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CVM retoma debate sobre divulgação de sustentabilidade após recuo; El Niño retorna e intensifica riscos climáticos | Brunch com ESG

Nossa visão sobre as principais notícias da semana na agenda ESG

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Como avaliamos os principais acontecimentos da semana

Pensando em melhor auxiliar os investidores, o Brunch com ESG é um relatório publicado pelo time ESG do Research da XP que busca destacar os principais tópicos da agenda na semana. Considerando que informação é a melhor ferramenta para auxiliar os investidores na tomada de decisão, nosso objetivo é mantê-los atualizados com os acontecimentos mais relevantes no Brasil e no exterior da semana que passou, incluindo: (i) nossa visão sobre as principais notícias ESG; (ii) o desempenho dos principais índices ESG em diferentes países; e (iii) comparação da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).

#1. CVM pode reconsiderar o recuo na obrigatoriedade dos relatórios de sustentabilidade alinhados ao IFRS S1 e S2, em meio ao escrutínio do mercado

Na mídia. Novo presidente da CVM promete rediscutir fim de obrigatoriedade de reporte de sustentabilidade – Valor Econômico, 10/06 (link)

Nossa visão. Nesta semana, Otto Lobo, recém-nomeado presidente da CVM, afirmou que está em conversas com o Ministério da Fazenda sobre uma possível revisão da Resolução 244, aprovada no fim de maio, que revogou a exigência de publicação, por companhias listadas, de relatórios de sustentabilidade alinhados aos padrões IFRS S1 e S2. Para contexto, Lobo assumiu o cargo no dia 8 de junho, apenas alguns dias após a aprovação da resolução — movimento que, segundo a imprensa, chegou como surpresa para parte do governo. Como já destacamos, embora a mudança de um regime ainda relativamente limitado de reporte climático para uma estrutura muito mais exigente, alinhada ao IFRS, seria uma grande transição – e muitas empresas brasileiras ainda não estivessem preparadas para isso -, avaliamos que o recuo representou um passo atrás em transparência e na divulgação corporativa relacionada à sustentabilidade. Nesse contexto, vemos a reabertura da discussão como um desenvolvimento positivo. Um cronograma de implementação mais gradual, acompanhado de orientações adicionais e maior engajamento com as companhias, parece uma abordagem mais equilibrada do que simplesmente eliminar a exigência. Olhando à frente, três questões principais merecem acompanhamento: (i) se o modelo voluntário será mantido e, nesse caso, se será capaz de gerar adesão relevante ou acabará resultando em um cenário mais fragmentado de divulgação; (ii) se as três empresas que já adotaram os padrões manterão esse compromisso na ausência de uma exigência formal, apesar dos sinais iniciais nessa direção; e (iii) se a CVM acabará revertendo a decisão ou se a retomada do debate se mostrará, ao fim, mais ruído do que ação.

#2. El Niño mais forte coloca riscos climáticos físicos em foco

Na mídia. Condições de El Niño estão presentes, afirma metereologista dos EUA – Reuters 11/06 (link)

Nossa visão. Após meses de debate sobre a intensidade do El Niño deste ano, o Centro de Previsão Climática dos EUA confirmou que as condições do El Niño estão presentes e devem se intensificar durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27. Embora o El Niño seja um padrão climático natural, seus efeitos são amplificados no mundo mais aquecido de hoje, aumentando o risco de maior frequência e severidade de eventos climáticos extremos. Temperaturas mais altas do oceano e do ar aumentam a probabilidade de calor intenso, secas e chuvas torrenciais, além de contribuírem para maiores aumentos na temperatura global durante os anos de El Niño. Como discutido em nosso relatório sobre a crise climática global (link), essa confirmação reforça nossa visão de que os riscos climáticos físicos estão se tornando cada vez mais relevantes para os investidores. Além disso, também destaca a necessidade de monitorar os eventos climáticos mais de perto, uma vez que seus efeitos podem se propagar rapidamente por diversos setores, regiões geográficas e cadeias de suprimentos, com implicações que vão além das preocupações ambientais, abrangendo gastos de capital, custos de seguros, resiliência da infraestrutura e fornecimento de commodities. Ao mesmo tempo, o crescente risco de eventos climáticos extremos provavelmente impulsionará a demanda por investimentos relacionados à adaptação, incluindo infraestrutura à prova de desastres e medidas climáticas.

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
(6)
O Índice MSCI ACWI, que representa o desempenho de todo o conjunto de ações de grande e médio porte do mundo, em 23 mercados desenvolvidos e 26 emergentes.



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