Guerra Comercial EUA x China: Entenda o contexto, as motivações e perspectivas


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Contexto:

O ano é 2016 e Trump é eleito presidente dos EUA. Nesta data, os americanos exportaram ao planeta US$ 1,5tri em bens e importaram US$ 2,2tri, resultando num déficit comercial de US$ 700bi. Deste montante, US$ 350bi, ou 50% do déficit, foi resultado de relações comerciais com a China.

Um ano antes, o premier chinês anunciava o plano estratégico MIC 2025 – Made in China 2025 -, o qual buscaria mover o status chinês de produtor com mão de obra barata e de baixa qualidade para desenvolvedor de produtos de alta tecnologia e com alto valor agregado, como equipamentos aeroespaciais e semicondutores. Além do mais, para auxiliar o país a ser um competidor direto dos EUA e possivelmente líder tecnológico global, o governo chinês anunciou US$ 300bi em subsídios.

Toda esta alquimia, composta por embates econômicos, políticos/ideológicos, ameaças a hegemonia global americana, dentre outras possíveis razões, fizeram Trump dar, em junho de 2016, os primeiros passos do que se tornaria a Guerra Comercial Sinoamericana ou até mesmo uma Guerra Fria 2.0.

Cadeia de eventos:

  • Maio de 2015: MIC 2025 é anunciado, exaltando estratégia chinesa de expansão de sua presença global.
  • Junho de 2016: Trump inicia campanha contra a Oganização Mundial do Comércio e acusa abusos dos chineses.
  • Abril de 2017: Xi Jinping vai à Flórida e inicia-se a fase de 100 dias de negociações.
  • Agosto de 2017: EUA investigam políticas e práticas de governo chinês quanto ao roubo de propriedade intelectual, transferência tecnológica e inovação.

Investigação (terminada em 2018) concluiu que China utiliza-se de regulação que requer e pressiona empresas americanas a transferirem tecnologia para favorecer recipientes chineses, utilizando-se de condições não mercadológicas.

China conduz e dá suporte à invasões e roubos em redes de companhias americanas para coleta de informações comerciais.

  • Janeiro de 2018 até jetembro de 2018: Guerra tarifária.

EUA aplicam tarifas em US$ 450bi.

China em US$ 110bi.

  • Dezembro de 2018: Trégua de 90 dias.

China aumenta compra de grãos dos EUA e reduz tarifas em certos produtos americanos.

  • Março de 2019: Conversa de Trump e Xi, trégua continua.
  • Maio de de 2019 até junho de 2019: Guerra tarifária.

EUA aumenta taxas tarifárias de 10% para 25% em US$ 200bi.

EUA proíbe Huawei de comprar de empresas americanas sem aprovação governamental.

China aumenta de 10% para 25% taxas em US$ 60bi de produtos.

  • Julho de 2019 até julho de 2019: Renegociações.

EUA abonaria 110 produtos chineses.

China compraria mais grãos dos EUA.

  • Agosto de 2019: Guerra tarifária.

EUA anuncia tarifas em US$ 300bi.

China aplica 5% a 10% de tarifas em US$ 75bi.

  • Setembro de 2019: Renegociações.

China abona tarifas em uma série de produtos agrícolas.

  • Outubro de 2019 a dezembro de 2019: Renegociações.

China acorda em comprar US$ 50bi em produtos agrícolas e altera lei para proteção de propriedade intelectual.

EUA adia imposição de tarifas em US$ 300bi.

  • Saldo em 2019: EUA importa US$ 90bi a menos da China em 2019 e exporta US$ 13bi a menos, reduzindo déficit comercial com a China em 17%.
  • Janeiro de 2020: EUA e China assinam Fase I do acordo.

EUA concorda em reduzir tarifas.

China concorda em comprar US$ 200bi em produtos americanos pelos próximos 2 anos e reduzir tarifas.

Acordo também trata de propriedade intelectual, transferência tecnológica, manipulação monetária e comércio exterior.

Saldo final:

EUA tarifa US$ 550bi em produtos chineses e reduz déficit comercial com a China em 17%.

China tarifa US$ 185bi em produtos americanos.

Conclusão:

A China se tornou um gigante e a disputa pela hegemonia global uma constante nas próximas décadas. A pandemia exacerbou o autoritarismo do governo chinês e o conflito com os EUA que, junto com Reino Unido, penalizam-na por agressões em Hong Kong, tentativas de estender as garras sobre Taiwan, e pelos seus “campos de reeducação” de Uigures.

Os próximos capítulos desta batalha serão longos e provavelmente trarão volatilidade para os mercados, mas, sem dúvida, serão inevitáveis. Esta não é apenas uma disputa comercial pontual, mas a corrida pela hegemonia financeira global, via superioridade tecnológica.

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