Vendas no varejo perdem força em dezembro e apresentam pior resultado para o mês desde 2000

Inflação pressionada, aproximação do fim do pagamento do auxílio emergencial, antecipação de benefícios durante a pandemia e antecipação do consumo de bens semiduráveis e duráveis são as principais causas para a desaceleração.


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As vendas no varejo brasileiro cresceram 1,2% a/a e caíram -6,1% m/m em dezembro, enquanto as vendas no varejo ampliado (que também incluem veículos e materiais para a construção civil) aumentaram 2,6% a/a e diminuíram 3,7% m/m. O resultado veio bem abaixo tanto das nossas estimativas (3,2% a/a e -1,4% m/m para a PMC restrita e 3,3% a/a e -3,2% m/m para a PMC ampliada) quanto do consenso de mercado (5,5% a/a e -0,7% m/m para a PMC restrita e 6,0% a/a e -1,0% m/m para a PMC ampliada). Em 2020, as vendas no varejo cresceram 1,2%, enquanto as vendas no varejo ampliado diminuíram 1,5%. Tecidos, livros e equipamentos de escritório foram os setores mais afetados pela pandemia.

A queda de 6,1% nas vendas do varejo foi a maior queda para o mês de dezembro desde 2000. A perda de ímpeto no mês pode ser justificada pela antecipação do consumo de bens semiduráveis e duráveis ​​durante a pandemia, que reduziu as compras típicas de final de ano. A redução do auxílio emergencial também ajudou a explicar essa dinâmica, assim como a antecipação do pagamento de alguns benefícios (como o 13º salário) durante a pandemia.

De acordo com o nosso índice de momentum, o número de setores crescendo a um ritmo significativo nos últimos 6 meses caiu de 69,5% em novembro para 53,2% em dezembro. Vestuário, material de escritório e artigos de uso pessoal e doméstico foram as principais surpresas negativas no mês, embora todos os setores tenham mostrado retração na comparação com novembro. Os piores resultados foram apresentados, em geral, pelos bens semiduráveis.

Para 2021, entendemos que o setor deve continuar perdendo fôlego, em meio à alta da inflação de alimentos e principalmente à redução dos incentivos fiscais. No entanto, sinais de aumento da “poupança circunstancial” por parte das famílias mais ricas e condições de crédito positivas podem ajudar a preencher parcialmente essa lacuna.

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