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As Olimpíadas e o minério de ferro

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O preço do minério de ferro tem caído de forma acelerada recentemente e o principal motivo por trás da queda é a China, país responsável por quase metade da demanda global do metal. Neste mês de setembro, a commodity já acumula perdas de mais de 30% e, desde o pico atingido em maio, ao redor de US$ 237/tonelada, acumula queda de mais de 50% atingindo o preço de US$ 92/tonelada.

As quedas nos preços ocorrem porque o nível de atividade econômica chinesa tem forte relação com os preços das commodities. O preço internacional do minério de ferro apresentou quedas expressivas com dados econômicos mais fracos do que esperado, restrições na produção chinesa de aço e o caso Evergrande pesando sobre a demanda.

1. A desaceleração econômica da China

A economia chinesa tem mostrado sinais de enfraquecimento após a imposição de medidas rigorosas pelo governo para conter um surto generalizado de Covid-19. Lembrando que a China e diversos outros países da Ásia adotaram o “zero Covid appproach“, isto é, a implementação de regras bem severas de mobilidade com o objetivo de diminuir ou até zerar o número de casos. No ano passado, foi a receita de sucesso para países asiáticos retornarem as atividades rapidamente, enquanto o resto do mundo enfrentou bastante dificuldade para controlar o vírus e voltar a normalidade até que a população começou a ser vacinada.

Apesar da imunização contra o coronavírus ter progredido rapidamente na China, o governo continua implementando lockdowns bem restritos em locais que registram casos novos de Covid-19. Recentemente, o surto da variante Delta que se espalhou pelo país levou ao enfraquecimento nos dados de atividade econômica e isso tem impactado o preço do minério de ferro.

Vale lembrar que daqui pra frente, a economia chinesa não deve crescer no mesmo ritmo acelerado dos últimos anos por conta de uma mudança nas prioridades do próprio governo. Segundo o último Plano de Cinco Anos, o governo deixou claro que o crescimento a partir de agora será mais focado em qualidade e não em quantidade. Daqui pra frente, a China quer passar de uma “Velha Economia”, movida a investimentos em infraestrutura e exportações, e passar a focar ter o consumo doméstico como principal contribuinte para o crescimento econômico.

Esses recentes sinais de desaceleração da segunda maior economia do mundo tem impactado diretamente o preço das commodities, que devem ver uma demanda mais moderada adiante.

2. As Olimpíadas de Inverno de 2022

Em fevereiro de 2022, começam as Olimpíadas de Inverno na China e, apesar de não parecer inicialmente, isso também está diretamente ligado ao preço do minério de ferro.

Para reduzir as emissões de CO2 antes das Olimpíadas, o governo chinês ordenou cortes de produção de aço, processo que emite muitos gases poluentes, para garantir boa qualidade de ar e céu azul quando os jogos começarem. A exemplo das Olimpíadas de 2008, quando o plano “Olimpíadas Azuis” foi implementado com o fechamento de diversas indústrias ao redor da capital, as siderúrgicas vão ter que diminuir a quantidade de gases poluentes em pelo menos 40% abaixo na comparação anual, nos dias que antecedem ao início dos jogos no ano que vem.

Essas medidas vêm em meio a notícias ao longo dos últimos meses de alertas do governo aos produtores de aço para conterem a produção sob argumento de especulação e práticas ilegais no mercado, com o objetivo de controlar os preços do minério de ferro que vinha atingindo altas históricas.

3. O problema da Evergrande

A grande notícia dos últimos dias foi a Evergrande, a segunda maior imobiliária chinesa e uma das mais endividadas do setor. Um potencial calote dessa empresa colocaria em risco o setor de construção civil, que é um dos maiores consumidores de aço, impactando diretamente o preço do minério de ferro. Além disso, investidores globais estão preocupados com as dificuldades financeiras da empresa e um potencial contágio para outras segmentos da economia do país, podendo levar a uma desaceleração ainda mais aguda da economia chinesa.

A Evergrande é uma construtora chinesa, sendo uma das empresas mais endividadas do mundo com um saldo devedor de US$ 300bi, vem passando por problemas de liquidez e causando incertezas no mercado imobiliário chinês. Bancos chineses foram alertados sobre a possível falta de caixa por parte da companhia para cobrir os juros das dívidas de curto prazo.

Apenas neste ano, a Evergrande recebeu 3 reduções em sua pontuação de crédito, sendo a mais recente na terça-feira, dia 9 de setembro, pela Fitch Ratings de CCC+ para CC, classificando as dívidas da empresa como altamente especulativas. Como resultado, as perdas na ação da empresa se intensificaram e já acumulam uma queda de 84% desde o início de 2021.

Em resumo, as construtoras chinesas são responsáveis por grande parte do mercado de crédito do país, aproximadamente 80 companhias possuem dívidas em torno de US$ 200bi, logo, uma potencial falência da maior construtora local poderia causar um temor ainda maior, contaminando outros setores como o financeiro. Outro ponto de atenção do governo é em relação ao preço das propriedades chinesas, visto que esta indústria setor compõe ~28% do PIB do país, logo, manter preços estáveis se torna um ponto crucial para o governo.

Ainda há poucos detalhes por parte das autoridades sobre o que vai acontecer. Foi noticiado que autoridades chinesas contrataram analistas para montar um plano de reestruturação da dívida da empresa, mas o governo não manifestou se vai intervir para resolver a crise. Por conta da importância sistêmica da empresa, é difícil de traçar um cenário em que o governo chinês irá deixar a empresa quebrar, ao mesmo tempo em que Partido Comunista Chinês procura desestimular o endividamento excessivo como aconteceu no passado e o governo entrou para resgatar as empresas. O cenário mais provável é algo no meio do caminho, onde o governo deverá deixar alguns investidores sofrerem algumas perdas, mas evitando um colapso que possa reverberar pelo sistema financeiro de forma geral.

O que esperar daqui pra frente?

Por enquanto, o preço da commodity deve seguir volátil, assim como o preço das ações do setor de mineração, tanto aqui no Brasil quanto lá fora. O nosso time que cobre Mineração e Siderurgia mantém a premissa de que a commodity deve terminar o ano em US$ 120 dólares a tonelada. Além disso, as grandes empresas mineradoras globais, como a BHP (BHPG34), Rio Tinto (RIOT34) e a brasileira Vale (VALE3) seguem descontadas em relação ao setor e continuam com recomendação de Compra pelos analistas.

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