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Mercado de trabalho: sinais mistos de retomada

Mercado de trabalho formal apresenta forte recuperação em agosto, mas dados ainda suscitam cautela.

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Principais highlights

  • Os dados do mercado de trabalho divulgados hoje – 30/09 – (PNAD Contínua e Caged) trouxeram leituras mistas a respeito do ritmo de recuperação das ocupações formais e informais nos próximos meses.
  • A PNAD apontou para um descasamento entre formais e informais que impôs um viés negativo para o cenário de recuperação do mercado de trabalho em 2021: as ocupações informais deram início a um processo de retomada gradual (consequência da reabertura das atividades econômicas e da melhora da situação pandêmica), enquanto as ocupações formais, que vinham sendo sustentadas pelo BEM desde os primeiros meses da pandemia, apresentaram sinais de perda de dinamismo.
  • O Caged, por outro lado, apontou para um saldo forte das ocupações no mercado de trabalho formal brasileiro. A recuperação das admissões (principalmente temporárias) sinaliza que o pior pode ter ficado para trás, enquanto o aumento marginal das demissões reforça a mensagem trazida pela PNAD de que os acordos realizados através do BEM (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda) podem estar se aproximando de seu prazo de validade.
  • Em linhas gerais, o balanço dos dados divulgados hoje é misto. Por um lado, existe o risco de que, com o fim do BEM (que foi prorrogado por mais dois meses) e do auxílio emergencial, as demissões aconteçam de forma mais acelerada e que os indivíduos mais vulneráveis da economia retornem à força de trabalho (pressionando as medidas de desemprego). Por outro lado, o aumento das admissões temporárias e a expectativa de recuperação gradual do setor de serviços (intensivo em mão de obra) nos próximos meses elevam a probabilidade de que o mercado de trabalho se recupere de forma mais acelerada no ano que vem.
  • A sustentabilidade da retomada do mercado de trabalho continua sendo um dos principais fatores de risco ao cenário de recuperação da atividade econômica no pós-pandemia.
  • Para 2020 e 2021, mantemos a nossa projeção de taxa de desemprego (fim de período) em 15,5% e 14,5%, respectivamente.

PNAD sinaliza descasamento entre formais e informais impondo viés negativo para o ritmo de recuperação do mercado de trabalho em 2021

De acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desemprego brasileira passou de 13,3% no trimestre encerrado em junho para 13,8% no trimestre encerrado em julho, o equivalente a 13,7% na série livre de ajustes sazonais. O resultado veio levemente pior do que as nossas expectativas e do que o consenso de mercado (ambas de 13,7%), mas em linha com o nosso cenário de taxa de desemprego encerrando 2020 em 15,5% e 2021 em 14,5%.

O aumento do desemprego foi influenciado por uma queda de 1,8% da população ocupada no período, mas ainda amenizado pela continuidade da saída dos indivíduos informais da força de trabalho (consequência do distanciamento social e do incremento de renda dos mais vulneráveis pelo auxílio emergencial).

A massa de renda real continuou em ritmo de contração no trimestre encerrado em julho (-13,3% a/a), mas caiu menos do que vinha caindo nos meses anteriores.

A agricultura foi o único setor onde o número de ocupações apresentou expansão (ainda que residual) na comparação com o trimestre encerrado em junho.

O que chamou bastante a atenção e trouxe um viés negativo para o nosso cenário foi o descasamento entre o ritmo de recuperação dos informais, que já começam a se beneficiar da melhora gradual da situação pandêmica, e dos formais, que começam a registrar sinais mais claros de fragilidade com o prazo de validade dos acordos que foram feitos pelo BEM nos primeiros meses da pandemia.

Por outro lado, Caged surpreende as expectativas em agosto e sugere que o mercado de trabalho formal pode ter deixado o pior para trás

De acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), 249.388 novos postos formais de trabalho foram criados em agosto. O resultado veio levemente acima das nossas expectativas (+207 mil) e bem acima do consenso de mercado (+150 mil), compensando parte da sinalização negativa trazida pela PNAD de julho divulgada hoje pela manhã.

A melhora do resultado do Caged em agosto foi consequência principalmente do avanço significativo do número de admissões (majoritariamente intermitentes e temporárias) no mês. O número de desligamentos no setor formal, que vinha caindo nos últimos meses sustentado pelo BEM, parece estar perdendo ímpeto na margem.

Esse movimento do número de demissões rememora o melhor momento do mercado de trabalho brasileiro (2010-2011), mas reforça o risco (já sinalizado pela PNAD) de que as demissões dos trabalhadores formais aconteçam de forma mais acelerada no cenário pós-pandemia, quando os acordos realizados nos primeiros meses desse ano atingirem seu prazo de validade.

Conclusão: balanço misto

Em linhas gerais, o balanço dos dados divulgados hoje (Caged e PNAD) é misto. Por um lado, existe o risco de que, com o fim do BEM (que foi prorrogado por mais dois meses) e do auxílio emergencial, as demissões aconteçam de forma mais acelerada e que os indivíduos mais vulneráveis da economia retornem à força de trabalho (pressionando as medidas de desemprego). Por outro lado, o aumento das admissões temporárias já é um primeiro indício de que o mercado de trabalho formal pode ter deixado o pior para trás, além de que, com a melhora gradual do setor de serviços (intensivo em mão de obra), existe uma boa probabilidade de que as admissões no mercado de trabalho formal se recuperem de forma mais acelerada no ano que vem.

De toda a forma, a sustentabilidade da retomada do mercado de trabalho continua sendo um dos principais fatores de risco ao cenário de recuperação da atividade econômica no pós-pandemia.

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