Petróleo: Crise se aprofunda com retaliação da Arábia Saudita ao fracasso das negociações da OPEP+ para cortar produção

A crise do petróleo se aprofundou no final de semana, com retaliação da Arábia Saudita ao fracasso das negociações da OPEP na forma de redução de preços e aumento de produção a partir de abril,


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Na última sexta-feira, os preços do petróleo tipo Brent fecharam em queda de -9,3% (aos US$45,4/barril), após os países da OPEP+ (que inclui os maiores produtores do mundo, além de aliados como a Rússia), não conseguirem chegar a um acordo para a realização de cortes adicionais de produção para mitigar os impactos do coronavírus sobre a demanda de petróleo.

O grande motivo do impasse foi o desacordo entre a Arábia Saudita (líder de fato da OPEP) e a Rússia, sinalizando o fim de uma parceria entre os países que vigorava desde 2016 e que ajudou a reequilibrar os preços de petróleo após atingirem os patamares mínimos de US$28/barril em janeiro de 2016.

Assim, não só o grupo dos maiores produtores de petróleo do mundo fracassou em propor cortes adicionais de produção, como se chegou rapidamente em um cenário muito negativo, dado que a partir de abril de 2020 tais países não estão mais vinculados a um acordo de redução voluntária de produção de petróleo para equilibrar os preços da commodity.

Além disso, a Arábia Saudita já iniciou durante o final de semana um processo de retaliação ao fracasso do acordo de cortes de produção. Segundo notícias, a estatal petrolífera do reino, a Saudi Aramco (maior empresa do mundo listada em bolsa), está oferecendo elevados descontos de preços oficiais de venda de petróleo cru a partir de abril.

Outras notícias mencionam que o reino está se preparando para elevar sua produção significativamente acima do patamar de 10 milhões de barris ao dia (mbpd). Isso se compara ao nível de 9,7 mbpd que o país estava produzindo desde janeiro de 2020, que por sua vez já eram inferiores aos 10,144 mbpd que os sauditas tinham direito a produzir dentro do último acordo de produção da OPEP+.

Lembramos que, em 5 de dezembro de 2019, os países da OPEP+ (grupo que inclui aliados como a Rússia) concordaram em realizar cortes de produção de 1,7 milhão de barris ao dia a partir de janeiro de 2020, liderados principalmente pela Arábia Saudita, que à época se comprometeu a realizar cortes voluntários adicionais.

A notícia é uma sinalização negativa aos preços de petróleo, dado que o mercado da commodity pode rapidamente chegar a uma situação de excesso de oferta e elevação rápida de estoques devido ao efeito combinado de (1) queda abrupta da demanda devido aos impactos negativos do coronavírus à economia global e (2) um potencial aumento de produção desenfreado pelos países da OPEP e seus aliados com o fim da aliança para controle de oferta.

Soma-se a isso o fato da produção dos Estados Unidos continuarem a registrar recordes de produção de petróleo em vista do avanço contínuo da produção de petróleo de xisto.

A curva futura de preços de petróleo já reagiu rapidamente ao noticiário com forte queda, sinalizando uma expectativa de excesso de oferta da commodity nos próximos meses. Apesar das grandes incertezas, não descartamos quedas adicionais de preços caso as expectativas do setor continuem a se deteriorar.

Nesse sentido, nossa expectativa é de que os ativos correlacionados ao setor de petróleo e gás continuem a apresentar elevada volatilidade no curto prazo, reagindo negativamente a notícias de elevação de produção de petróleo e aumento de estoques.

Por outro lado, a postura da Arábia Saudita poderia ser parte de uma estratégia de impor prejuízos de maneira muito rápida e aguda na Rússia e outros produtores, de modo a incentivar todos a retomarem negociações e eventualmente restabelecerem cortes de produção para reequilibrar o mercado. Embora haja pouca visibilidade dos próximos passos, notícias apontam que a Comitê Técnico da OPEP+, com representantes da Arábia Saudita e Rússia, planeja se encontrar novamente em 18 de março para analisar a situação do mercado de petróleo.

Para concluir, nossa visão é a de que é necessário cautela com ativos relacionados ao setor de petróleo e gás no curto prazo, em particular àqueles mais expostos às atividades de exploração & produção (normalmente agrupados na sigla E&P) e refino, enquanto o setor de distribuição de combustíveis deve sofrer impactos marginais relacionados à desvalorização de estoques.

Mantemos nossa recomendação de Compra nas ações da Cosan (CSAN3) e Neutro nas ações da Ultrapar (UGPA3). Estamos restritos nas ações de Petrobras e BR Distribuidora.

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