Prata: O novo ouro?

Descubra as múltiplas utilizações e potencial de valorização do metal precioso que compete com o ouro desde a antiguidade


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Passado

Conhecida como um dos 7 metais da antiguidade, cujo conhecimento já datava de tempos pré-históricos, a descoberta da prata é desconhecida. No início, sua utilização não era focada na metalurgia, devido à sua fraqueza estrutural, mas sim como moeda de troca, sendo mais valorizada que o ouro no Egito em 1.500 a.C., pois o metal branco é mais reagente que o dourado, tornando mais raro encontrá-lo em sua forma natural. Outros documentos indicam que a separação da prata de seus minérios já acontecia em 4.000 a.C., na Anatólia, região que hoje abrange a Turquia.

  • Foi utilizada como base monetária das civilizações Grega e Romana
  • Minas romanas chegaram a extrair 200 toneladas/ano do metal
  • Estoques de prata circulando na economia romana superavam em 5x a 10x o volume de prata na Europa Medieval
  • No século XVIII, o centro global de extração passou a ser o Novo Mundo, principalmente no Peru, Chile, Bolívia e Argentina, este último, que foi nomeado homenagem ao metal (Argentum – prata, em latim)
  • O metal abriu espaço para uma rede de comércio global, como diria um historiador: “a prata deu voltas no mundo e fez o mundo dar voltas”.

As primeiras moedas de prata conhecidas surgiram em reinos da Ásia Menor, por volta de 600 a.C. e, desde então, desenvolveu-se o padrão prata ao redor do mundo, que referia-se a uma unidade fixa de peso para facilitar as transações comerciais.

Mineiros em Potosí – Theodor de Bry, 1596

Presente

Quanto existe de prata no mundo? Se agruparmos toda a prata extraída no mundo por ano, caberia em uma piscina olímpica, e se condensarmos toda a prata em circulação no mundo caberia em aproximadamente 70 piscinas. Atualmente, a produção de prata está em 27 mil toneladas/ano (em uma piscina olímpica, cabem 25 mil toneladas). O metal precioso é muito atrelado à produção de outros metais, uma vez que 62% da prata extraída é subproduto do processamento do cobre, zinco e chumbo e apenas 1/4 é proveniente de extração primária. Ou seja, uma desaceleração econômica que resultar numa demanda menor por outros metais afeta diretamente a extração da prata, reduzindo sua oferta no mercado. Menos oferta = maior preço.

Fonte: Statista

Adicionalmente, a extração primária do metal tem se reduzido à medida que nos aproximamos da escassez das minas e estima-se que o esgotamento das reservas (560 mil toneladas) aconteça em aproximadamente 20 anos, caso não sejam encontradas novas fontes. Veja a produção anual e o tamanho das reservas dos principais países produtores:

País20182019Reservas
México6.1206.30037.000
Peru4.1603.800120.000
China3.5703.60041.000
Rússia2.1002.10045.000
Total Global26.90027.000560.000
Unidade: Toneladas, Fonte: USGS

Utilidades:

Diferentemente do ouro, que é basicamente uma reserva de valor global, mais de 50% da demanda por prata nos últimos 5 anos foi gerada pela indústria, enquanto este número é de apenas 10% a 15% para o metal dourado. Veja a demanda por utilização:

Fonte: USGS, GFMS

Energia Fotovoltaica: Utilizada como condutor, teve seu uso acelerado na geração de energia limpa e a demanda do setor por prata cresceu 80% nos últimos 5 anos, já representando 10% do total consumido.

Equipamentos Eletrônicos: A prata é encontrada em praticamente todos os aparelhos eletrônicos existentes, desde celulares a fornos microondas, de acordo com o Silver Institute. Mais de 60% do consumo industrial é gerado pelos produtos eletrônicos.

Medicina: Devido à sua ação antibiótica e baixa toxicidade para células animais, o metal é utilizado em loções antibacterianas bem como para confeccionar tubos de respiradores com menor possibilidade de causar infecções nos pacientes quando estão em ventilação, além de utilização em equipamentos de raio-x e outros.

Futuro

Diversos fatores estão em jogo quando pensamos em prata. O principal deles recai sobre a demanda global de produtos eletrônicos, uma vez que é estimado um crescimento de 4,8% a.a. para esta indústria que será positivamente impactada pelas próximas revoluções tecnológicas abrangendo o 5G, a inteligência artificial, a direção autônoma e os veículos elétricos.

Além disso, a força do tema ESG também pode aumentar a demanda pela prata, uma vez que é um condutor necessário para aumentar a eficiência energética dos equipamentos, bem como para equipar painéis fotovoltaicos. Para se ter uma ideia, o Banco Central Europeu colocou a “agenda verde” no centro de seus comprometimentos e promete aportar € 1tri em investimentos sustentáveis para atingir neutralidade climática em 2050.

Imagem: Painéis Fotovoltaicos

Somado a isso, a China lidera o mundo em investimentos em painéis fotovoltaicos e estima-se que em 2024 o país produza 370 GW de energia fotovoltaica, mais de 2x o valor estimado para os EUA. Por último, mas não menos importante, a indústria automotiva está se “eletrificando”. A Tesla lidera este movimento, o que ameaça a hegemonia das grandes montadoras como Toyota, Ford e Volkswagen, e fazem com que estas invistam cada vez mais em novas tecnologias para não perder sua fatia de mercado, acelerando ainda mais a demanda por prata, que invariavelmente será utilizada como parte do processo.

Ramificações para os investimentos

O preço da commodity, apesar da recente recuperação, não está em nível historicamente alto e, quando colocado no relativo contra o ouro, aparenta ainda mais atrativo:

Fonte: Bloomberg

Adicionalmente, há um oceano de quase US$ 16tri em ativos rendendo juros negativos no mundo. Quando adicionamos na equação os mais de US$ 20tri de estímulos ao redor do planeta que foram injetados em 2020 (mais de 20% do PIB global), ativos que funcionam como reserva de valor se tornam ainda mais atrativos. Não é a toa que 23% da prata no mundo é utilizada como forma de investimento/proteção de valor.

Fonte: Bloomberg

Em suma, a “nova normal” de juros baixos no mundo, somado a um ecossistema cada vez mais permeado por equipamentos eletrônicos e sedento por celulares, videogames e semicondutores, com constantes desenvolvimentos em medicina, além de uma agenda ambiental com energia solar, formam um cenário muito construtivo para os investimentos em prata. O metal precioso, que move o mundo desde 1.500 a.C., continuará impulsionando o crescimento no século XXI.

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