Fluxo em foco: Estrangeiros voltam a comprar Brasil

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira em março? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.


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O mês de maio foi marcado pela redução dos riscos fiscais, a melhora dos dados de Covid-19, a vacinação em andamento, e dados econômicos melhores do que o esperado, que finalmente permitiram os investidores a se concentrarem cada vez menos nas preocupações macroeconômicas e mais nos fundamentos das empresas. Além de uma melhora no cenário doméstico, a Bolsa também tem sido impulsionada pelo cenário externo, em particular, pelo ciclo de commodities que se tornou favorável novamente.

Como resultado, os ativos brasileiros finalmente começaram se recuperar e alcançar os mercados globais. Em maio, o Ibovespa subiu +6,2% em moeda local, e com o real mais valorizado, a Bolsa brasileira acumulou ganhos de +9,7% em dólares. Esse desempenho foi bastante acima do índice de ações globais, o MSCI ACWI, que subiu +1,4% no mesmo período.

Dessa forma, o cenário mais positivo reverteu a piora na percepção de investidores que ocorreu nos primeiros meses de 2021, e voltou a atrair estrangeiros para a Bolsa. No acumulado do ano, até maio, o índice brasileiro avançou +6,1% em moeda local e +4,6% em dólar.

Quer saber a nossa visão dos acontecimentos recentes e visão para a Bolsa no Brasil? Clique aqui: Raio-XP da Bolsa: Não há Brasil sem as commodities

Além disso, o número investidores pessoas físicas continuou crescendo (link). Essa tendência, somada ao potencial de migração de renda fixa e poupança, que juntos somam mais de R$5 trilhões (levando em conta somente fundos investidos em renda fixa), para renda variável, nos deixam otimistas em relação ao potencial de crescimento da Bolsa no longo prazo.

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Welcome back! Fluxo de investidores é positivo em maio

O fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira foi positivo no mês de maio e nos primeiros dias de junho de 2021, com um saldo de +R$20,1 bilhões¹*. O ritmo de entrada de capital acelerou novamente, após o saldo negativo em fevereiro e março (-R$8,5 bilhões), de forma que a entrada no começo de junho sozinha foi maior do que toda a entrada em abril (+R$7,9 bilhões do dia 1 até 7 de junho vs. +R$7,0 bilhões em abril). Como consequência, o saldo em 2021 já acumula +R$43,1 bilhões*.

¹ de 01/05/2021 até 07/06/2021
*Saldo não considera a entrada/saída de capital estrangeiro por IPOs e Follow Ons em março e abril, pois os dados ainda não foram divulgados pela B3.

Como previmos anteriormente, o retorno desses investidores se dá pela: i) melhor resolução sobre a trajetória fiscal e política do país; ii) avanço da vacinação contra o coronavírus e continuação da recuperação econômica; iii) cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes, e iv) o avanço crescente das iniciativas ESG pelas empresas brasileiras.

Fundos investimento: Alocação em ações volta a aumentar em março

A alocação dos fundos de investimentos em ações teve um fluxo positivo em abril, último dado disponível, de +R$33,39 bilhões (+4,5% M/M), chegando a R$780,3 bilhões alocados em ações. Com isso, a alocação em ações subiu +0,5p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, mas ainda representa apenas 15,0% do total.

Em contraste, os fundos têm R$4,4 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 84,8% do seu patrimônio. Em abril, vimos ainda uma leve alta de R$25,1 bilhões (+0,6% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos.

Fundos de pensão: Saldo positivo em ações em 2020

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de dezembro de 2020 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações foi negativo em -R$1,7 bilhões (-2,2% M/M). Apesar disso, eles fecharam o ano com um saldo positivo de R$810,0 milhões e terminaram 2020 com uma alocação de R$75,5 bilhões em ações.

Já o fluxo em fundos de renda variável foi positivo em R$11,3 bilhões (+9,4% M/M) no último mês de 2020, chegando a R$130,8 bilhões, porém foi menor do que o movimento no mês anterior (R$16,6 bilhões, +16,2% M/M).

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 20,4% da carteira desses fundos de pensão, valor este que se compara aos 72,6% alocados em renda fixa, um saldo de R$734,1 bilhões em dezembro de 2020.

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Pessoas físicas voltam a aumentar posição na Bolsa em abril

Como destacado em nosso relatório XP Monitor, em maio vimos um crescimento de +5,6% M/M na posição total dos investidores pessoas físicas em R$28,1 bilhões, chegando à R$533,2 bilhões. Houve uma aceleração em relação ao crescimento de +4,7% em abril, em oposição à diminuição no ritmo de crescimento do número de PFs, em -5,1p.p. desde março.

Em termo absolutos, o crescimento continuou positivo em 51.177 pessoas, +1,4% M/M, atingindo 3.738.026. Comparado a 2020, quando encerramos o ano com 3.229.318 contas ativas na B3, continuamos a ver uma alta de +15,8%. Esse movimento sugere que PFs que já estavam na Bolsa continuam investindo valores maiores.

Investidores estrangeiros, pessoas físicas e instituições possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (46,8%), 2) instituições (26,6%) e 3) pessoas físicas (21,1%). Juntos, eles representam 94,5% dos participantes do mercado acionário.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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