Argentina: impacto limitado para o Brasil

Nossos cálculos preliminares sugerem que se o investimento em capital fixo argentino cair 10% numa base anual, o PIB brasileiro tende a se retrair em 0,06 pontos percentuais (com margem de 0,03 pp) nessa mesma base de comparação. Se a experiência argentina de 2014 se repetisse, o PIB brasileiro poderia reduzir em -0,16 pontos (com margem de 0,10 pp) em 12 meses.

access_time 12/08/2019 - 20:26
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Neste domingo, os argentinos foram às urnas para a prévia da eleição presidencial obrigatória por lei. Os eleitores, que compareceram em peso, só podiam votar em uma chapa nas primárias. Assim, as prévias acabaram servindo como uma pesquisa eleitoral sobre o primeiro turno da votação.

Com quase 100% das urnas apuradas, as eleições primárias mostraram que o peronista Alberto Fernández e sua vice, Christina Kirchner, superaram a marca de 47% dos votos, 15 pontos percentuais a mais que os votos conquistados por Maurício Macri, atual presidente argentino. O resultado surpreendeu o mercado, uma vez que nenhuma pesquisa eleitoral oficial havia evidenciado que a dupla Fernández-Kirchner poderia vencer com ampla margem, descartando até mesmo a necessidade de um segundo turno.

A eleição oficial só acontecerá no dia 27 de outubro, mas o resultado desse domingo praticamente acaba com as chances de Macri se reeleger. O mercado reagiu negativamente à notícia, uma vez que a agenda econômica de Macri era mais bem aceita.

Nossas estimativas preliminares sugerem que o impacto direto desse evento sobre nosso crescimento econômico é negativo, mas tende a ser limitado. O principal canal de transmissão é a exportação. A argentina é uma das grandes parceiras comerciais do Brasil, sendo a importação de veículos o maior canal comercial entre os países. O gráfico abaixo mostra que o desempenho das exportações de veículos brasileiros coincide com o desempenho do investimento em capital fixo argentino.

De acordo com essa evidência, nossos cálculos preliminares sugerem que se o investimento em capital fixo argentino cair 10% numa base anual, o PIB brasileiro tende a se retrair em 0,06 pontos percentuais (com margem de 0,03 p.p.) nessa mesma base de comparação. Se a experiência argentina de 2014 se repetisse, o PIB brasileiro poderia reduzir em -0,16 pontos (com margem de 0,10 p.p.) em 12 meses.

Esses cálculos levam apenas em consideração o impacto direto desse canal, desprezando os efeitos cambiais e demais impactos indiretos decorrentes da desaceleração da economia argentina. Assim que o cenário argentino apresentar uma direção mais clara, atualizaremos nossas estimativas.

De toda forma, não alteramos o nosso cenário de crescimento do PIB do Brasil divulgado em nosso relatório (clique aqui). Mantemos a premissa de que o cenário externo, apesar de bastante incerto, não trará maiores impactos sobre a economia brasileira.

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