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TBT: como a greve dos caminhoneiros de 2018 afetou a economia

Há muitas incertezas em torno de eventual paralisação dos caminhoneiros no cenário atual. Assim, não alteramos nossas projeções para as principais variáveis macroeconômicas. Na prática, destacamos riscos - sobretudo para IPCA e PIB - em caso de disrupção nos transportes de insumos e bens finais em meio à elevação nos preços de combustíveis.

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Em maio de 2018, a greve dos caminhoneiros durou 10 dias e provocou uma abrupta interrupção no fornecimento de insumos e bens finais na economia. Por alguns dias, as cidades esvaziaram, por falta de combustível nos postos  O impacto na economia foi rápido, tanto na inflação quanto no PIB. O célere equacionamento do problema fez com que parte do impacto na inflação fosse temporário: a elevação expressiva no IPCA de junho foi compensada por deflação em agosto.

O impacto sobre a atividade doméstica, em particular na indústria de transformação, teve caráter mais persistente. Em abril, a mediana das projeções para o PIB de 2018 indicava expansão de 2,8%. O PIB acabou crescendo apenas 1,2% (resultado revisado posteriormente para 1,8%). Como ressalva, parte da decepção com o crescimento parece ter refletido as incertezas eleitorais daquele ano. Isto posto, parte relevante da queda das expectativas veio com a greve e a perda não recuperada de produção no período.   

Recordar é viver! Este relatório recordou os efeitos econômicos da greve dos caminhoneiros ocorrida em 2018, conforme já havíamos feito no início de 2021 (em nota publicada no dia 14/01/2021). Há muitas incertezas em torno de eventual paralisação dos caminhoneiros no cenário atual. Assim, não alteramos nossas projeções para as principais variáveis macroeconômicas. Na prática, destacamos riscos – sobretudo para IPCA e PIB – em caso de disrupção nos transportes de insumos e bens finais em meio à elevação nos preços de combustíveis.  

Inflação

Efeito rápido e expressivo; compensação parcial logo depois

A abrupta redução no transporte de insumos e bens finais provocou um salto nos preços, capturado pelo IPCA de junho de 2018. A projeção preliminar para o IPCA do mês (antes da paralisação, em abril) indicava alta de 0,22%. O resultado efetivo mostrou aumento de 1,26%. Ademais, o número de julho ficou um pouco mais alto do que o esperado inicialmente, em 0,33% (versus 0,22% na expectativa mediana de abril). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses passou de 2,76% em abril para 2,85% em maio e 4,39% em junho.

Os grupos do IPCA de junho mais afetados pela greve foram: Transportes, Alimentação e Habitação. No primeiro, destaque para insumos como gasolina (alta de 5,0%) e etanol (4,2%). Em Alimentação, os produtos mais perecíveis, como tubérculos (5,1%), carnes (4,6%) e leite (8,2%) foram os mais  impactados (como consequência da impossibilidade temporária de reposição em muitos supermercados). Já o grupo de Habitação foi afetado sobretudo pelos itens gás de cozinha (4,1%) e energia elétrica (7,9%).

Por outro lado, como os fluxos foram rapidamente restabelecidos após a greve, parte da pressão inflacionária de junho foi devolvida, reduzindo assim o IPCA de agosto. O resultado mensal  ficou em -0,09%, frente a 0,19% segundo as projeções formadas em abril. 

Ainda assim, houve impacto líquido altista na inflação de 2018. A projeção para o ano fechado subiu de 3,5% em abril para 4,4% em outubro. A inflação daquele ano acabou fechando em 3,75% – o IPCA de novembro e dezembro acabaram surpreendendo para baixo, devido à queda nos preços internacionais da gasolina e apreciação da taxa de câmbio após as eleições presidenciais.

Atividade

Indústria retomou ritmo de produção, mas não compensou perdas

Durante a greve dos caminhoneiros, a indústria foi o setor mais impactado. A escassez de insumos e bens finais provocou uma queda de 3,4% na produção da indústria de transformação entre abril e junho de 2018. As atividades que mais sentiram foram “Informática”, “Equipamentos de Transportes”, “Bebidas” e “Produtos Diversos”. A recuperação foi heterogênea, com mais ou menos metade das atividades retomando (ou superando) o nível pré-greve após seis meses.

No setor de serviços, o impacto também foi relevante, tendo em vista a importância da categoria de transportes. Mas praticamente não houve espalhamento para outras atividades. De fato, a PMS recuou quase 5% em maio, mas em junho já havia superado o patamar pré-crise, com o fim da greve. 

Apesar da retomada pós-greve, a perda de produto durante aqueles meses se mostrou permanente. Em abril, a mediana das projeções para o PIB de 2018 apontava para alta de 2,8%. No  final do primeiro semestre, a projeção havia recuado para 1,55%. O PIB acabou crescendo apenas 1,2% naquele ano (resultado revisado posteriormente para 1,8%). Ainda que parte desta decepção esteja associada às incertezas eleitorais, a greve parece ter sido um fator importante por trás do menor crescimento econômico em 2018.

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