasileiro.”

Fonte: Capital Reset; 22/07/2026

RS enfrenta novo teste de resiliência climática: Rio Taquari volta a bater cota de inundação

“Mais de dois anos após a pior tragédia climática da sua história, o Rio Grande do Sul está mais preparado porque tem tecnologia e está munido de dados para tomar decisões mais assertivas e criar políticas públicas orientadas pela ciência. A análise é de Venicios Santos, diretor de negócios da Codex, empresa gaúcha de tecnologia que presta serviços de governança e inteligência climática para o governo do Estado. “Hoje estamos muito mais preparados para monitorar, prever e responder, mas isso não significa que uma chuva extrema não vá causar danos”, afirmou o executivo, em entrevista à EXAME. Os avanços e esforços começaram a ser testados mais uma vez. Nesta quarta-feira, 22, o Rio Taquari ultrapassou a cota de inundação e Defesa Civil do RS emitiu alerta máximo para municípios como Encantado, Lajeado, Estrela, Muçum, Santa Tereza, Roca Sales, Cruzeiro do Sul, Taquari, Harmonia, Montenegro e Arroio do Meio. Em apenas uma hora, o nível avançou 85 centímetros. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) projeta que o rio ainda possa atingir cerca de 24 metros entre Estrela e Lajeado nas próximas horas. Em Encantado, o aviso classificou o risco de inundação como muito alto, com possibilidade da água atingir 15 metros e bem acima da cota de inundação local, de 12 metros. A origem da cheia está nas nascentes dos rios Guaporé, Carreiro e da Prata, entre Marau e Nova Prata. Em menos de 12 horas, os acumulados de chuva ultrapassaram 170 milímetros em alguns municípios: foram 174 mm em Paraí, 157 mm em Marau e 154 mm em Passo Fundo. Toda essa água deságua no Taquari, fazendo o rio subir rapidamente ao longo da bacia. Desde sexta-feira, 17, ao menos 73 municípios gaúchos registraram ocorrências relacionadas aos temporais e cidades foram afetadas por destelhamentos, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia, bloqueios de rodovias e danos em escolas e prédios públicos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também manteve alerta vermelho para acumulados superiores a 100 milímetros por dia em uma faixa que vai da Fronteira Oeste até a Região Metropolitana de Porto Alegre. Na capital gaúcha, o Guaíba não escapou do radar das autoridades. A previsão indica elevação do nível entre as próximas 24 e 72 horas, aproximando-se da cota de alerta nas estações do Cais Mauá e do Gasômetro, embora, até o momento, não haja previsão de atingir a inundação.”

Fonte: Exame; 22/07/2026

Governo inclui minerais críticos e fertilizantes no programa de R$ 18,5 bi em resposta ao tarifaço de Trump

“O presidente Lula (PT) editou, nesta quarta (22/7), medida provisória liberando R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas pela tarifa de 25% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtores brasileiros. Chamado Brasil Soberano 3, o programa incluiu ainda os setores de minerais críticos e estratégicos e fertilizantes além dos exportadores impactados pela guerra dos EUA no Irã. Serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A MP editada nesta tarde também prevê um comitê que definirá as cotas de acesso aos recursos que serão administrados pelo BNDES. São seis linhas de crédito que poderão ser utilizadas para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados. O governo dividiu os setores em três grupos. O primeiro, trata de empresas afetadas pelas tarifas comerciais com base nas seções 232 e 301 da legislação norte-americana: aço, alumínio, automóveis e móveis, além de madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, cerâmicas, plásticos, calçados, papel e açúcar. No segundo grupo estão os fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, entre outros setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país. Já o grupo 3 atenderá empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã. Os grupos 1 e 3 terão acesso a todas as seis linhas de financiamento, cujos custos financeiros variam de 3% a 9,8%. O grupo 2 poderá usar apenas às linhas de investimento (6,5%) e bens de capital (8%). Vale dizer que há uma linha específica para minerais críticos, com o menor custo (3%) voltada à transformação mineral. De acordo com o governo federal, a medida provisória será encaminhada ao Congresso Nacional ainda nesta quarta-feira.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

MPF pede suspensão do E32 até que estudos sejam concluídos

“O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para suspender o aumento da mistura de etanol na gasolina, de 30% para 32%, conforme aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na reunião da semana passada. A ação partiu da Procuradoria da República no município de Uberlândia, em Minas Gerais. O argumento é que não foram realizados estudos técnicos específicos para fundamentar o aumento da mistura para 32%. O que houve foi a utilização do mesmo estudo que embasou o aumento para 30%, cujos ensaios adota uma margem de tolerância de 2%. “Os estudos utilizados para embasar a implementação da gasolina E30 tinham por finalidade avaliar o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, considerando a margem de tolerância da especificação daquele combustível, não se destinando a validar, de forma específica, a adoção permanente da mistura E32 como novo padrão obrigatório nacional”, diz o autor da ação, o procurador da República Cleber Eustáquio Neves. Além da suspensão do aumento da mistura, o órgão pede a realização de perícia técnica independente sobre os impactos da medida aos motores e ao ecossistema, e que a União seja obrigada a adotar um protocolo rígido para futuras alterações nos combustíveis, incluindo a realização de testes de longa duração e a divulgação transparente de todos os dados científicos. Segundo o procurador, a especificação da gasolina E32 admite combustíveis contendo até 34% de etanol, “hipótese que igualmente não se demonstra ter sido objeto de validação técnica específica”. Destaca, ainda, que não há consenso sobre a compatibilidade universal do E32 com toda a frota automotiva em circulação no país. Cita o posicionamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que condicionou a implementação da nova mistura à realização de testes complementares suficientemente abrangentes. Outras entidades do setor de combustíveis e transportes se opuseram ao aumento. Brasilcom, a Fecombustíveis, o SindTRR e a Abicom divulgaram uma carta criticando o E32, sob o argumento de potenciais impactos sobre desempenho, durabilidade das peças e custo de manutenção para a frota de veículos leves, embarcações de pequeno porte e motocicletas exclusivamente a gasolina. “A existência dessa controvérsia técnica impede que a Administração Pública adote postura baseada exclusivamente em presunção abstrata de segurança”, sustenta o MPF. O aumento temporário da mistura de etanol anidro na gasolina foi aprovado pelo CNPE com um prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. A medida começa a valer a partir de 1º de agosto, e foi justificada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em razão da volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

ANP cria comissão que vai investigar acesso à infraestrutura de gás em negociação entre Petrobras e PPSA

“A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) criou, nesta quarta-feira (22/7), a comissão especial para apurar controvérsias e eventuais condutas anticoncorrenciais na negociação de acesso da Pré-Sal Petróleo (PPSA) aos gasodutos de escoamento e às unidades de processamento (UPGNs) do pré-sal, operados pela Petrobras. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A comissão será composta por integrantes das Superintendências de Defesa da Concorrência (SDC); Infraestrutura e Movimentação (SIM); Desenvolvimento e Produção (SDP); e Produção de Combustíveis (SPC). O colegiado durará 270 dias, podendo ser prorrogado por mais 90 dias. O impasse trava o leilão de gás da União, previsto no programa Gás para Empregar. No centro da disputa estão as tarifas e as penalidades dos contratos de acesso ao sistema integrado de escoamento (SIE) e de processamento (SIP) — em especial a cláusula de send-or-pay, pela qual a União paga por toda a capacidade contratada, usando-a ou não. A PPSA classifica a manutenção dessas condições como uma contratação “antieconômica para a União”. A diretoria colegiada da ANP decidiu pela criação da comissão após cerca de quatro anos de negociação das companhias. A Petrobras e a PPSA chegaram a enviar uma carta conjunta afirmando terem chegado a “termos e condições comerciais” para o acordo às vésperas da sessão, mas o Ministério de Minas e Energia (MME) considerou que a proposta piora os parâmetros negociados em prejuízo da União e dos consumidores — sobretudo no preço do gás.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

CMSE antecipa início de suprimento de termelétricas para reforçar sistema elétrico contra El Niño

“O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou, nesta quarta-feira (22/7), a antecipação do início do suprimento de cinco contratos do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Energia (LRCE 2022) e do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026). A decisão garantirá 1,8 GW adicionais ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de setembro. Será adiantado o início de suprimento das seguintes térmicas: Termomacaé (RJ), com potência de 817,7 MW; Manaus I (AM), com 148,7 MW; Termoceará Diesel (CE), com 174,7 MW; Três Lagoas (MS), com 234,5 MW; Araucária (PR), com 451,5 MW. O objetivo da medida é reforçar o sistema elétrico contra possíveis impactos do El Niño no segundo semestre de 2026 e de incertezas geopolíticas que afetam o preço dos combustíveis, como é o caso da guerra entre Estados Unidos e Irã, que elevou o preço do petróleo. A decisão segue recomendação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que emitiu em julho parecer apontando risco de “elevada probabilidade” do El Niño. O fenômeno aumenta a carga do sistema elétrico devido à elevação das temperaturas e do consequente crescimento do consumo de energia. As medidas aprovadas pelo CMSE incluem, ainda, a implementação da representação da expansão da capacidade instalada de geração de energia elétrica de usinas do mercado livre que estão em obra ou cuja obra ainda não foi iniciada, a partir de janeiro de 2027.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

Internacional

AMD investirá até US$ 5 bi na Anthropic, que comprará até 2 gigawatts de chips de IA da fabricante

“A Advanced Micro Devices (AMD) informou nesta quarta-feira que investirá até US$ 5 bilhões na Anthropic, e que a startup de inteligência artificial comprará até 2 gigawatts (GW) dos chips de IA de última geração da empresa, com início das aquisições no primeiro semestre de 2027. A AMD busca ampliar sua presença no mercado de chips para inteligência artificial, que cresce rapidamente, à medida que desenvolvedores procuram diversificar seus fornecedores para além da Nvidia. Ao mesmo tempo, a Anthropic tem acelerado os esforços para garantir capacidade computacional suficiente para atender à crescente demanda por seus serviços de IA. O Wall Street Journal informou anteriormente que a Anthropic utilizará parte desses chips em seus próprios centros de dados e contratará capacidade adicional por meio de provedores de computação em nuvem e operadores de “neocloud”. A reportagem acrescentou que a AMD está em negociações para oferecer uma garantia financeira aos futuros contratos de locação de centros de dados da Anthropic. A presidente-executiva da AMD, Lisa Su, afirmou que as equipes de engenharia das duas empresas trabalham em conjunto há algum tempo e que implantações de computação de IA em larga escala exigem planejamento de longo prazo. Segundo a AMD, o investimento estará condicionado ao cumprimento de determinados marcos de implantação.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

IA e veículos elétricos alavancaram comércio global no início de 2026, aponta UNCTAD

“A alta demanda por produtos relacionados à inteligência artificial e veículos elétricos é um importante motor do crescimento do comércio global em 2026, aponta novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgado nesta quarta-feira (22/7). De acordo com o documento, no primeiro trimestre de 2026, houve aumento de 15% no comércio de baterias, 38% de minerais críticos para a transição energética, 14% de produtos de tecnologia da informação e comunicação, 25% de semicondutores e 11% de veículos elétricos. De modo geral, o comércio de produtos do setor de energia cresceu 9%. Enquanto o óleo bruto cresceu 9%, produtos relacionados à energia solar e eólica registraram queda de, respectivamente, 7% e 8%. Estima-se que o comércio global de bens tenha atingido aproximadamente US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2025. O comércio de serviços cresceu 10,5%. Juntos, bens e serviços adicionaram cerca de US$ 2 trilhões ao comércio global, colocando-o a caminho de um valor anual recorde. “O comércio global vem sendo cada vez mais moldado pela evolução das políticas comerciais e por desdobramentos geopolíticos. Nos Estados Unidos, as negociações comerciais em curso provavelmente manterão elevada a incerteza política, prevendo-se uma antecipação de fluxos comerciais antes de possíveis mudanças nas políticas”, diz o documento. Entre os fatores que o relatório considerou negativos para o comércio a curto prazo estão as tensões geopolíticas do Oriente Médio, com a guerra entre Irã e EUA, que impacta rotas de transporte marítimo e cadeias de suprimento. Além disso, restrições geoeconômicas fortalecem indústrias nacionais e podem reduzir importações. Outro fator é o elevado endividamento público, que limita a capacidade dos governos de apoiar a demanda interna e os investimentos. Já os fatores positivos incluem o crescimento dos produtos relacionados à IA e indústrias verdes, assim como o fortalecimento da resiliência de cadeias de suprimento de empresas, o que tem levado à diversificação de fornecedores e à ampliação de estoques.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

Do Vale do Silício aos data centers: a convergência de Elétrons, Moléculas e Bytes

“Em um pequeno garage em Palo Alto, Califórnia, há quase noventa anos, dois jovens engenheiros — William Hewlett e David Packard — transformaram uma ideia em empresa, com o incentivo de seu professor em Stanford, Frederick Terman. Aquela garagem de 1939 ficou conhecida como o berço do Vale do Silício. Ao lado, Berkeley também formava talentos e gerava pesquisa de fronteira. Não foram data centers que criaram o polo tecnológico. Foram primeiro os centros de conhecimento de excelência, que atraíram mentes brilhantes, financiamento de defesa e uma cultura que misturava academia e empreendedorismo. Só depois vieram as empresas — Fairchild Semiconductor em 1957, Intel em 1968 e tantas outras — que construíram o ecossistema. Os data centers modernos, como os conhecemos hoje, surgiram muito mais tarde: primeiro com a internet nos anos 1990, depois com a nuvem e, agora, com a explosão da inteligência artificial. A infraestrutura digital pesada foi consequência, não causa. Essa é a ordem natural de uma transformação profunda: conhecimento e talento primeiro, empresas inovadoras depois, e só então a infraestrutura de suporte em escala — incluindo a energética. Hoje vivemos um momento paralelo, porém em velocidade e escala muito maiores. A convergência entre elétrons (eletricidade), moléculas (gás natural e biometano) e bytes (dados, computação em nuvem e inteligência artificial) abre oportunidades extraordinárias. Os data centers são o “cérebro físico” dessa nova economia e consomem quantidades crescentes de energia. A demanda energética global de data centers deve quase dobrar até 2030, segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) e da Scientific American. Essa explosão de consumo torna ainda mais urgente a necessidade de fontes firmes e confiáveis de energia. Durante o evento “Imagine the Next 50” da EDP em Lisboa, tive o privilégio de ouvir pessoalmente o visionário Mo Gawdat afirmar que uma economia movida a dados não pode depender das redes de ontem. À medida que os requisitos energéticos disparam de forma exponencial, o sucesso do ecossistema tecnológico estará intrinsecamente ligado à escala e à implantação de energia renovável — e, fundamentalmente, à capacidade de torná-la confiável e contínua.”

Fonte: Eixos; 22/07/2026

Onda de calor na Europa reduziu em € 2 bilhões o valor da safra de grãos, estima análise

“A onda de calor de junho na Europa reduziu em mais de € 2 bilhões o valor da safra de grãos do continente, segundo uma nova análise, sendo a França e a Hungria os países mais afetados pelos prejuízos. Quase 9 milhões de toneladas foram retiradas das previsões de produção de grãos na UE e no Reino Unido nas quatro semanas seguintes à onda de calor, de acordo com a Coceral, a associação europeia de comerciantes de grãos. Uma análise da Energy and Climate Intelligence Unit estimou o valor da produção perdida em cerca de € 2,1 bilhões — com base nos preços nacionais pagos ao produtor para trigo, cevada, milho e outros grãos —, o que representa cerca de 5% do valor estimado da produção para 2025. O calor atingiu o trigo durante o período crítico de enchimento dos grãos nas regiões central e sul da França, no sul da Alemanha, na Áustria, na Polônia e na Hungria, informou a Coceral. A cevada de primavera foi mais prejudicada do que a cevada de inverno, que já havia se desenvolvido em grande parte antes da elevação das temperaturas. O mês de junho mais quente já registrado na Europa Ocidental apresentou temperaturas 3°C acima da média do período de 1991 a 2020; na França, os termômetros ultrapassaram os 43°C, e na Hungria o pico superou os 40°C. Benoît Merlo, que cultiva cereais e cria gado de corte em uma fazenda orgânica de 300 hectares em Ain, no leste da França, disse que vem tentando há uma década proteger sua propriedade de condições mais quentes e secas. “Há 10 anos trabalho para tornar minha fazenda mais resiliente, utilizando culturas de cobertura, rotação de culturas e espécies adaptadas a condições de maior calor e menor umidade”, afirmou. “Mas, com temperaturas acima de 38°C por semanas a fio, tudo está entrando em colapso. Espero perdas de produtividade de pelo menos 50%, ou até 70%, em certas culturas, como a soja. Não estamos mais caminhando para um colapso — já estamos nele.” Cerca de metade da redução na previsão de grãos da Europa deveu-se ao milho — utilizado principalmente para ração animal —, cuja fase de polinização na França e na Hungria coincidiu com o calor intenso. A Coceral revisou para baixo sua previsão para a safra de milho da UE e do Reino Unido, passando de 57,2 milhões de toneladas para 52,7 milhões de toneladas. A UE é importadora líquida dessa cultura em anos de safra ruim, o que significa que o déficit pode aumentar a demanda por remessas de fornecedores como a Ucrânia e o Brasil. A safra francesa reduzida também pode diminuir a quantidade de trigo disponível para exportação a compradores no norte e no oeste da África, ao mesmo tempo em que custos mais elevados de ração provavelmente serão repassados ​​aos pecuaristas nos próximos meses. A França foi responsável por quase metade das perdas na safra de grãos. Sua previsão foi reduzida em 4,1 milhões de toneladas, um montante avaliado em cerca de € 891 milhões a preços atuais.A maior parte dessa redução veio do milho, cuja previsão caiu 3,35 milhões de toneladas, para 9,4 milhões de toneladas — um volume inferior até mesmo à produção obtida durante a seca severa de 2022. A Hungria sofreu o segundo maior impacto, com sua previsão de grãos reduzida em 2,4 milhões de toneladas, avaliadas em cerca de € 444 milhões. A Espanha perdeu mais 1,4 milhão de toneladas, no valor de € 276 milhões, enquanto a previsão da Alemanha foi reduzida em volume semelhante, equivalente a € 233 milhões em produção.”

Fonte: Financial Times; 23/07/2026

Data Centers da OpenAI na Austrália abandona plano de reciclagem de água, testando iniciativa para reduzir o consumo de recursos

“Os desenvolvedores de um enorme data center que a OpenAI pretende construir na Austrália abandonaram os planos de resfriá-lo com água de reuso, optando por um método que consome mais energia e prejudica os esforços do governo para conter o alto consumo de recursos desse setor em rápida expansão. A instalação S7, com capacidade de 612 megawatts — que seria uma das maiores do mundo —, pretendia utilizar o esgoto tratado de Sydney para resfriar os servidores, evitando o uso de água potável ou uma demanda excessiva da rede elétrica, conforme indicavam documentos de planejamento apresentados em abril. No entanto, a empresa desistiu das negociações com as concessionárias de serviços públicos devido à falta de autorização para construir a tubulação necessária para transportar a água de reuso, informou à Reuters a NEXTDC (NXT.AX), parceira australiana da criadora do ChatGPT. “A água de reuso… tem méritos reais e pode contribuir para um PUE mais baixo e uma melhor sustentabilidade geral; a NEXTDC a considera sempre que essa infraestrutura existe”, afirmou o CEO Craig Scroggie em um e-mail. O PUE (sigla em inglês para Power Usage Effectiveness, ou Eficácia do Uso de Energia) é uma métrica muito acompanhada que mede a energia utilizada para resfriamento e outras operações auxiliares, além do processamento computacional. “Fontes potenciais foram analisadas no início do planejamento. No oeste de Sydney, a infraestrutura necessária… ainda não está implantada”, acrescentou Scroggie. A decisão, noticiada pela primeira vez, evidencia um desafio para autoridades de todo o mundo que disputam uma fatia da onda de construções voltadas para a IA — um mercado que, segundo economistas, ultrapassará US$ 1 trilhão na Ásia até 2030: a resistência da comunidade pressiona os governos a estabelecerem regras de sustentabilidade que a infraestrutura existente não consegue atender facilmente. O resfriamento é uma parte importante do planejamento, e os desenvolvedores de data centers geralmente escolhem entre sistemas de nebulização de água ou ventiladores movidos a eletricidade. A pressão para limitar o uso de água em data centers é particularmente forte na Austrália, o continente habitado mais seco, onde os moradores às vezes enfrentam restrições de água durante períodos de seca. A NEXTDC afirma que não planeja utilizar água potável no projeto S7. Enquanto isso, a operadora da rede elétrica de Sydney informa que atingiu sua capacidade máxima devido às solicitações de conexão de data centers. Quanto ao centro que a OpenAI pretende ajudar a planejar, construir, operar e utilizar para processamento computacional, a NEXTDC informou que fará circular líquido refrigerante ao redor dos chips para extrair o calor — que antes era dissipado por ventoinhas —, um processo que, segundo especialistas, não consome água, mas exige mais energia. “Se analisarmos a situação atual tal como ela se apresenta, o processo consumirá mais energia; portanto, a NEXTDC terá de lidar com essas preocupações”, afirmou Sarvaesh Mohan, analista da consultoria de data centers DCByte. A incapacidade dos desenvolvedores de fornecer água de reuso ilustrou “a lacuna crescente entre o atual boom de infraestrutura de IA e os ciclos de implementação mais lentos das concessionárias locais”, acrescentou ele. A NEXTDC não quis comentar se o novo método de resfriamento consumiria mais energia, enquanto um porta-voz da OpenAI encaminhou à NEXTDC as perguntas sobre o projeto de resfriamento e a infraestrutura do empreendimento.”

Fonte: Reutes; 22/07/2026

Desmatamento não justifica taxa, diz embaixador

“O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela política comercial americana, usou o desmatamento no Brasil como um dos argumentos da investigação conduzida com base na Seção 301. A investigação deu origem à tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22). Para o governo americano, a fiscalização insuficiente das leis ambientais reduziria os custos de produção e configuraria uma prática desleal de comércio. “O argumento ambiental é inconsistente. Não vejo como sustentar que o desmatamento brasileiro configure uma prática comercial desleal que justifique esse tipo de sanção”, diz o embaixador Regis Arslanian, sócio do escritório Licks Attorneys e conselheiro do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Arslanian atuou por mais de três décadas no Ministério das Relações Exteriores. O diplomata também questiona a credibilidade dos Estados Unidos ao invocar a agenda ambiental. Ele lembra que o país se retirou do Acordo de Paris, principal tratado global contra a crise climática, e não participou da COP30, a cúpula de clima da ONU realizada em Belém, no ano passado: “O próprio governo Trump reduziu seu compromisso com a agenda climática e, ao mesmo tempo, utiliza o desmatamento como justificativa para impor tarifas ao Brasil. Se o governo americano realmente estivesse preocupado com a agenda climática, sua postura internacional seria diferente”, afirma. A justificativa americana contrasta com os indicadores ambientais mais recentes do Brasil. Segundo dados oficiais, o desmatamento caiu cerca de 50% na Amazônia Legal e, no país como um todo, 32% nos últimos três anos. Além disso, o Brasil assumiu o compromisso de zerar o desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030. Como parte das negociações com Washington, o governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), preparou uma série de documentos para demonstrar tecnicamente os avanços na conservação ambiental, incluindo informações baseadas em auditorias independentes. O desmatamento foi incluído entre os argumentos da investigação para aplicação da Seção 301, ao lado de temas como propriedade intelectual, comércio digital e corrupção. Apesar de considerar inconsistente a alegação americana, Arslanian defende que a resposta brasileira ao tarifaço priorize o diálogo. Para ele, recorrer à Lei da Reciprocidade ou adotar medidas de retaliação teria efeito limitado e poderia prejudicar ainda mais a economia brasileira.”

Fonte: Valor Econômico; 23/07/2026

Espanha e França combatem incêndios florestais, e calor intenso atinge sul da Europa

“Bombeiros que combatem incêndios florestais na Espanha e na França afirmaram nesta quarta-feira que o risco de novos focos nos próximos dias permanece muito elevado, embora um grande incêndio na província espanhola de Guadalajara, no centro do país, tenha perdido força, permitindo que parte dos moradores retornasse para casa. As chamas consumiram cerca de 32 mil hectares na região e começaram a ser estabilizadas na terça-feira, após provocar evacuações em 34 municípios e ordens de confinamento em outros 14. O serviço de combate a incêndios Infocam, da região de Castilla-La Mancha, informou que moradores de cinco vilarejos foram autorizados a retornar para suas casas, embora outras restrições permaneçam em vigor. Em visita à região nesta quarta-feira, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que a Espanha já enfrentou 22 grandes incêndios florestais neste ano. A agência meteorológica espanhola Aemet informou que o risco de incêndios permanece “muito alto ou extremo” na maior parte do território continental e nas Ilhas Baleares, devendo aumentar ainda mais nos próximos dias. O órgão pediu à população que tenha “extrema cautela”, já que a atual onda de calor se combina com tempestades secas e poeira proveniente do deserto do Saara. Embora as temperaturas devam recuar ligeiramente em algumas áreas na quinta-feira, a previsão é de que um vento seco vindo do oeste provoque uma nova onda de calor nas regiões mediterrâneas, onde as máximas podem atingir entre 42°C e 44°C. Uma queda mais significativa das temperaturas é esperada a partir de sexta-feira. No entanto, o alívio pode durar pouco. As temperaturas devem voltar a subir a partir de domingo, e o calor intenso poderá retornar a grande parte da Espanha no início da próxima semana. Os incêndios florestais já consumiram neste ano uma área maior na Europa do que a média anual registrada nas últimas duas décadas, mostram dados, em um momento em que o continente que mais aquece no mundo enfrenta, até agora, três ondas de calor sufocantes praticamente consecutivas. Na França, onde dois bombeiros morreram na terça-feira quando o caminhão em que estavam foi cercado pelas chamas na região sudoeste de Gironde, as autoridades pediram que a população evitasse usar churrasqueiras nas áreas atingidas pela onda de calor, ressaltando que nove em cada dez incêndios florestais começam, acidentalmente ou não, em decorrência da ação humana.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Tarifa dos EUA terá efeito limitado sobre etanol brasileiro

“A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro deve provocar impactos pontuais sobre empresas exportadoras, mas esse efeito tende a ser limitado sobre o conjunto da economia brasileira. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a medida tem forte componente político e ocorre em um momento quando o mercado norte-americano responde por menos de 16% do volume de etanol exportado pelo país. A maior parte das vendas externas é, portanto, destinada a outros compradores internacionais, embora os EUA sejam atualmente o segundo principal destino do etanol brasileiro. “A participação dos EUA nas exportações brasileiras já vinha diminuindo há anos. Antes mesmo do tarifaço, esse peso já era relativamente pequeno”, contextualiza o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Carlos Delorme Prado. Na avaliação do especialista em economia e comércio internacional, são pequenas as chances de essa tendência de tarifação ser revertida. Segundo Delorme, fazer investimentos voltados especificamente para atender esse mercado é, atualmente, algo extremamente arriscado, motivo pelo qual o Brasil precisa buscar parcerias mais confiáveis. “Não há garantias de que seja possível estabelecer políticas comerciais bilaterais minimamente previsíveis com os EUA porque o que move o tarifaço não são ganhos de natureza comercial, mas a agenda política do governo deles para a América Latina”, acrescentou. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol (cada metro cúbico equivale a mil litros), o que correspondeu a uma receita de quase US$ 1 bilhão. No mesmo período, os embarques para o mercado norte-americano somaram cerca de 253 mil metros cúbicos, equivalentes a US$ 163 milhões. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos responderam por menos de 16% do volume exportado pelo Brasil e por cerca de 17,5% da receita obtida com as vendas externas do biocombustível. Resumindo: mais de 84% do volume de etanol exportado (cerca de 82,5% do faturamento das exportações) tiveram como destino outros mercados internacionais.”

Fonte: Valor Econômico; 22/07/2026

Austrália entra em coalizão brasileira para ampliar acesso à informação climática

“A Austrália anunciou sua adesão à Global Initiative for Information Integrity on Climate Change, iniciativa internacional voltada ao fortalecimento do acesso a informações confiáveis sobre mudanças climáticas. O anúncio foi feito durante a reunião de ministros do Clima da Austrália e de países do Pacífico, realizada em Sydney, que discutiu prioridades regionais para as negociações climáticas que antecedem a COP31. Com a adesão, a Austrália passa a integrar um grupo de 16 países comprometidos com a promoção da integridade da informação climática. Reino Unido e Canadá também fazem parte da iniciativa, liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Unesco, agência das Nações Unidas para educação, ciência e cultura, e pelo governo brasileiro. Segundo o governo australiano, a iniciativa busca ampliar o acesso a informações baseadas em evidências científicas sobre mudanças climáticas e energia limpa. A proposta é apoiar comunidades, governos e empresas na compreensão dos riscos climáticos e no planejamento de medidas de adaptação e mitigação. O anúncio ocorreu paralelamente ao encontro regional conhecido como Talanoa, diálogo que reúne líderes e parceiros do Pacífico para alinhar posições antes da Pré-COP, prevista para outubro em Fiji, e da COP31, que será realizada em novembro, na Turquia. Durante a reunião, ministros discutiram prioridades compartilhadas para a agenda climática da região. Entre os temas estiveram a manutenção da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C, o reconhecimento do papel dos oceanos na ação climática, a ampliação do acesso ao financiamento climático, o fortalecimento da liderança dos países do Pacífico e a defesa de decisões orientadas por evidências científicas. De acordo com o governo australiano, essas discussões deverão orientar a atuação conjunta da região nas negociações da COP31. Para Melissa Fleming, subsecretária-geral para Comunicações Globais da Organização das Nações Unidas (ONU), a adesão da Austrália ocorre em um momento importante para fortalecer decisões baseadas em evidências diante da crise climática. Ela também destacou que cientistas, jornalistas e defensores da agenda climática precisam ser protegidos para que informações confiáveis cheguem à população. “Não é possível enfrentar a crise climática sem integridade da informação. A decisão da Austrália de aderir à Iniciativa Global é uma demonstração bem-vinda de liderança em um momento crítico, em que a crise climática exige decisões baseadas em informação qualificada”, diz.”

Fonte: Exame; 22/07/2026

A verdadeira barreira para o boom da energia solar na África

O autor é diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e ex-economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento. O obstáculo para a transição energética da África não é mais o preço da tecnologia limpa, que despencou, mas sim o custo do capital, que não acompanhou essa queda. Uma usina solar no Sahel e outra no sul da Espanha utilizam praticamente os mesmos equipamentos, beneficiando-se da mesma queda nos preços dos painéis e sendo alimentadas — no caso africano — por uma incidência solar mais forte. No entanto, a eletricidade gerada pela usina africana provavelmente custará mais caro para os produtores. O motivo não são os painéis, a luz solar ou a engenharia. É o custo do capital. O financiamento, e não a tecnologia, é o obstáculo. Há uma geração, a razão para a lenta adoção residia na tecnologia: as fontes renováveis ​​eram caras e não comprovadas. Essa justificativa não existe mais. A energia solar é hoje a fonte de eletricidade mais barata em grande parte do mundo, e a África é o continente com o maior potencial solar do planeta. A energia renovável exige um alto investimento inicial de capital: quase todo o custo ocorre logo no início, na fase de construção, sendo recuperado lentamente ao longo de 20 ou 30 anos. Isso torna o preço da eletricidade extremamente sensível às condições de financiamento. Quando o capital é barato e paciente, as renováveis ​​são a fonte de energia mais barata da Terra; quando é caro, o mesmo ativo torna-se inviável economicamente. A África encontra-se do lado desfavorável dessa equação. Um desenvolvedor europeu muitas vezes consegue financiar um projeto na UE pela metade do custo de um projeto comparável na África. Aplique esse custo adicional a um ativo que exige grande investimento inicial e você terá a diferença entre um projeto viável e um abandonado. Essa disparidade não é arbitrária nem fruto de preconceito por parte dos credores; ela resulta da soma de vários riscos distintos. Há o risco soberano e macroeconômico: mesmo um projeto sem exposição direta ao Estado pode ser prejudicado por um calote soberano ou por uma desvalorização cambial acentuada. Há o risco cambial: a maioria dos projetos gera receita em moeda local, enquanto suas dívidas são em dólares, e os instrumentos de proteção (hedge) para essa diferença são escassos ou inexistentes. Há também o risco de não haver compradores para a energia produzida, devido à situação de crédito da concessionária — frequentemente estatal — que assina o contrato de compra de energia, bem como à credibilidade do regime tarifário subjacente. Há também o risco de liquidez decorrente da baixa profundidade dos mercados internos: um investidor que não consegue sair facilmente do investimento exige um retorno maior.”

Fonte: Financial Times; 22/07/2026

Preços do gás na Europa aproximam-se das máximas da guerra do Irã, com operadores preocupados com o abastecimento para o inverno

“Os preços do gás na Europa dispararam quase 50% no último mês, à medida que ondas de calor e preocupações com o abastecimento para o inverno deixam o mercado particularmente sensível à mais recente interrupção nos fluxos de energia através do Estreito de Ormuz. O contrato de referência holandês TTF subiu para mais de € 62 por megawatt-hora na quarta-feira, uma alta de cerca de 49% desde o final de junho e um patamar próximo aos picos observados no início do conflito envolvendo o Irã. Os preços no Reino Unido subiram em proporção semelhante, atingindo 151,29 pence por therm. Em contrapartida, o petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 20% no mesmo período, situando-se pouco acima de US$ 93 o barril na quarta-feira. Essa alta reflete o aperto no mercado global de gás: ondas de calor em toda a Europa aumentaram a demanda por eletricidade para ar-condicionado e, simultaneamente, forçaram a redução da produção de parte do parque nuclear francês, elevando a dependência de usinas termelétricas a gás. Christoph Halser, analista de gás da consultoria de energia Rystad, afirmou que o mercado tornou-se mais sensível à recente escalada da tensão entre EUA e Irã — que reduziu drasticamente o tráfego pelo estreito — à medida que se aproxima a crucial temporada de aquecimento de inverno na Europa. “Em março e abril, tínhamos acabado de sair do inverno e a demanda estava bem baixa”, disse ele. “Agora, o tempo está ficando curto com a aproximação do inverno deste ano, e os preços estão reagindo a isso.” A Europa também disputa o abastecimento com a Ásia, onde as temperaturas máximas do verão elevaram, da mesma forma, a demanda por eletricidade gerada a gás. Nos últimos dias, várias cargas de gás natural liquefeito (GNL) foram desviadas da Europa para compradores asiáticos dispostos a pagar preços mais altos. Espera-se que a França receba apenas 13 cargas de GNL em julho, segundo a agência de informações de preços Argus Media — o menor total mensal em mais de cinco anos. Outras oito cargas programadas para chegar em agosto foram desviadas recentemente, deixando o país com uma previsão de 26 remessas para aquele mês. Uma carga média de GNL transporta gás suficiente para abastecer cerca de 40 mil residências durante um ano. Halser observou que, embora os preços estejam subindo na Europa, eles ainda não estão altos o suficiente para atrair GNL da Ásia. O alto custo do gás também está dificultando os esforços para reabastecer as instalações de armazenamento na Europa durante o verão, período em que os países normalmente formam reservas para a temporada de aquecimento de inverno. A Alemanha pretende preencher suas instalações de armazenamento até 70% da capacidade até o início de novembro, mas elas estão com apenas 45% de ocupação, segundo a Argus.”

Fonte: Financial Times; 22/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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