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Ata do Copom: Corte de juros deve continuar; ritmo e magnitude dependem do cenário

Em nossa avaliação, o Comitê apresentou poucas informações adicionais em relação ao comunicado pós-reunião, e parece confiante com o ciclo de "calibração"

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O Banco Central divulgou, nesta manhã, a ata da última reunião do Copom (março). Em nossa avaliação, o documento trouxe poucas informações adicionais em relação ao comunicado pós-reunião. O Copom parece confiante de que o ciclo de “calibração” continuará adiante, com a “magnitude e duração” dependendo da evolução do cenário, em particular do conflito no Oriente Médio. Projetamos quatro cortes consecutivos de 0,50 p.p., levando a Selic a 12,75%.

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Cenário internacional

Segundo a autoridade, o ambiente externo “tornou-se mais incerto” (p.1). Entre os riscos, a ata citou a escala dos conflitos no Oriente Médio e “novas incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos” (p.4) como motivos para tornar o cenário ainda mais incerto.

Ainda, o Comitê sugere cautela por parte dos países emergentes por conta da “elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities” (p.1).

Cenário doméstico

Em relação à atividade econômica, o Comitê mencionou “uma retomada” no 1° trimestre de 2026 após uma desaceleração em 2025, mas afirmou que ela “é consistente com as projeções e expectativas” (parágrafo 6). Ainda, citou que os componentes mais cíclicos do PIB do PIB tiveram uma desaceleração mais acentuada no final de 2025, consistente com os efeitos defasados da politica monetária restritiva.

No que diz respeito à inflação, a ata reconheceu alguma elevação nas expectativas em decorrência dos conflitos geopolíticos (p. 9), mas continua a observar “algum arrefecimento” nas leituras do IPCA (p. 3). Entretanto, a inflação permanece acima da meta em todos os horizontes. O Comitê avalia que “perseverança, firmeza e serenidade” favorecerão a continuidade do movimento de arrefecimento da inflação.

Assim como no comunicado da semana passada, o Copom afirmou que os “riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio” (p. 13, grifo nosso). O Copom discutiu uma mudança no balanço de riscos (provavelmente para cima, em função do aumento dos preços de energia), mas “julgou apropriado seguir com serenidade”.

Entre os riscos de alta, destaca-se: “(i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.” Por outro lado, os riscos de baixa são: “(i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários” (p.13).

Em relação à decisão de juros, a discussão concentrou-se na magnitude do corte, e não em sua pertinência. A conclusão foi de que “neste momento a redução de 0,25% é a mais adequada” (p. 15, grifo nosso). Com isso, em nossa visão, mantém-se a porta aberta para uma aceleração, caso o conflito geopolítico perca intensidade.

No conjunto, interpretamos a ata como neutra em relação ao comunicado pós-reunião, que, por sua vez, avaliamos como mais branda (dovish). A pressão inflacionária, que provavelmente decorrerá de custos mais elevados de energia, não parece alterar de forma significativa o plano de voo do Copom, ao menos até o momento.

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Nosso cenário

Em nossa avaliação, continuamos a antecipar que as tensões geopolíticas irão arrefecer, a atividade doméstica terá uma recuperação apenas moderada e a inflação permanecerá dentro do intervalo da meta. Dessa forma, seguimos projetando cortes de 0,50 p.p. na taxa Selic nas próximas reuniões, até 12,75%, seguidos por uma pausa para uma avaliação mais detalhada do período eleitoral e da política fiscal à frente.

No entanto, considerando os desenvolvimentos recentes tanto no cenário global quanto no doméstico, acreditamos que há chances de deterioração do cenário inflacionário, possivelmente impactando as expectativas de inflação. Assim, a calibragem monetária à frente pode acabar sendo menos intensa do que atualmente esperamos. O monitoramento dos preços do petróleo, da taxa de câmbio e, particularmente, das expectativas de inflação será fundamental nas próximas semanas.

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