Quatro empresas sob nossa cobertura reportaram resultados ontem à noite: AXIA, AURE, CPLE e EGIE. A AXIA entregou um miss nos resultados vs. XPe (e marginalmente abaixo do consenso) e anunciou mais R$ 3,7 bilhões em capital a ser devolvido aos acionistas (~5% de yield acumulado a ser distribuído). Esperamos uma reação neutra a marginalmente positiva do mercado. A AURE entregou resultados em linha conosco (EBITDA ajustado 1% acima da XPe). No geral, não esperamos que os resultados sejam um mover para a AURE. Os resultados da CPLE também vieram em linha conosco e com o consenso (2% abaixo da XPe), com uma composição de resultados em linha tanto na G&T quanto na DisCo. Também esperamos uma reação neutra do mercado para a CPLE. Por fim, a EGIE reportou um EBITDA ajustado em linha com nossas estimativas e também não deve ser um mover de mercado para o papel.
Axia Energia (AXIA3; Compra; YE26 de R$ 63,3) – (=) Reduzindo Riscos e com altos Yields
Há elementos nos resultados que possam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA ajustado da Axia de R$ 6,4 bilhões ficou 9% abaixo da XPe e ~4% abaixo do consenso. Os principais destaques frente aos nossos números foram: i) sobre os números da geradora de energia, a EGP veio 10% abaixo das nossas estimativas, principalmente devido a um menor EGP/MWh (a energia vendida veio exatamente em linha com nossas expectativas); e ii) uma contribuição menor de transmissão ajustada, de R$ 140 milhões. Em relação ao miss da EGP, não estamos tão preocupados, pois o erro pode ser o acúmulo de diversos itens que não devem ser tão recorrentes, embora vamos acompanhar as margens nos próximos trimestres. Quanto ao miss na receita de transmissão, também acreditamos que não deve ser tão preocupante, dado que modelamos a RAP divulgada pelo regulador e ela deve apresentar pequenos desvios ao longo do tempo.
Fundamentalmente, não vemos elementos relevantes que nos levem a revisar substancialmente nossas estimativas, embora queiramos nos aprofundar com a administração sobre como criar mais precisão nos resultados intranuais de geração. No front de custos, o PMSO ajustado recorrente foi saudável e em linha com nossa estimativa. Por fim, a companhia anunciou que alocou um potencial de R$ 3,7 bilhões para recompra/resgate de ações da AXIA7 ao longo de 2026 (totalizando R$ 7,7 bilhões no 1T26). Acreditamos que este anúncio funciona como um evento de redução de risco e deve criar momentum para o papel, já que há um yield acumulado de 5% a ser devolvido e esperamos que esse ritmo continue nos próximos trimestres.
Mantemos nossa recomendação de Compra e preço-alvo final de 2026 de R$ 63,3/AXIA3.
Vemos a AXIA3 negociando com uma TIR real de 12,4%. Com: i) uma mudança de paradigma na forma como o mercado precifica os preços de energia de LP; ii) itens não recorrentes perdendo relevância; e iii) uma simplificação societária relevante, vemos a tese da Axia concentrada nos preços de LP e nas opcionalidades que os cercam. Além disso, à medida que a opcionalidade dos preços de LP começa a ser totalmente precificada, acreditamos que a segunda camada da história pode ganhar mais importância: a alocação de capital. Após alguns anos de housecleaning e alinhamento de incentivos, a companhia está consolidando sua estratégia corporativa para o LP. Embora reconheçamos e apreciemos o roteiro claro sobre como pensar as distribuições de dividendos, ainda acreditamos que a AXIA tem mais a oferecer se a companhia conseguir encontrar formas de realocar seu fluxo de caixa recorrente de ~US$ 3-5 bilhões a retornos accretivos de forma sistemática, seja em oportunidades no Brasil ou criando as qualidades e forças necessárias para internacionalizar a companhia e aumentar as oportunidades de alocação disponíveis.
Copel (CPLE3; Compra; preço-alvo final de 2026 de R$ 19,9/ação) – (=) Em Linha com a XPe e o Consenso
Há elementos nos resultados que possam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA ajustado da CPLE de R$ 1.613 milhões ficou 2% abaixo das nossas estimativas e em linha com o consenso. No segmento de distribuição, vimos volumes saudáveis, refletindo maior atividade econômica em sua área de concessão, enquanto a margem bruta ficou ligeiramente acima de nossas projeções (+3%). Dito isso, o PMSO veio ligeiramente acima das nossas expectativas (6% vs. XPe), levando a um EBITDA ajustado de R$ 766 milhões (1% abaixo das nossas estimativas). Em relação à sua subsidiária GeT, o lucro bruto de energia/MWh ficou 1% abaixo do nosso, refletindo efeitos favoráveis de modulação conforme esperado (particularmente na hídrica), e parcialmente afetado por maiores custos de compra de energia ligados ao curtailment, resultando em um EBITDA 1% abaixo das nossas expectativas. Esperamos uma reação neutra do mercado.
Mantemos nossa recomendação de Compra e preço-alvo final de 2026 de R$ 19,9/ação.
Nos preços atuais, vemos a CPLE negociando a uma TIR real atrativa de 12,9%, com a Copel oferecendo uma combinação equilibrada de yield e crescimento. A companhia consegue distribuir dividend yields sustentáveis de um dígito alto/dois dígitos baixos e crescer a bons ROICs marginais em seu segmento de DisCo. Além disso, a companhia conseguiu se reposicionar rapidamente como um nome premium dentro do setor após diversas movimentações estratégicas e atrativas (vendas de ativos, aquisições e desinvestimento, e o extremamente bem-sucedido LRCAP), que corroboram nossa visão (e a do mercado) de que a atual administração está entre as melhores do nosso universo de cobertura e que quaisquer novos anúncios devem continuar consolidando essa percepção. Acreditamos também que a companhia será uma candidata para quaisquer ativos de distribuição que cheguem ao mercado, embora ainda não a vejamos como a principal candidata para nenhum desses ativos, dada a expertise e o histórico de seus pares no segmento.
Auren (AURE3; Neutro; preço-alvo final de 2026 de R$ 13,8/ação) – (=) Em Linha com a XPe e o Consenso
Há elementos nos resultados que possam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA ajustado da Auren de R$ 749 milhões veio exatamente em linha com nossas expectativas (+1% XPe e -1% consenso). Nossas estimativas capturaram GSF, curtailment e modulação com boa aderência, com o Lucro Bruto de Energia da geradora vindo ligeiramente acima das nossas estimativas (+2%). Contudo, observamos que a energia vendida pela geradora de energia veio abaixo das nossas estimativas (-15% XPe), traduzindo-se em um EGP/MWh maior do que o antecipado (+20% XPe), provavelmente como resultado da estratégia de hedge adotada pela companhia. Em relação aos resultados de trading, o EBITDA reportado de -R$ 17 milhões veio ligeiramente abaixo das nossas estimativas (-R$ 15 milhões XPe). No geral, antecipamos uma reação neutra do mercado. Não esperamos revisões relevantes em nossas estimativas futuras e acreditamos que a companhia está no caminho certo para entregar perto da nossa estimativa de EBITDA de R$ 3 bilhões para o ano fiscal de 2026. No front de custos, a companhia mostrou bom controle de custos, amplamente em linha com nossas estimativas.
Mantemos nossa recomendação Neutra e preço-alvo final de 2026 de R$ 13,8/ação.
Vemos a AURE3 negociando a uma TIR real simétrica de 13,4% (quando comparada ao perfil de risco atual da companhia). Para que a tese de investimento da AURE ganhe clareza/momentum, ela depende de: i) o mercado conseguir enxergar algum nível de solução estrutural para o curtailment de LP; e ii) um ponto de inflexão no atual momentum operacional negativo que levou a revisões relevantes de EBITDA para 2026/27, devido a um balanço de energia curto que tem sido prejudicado pelos preços elevados de energia. O alinhamento de apenas um desses pontos pode não ser suficiente, o que torna difícil nos tornarmos mais construtivos neste momento, embora reconheçamos que pode haver mais eventos de cauda apontando para o lado positivo do que para o negativo.
Engie (EGIE3; Neutro; preço-alvo final de 2026 de R$ 31,5/ação) – (=/-) Resultados Neutros do 2T26
Há elementos nos resultados que possam mudar estruturalmente nossa visão?
O EBITDA reportado da EGIE de R$ 1.678 milhões veio amplamente em linha com nossas estimativas. O EGP/MWh da EGIE ficou 6% abaixo das nossas estimativas, pois o curtailment e a estratégia de hedge da EGIE pressionaram as margens para baixo, enquanto os volumes no trimestre ficaram ligeiramente acima das nossas estimativas, levando a um miss de EGP de 4%. Além disso, as receitas de transmissão surpreenderam positivamente, e precisamos adicionar parte dessas receitas ao nosso modelo. No front de custos, um PMSO melhor do que o esperado vs. nossas estimativas ajudou a compensar o lucro bruto mais fraco e as maiores despesas de transmissão. Destacamos também alguns efeitos não recorrentes, incluindo o reconhecimento positivo tanto do pré-pagamento do UBP (R$ 1,9 bilhão antes dos impostos) quanto de R$ 125 milhões em créditos tributários no nível de despesas, além de R$ 96 milhões adicionais no nível de receita financeira. Por fim, o Conselho de Administração aprovou R$ 770,8 milhões em dividendos intermediários (R$ 0,54/ação), equivalentes a um payout de 55% sobre o lucro contábil (a receita recorrente daqui para frente deve levar a yields menores). No geral, os resultados não trazem mudanças materiais potenciais para nossas estimativas.
Mantemos nossa recomendação Neutra e preço-alvo final de 2026 de R$ 31,5/ação.
Aos preços atuais, vemos a EGIE negociando a uma TIR real pouco atraente de 9,6%. Enxergamos a EGIE como uma companhia que historicamente entregou fielmente sua proposta estratégica: uma combinação de crescimento seletivo e um portfólio defensivo de ativos que proporcionou historicamente yields elevados e baixa volatilidade de lucros. No entanto, assim como outros players, o crescimento da EGIE em direção às renováveis aumentou a volatilidade dos lucros, e o maior ciclo de investimentos da história da companhia reduziu o payout da EGIE para o mínimo orientado de 55%. Com o desejo de continuar buscando oportunidades de crescimento no segmento de transmissão e uma alavancagem ainda maior do que a companhia considera recorrente (entre 2,0-2,5x), vemos os próximos anos como uma continuidade de payouts e yields no piso, enquanto a companhia continua buscando crescimento (com foco em transmissão). Com a conclusão da transferência de Jirau e do follow-on, não há catalisadores relevantes de curto prazo para a EGIE à vista.
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