A Bolsa pode chegar em 200 mil pontos?


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“Bull markets nascem no pessimismo, crescem no ceticismo, maturam no otimismo e morrem na euforia” John Templeton

A Bolsa brasileira está entre as melhores Bolsas no mundo em termos de performance nos últimos 3 meses, subindo +12,5% em moeda local e +22% em dólares. Dessa forma, a Bolsa brasileira não está mais entre as 10 piores no mundo em 2021, como estava no começo do ano. No ano, o Ibovespa em dólares já sobe +10,4% no ano, acima da Nasdaq (+9,1%) e próximo do S&P500 (+13%), do MSCI Global (+11%) e do Euro Stoxx (+15%).

Com o rali recente da Bolsa, vimos o otimismo também voltar, e muitos já começam a se questionar se o Ibovespa não poderia passar dos 150,000 pontos, e talvez chegar até 200,000 pontos, para os super otimistas. Vamos discutir o que seria necessário para que isso aconteça.

Como mostramos nos últimos Raio-XP da Bolsa, nossa visão segue construtiva com as ações brasileiras, e temos um valor justo (target) de 145,000 pontos para o Ibovespa para o final de 2021. Por trás dessa visão otimista estão:

  1. Ciclo favorável das commodities: o índice de CRB de preços das commodities sobe +52% nos últimos 12 meses, e várias commodities importantes para o Brasil, como minério de ferro, petróleo e soja, sobem bem mais que isso. Um ciclo de commodities não acontece todos os anos, e é difícil prever até quando esse ciclo favorável irá. Mas além dos impactos óbvios nos setores de commodities e na balança comercial e câmbio, mostramos a alta correlação que a economia brasileira tem com as commodities, pelo impacto indireto.
  2. Economia doméstica acelerando: os economistas já preveem um crescimento acima de 5% para a economia brasileira em 2021. Há poucos meses, essa projeção era em torno de 3-3,5% apenas. Além do ciclo das commodities e um PIB mais forte que o esperado no 1º trimestre, a aceleração da vacinação e a expectativa da reabertura da economia no 2º semestre estão por trás da melhora das estimativas para o ano. Essa aceleração ajudará as empresas da Bolsa a crescerem seus lucros de forma expressiva. O consenso espera que o Lucro por ação do Ibovespa triplique em 2021, de 4,000 pontos em 2020 para próximo de 12,000 em 2021.
  3. Valuation atrativo: apesar da alta recente, a Bolsa brasileira continua barata, negociando a 10,8x Preço/Lucro para 2021, abaixo da média histórica de 12,5x. Em relação ao S&P500, a Bolsa brasileira negocia com um desconto de 52%, bem acima da média histórica de 25% de desconto. A Bolsa também está atrativa em relação à renda fixa, com um rendimento dos lucros (Earnings Yield) de 9,3%, +5,4% acima dos juros reais, medidos pela NTN-B de 2030, que está com juros de 3,9%a.a. A média histórica é de +4,4% de rendimento para a Bolsa acima dos juros reais.
  4. Fluxo retornando: desde Março, já entraram R$30 bilhões de fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira, sem considerar os fluxos para os IPOs. No ano, esse saldo já supera R$51 bilhões, e nos últimos 12 meses o saldo está positivo em R$91 bilhões. Sem dúvidas esse fluxo robusto tem ajudado a Bolsa brasileira a renovar as máximas de preços, e acreditamos que existam razões para que o fluxo siga positivo nos meses a frente. (veja Fluxo em Foco)
  5. Balanços sólidos das empresas: não só a economia está melhorando, mas as empresas brasileiras estão em uma situação bastante confortável de endividamento. O nível de endividamento médio do Ibovespa hoje se encontra em 1,5x Dívida Líquida sobre o EBITDA (lucro operacional), bem abaixo dos 4-5x que esse indicador se encontrava há alguns anos atrás. Isso possibilita que o aumento na geração de caixa seja distribuída via dividendos ou via aumento de investimentos (como fusões e aquisições e expansão do negócio), que faz acelerar o crescimento do negócio.

Mas e os 200,000 pontos da Bolsa?

Agora, voltando ao título do relatório e sem tentar fugir da pergunta. O que precisaria acontecer para a Bolsa brasileira chegar, ou até superar, o nível de 200,000 pontos em algum momento nos próximos 12 meses?

  1. Em primeiro lugar, expectativas de lucro mais robustas para 2022. Apesar do forte crescimento de lucros esperado para 2021, o mercado ainda espera lucros estáveis em 2022 em relação a 2021, próximo de 12,000 pontos. Por trás dessa expectativa está uma premissa de preços de commodities voltando a um patamar mais baixo que o atual, e provavelmente uma taxa de câmbio média também mais baixa que a recente. Isso faz com que os setores ligados às commodities, que representam cerca de 35% do índice, impulsionarem a expectativa de lucros para 2021, mas não para 2022. Acreditamos que essa premissa possa ser conservadora, e caso a economia siga acelerando e o ciclo das commodities seja mais extenso, vemos chance de revisão para cima na premissa de Lucros para 2022.
  2. Em segundo lugar, um re-rating de múltiplos (aumento dos múltiplos da Bolsa). Como falamos acima, e mostramos nos gráficos abaixo, a Bolsa brasileira segue barata, por várias métricas diferentes. Para que a Bolsa chegue a um patamar de 200,000 pontos (+54% do nível atual), a Bolsa deveria ficar mais “cara” também, e ser precifica em níveis de múltiplos de Preço/Lucro mais altos. Para que isso aconteça, o mercado têm que começar a enxergar uma visibilidade maior no ciclo atual para além de 2021. Além disso, 1) taxas de juros de longo prazo mais baixas também poderiam ajudar a elevar o Preço/Lucro da Bolsa e 2) continuação do fluxo forte de investidores estrangeiros.

Fizemos um exercício com base nos números de 2022, e caso o Lucro por Ação da Bolsa suba +15% em 2022 (ao invés de estável) e o P/L da Bolsa suba para 13x (vs. atual em 10,8x), a Bolsa poderia assim chegar nos 200,000 pontos. Isso ainda aparece um cenário bastante otimista, e ainda pouco provável de acontecer. 2022 deve ser um ano volátil, por conta das eleições, portanto ainda é difícil de imaginar um cenário que a Bolsa fique mais cara em 2022 em relação à média histórica.

Caso o Preço/Lucro não se altere, e se mantenha em 10,8x, o Lucro por Ação da Bolsa deveria subir +40% em 2022, para 16,800 pontos (vs. 12,000 em 2021), um cenário que hoje também parece bastante improvável.

Portanto, ainda é cedo e prematuro para estimar voos mais altos para o Ibovespa nos próximos 12 meses rumo aos 200,000 pontos. Mas cada passo de cada vez, o cenário permanece construtivo e seguimos otimistas com a Bolsa brasileira.

Múltiplo Preço/Lucro do Ibovespa segue abaixo da média histórica

Preço/Lucro (P/L): com uma relação P/L de 10,8x, o Ibovespa continua descontado em relação à sua média de 10 anos:

E o desconto em relação ao P/L do índice S&P 500, ele continua maior que do que a média. Atualmente, esse desconto está em 52%, enquanto a média da última década foi de aproximadamente 30%.

Clique aqui e leia o último Raio-XP da Bolsa

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