Não tome decisões importantes quando estiver de ressaca (do mercado)

Fim do feriado prolongado, hora de voltar às rotinas de trabalho e, para os que são investidores, dar aquela revisada no que aconteceu em Agosto e nas últimas semanas no mercado financeiro.


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Fim do feriado prolongado, hora de voltar às rotinas de trabalho e, para os que são investidores, dar aquela revisada no que aconteceu em Agosto e nas últimas semanas no mercado financeiro. Temos que encarar os fatos, dá uma leve “ressaca” quando olhamos o comportamento do Ibovespa não só nos últimos 3 meses, nos quais caiu 5,89% entre junho e agosto de 2021, mas também no acumulado do ano todo que está no “zero a zero” (-0,06% até o fechamento de Agosto). E essa ressaca fica ainda mais intensa quando olhamos para o cenário macroeconômico brasileiro que só tem piorado nas últimas semanas.

O gosto amargo na boca piora quando olhamos o cenário internacional, que também tem seus desafios (variante Delta da Covid-19, início da redução da recompra de ativos pelo FED, entre outros), mas mesmo assim tem apresentado bons resultados no desempenho dos principais índices de ações do mundo. Exemplo do S&P 500, principal índice de ações americanas, que nos últimos 3 meses, apresentou variação acumulada no sentido oposto ao da bolsa brasileira, com +7,57% nesse período ( entre junho e agosto de 2021).

Voltando ao Brasil, a preocupação com o cenário fiscal é crescente, ainda mais com o cenário político cada vez mais conturbado. As discussões sobre os precatórios e sobre o orçamento do Bolsa Família seguem trazendo incertezas sobre o quão responsável será o governo com as contas públicas. Mais recentemente tivemos o aumento da probabilidade de um racionamento de energia e a há poucos dias a aprovação na Câmara dos Deputados de um texto de Reforma Tributária (há quem diga que não podemos nem chamar de reforma) que foi mal recebido pelo mercado, impactando negativamente no desempenho do Ibovespa nesses primeiros dias de Setembro. Some a isso os riscos políticos que só tendem a crescer com a aproximação das eleições.

Só para colocar mais um ingrediente nesse cenário, estamos presenciando um ciclo de aperto monetário (aumento da taxa básica de juros, a taxa Selic) desde março desse ano, que trouxe a Selic de 2% em fevereiro de 2021 para os atuais 5,25%. Vale lembrar que não vivíamos um ciclo de subida dos juros desde abril de 2013, quando a taxa Selic estava estabilizada no até então menor patamar mínimo histórico de 7,25%.

Importante tirar o foco do curto prazo

Ufa ! A essa altura você já deve ter passado de ressaca para um mal estar generalizado e é aí que entra em cena um excelente remédio gratuito para o fígado, ou melhor, para os seus investimentos: disciplina. A disciplina em conduzir seus investimentos, principalmente aqueles que mais oscilam como as ações e os fundos de ações. A disciplina faz com que lembremos que, lá atrás, quando tudo estava mais calmo, você se sentia mais confiante e até queria ter mais investimentos de mais risco, pois eles que trariam mais retorno para sua carteira. A disciplina que evita que você caia em um viés muito comum na mente humana, o viés da recência, que prioriza e dá maior relevância aos eventos e informações mais recentes, que estão mais “frescos” na mente, fazendo com que desconsideremos fatos e análises de longo prazo. 

E para ajudar nessa análise de longo prazo e trazer um pouco de racionalidade a esse momento, voltemos ao momento do último ciclo de aperto monetário que teve início em abril 2013, período inclusive também bastante conturbado da economia e política brasileira, e vamos observar como se comportaram alguns investimentos de lá até o momento do fim do ciclo de queda de juros que durou fevereiro desse ano de 2021, uma vez que, como já dito acima, em março desse ano começamos um novo ciclo de alta da taxa Selic.

São aproximadamente 8 anos de análise e imaginemos que naquele momento de 2013 um investidor tivesse resgatado todos os seus recursos de todos os mercados de mais risco, como ações e fundos de ações, por exemplo, e tivesse investido apenas em Renda Fixa. Nessa Renda Fixa vamos considerar uma simples diversificação entre ativos indexados à inflação, aqui representados por 60% da variação do IMA-B 5*, e ativos pré-fixados, representados por 40% da variação do IFR-M. Ao final desse período, ele haveria obtido um retorno de 127,7%, o que realmente não parece nada mal quando comparamos com o CDI que acumulou variação de 94,3% nesse mesmo período. Só que, se olharmos para o desempenho da Renda Variável também entre abril de 2013 e fevereiro de 2021, considerando uma diversificação também simples com 70% em Ibovespa* e 30% em S&P500 (em dólar), vamos nos deparar com uma variação de 236,8%. É importante notar que nessa trajetória de cerca de 8 anos por muitas vezes o desempenho da Renda Variável esteve abaixo da Renda Fixa ou até mesmo do próprio CDI, fato que mais recentemente ocorreu no início da crise da pandemia da Covid-19, em março de 2020.

Renda Fixa e Renda Variável devem ser combinadas com inteligência

Pois é, costuma ser assim mesmo, quando estamos de ressaca ou quando o mercado está de ressaca, pensamos “nunca mais vou beber” ou nos investimentos, “vou vender tudo em ações e ir pra Renda Fixa”. Entretanto, são essas experiências que nos tornam mais maduros na gestão dos nossos recursos, colocam à prova tudo que aprendemos sobre diversificação e rebalanceamento de carteira. Por que no final do dia, você não precisa ter só Renda Fixa OU só Renda Variável, e sim utilizar com sabedoria as doses de cada uma delas de acordo com perfil de risco da sua carteira, que devem levar em conta o horizonte de investimento, o retorno esperado e o risco que se tolera tomar para chegar nos seus objetivos. Isso sem falar nas demais classes de ativos que também compõem uma carteira de investimentos diversificada, tais como Multimercados, Fundos Imobiliários, entre outras.

Se levarmos isso em conta com certeza conseguiremos combinar diversas classes de ativos de forma que atravessem diferentes cenários e desafios, escolhendo a dose adequada de cada uma delas, sendo rebalanceadas com disciplina e cautela ao longo do tempo, sem precisar ir para o tudo ou nada.

Portanto, o segredo é beber com moderação, mas se a ressaca bater, não tome decisões importantes, é só lembrar que essa também vai passar.

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