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Natura (NATU3): 1T com resultados fracos

Dinâmica desafiadora pode levar investidores a uma postura de esperar para ver

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A Natura reportou resultados fracos no 1T, com margem bruta e EBITDA ajustado abaixo do esperado. Como esperado, a Natura apresentou resultados fracos, com o macro permanecendo como vento contrário principalmente no Brasil e na Argentina, o que levou a companhia a aumentar os investimentos em consultoras para estimular a atividade. A margem bruta abaixo do esperado, combinada à desalavancagem operacional e às despesas rescisórias relacionadas à reestruturação da companhia, levou a uma queda de 7,9 p.p. a/a na margem EBITDA. Por fim, desembolsos de caixa pontuais relacionados ao acordo da Chapman e à reestruturação da companhia, combinados a resultados operacionais pressionados e sazonalidade fraca, levaram a uma queima de FCF de R$430 milhões. Já esperávamos resultados muito fracos e abaixo do consenso, e o EBITDA ajustado veio abaixo do nosso (-6%), embora com custos rescisórios menores no trimestre do que o esperado. Assim, esperamos uma reação negativa do mercado, embora a indicação de preço não vinculante da Advent (mais aqui) deva fornecer um piso para as ações da NATU (em R$9,75/ação). Além disso, a administração destacou sinais positivos iniciais no Brasil após ajustes comerciais recentes e o relançamento da Avon. Dito isso, a administração espera que o 2T seja um trimestre de transição, com um ambiente desafiador e riscos de execução elevados, particularmente com o go-live do SAP programado para junho. Embora estejamos construtivos com as perspectivas de médio prazo da companhia, esperamos que os investidores retornem a uma postura de esperar para ver em relação à NATU, em meio ao aumento dos riscos macro e de execução.

Receita ainda sofrendo com macro fraco, principalmente no Brasil e na Argentina. As vendas líquidas caíram 8% a/a (-4% em câmbio constante), uma vez que (i) Natura Brasil caiu 3% a/a devido à dinâmica macro ainda fraca e à volatilidade dos níveis de serviço; (ii) Avon Brasil permanece fraca (-14%) pela falta de inovação, embora as métricas iniciais do relançamento da Avon sejam positivas; (iii) Natura Hispana caiu 11% a/a (-1% em câmbio constante), principalmente impulsionada pela Argentina, devido à instabilidade operacional, desaceleração macro e câmbio, embora o México tenha continuado a melhorar sequencialmente; (iv) Avon Hispana continua sofrendo com a forte queda da venda direta, macro fraco e ventos contrários de câmbio na Argentina (-20% em BRL e -11% em câmbio constante), embora esteja próxima da estabilização ex-Argentina (-1,5%); e (v) Home & Fashion continua pressionada em Hispana (-27,5% em câmbio constante) devido aos ajustes do modelo comercial da Onda 2. Por canal, venda direta permanece como ponto negativo em ambas as regiões, principalmente pela queda da base de consultoras, enquanto o digital foi destaque no Brasil (+24%) por iniciativas de social selling. Vale destacar que a produtividade média das consultoras permaneceu praticamente estável a/a ao considerar suas vendas digitais.

Margem bruta abaixo do esperado e impacto esperado de rescisões. A margem bruta caiu 1,6 p.p. a/a, impulsionada tanto por Hispana (-2,3 p.p.), devido à desalavancagem de volumes na Argentina, queda da margem comercial e efeitos negativos de hiperinflação, quanto pelo Brasil (-1,6 p.p.), devido a incentivos comerciais para estimular a atividade das consultoras. Vale destacar que, excluindo a Argentina, a margem bruta melhorou a/a em todas as regiões de Hispana. A dinâmica fraca de margem bruta, combinada a custos rescisórios (R$203 milhões) e desalavancagem operacional no Brasil, levou a margem EBITDA a cair 7,9 p.p. a/a (ou -3,2 p.p. excluindo despesas rescisórias pontuais), com queda tanto no Brasil (-5,8 p.p. excluindo despesas pontuais) quanto em Hispana (-1,9 p.p. excluindo pontuais). As operações continuadas tiveram prejuízo líquido de R$445 milhões, devido a resultados operacionais fracos, despesas rescisórias e resultados financeiros mais pesados em função de uma perda cambial com hedge de dívida, enquanto o FCF foi negativo em R$430 milhões, impactado por resultados fracos, sazonalidade de capital de giro e pagamentos pontuais (rescisões, processo Chapman e simplificação corporativa). Como resultado, a alavancagem aumentou 0,65x t/t, para 2,4x (ex-IFRS).

Pontos interessantes a destacar: i) a administração observou que algumas métricas da marca Avon estão melhorando após seu relançamento no Brasil, com vendas de novos produtos acima das expectativas, embora ainda representem uma pequena parcela das vendas; ii) o sell-out da Natura tem superado o mercado no Brasil, com melhora sequencial no canal de venda direta no fim do trimestre; iii) a companhia implementou ajustes nos incentivos comerciais do Brasil para responder ao cenário desafiador em curso e recentemente conduziu um processo semelhante na Argentina; iv) a administração espera ver uma aceleração significativa das vendas em Hispana à frente, com comparáveis mais normalizados (2T para México e 3T para Argentina), maior penetração nos domicílios no México, melhora dos níveis de serviço e iniciativas focadas para estimular o canal de venda direta da Argentina; v) o novo modelo de franquias no Brasil apresentou SSS 10 p.p. acima das franquias no formato legado; vi) Emana Pay atingiu ~44% de penetração no sell-in no Brasil (+3 p.p. t/t) e 50% no fim do trimestre, levando a companhia a emitir uma nova tranche de FIDC de R$200 milhões em 26/abr; e vii) o NPL acima de 90 dias subiu para 2,9% (+0,7 p.p. a/a), impulsionado pela expansão da Emana Pay, embora permanecendo abaixo dos níveis de NPL da carteira não Emana.

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