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Um semestre de dois opostos para os fluxos estrangeiros no 1º semestre de 2026 – Fluxo em foco

A indústria de fundos registrou saídas líquidas, puxadas pelos fundos multimercados

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Junho foi mais um mês negativo para o fluxo estrangeiro, com o registro de saída de R$ 7,7 bi (-7,8 bi no mercado a vista e +R$ 0,1 bi em futuros). Analisando o 1º semestre como um todo, vemos um semestre de dois opostos para os fluxos estrangeiros: as entradas acumuladas atingiram um forte nível de R$ 69,1 bi em meados de abril, antes de reverterem de forma significativa, encerrando o período em R$ 33,8 bi no mercado à vista. Dito isso, o fluxo estrangeiro começou julho com uma tendência levemente positiva, com entradas líquidas de R$ 1,1 bi no mercado à vista e de R$ 0,8 bi em futuros, após uma leitura benigna do IPCA no Brasil e o aumento de dúvidas em torno da tese de inteligência artificial. Enquanto isso, os investidores domésticos foram comprados líquidos em junho, com os investidores institucionais e pessoa física registrando entradas líquidas de R$ 2,6 bi. Por fim, a indústria de fundos voltou ao terreno negativo, registrando saídas líquidas de R$ 5,3 bi, puxadas principalmente pelos R$ 14,3 bi de resgates nos fundos multimercados. Fundos de renda fixa registraram saídas de R$ 0,7 bi, enquanto os fundos de ações apresentaram fluxo líquido neutro.

Investidores estrangeiros continuaram registrando saídas relevantes. Em junho, o fluxo estrangeiro deu sequência à tendência negativa iniciada em meados de abril, com saídas líquidas de R$ 7,8 bi no mercado à vista, apesar de um fluxo levemente positivo de R$ 0,1 bi em futuros. Como resultado, as entradas de capital estrangeiro acumuladas em 2026, que chegaram a R$ 69,1 bi em meados de abril, recuaram para R$ 37,9 bi no mercado à vista. Como discutimos em nosso último Raio-XP, o fluxo estrangeiro foi um dos principais vetores para a performance das ações brasileiras no 1º semestre de 2026, e vemos três fatores centrais por trás dessa reversão subsequente: (i) o ressurgimento da tese de inteligência artificial, que redirecionou capital para mercados com maior exposição ao tema, como Estados Unidos, Coreia e Taiwan; (ii) a deterioração das expectativas para inflação e juros no Brasil, o que piorou o cenário macro para a bolsa local; e (iii) o aumento do ruído político doméstico.

Dito isso, as saídas estrangeiras começaram a perder força em julho. Os dados apontam para entradas líquidas de R$ 1,1 bi no mercado à vista e de R$ 0,8 bi em futuros no mês. É interessante notar que: (i) a melhora no fluxo estrangeiro coincidiu com o aumento das dúvidas e da volatilidade em torno da tese de IA; e (ii) após uma leitura mais benigna do IPCA, vimos a maior entrada diária de capital estrangeiro desde 10 de abril (R$ 1,5 bi), reforçando o posicionamento ainda leve que enxergamos hoje no Brasil.

A nível setorial, quase todos os setores registraram saídas líquidas de estrangeiros em junho. As exceções foram Saneamento, Elétricas e Óleo, Gás & Petroquímicos, enquanto Bancos, Alimentos & Bebidas e Agro concentraram as maiores saídas.

Enquanto isso, os investidores institucionais foram compradores líquidos de ações brasileiras em junho. Foi registrada entrada líquida de R$ 1,8 bi no mercado à vista e de R$ 0,8 bi em futuros. Em julho, até o momento, os institucionais passaram a ser vendedores líquidos, com saídas totais de R$3,1 bilhões. Os investidores pessoa física também seguiram como compradores líquidos no mês passado, com entradas líquidas de R$ 3,2 bi no mercado à vista e saídas líquidas de R$ 0,6 bi em futuros.

Por fim, a indústria de fundos voltou ao terreno negativo em junho, registrando saídas líquidas de R$ 5,3 bi, puxadas principalmente pelos R$ 14,3 bi de resgates nos fundos multimercados. Por outro lado, os fundos de renda fixa tiveram saídas líquidas de R$ 0,7 bi, mantendo a tendência negativa observada nos últimos meses, enquanto os fundos de ações registraram fluxo líquido neutro.

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