XP Expert

Bolsa americana: oportunidade de compra?

Após um início de ano turbulento, já é hora de se voltar a investir na Bolsa americana, ou ainda é cedo? Discutimos se é hora de comprar ações americanas no Sunday XPresso,

Compartilhar:

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp
  • Compartilhar no LinkedIn
  • Compartilhar via E-mail

Volatilidade: Qualidade do que sofre constantes mudanças; característica do que é volátil, do que não é firme, daquilo que muda constantemente ou se vaporiza.

Esperávamos um ano de 2022 com maior volatilidade em nosso relatório “Onde Investir 2022”. Pelo começo de ano que tivemos até aqui, dá para se afirmar que a expectativa está sendo seguida à risca. O índice S&P500 da Bolsa americana cai mais de -6% e o Nasdaq cai -11%. Já o Bitcoin cai -16% no ano, e acumula quase -40% de queda desde o pico. A Bolsa brasileira, por enquanto, segue indo em outra direção, e já sobe +9% no ano, como descrevemos em detalhe no “Raio-XP da Bolsa”.

Mas o que está acontecendo com a Bolsa americana?

Após um início de ano turbulento, já é hora de se voltar a investir por lá, ou seria melhor esperar?

Em primeiro lugar, sempre temos que colocar as coisas em perspectivas, e não olhar os retornos apenas pelo prisma dos anos do calendário. Quando olhamos em um horizonte mais longo de tempo, a Bolsa americana teve uma performance bastante superior à qualquer outra Bolsa do mundo nos últimos anos.

Performance dos principais índices nos últimos 2, 5 e 10 anos

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

Isso por conta da forte performance das empresas do setor de tecnologia, que hoje representam mais de 33% dos índices das Bolsas americanas. Enquanto essas empresas vão seguir sendo disruptivas nos próximos anos, essa grande exposição ao setor vem sendo um problema em 2022.

O início do ciclo de aperto monetário, e a “grande rotação”

No início do ciclo de aperto monetário nos EUA, tivemos a promessa do Federal Reserve de que irá reduzir o tamanho do seu balanço e retirar liquidez dos mercados. Desde o início da pandemia, em março de 2020, o Fed aumentou o seu balanço em +US$4,7 trilhões, de US$4,16 trilhões para US$8,87 trilhões atualmente. Essa enorme quantidade de dinheiro ajudou a manter as taxas de juros baixas no mercado, e também ajudou os preços de ativos a subirem nos últimos 2 anos.

Dessa forma, com a mudança de ciclo nos EUA, as taxas de juros de mercado, medido pelos títulos do governo americano, chamadas Treasuries, tiveram uma forte alta recente. As Treasuries já subiram para os maiores níveis desde o pré-pandemia, e a taxa do título de 10 anos já se aproxima de 2% ao ano.

Esse aumento de juros tem levado a uma “grande rotação”, já que os investidores estão saindo de setores mais sensíveis ao aumento de juros – como o setor de tecnologia – e comprando setores que têm menor impacto, ou que se beneficiam desse aumento – como bancos e commodities.

A Bolsa americana está cara?

 A resposta curta é que sim. A Bolsa americana ainda não se encontra em patamares que podemos considerar “baratos”. O indicador de Preço/Lucro está em 20,2x, ou 30% acima da média histórica, entre 15-16x.

Fonte: Bloomberg, XP Investimentos

Por outro lado, uma das métricas que mais gostamos é de comparar o valuation das bolsas com o nível de juros reais – juros descontados da inflação. Os juros reais de 10 anos nos EUA se mantêm em um baixo nível, de apenas -0,5%, enquanto a Bolsa americana oferece hoje uma rentabilidade esperada de +5,4% ao ano (medido pelo Earnings Yield), como vemos no gráfico abaixo.

Prêmio de risco do S&P500 e juro real de longo prazo – %

Fonte: XP Investimentos

Dessa forma, o indicador que compara a rentabilidade esperada da Bolsa com o nível de juros reais, também conhecido como “Prêmio de Risco” (Equity Risk Premium), se encontra bem em linha com a média histórica. Ou seja, as ações americanas não estão caras quando comparadas ao nível de juros nos EUA.

Prêmio de Risco da Bolsa = diferença entre retornos esperados da Bolsa vs. Renda Fixa

Fonte: XP Investimentos

O que acontece com a Bolsa americana se os níveis de juros reais seguirem subindo?

Fizemos essa sensibilidade. Caso os juros reais de 10 anos nos EUA voltem para 0%, dos -0,5% que apresenta atualmente, a Bolsa americana deveria cair 15% para retornar o “Prêmio de Risco” de volta para a média histórica, e o Preço/Lucro de volta para 17x. Caso os juros reais retornem para +1%, a Bolsa americana deveria corrigir 27%, trazendo a relação de Preço/Lucro de volta para 15x, de 20,2x hoje.

Ou seja, caso os juros nos EUA sigam subindo, a Bolsa americana deveria corrigir mais, para trazer a relação entre a Renda Fixa e a Bolsa de volta aos patamares históricos.

Sólidos resultados, e bom crescimento de lucro esperado para 2022

55% das empresas do S&P500 já reportaram seus resultados referentes ao 4º trimestre de 2021. Até agora, 68% delas surpreendeu positivamente em relação às expectativas de receita e 76% surpreendeu nas expectativas de lucro, com uma média de surpresa positiva de +6%. Esses dados mostram mais uma sólida temporada de resultados das empresas americanas.

Porém, vimos uma série delas tendo reações bastante negativas após guiarem para resultados mais fracos adiante, como no caso da Tesla, Netflix, e a mais impressionante delas, a Meta (dona do Facebook), que caiu -26% em um dia, e bateu o recorde de queda de valor de uma companhia em apenas 1 dia, de US$195 bilhões. Essas fortes reações mostram que o mercado americano segue mais “nervoso” em relação ao futuro.

Para o ano de 2022, o consenso de mercado espera um crescimento de lucros para empresas do S&P500 de +16%, o que consideramos como sólido.

Conclusão: curto prazo volátil, mas o otimismo segue intacto

Seguimos esperando um curto prazo volátil para a Bolsa americana, na medida em que o ciclo monetário se encontra em transição, e uma alta significativa das taxas de juros e retirada dos estímulos monetários é aguardada para esse ano. Dessa forma, caso os juros de mercados sigam em alta, a Bolsa americana poderia vir a sofrer mais, pois ela ainda não se encontra em patamares atrativos de preço, como mostramos.

Dito isso, o nosso otimismo com a Bolsa americana no médio e longo prazo segue intacto. A Bolsa americana retornou em média 10% ao ano em dólares nos últimos 20 anos. Já o gráfico do livro “Ações para o Longo Prazo”, do professor Jeremy Siegel, mostra que desde 1802, a Bolsa americana teve um retorno médio de 6,6% ao ano.

Não só a economia americana segue entre as mais pujantes do mundo, mas as grandes empresas americanas deverão seguir na liderança de muitas tendências que irão mudar o mundo na próxima década, principalmente na área de tecnologia.

Assim, investidores que ainda possuem uma baixa diversificação internacional devem usar esses momentos de fraqueza para aumentar a sua posição nessa classe de ativos.

Fonte: Livro “Ações para o Longo Prazo”, Siegel, Jeremy

Abra sua conta na XP Investimentos e conte com o nosso time especializado de assessores.

XP Expert

Avaliação

O quão foi útil este conteúdo pra você?


Newsletter
Newsletter

Gostaria de receber nossos conteúdos por e-mail?

Cadastre-se e receba grátis nossos relatórios e recomendações de investimentos

Telegram
Telegram XP

Acesse os conteúdos

Telegram XP

pelo Telegram da XP Investimentos

Disclaimer:

Este relatório de análise foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos ou XP”) de acordo com todas as exigências na Resolução CVM 20/2021, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A XP Investimentos não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório. Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor. O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à XP Investimentos e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela XP Investimentos.

O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Instrução CVM nº 598/18 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório. Os analistas da XP Investimentos estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários da XP Investimentos. O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da XP Investimentos ou por agentes autônomos de investimento que desempenham suas atividades por meio da XP, em conformidade com a ICVM nº 497/2011, os quais encontram-se registrados na Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários – ANCORD. O agente autônomo de investimento não pode realizar consultoria, administração ou gestão de patrimônio de clientes, devendo atuar como intermediário e solicitar autorização prévia do cliente para a realização de qualquer operação no mercado de capitais. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os tipos de cliente. Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor. Este material não sugere qualquer alteração de carteira, mas somente orientação sobre produtos adequados a determinado perfil de investidor. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes. Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo agentes autônomos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos. SAC. 0800 77 20202. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710. O custo da operação e a política de cobrança estão definidos nas tabelas de custos operacionais disponibilizadas no site da XP Investimentos: www.xpi.com.br. A XP Investimentos se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo. A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas. O investimento em ações é indicado para investidores de perfil moderado e agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto. O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. O investimento em termos é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. São contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem. O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos, e por isso é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.

A XP Investimentos CCTVM S/A, inscrita sob o CNPJ: 02.332.886/0001-04, é uma instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.Toda comunicação através de rede mundial de computadores está sujeita a interrupções ou atrasos, podendo impedir ou prejudicar o envio de ordens ou a recepção de informações atualizadas. A XP Investimentos exime-se de responsabilidade por danos sofridos por seus clientes, por força de falha de serviços disponibilizados por terceiros. A XP Investimentos CCTVM S/A é instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.


Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com a nossa Política de Cookies (gerencie suas preferências de cookies) e a nossa Política de Privacidade.