O Carnaval é uma das épocas mais esperadas do ano. Entre blocos, viagens e encontros, a atenção costuma ficar voltada para a diversão.
A data é marcada por concentrar um volume elevado de transações financeiras em poucos dias. Segundo aConfederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 14,48 bilhões.
Confirmada essa expectativa, o volume financeiro gerado será 3,8% maior do que no ano anterior, já descontada a inflação.
Com mais dinheiro circulando em um curto espaço de tempo, especialmente em ambientes informais, o risco de golpes e fraudes financeiras aumenta.
Por isso, é importante entender como os golpes funcionam. Adotar cuidados simples ajudam a aproveitar a folia com mais tranquilidade e sem impactos no orçamento.
Neste conteúdo, reunimos informações simples para ajudar você a se proteger de golpes no Carnaval e aproveitar o período com mais segurança.
Onde o dinheiro mais circula no Carnaval?
O Carnaval é considerado um dos períodos mais importantes para o turismo brasileiro. Esse período integra a retomada das receitas do setor após a queda expressiva registrada durante a crise sanitária de 2020.
Do ponto de vista da geração de receitas, os gastos durante o Carnaval se concentram principalmente em atividades que envolvem pagamentos digitais frequentes. Segundo o CNC, o destaque em 2026 deve ser o segmento de bares e restaurantes.
Nesses contextos, as transações podem ocorrer de forma mais rápida, e o consumidor pode não perceber ou conferir o valor antes de finalizar o pagamento.
Assim, se reforça a importância de atenção redobrada para os golpes no Carnaval, especialmente em pagamentos por Pix, cartão e aproximação.
3 motivos de por que os golpes aumentam no Carnaval?
Eventos com grandes aglomerações, como o Carnaval, tendem a elevar o risco de fraudes por três motivos principais:
- Pagamentos acelerados: em meio à pressa e à alta circulação de pessoas, compras costumam ser feitas rapidamente, reduzindo o tempo dedicado à conferência de valores, dados do recebedor e comprovantes;
- Uso intenso de meios digitais: pix, cartões e aplicativos bancários passam a ser utilizados com muito mais frequência ao longo do dia, aumentando a exposição a tentativas de fraude e a erros operacionais;
- Distração natural do ambiente: barulho, multidões e estímulos constantes diminuem a atenção, criando um cenário favorável para abordagens maliciosas e decisões financeiras menos cuidadosas.
Muitos golpes não são percebidos na hora. A vítima só descobre depois, ao ver uma compra estranha no cartão ou um pix enviado, o que pode reduzir as chances de recuperação dos valores.
Golpes financeiros mais comuns no Carnaval
A seguir, reunimos os principais golpes financeiros que costumam ocorrer no Carnaval e os cuidados que ajudam a evitá-los.
Golpe da maquininha
Esse tipo de golpe acontece quando o valor digitado na maquininha é diferente do que foi combinado verbalmente.
O consumidor pode não conseguir visualizar bem o visor ou acaba confirmando o pagamento rapidamente, sem conferir as informações na tela.
Na prática, isso pode significar pagar R$ 100 por um produto que custava R$ 10 ou confirmar uma cobrança muito acima do esperado.
Por isso, sempre vale checar o valor exibido antes de concluir a transação, mesmo em compras pequenas.
Golpe da troca de cartão
O golpista aproveita o momento da transação para observar a digitação da senha e, em seguida, devolve um cartão diferente do original, geralmente muito parecido visualmente.
A troca costuma passar despercebida, especialmente em ambientes movimentados.
Com o cartão verdadeiro e a senha em mãos, se torna possível realizar compras e saques em pouco tempo, antes que a vítima perceba o ocorrido e bloqueie o cartão.
Clonagem de cartão
O golpista copia os dados do cartão durante uma transação, usando máquinas adulteradas ou dispositivos clandestinos.
Com essas informações, ele consegue clonar o cartão e realizar compras, principalmente online, sem que a vítima perceba imediatamente.
Em períodos de grande movimento, como o Carnaval, a clonagem tende a aumentar, já que o volume de pagamentos e a distração das pessoas dificultam a identificação do golpe.
Golpe do pix
No golpe do pix, o golpista induz a vítima a fazer uma transferência pix para a chave errada ou para um destinatário diferente do combinado.
Por exemplo, a vítima envia uma chave Pix diferente da combinada ou com o nome do destinatário trocado, fazendo com que o dinheiro vá para uma conta de terceiros. Quando a vítima percebe o erro, o dinheiro já foi enviado e dificilmente pode ser recuperado.
Isso pode acontecer por meio de QR Code adulterado, alteração do valor no momento do pagamento ou informações passadas de forma confusa.
Na prática, a transferência é feita acreditando estar pagando por um produto ou serviço legítimo, mas o dinheiro vai direto para a conta do golpista.
Como o Pix é instantâneo, a recuperação dos valores costuma ser difícil, tornando a conferência dos dados do recebedor ainda mais importante antes da confirmação.
Entenda o que fazer em casos de golpes do Pix e como funciona a devolução de valores
Pagamento por aproximação sem consentimento
Esse golpe ocorre quando o pagamento por aproximação é realizado sem que a pessoa perceba ou autorize a transação.
Em locais cheios, o cartão ou o celular pode ser aproximado de uma maquininha sem que o portador note imediatamente, especialmente se a função estiver ativada para valores baixos.
Na prática, pequenas cobranças podem ser feitas sem o uso de senha, passando despercebidas no momento e só sendo identificadas depois, ao conferir o extrato.
Conexões públicas e não confiáveis
Redes Wi-Fi abertas ou gratuitas, comuns em locais públicos, podem ser utilizadas por criminosos para interceptar dados.
Informações como senhas, dados bancários e credenciais de acesso podem ser capturadas sem que o usuário perceba.
Pontos públicos de carregamento
Estações de carregamento compartilhadas, como tomadas e portas USB em locais públicos, também representam riscos.
Em alguns casos, esses pontos podem ser manipulados para permitir o acesso a dados armazenados no dispositivo ou a instalação de softwares maliciosos.
8 dicas para se proteger de golpes no Carnaval

Com alguns cuidados simples, é possível reduzir os riscos durante a folia. As dicas abaixo ajudam a proteger seus dados e seu dinheiro.
1. Evite fazer pagamentos em maquininhas desconhecidas
Antes de pagar, verifique se a maquininha está em boas condições e confirme com atenção o valor exibido na tela.
Se o valor parecer diferente do combinado ou a situação gerar desconfiança, cancelar a transação na hora evita dor de cabeça depois.
Melhor perder alguns segundos agora do que lidar com um problema maior mais tarde.
2. Ajuste limites do cartão e do Pix temporariamente
Antes de sair para blocos ou viagens, reduza os limites diários do cartão e do Pix.
Se o celular for perdido, roubado ou se algum golpe acontecer, o valor que pode sair da conta fica bem menor.
O melhor é que esse ajuste é rápido, pode ser revertido a qualquer momento e não atrapalha os gastos do dia a dia no Carnaval.
3. Desconfie de links e promoções fora do padrão
Mensagens oferecendo ingressos, bebidas ou descontos “bons demais pra ser verdade” costumam ser o primeiro passo de um golpe.
Links enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais podem levar a páginas falsas que roubam dados ou direcionam pagamentos para contas erradas.
Sempre que possível, prefira comprar direto em sites oficiais ou perfis verificados e, na dúvida, melhor não clicar.
4. Proteja seu celular como se fosse sua carteira
Hoje, o celular concentra cartão, Pix, banco e até documentos. Por isso, bloqueio de tela, senha forte, biometria e autenticação em dois fatores fazem toda a diferença.
Outra dica simples é ocultar o conteúdo das notificações na tela bloqueada, evitando que códigos, valores ou mensagens sensíveis fiquem visíveis facilmente.
5. Evite redes Wi-Fi públicas para operações financeiras
Para acessar aplicativos bancários, fazer Pix ou compras online, o mais seguro é usar a internet móvel do próprio celular. É um cuidado pequeno que reduz bastante o risco de informações vazarem.
Evite conectar o celular a redes, equipamentos ou acessórios desconhecidos e limite o uso de aplicativos que envolvam dados sensíveis, como bancos, corretoras e carteiras digitais.
6. Redobre a atenção ao usar QR Codes em locais públicos
QR Codes colados por cima de outros ou expostos em locais improvisados podem direcionar pagamentos para golpistas.
Antes de confirmar, confira se o nome do recebedor exibido na tela faz sentido e corresponde ao local ou vendedor. Esse passo rápido evita transferências para a conta errada.
7. Ative alertas de movimentação financeira
Notificações em tempo real funcionam como um aviso imediato de que algo saiu do controle. Se aparecer uma transação que você não reconhece, dá para agir rápido, bloquear acessos e evitar prejuízos maiores.
8. Tenha um plano de emergência definido
Saber exatamente o que fazer em caso de perda, roubo ou golpe ajuda a ganhar tempo.
Deixar os contatos do banco salvos e entender como bloquear cartão, Pix e aplicativos remotamente permite agir sem desespero e rapidez faz toda a diferença nessas horas.
O que fazer se identificar um golpe?
Identificou uma movimentação não reconhecida no cartão, conta ou app do banco? O mais importante é agir rápido para reduzir perdas e aumentar as chances de estorno. Veja o que fazer:
1) Avise a instituição imediatamente
Entre em contato com a instituição financeira assim que perceber a fraude (app, central telefônica ou agência). Informe:
- quais transações são suspeitas (data, valor, estabelecimento/recebedor);
- se houve perda/roubo do aparelho ou do cartão;
- quando você percebeu o problema.
Quanto antes a instituição for informada, maiores as chances de bloquear novas tentativas e conter o prejuízo.
Outra alternativa é usar o Celular Seguro, iniciativa do Governo Federal em parceria com a Anatel. Ele permite bloquear rapidamente o celular, a linha telefônica e reduzir riscos de golpes em casos de roubo, furto ou perda do aparelho, tudo de forma centralizada e online.
2) Bloqueie cartões, conta e acessos na hora
Para interromper a fraude:
- Bloqueie o cartão (físico e virtual), se aplicável;
- Altere senhas (app do banco, e-mail e contas vinculadas);
- Ative/desative recursos de segurança (biometria, token, limites, cartão virtual);
- Se suspeitar do celular, desconecte a conta de todos os dispositivos e revise permissões.
Se você possui uma conta XP, a primeira ação é bloquear temporariamente o acesso à sua conta pelo site ou telefone.
| Site | Telefone |
| Acesse https://portal.xpi.com.br/; | Ligue para a Central de Atendimento Para capitais e regiões metropolitanas disque 40033710 e escolha a opção 1 e depois opção 1 novamente; Para demais localidades, disque 08008803710 e escolha opção 1 e depois opção 1 novamente. |
| Digite seu código de cliente e clique em Bloquear sua conta; | |
| Preencha os dados solicitados e confirme com sua senha de acesso. |
Outras ações imediatas e importantes podem incluir:
- Troque a senha do seu e-mail cadastrado;
- Bloqueie o aparelho celular remotamente (usando as ferramentas do Android ou iOS).
- Entre em contato com sua operadora de telefonia para bloquear o chip (SIM card).
O que fazer para aumentar a proteção da minha conta XP?
3) Registre um Boletim de Ocorrência (B.O.)
Faça um B.O. principalmente em casos de:
- Roubo/furto de celular ou cartão;
- Golpe via WhatsApp/redes sociais;
- Invasão de conta, phishing, malware, engenharia social;
- Transferências via Pix/ TED não autorizadas.
O registro ajuda a formalizar o ocorrido, organizar a linha do tempo e fortalecer sua contestação.
4) Guarde provas e documentos
Reúna e salve (prints e PDFs, se possível):
- extratos e comprovantes das transações;
- números de protocolo de atendimento;
- e-mails/SMS/alertas do banco;
- conversas ou links usados no golpe;
- dados de recebedores (chave Pix, banco, agência/conta).
Esses registros facilitam a análise do banco e aceleram a contestação.
Perguntas frequentes (FAQ)
Confira as principais dúvidas sobre como proteger seu dinheiro no Carnaval.
É melhor pagar com Pix, cartão ou dinheiro no Carnaval?
Depende do cenário. Em locais muito cheios e com ambulantes, dinheiro fracionado pode reduzir exposição a golpes com maquininha e cartão. Pix é seguro quando você confere o recebedor e o valor. Cartão exige cuidado com troca e aproximação.
Vale a pena desativar a aproximação?
Sim, especialmente em blocos e locais com muita aglomeração. Se usar pagamento por aproximação, ative apenas no momento da compra e desative depois.
Outra alternativa é definir limite baixo para esse tipo de pagamento, usar carteira digital com autenticação e evitar levar todos os cartões ou o celular principal para a folia.
O que fazer se eu receber um SMS/WhatsApp do “banco” durante a folia?
Desconfie. Não clique em links nem informe códigos. Acesse o aplicativo oficial do banco ou ligue para o número oferecido pela instituição financeira.
Golpes costumam usar mensagens urgentes, como “compra suspeita” ou “confirme agora”, para induzir o envio de dados.
Como diminuir o prejuízo se roubarem meu celular?
Além das recomendações da instituição financeira para situações de golpes, outras ações são fundamentais para reduzir o prejuízo em caso de roubo do celular.
● Registrar a ocorrência;
● Acionar serviços como o Celular Seguro para bloquear o aparelho e a linha;
● Revisar acessos a e-mails, redes sociais e contas vinculadas ao telefone.
Conclusão
Carnaval bom é aquele com diversão e com suas finanças em dia. Atenção aos meios de pagamento, decisões conscientes e prevenção ajudam a evitar problemas que podem se estender muito além da festa.
Estar bem informado e se planejar faz diferença na proteção do dinheiro, no Carnaval e em qualquer período do ano. Quer aprender a proteger seu patrimônio? Confira nossa trilha de artigos completa sobre o assunto.
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